Prig Stígur- A Atrevida

2 Afinal qual é o seu nome?


Notas iniciais
Eu demorei um pouco, mas eu to cheia de coisa pra rever, semana do ENEM... Eu provavelmente morro essa semana =.=
Enfim, não quero envolver vocês em mais pirações pessoais, então aproveitem ^-^

Prig continuava cochilando tranquilamente no armário, suas mãos se agitaram de repente e as marcas que estavam na mesma brilharam, as orelhas de um bicho qualquer que antes estavam na cabeça da morena, sumiram e deram lugar à um pequenino par de orelhas pretas e fofas, orelhas de gato... Espera um pouco... Então a nossa Prig consegue mudar a aparência? Que esquisito... Por isso ninguém lembra-se dela... Hum, até que faz sentido...

Uma fina cauda cresceu na moça que do nada usava um vestido preto rendado, assim como as luvas, além disso sua bota encurtou e ficou no tornozelo... Realmente estranho, mas como narradora não posso fazer nada mais que narrar, obviamente, portanto continuamos, a moça ainda dormia sem notar a alteração radical que acabara de sofrer. A cauda se agitava casualmente, as orelhinhas mexiam vez ou outra, tudo estava silencioso e calmo, a trilha fina de Sandman aos poucos se desvaia acima da cabeça da criança, de repente ela se desfez completamente e a criança acordou sobressaltada.

Era um menino de cabelos castanhos e pele pálida, algumas sardas salpicavam o topo de suas bochechas, deveria ter em torno de uns oito anos, o galgo acordou junto com ele, farejando o nada e rosnando baixinho:

–Rex, calma garoto- O menino falava sorrindo, Prig acordou e arregalou os olhos já naturalmente arregalados, ela estava com cheiro de gato e tinha um cachorro ali...- Rex, que foi garoto?- Prig pensou em como o nome era bobo e normal, mas preocupou-se mais em sair de fininho para o galgo não a perceber, ah sim, os animais a viam- Vamos pegar um copo d'água- E dizendo isso o garoto saiu da cama e abriu a porta, foi o suficiente, o galgo viu Prig que se encolhia no canto.

Ela tentou correr, mas o galgo foi mais rápido, mordeu o pulso dela e sacudiu a cabeça, o sangue pingava e Prig gritava, era dolorido, mas não impossível de resistir, o garoto deu palmadas nas costas do cachorro e chamou-o, por fim conseguiu convence-lo a soltá-la:

–Rex, você ficou biruta? Está rosnando e atacando o nada?- Prig ia agradecer, mas ao ouvir isso se encolheu novamente, segurando seu pulso com a outra mão e chorando.

Talvez ela devesse ter prestado um pouco mais de atenção, pois o sangue, como eu disse, pingava e sujava o chão de madeira, tudo bem que era invisível aos olhos humanos, mas era sangue mesmo assim... Falando nisso, o pulso estava vermelho, parecia se desfazer no líquido que escorria abundante, ela continuava chorando, pegou a bolsa e saiu pela janela, teve que pular e acabou caindo de mal jeito na calçada, nossa ladrazinha não era perfeita no final das contas, o choro aumentou e começaram os soluços, o sangue deixava um rastro, mas pelo jeito ela nem sentia, na verdade o fluxo diminuía agora, como se fosse fechando gradativamente conforme as lágrimas encharcavam o ferimento, uma fumaça subia do mesmo... Parecia que ele se cauterizava com as lágrimas e a fazia gritar.

Mas que diferença fazia se ela gritava ou se sofria em silêncio? Ninguém a escutaria de qualquer jeito, ninguém nunca escutou nem quando ela era viva... Ah sim, eu não contei que ela morreu, mas não seria apropriado comentar tal coisa agora, visto que a moça bolava um plano, se ninguém escutava ela, então escutariam outra coisa, sim, principalmente aquele galgo nojento, hum... E por que não incluir o menino que era seu dono? A marca que havia em seu mindinho esquerdo brilhou, ah sim, acho que agora seria uma ótima oportunidade para explicar o significado das marcas nos dedos de Prig:

Ela tem uma marca em cada dedo da mão, na direita temos as cinco faces animais de um roubo

1- Polegar: O guaxinim, que representa o atrevimento

2- Indicador: O gato Bombain(o gato todo preto), que representa o poder da lábia

3- Dedo médio: A gralha azul, que representa o impulso e a necessidade de roubar

4- Anelar: O corvo, que representa a fuga rápida

5- Dedo mínimo: A hiena, que representa a vitória e o escárnio feito para o inimigo

Pois bem, já na mão esquerda temos os fracassos e pontos negativos do roubo, só que eu não sei quais são, na verdade nem a própria Prig já descobriu todos, geralmente ela prefere a mão direita e eu nem posso imaginar o porquê... A moça olhou a runa brilhando e murmurou:

–Então essa significa vingança...- Ela sorriu malignamente- Isso pode ser útil...

As suas orelhas de gato se agitaram e a cauda balançou nervosa, um plano se formava na cabeça da moça, ela adentrou a janela do quarto do garoto, segurou e girou a maçaneta, saiu para o corredor e fechou a porta onde estava escrito um infantil Jaime:

–Nome legal... Melhor que Prig- Ela bufou e andou calmamente até as escadas onde desceu pelo corrimão, saltou do mesmo e caiu de quatro, continuou andando desse jeito até a cozinha, onde levantou e abriu a geladeira- Vejamos nossas opções...

A geladeira estava colorida por conta da variedade que continha, Prig se aproveitou e pegou algo vermelho para comer... Ah sim, morangos, mastigava-os enquanto caminhava para a sala, nela havia um aparelho de som com vários botões, a moça sorriu e seus olhos briharam, ali estava, como se tivesse uma placa indicando: a oportunidade perfeita. Ela escolheu um CD de capa preta com desenhos prateados e vermelhos, colocou-o no aparelho e apertou o play, o som estava baixo então por um momento Prig ficou só ouvindo a música que era barulhenta ao extremo e faziam as orelhas de gato zunirem, com o intuito de terminar logo aquilo e fugir ela girou o botão de volume e aumentou-o, no começo pensou que sua cabeça iria estourar, mas logo saiu correndo, pulou a janela da sala e se atirou em um monte de folhas, onde enterrou a cabeça.

Prig suspirou aliviada, ali o som era abafado, tirou a cabeça da pilha de folhas e virou o rosto para a casa, os vizinhos estavam gritando, a própria casa atacada estava gritando, a moça gargalhou, sucesso total! Estava pulando e girando de alegria quando conseguiram resolver sua travessura, a morena ainda ria quando ouviu o garoto dono do galgo, Jaime, falar:

–Quem é Prig Stígur?- A moça se aproximou para ouvir a resposta da mãe do garoto

–Ninguém, só uma expressão, um jeito de falar

A moça sentiu o sangue ferver, uma expressão? Um jeito de falar? Como pôde ser reduzida a isso? Ela chutou uma pilha de folhas e só percebeu a pessoa passando através dela quando já era tarde demais... Sentiu o conhecido vazio que ocasionalmente a preenchia, a horrível sensação de ser invisível, de interferir na vida dos outros sem nunca fazer parte da vida em si.

E assim foi o fim da última noite de outono...

Notas finais
EEEEEEEEE???????????? Como ficou???? Entenderam o fim do outono??? Alguém aí lembra qual é a próxima estação??? Isso mesmo, é o inverno!!!! E o que chega com o inverno??? ~sorriso malicioso~ hehehe
Até a próxima e por favor, comentem *w*