Prig Stígur- A Atrevida

19 A melhor comemoração


Notas iniciais
Bem meus amores e lindos leitores, eu realmente tenho algo contra prazos, mas ainda sim o próximo capítulo está aqui, admito que não é nem de longe um dos melhores da fic, mas creio que tenha sido necessário.

–Minha querida gralha, nunca ouviu falar que os albinos são os mais persuasivos?- Ele respondeu olhando as unhas, suspirou e encarou a moça com um sorriso brincalhão -E aí? Gostou de morrer?

–Corvo, hiena, guaxinim e gralha- A moça enumerava nos dedos da mão direita ignorando as perguntas do garoto- Já basta disso, não é?

–Hum- O jovem soltou um muxoxo e sorrindo puxou Prig, colando seu corpo ao dela e sussurrando em seu ouvido- Nunca vai bastar

–William- A morena soltou em um arquejo e o empurrou, mas foi puxada de volta- Me solta

–Não- Ele colocou uma mecha do cabelo pintado atrás da orelha e sorriu para ela- Eu nunca vou te soltar

–Do que você está falando...?

–Só... Só me escuta, tá bem?- A menina concordou mudamente com a cabeça- Eu te conheci naquele hospício em uma sexta de panquecas e...- Ele parou ao pousar o olhar nos olhos castanhos dela, a expectativa fazendo as orbes brilharem

–E?

–Deixa pra lá- Ele murmurou e antes que Prig pudesse falar algo rude, puxou-a ainda mais ao seu encontro, selando seus lábios aos dela, sentiu a boca fina e macia da moça se repuxar em um sorriso e a imitou enquanto a envolvia com seus braços

–Ainda é encenação?- Ela perguntou depois de esconder a cara na blusa do mais velho de modo que sua voz saía abafada e fazia cócegas no garoto

–Não, não é mais- Ele se abaixou minimamente para ficar da mesma altura da morena e sorriu- Nada mais de encenação, combinado?- Ela não mostrou reação e ele bufou- O que?

–Nada- Ela revirou os olhos e o puxou para um bruto e desajeitado encontro de lábios

Desta vez Prig resolveu considerar gostar de alguém além de sua mãe, depois de tanto tempo fechada e se sentindo rejeitada... E agora ali estava ela sendo esmagada contra a parede e beijando fervorosamente o ex-albino, sentia o garoto mordiscar sua boca e arquejava puxando os fios agora castanhos de William, ele apertava sua cintura fina, machucava suas costelas e ela gostava... E ela sorria, o garoto deixava um rastro de mordiscadas e beijos(leia-se chupões) pelo pescoço desbotado da menina que cravava as unhas nas costas pálidas dele, não soava mais errado do que já estava, não parecia fadado ao fracasso e como poderia? Os dois estavam se provando e adorando isso, era a primeira vez que sentiam alguém de quem gostavam tocá-los, ainda sim parecia desesperado, como se eles já estivessem pensando naquilo durante semanas...

–Prig- O menino se afastou passando a mão nos cabelos- Vamos nos prometer uma coisa, tá? Não vai ser só por diversão, ok?

–Eu prometo que vamos continuar sendo os mesmos sem futuro de antes- Ela respondeu sorrindo- Os mesmos fugitivos do hospício- Ela acrescentou depois de beijá-lo de novo e de novo- Você é uma droga Will

–Diz uma novidade- Ele resmungou enterrando a cabeça entre os cabelos de Prig que riu baixinho- Estamos parecendo aqueles casais idotas, não estamos?

–Creio que sim- Ela concordou torcendo o nariz- Vamos fazer disso um contrato- Ela soltou enquanto pegava uma faca de sua bota com uma mão e segurava a mão de William com a outra

–O que isso significa?- Ele reclamou quando ela o furou liberando o líquido escarlate

–Isso- Explicou furando sua própria mão- Significa que somos parceiros- Ela disse juntando sua mão ferida com a dele- Pacto de sangue

–Hum, parece legal, mas continuo preferindo te beijar- Ele respondeu sorrindo maliciosamente para Prig que o empurrou, mas acabou sendo puxada por ele, ela fechou os olhos esperando um baque no chão duro de madeira, todavia esse baque não aconteceu- Hey, eu nem sou tão feio assim- William resmungou

Prig o ignorou, abriu levemente os olhos e se deu conta que havia caído por cima do albino que caíra na cama, ela sentiu as bochechas esquentarem e sacudiu a cabeça tentando espantar pensamentos indevidos, se levantou e andou apressada para o banheiro deixando William sozinho e sem entender nada. A morena fechou a porta e se permitiu gargalhar enquanto se despia, precisava de um banho urgente, girou a torneira de água quente e nem esperou, entrou rapidamente e sentiu seu corpo relaxar, os olhos fechados a obrigavam a divagar, pelo menos até ouvir uma movimentação do lado de fora do box:

–Sabe, eu nem poderia imaginar que você era assim tão... Dotada- William estava com um sorriso de orelha a orelha e olhava a moça enquanto ficava acomodado no balcão da pia, ela desligou o chuveiro enquanto puxava a toalha e se cobria, sua face estava vermelha de vergonha e seu corpo salpicado pela mesma cor por conta da temperatura da água- Dá pra perceber na toalha também- Ele acrescentou piscando para a moça que começou a tentar empurrá-lo para fora sem sucesso

–Saia daqui seu pervertido- Ela falou com a voz falhando levemente, o albino a puxou e a beijou, Prig sentia o garoto passear as mãos pelo seu contorno, aquelas mãos calejadas arranhavam suas bochechas, seus ombros, sua cintura, suas coxas... E voltavam a contornar as costelas da morena, ela sentia sua pele ficar arrepiada com o mero roçar daqueles dedos ossudos e sua mente começar a ficar enevoada

–Prig- Ele sussurrou antes de tomar os lábios da morena novamente, os braços vacilantes da moça saíram lentamente da toalha que deslizou pelo corpo judiado da menina, ela ignorou o crescente desconforto que logo desapareceu ao ser ainda mais apertada contra o corpo do albino

–Will- A morena arquejou e o empurrou levemente, olhando aquelas orbes cinzas do ex-albino ela abriu um sorriso- Vem- Ali estava a Prig com seus recém quinze anos, nua e conduzindo seu melhor e único amigo para a cama

+Flashback off (N/A: eu amo quebrar o clima hehehe)+

Prig estava jogada no chão, suas roupas esfarrapadas, seu corpo apresentava hematomas e cortes, sua expressão era um misto de raiva, medo e surpresa, Breu estava sentado em uma ornamentada cadeira ao lado de Prig que servia de descanso de pés para seu mestre, ele encarava o globo com seus olhos semicerrados e compenetrados, a morena se moveu lentamente, sentia cada músculo do seu corpo implorar por repouso, mas ela se obrigou a continuar, seu mestre percebeu e pisou nela com foça desnecessária:

–Estaria a minha pequena ladra tentando fugir da sua punição?- Ele sorriu enquanto sua sombra erguia a moça pelo pescoço, a morena sentia seu rosto ser lavado por suas lágrimas

–Por... Que?- Ela perguntou em um sopro de voz

–Porque eu quis, porque ele atrapalhou, porque ele te quis, porque você é só minha- Ele enumerou aumentando o tom de voz- Eu te fiz minha e somente minha no dia em que te salvei- Prig cuspiu na cara de Breu e sentiu sua garganta ser solta pela sombra, seu corpo caiu e ela ficou de joelhos, com as forças esgotadas

–Eu... Não queria ser salva- Ela pronunciou sorrindo com os olhos fechados, seu rosto queimou ao sentir o tapa a fazer quase deslocar o pecoço, o sangue tomava conta de sua boca

–Preferia morrer à largar aquele humano idiota, quão retardada você é Stígur?- Ele questionou apertando as bochechas da moça com força

–O suficiente para ainda gostar dele- Ela respondeu sentindo um novo tapa fazer sua pele arder- Não importa o quanto você me puna- Ela acrescentava com o sangue descendo pela garganta aos goles- Você não me salvou, você só me tornou seu brinquedo... Eu continuei sendo uma boneca, só troquei o dono

–Como ousa?!- Breu esbravejava- Eu te protegi dos guardiões! Eu expliquei tudo a você

–E agradeço por isso, mas ao mesmo tempo você me usou- Algo dentro da moça começou a fortalecê-la, ali estava a personalidade mais rara, Prig Stígur era enfim o corvo

–Prig...-Breu soltou a menina espantado, só havia visto a garota daquele jeito uma vez e o que ocorreu depois da última transformação não foi nada bom, não para ele pelo menos- Escute- Seu tom de voz amansou

–Não, quem vai escutar é você- A voz da morena era fria, tenebrosa, despertava a vontade de fugir e de ficar para assistir, a antítese transbordava a mente do mestre dos pesadelos- Eu cansei de ser tratada como propriedade

–Nunca disse que você é minha propriedade- Breu interrompeu

–Não de fato- A morena tinha uma expressão impassível, um muro sem falhas- Não obstante, você não precisava dizer, fui seu cachorrinho, seu brinquedinho

–Foi minha parceira, minha aliada, minha bonequinha de luxo...

–Agora é por sua conta Breu- Ela resolveu mantendo a impassível feição

–Não pode estar falando sério Prig!- Breu falou gargalhando- Você e eu sabemos que a senhorita não pode sair assim do nosso acordo

–Não posso?- Prig sorriu enquanto dava as costas para Breu e saía de sua toca- Tente me parar então

Breu limitou-se a rir, ele ainda se lembrava muito bem da última vez que havia tentado impedir a morena, Prig só parecia ingênua, se bem que ele havia previsto que isso aconteceria, ele estava contando com isso, Prig Stígur estava, no final das contas, sendo sua peça favorita, ela era o seu peão, o pedaço de carne a ser ofertado, sua mais importante propriedade.

Notas finais
E então? Eu particularmente acho complicado descrever Breu, ele é um verdadeiro desafio pra mim assim como os guardiões, teve um capítulo em que eles apareceram e eu restringi ao máximo as falas deles, então desculpem por isso, mas é complicado fazer tudo ficar plausível. Quanto aos spoilers... Conseguiram algum? Lembrem-se das dicas que eu dei no último capítulo (notas finais) e boa sorte.