Prig Stígur- A Atrevida
17 A pior festa
Notas iniciais
http://sleeping-pig.deviantart.com/art/20140220-435245769
Semanas se passaram e chegou enfim o dia anterior ao aniversários de Prig, naquele dia a morena foi chamada para a sala além das escadas, o percurso parecia mais iluminado, mais alegre, ela foi quase saltitando, William havia prometido uma surpresa para os tão importantes quinze anos da moça, tudo bem que ela não sabia o que havia de tão importante em mais um ano estúpido, mas o albino havia protestado, "os quinze anos marcam uma moça", ele já tinha dezesseis, então deveria ter alguma experiência em quinze anos...
A porta foi aberta antes que ela relasse na maçaneta, aquela fatídica tarde revelava o cínico supervisor do hospício como um homem elegante, ah sim, ela achava que ele era bonito e elegante, mas não havia elegância no que ele a forçava fazer, usá-la como objeto na véspera do dia de seu nome, não, dessa vez não, um atrevimento tomou seu corpo e ela se desvencilhou do homem que tentava arrancar-lhe as roupas:
–Não- Ela pronunciou com a voz falhando
–Não?- O homem perguntou com um sorriso sarcástico- Estaria eu lhe mimando a ponto de você me negar o que já é meu?- A voz grossa e áspera do supervisor a repelia, uma sombra passou pelo homem, como se fosse uma fumaça e deu origem ao seu velho conhecido, Breu
–Não vai mais fazer isso comigo- Ela disse soando mais convincente e convicta, Breu sorria para ela
–Ele não vai te incomodar pequena- Breu prometeu ficando ao lado do supervisor
–Obrigada- Ela retribuiu o sorriso, deixando o supervisor desnorteado
–Com quem você pensa que está falando dessa vez? A lebre maluca?- O supervisor ria, segurou na garganta da menina e a apertou, Breu de imediato tocou as têmporas do homem cujos olhos ficaram negros, ele soltou a menina que arquejava por ar
–N-não pode me tocar- Ela respondeu tentando recuperar o ar
–Preste atenção- O supervisor dominado por Breu falava
–Breu?- Prig tentava entender
–Sim, por hora- Ele pousou as mãos nos ombros de Prig e fitou aqueles olhos castanhos que transpiravam loucura- Ouça bem, esse homem não vai parar até conseguir fazê-la implorar pela morte
–Ele não vai conseguir isso- A morena respondeu receosa
–Você tem que fugir
–Não, não vou, aqui eu tenho tudo, comida, abrigo...
–Não vai ter mais quando o supervisor acordar, me ouça pequena, você tem que fugir
–Mas...- A moça compreendeu que estaria perdida se continuasse no local, suspirou longamente- Tudo bem
–Ótimo, agora não esqueça, no final desse dia tem que estar fora do muro, se não...
–Já entendi- Breu puxou o braço da menina e apertou seu pulso- Para, o que você está...
–Shhh, vai ficar tudo bem- Ele sorriu com escárnio, sua poeira negra pareceu entrar em Prig
–O que você fez?
–Eu consertei você- Ele respondeu encerrando a conversa- Até o final do dia, não se esqueça- Falou deixando o corpo do supervisor cair
Prig não aguentou, o homem estava vulnerável e sua cabeça parecia ter eliminado os limites, ela amarrou o supervisor desmaiado, correu para sua mesa e pegou todas as chaves que conseguiu encontrar, além de dinheiro e uma faca, guardou tudo nos bolsos, exceto a faca que enfiou na bota, saiu da sala e trancou a porta rindo, iria fugir, correu para o seu quarto, William estava sentado em sua cama enquanto encarava o teto:
–A matinal já foi?- A morena perguntou, o garoto concordou lentamente com a cabeça, ele tinha tomado uma das injeções "calmantes" que não acalmavam, só o deixavam ansioso e levemente retardado, mas o efeito já devia estar passando
–O que ele te fez dessa vez?- Ele questionou com a voz arrastada
–Dessa vez nada- Prig juntava as poucas coisas que tinha- Mas não terá próxima vez, ele nunca mais vai relar em mim
–Por que diz isso?
–Vou embora- Ela respondeu dando de ombros, havia terminado, as roupas e os sapatos eram tudo- Saia daí Will- Ela completou empurrando o albino da cama, usou o lençol para fazer uma trouxa para carregar tudo
–Eu vou também- Ele resmungou deitado no chão
–Vai pegar suas coisas então, temos que estar fora até o fim do dia
William caminhou trôpego até seu quarto, arrumou uma trouxa bem menor que a de Prig e voltou resmungando para o quarto da morena, ela rasgava o colchão da cama e gargalhava, as gavetas estavam jogadas no chão, a tinta da parede estava riscada:
–Prig! O que você está fazendo?- Ele perguntou a segurando
–Preparando as coisas pra poder ir embora- Ela respondeu sorrindo, os olhos brilhando a centímetros dele- Confia em mim?
–Não, é claro que não- O albino falou sorrindo, a moça o empurrou fingindo estar ressentida, mas ele a puxou e a abraçou depositando um beijo no topo daquela cabeleira castanha- Diga o plano
–Vamos precisar de um zero à esquerda
–Uma enfermeira?
–Alguma que não faça falta...
–Como você pretende sair?- Ele perguntou à ela que mostrou as chaves- Não sabia que era um guaxinim também
–Guaxinim? Wiliam... Você precisa se ocupar mais
–Você virou uma ladra, tá sempre com olheiras, é um guaxinim- Ela explicou como se fosse óbvio
Um sinal ecoou no manicômio, aquele sinal marcava a hora da injeção de Prig, William foi para trás da porta e sorriu, a morena largou a trouxa e mexeu de leve a perna para se certificar que a faca continuava lá e a enfermeira entrou, ela tinha longos cachos castanhos, era magra e de altura similar à de Prig:
–Pronta para a dose de hoje?- A enfermeira perguntou sorrindo, Prig retribuiu o sorriso
–Não sei...- Ela falou, segurou na garganta da enfermeira e a derrubou na cama, pegando a faca e encostando na barriga da mulher- Você está?
–Eu não gritaria se fosse você- O albino falou rindo e fechando a porta
–Por favor- A enfermeira tentou falar, mas parou ao sentir a faca pressionando ainda mais sua barriga
–Shhhh, não vamos fazer nada com você- A moça com a faca sorriu e confortou a mulher- Você só vai me fazer um favor, ok?- A mulher concordou- Ótimo
Prig olhou para William que preparava a injeção da moça, só que ao invés de injetá-la na moça, enfiou a agulha na mulher e injetou seu conteúdo, Stígur esperou a enfermeira estar desacordada e então puxou o cabelo da mulher com uma mão, passando a faca pelo mesmo, depois trocou de roupa com a enfermeira desmaiada, não sem antes expulsar William do quarto, finalmente amordaçou e amarrou mãos e pés da enfermeira, deixando-a imobilizada no banheiro.
Enquanto isso William tinha roubado cal e água oxigenada do armário de limpeza, caminhava alegre para a cozinha, naquele meio de tarde alguns poucos funcionários deveriam estar lá, quando chegou viu que na verdade só um homem se encontrava no local e este estava distraído, o albino pegou o rolo de macarrão e sorriu para o homem:
–Olá meu caro companheiro de recinto- O albino disse acenando e ficando de frente para o homem
– Número doze, você deve saber que os residentes não tem livre acesso para a cozinha
–Por que? Sabe... Eu sempre amei cozinhar
–Doze, esse é seu último aviso, retire-se daqui
–Se não o que? Vou ficar sem jantar?- William gargalhou e ficou com uma expressão séria- Patético- O homem tentou chegar ao botão de alarme, mas o albino logo chutou o meio de suas pernas o fazendo cair de joelhos- Ah não, você não sabe as regras da brincadeira? Não se chama mano a mano à toa, sabia?
O garoto bateu com o rolo de macarrão na cabeça do homem e tapou a boca do mesmo para abafar-lhe o grito de dor, o homem se encolhia de dor, mas o albino havia apenas começado, enquanto assoviava ele amarrava o homem à uma cadeira:
–Ah vamos, onde está o seu espírito de aventura?- William perguntou para o homem amordaçado que grunhiu- Quero ver um sorriso nessa cara, o que vou fazer aqui vai ser uma bondade, está vendo isso?- Ele perguntou puxando os cabelos do homem- São da cor errada- O homem grunhiu mais alto- Não se preocupe, eu vou consertar
E com isso o jovem pegou o galão de água oxigenada, destampou-o e virou na cabeça do homem que começou a tentar gritar, William se ajoelhou na frente do homem e sorriu enquanto via o mesmo se contorcer de dor, o fato é, água oxigenada tira a cor dos cabelos, mas também queima se deixado em contato com a pele por muito tempo, o albino se deu por vencido, encheu um pote d'água e encharcou o homem que se silenciou tremendo:
–Não fique triste- William falou puxando a cabeça do homem para trás- Ainda tenho mais uma diversão pra você e essa vai ser ótima, eu garanto
Pessoa nenhuma deveria sentir a felicidade que William sentiu naquele momento, o momento em que soprou cal nos olhos do homem, pobre alma aquela presa à cadeira que tentava desesperadamente escapar daquela tortura, William, dezesseis anos, desde pequeno caracterizado por seu inexplicável sadismo e episódios de tempestado em meio à calmaria, levado à St. Agnes por inúmeros casos de tortura para com transeuntes inocentes:
–Agora você está quase certo... Falta estilo, essas roupas estão horríveis- William desamarrou o homem que não se aguentava em pé e arrancou as roupas do mesmo, tirou as próprias vestimentas colocando as do homem e fazendo com que ele colocasse as suas- Hum... É, passável
O albino agora vestido como enfermeiro, arrastou o homem para o quarto de Prig, ele nem sequer tentou protestar, William sabia muito bem como acabar com a força de vontade de alguém, mal chegou e a morena o puxou para dentro:
–Will- Ela chamou sorrindo- Você fica bem de branco
–Ah eu- Ele bagunçou os próprios cabelos e retribuiu o sorriso- Sempre soube
Os dois se encararam por um momento, ele acariciou a bochecha da moça que ficou corada e sorriu sem graça, um barulho de algo quebrando despertou a morena que se afastou do garoto e correu para o banheiro, William bufou e revirou os olhos, Prig tinha uma estúpida vergonha e ele um estúpido azar, logo a jovem voltou com as mãos sujas de sangue e começou a passá-las pela parede:
–Prig!- William quase gritou e segurou as mãos da moça, checando se ela estava machucada- O que está fazendo?
–A enfermeira estúpida derrubou o espelho em si mesma e agora está sangrando, então isso me deu uma ideia que estou pondo em prática- Ela falou como se fosse óbvio- Vou consertar esse quarto
–Certo- O albino sorriu concordando e indo sujar as mãos do sangue da enfermeira, os dois rabiscavam frases e desenhos que indicavam o suposto desespero e loucura da residente daquele quarto- Prig- Ele chamou a garota que o encarou à espera de uma explicação para a interrupção- Se a enfermeira está perdendo tanto sangue, então é melhor acelerarmos o processo não é?
–Ah sim- A moça concordou sorrindo- A corda está ali perto da cama
–Ótimo- William enrolou uma ponta da corda em cada mão e encarou a morena com sarcasmo- Vamos acabar logo com isso...
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