Prig Stígur- A Atrevida

13 A bela mentirosa


Notas iniciais
Olha quem voltou!!!!!!!!! Ok, ok, aproveitem esse capítulo e leiam as notas finais

Prig ressonava baixinho, ela dormia em um dos quartos da Fábrica de Norte, esse quarto logicamente havia sido redecorado pela nova ocupante, as cortinas estavam rasgadas, tudo estava um caos, os livros espalhados pelo chão, uma tela de quadro quase terminada estava encostada na parede, a dona temporária do quarto estava escondida pelas cobertas, com exceção das pernas desnudas que ficavam descobertas, a cauda agora de guaxinim balançava levemente, a ladra estava deitada de barriga pra baixo e com os pés na cabeceira da cama, ou seja, do jeito errado, uma brisa congelante entrava pela janela entreaberta.

Uma sombra se estendeu da porta até a cama, ela se materializou formando o mestre dos pesadelos, ele estava quase acordando a pupila quando um rangido o expulsou do quarto, a sombra desapareceu em pó negro, Jack entrou radiante pela porta, logo desfez o sorriso ao ver a bagunça, talvez a expressão pudesse ser traduzida como confusa, ele flutuou até a cama e puxou a coberta se arrependendo logo em seguida, afinal, como ele iria adivinhar que Prig dormia quase nua?! Talvez ele pudesse ter prestado atenção nas roupas jogadas, mas não é esse o caso, o caso é que ele ficou mais vermelho que a roupa dos elfos:

–Hum- A ladra murmurou ainda com a cara enfiada no colchão, uma poça de baba se formava ao lado, ela pareceu resmungar algo ininteligível e virou a cabeça para ver quem havia tirado o seu direito de repousar- Ah, é você Jack

–Er...- Ele olhava o teto e corava cada vez mais- Desculpe, eu não...

–Tudo bem, o que você quer?- Prig se sentou na cama e se espreguiçou demoradamente, pegou a blusa usada e usou para enxugar a baba que estava em sua cara

–Que você coloque uma roupa?- Ele perguntou baixinho e tentando não gaguejar, a morena gargalhou e o abraçou

–Você é uma gracinha, sabia?- Ela perguntou beijando o pescoço do albino que continuava vermelho- Parece uma explosão, vermelho e branco

–Essa comparação foi um tanto quanto fora do normal- Ele observou ainda olhando para o teto, ela arqueou uma sobrancelha e o fez encará-la

–Por isso eu a fiz- Ela explicou calmamente e depois caminhou até a cômoda, estava despreocupada com o fato de Jack a estar vendo de calcinha e sutiã

–O Norte queria que você ajudasse na busca e tal- Ele falou virando a cabeça e se obrigando a não olhar para a tentadora visão da morena

–Ah- Ela respondeu desinteressada, ela era assim, sem interesse longo, fácil de ser distraída, as orelhas felpudas se sacudiram levemente e ela sorriu maliciosa- Tudo bem, se é tão urgente

–Como assim...?- Jack começou, mas se interrompeu ao ouvir a porta batendo, Prig saíra correndo, ele arregalou os olhos e sorriu ao pensar na ladra seminua correndo pela fábrica, saiu do quarto esperando ver o caos sendo espalhado pelo local

Ele não poderia estar mais enganado, Prig se encolhia no canto do salão e com as lágrimas brotando de seus olhos, Coelhão gritava com ela, Norte tentava apartar e apontava para uma porta, Sandy sacudia a cabeça como se desistisse de tudo, Jack avançou para o interlocutor da morena e o empurrou:

–O que foi?- Coelhão perguntou irônico- Vai proteger a ladrazinha?

–O que ela fez de tão ruim canguru?- Jack questionou sorrindo

–Ela, meu caro Jack- Norte começou sinalizando para que Coelhão ficasse em silêncio- Nos deu a informação errada

–O que?!- Jack encarou a moça encolhida e chorosa

–Não é verdade!- Ela gritou, os olhos suplicavam silenciosos- Eu pensei que...

–Pois pensou errado!- Coelhão se exaltou

–Não é hora de discussão- Norte apaziguou nervoso- Vamos

Todos se encaminharam à uma porta alta e grossa, o albino os seguiu relutante, a morena ia à sua frente, ela usava o sutiã que mais parecia um top feito de faixas de curativos e uma bermuda justa roxa, estava descalça, mas com um dos pés enfaixado e com a cabeça baixa como se alegasse submissão. Jack saiu de seus devaneios ao ouvir Norte gritando, renas enormes bufavam e se sacudiam tentando se livrar das tiras que as mantinham presas ao trenó, putz, o trenó...

Era como se algo finalmente fizesse sentido no coração de Frost, o trenó vermelho parecia brilhar, quase o convidando para guiar o passeio, os guardiões entraram no trenó com Prig, o albino os seguiu sorrindo bobamente, Norte falou o nome de todas as renas, Prig falou o nome de cada uma antes de Norte, tudo com um sorriso fraco nos lábios, ela mostrava exaustão:

–Prig, você tá bem?- Jack perguntou, ela sorriu e afirmou com a cabeça

A viagem foi rápida graças ao globo de Norte, de repente estavam no meio de uma confusão de cavalos feitos de pesadelos, cada um tinha em seu estômago um amontoado de fadinhas, Jack pegou impulso e voou, conseguiu salvar uma singela e assustada fadinha, olhou para a morena e sua curiosidade fervilhou, Prig não esboçava reação, estava neutra, isso até outra fadinha passar por cima dela, nisso a ladra agarrou a fadinha e a colocou em seu colo, os olhos castanhos dela brilhavam como que em um pedido silencioso de desculpas, em seguida olhou para Jack e sorriu como em uma despedida, o albino logicamente não entendeu, mas não teve tempo para pensar nisso.

O trenó pousou e todos correram à procura da Fada que voava desesperada de um lado para o outro murmurando inaudivelmente, ela os viu e se aproximou aflita, os guardiões tentaram inultimente salvar mais fadinhas ou pelo menos os dentes:

–Pelo menos duas estão a salvo- Jack confortou a guardiã mostrando a fadinha que ele recolhera

–Essa é só uma Jack- Ela respondeu sorrindo fracamente

–Prig salvou uma- Ele explicou sorrindo, Fada assumiu uma expressão furiosa

–Afaste-se da minha fadinha sua louca!- Gritou para a morena que sorriu cinicamente

–Me obrigue- Sussurrou com os olhos faiscando de felicidade

–As duas, parem com isso- Norte apaziguou mais uma vez, Sandy meneou a cabeça concordando e as duas se silenciaram

–Ah que pena, eu adoro ver uma açãozinha para variar- Uma voz grossa invadiu o ambiente, um homem trajando um sobretudo preto se materializou próximo à todos

–Breu- Fada murmurou assustada

–Em pesadelos, discórdia e charme, eu mesmo- Ele respondeu, Prig sorriu divertida ao ouvir isso coisa que fez Jack titubear um momento sobre a lealdade da morena

–Por que?!- Norte perguntou raivoso e avançando para o mestre dos pesadelos que simplesmente apareceu em outro lugar

–O tempo de vocês acabou, entendam isso, cansei de ser esquecido- Breu falava calmamente como se explicasse para alguém de cinco anos- Agora é a vez de vocês sumirem do mapa, o coelhinho, o bom velhinho, a fadinha e o homem poeira- Ele completou sorrindo

–Nunca!- Coelhão exclamou com raiva e tentou atacar inultilmente o seu interlocutor

–Ah sim, esqueci que temos um indeciso- Breu falou olhando Jack nos olhos, o albino sentiu uma onda de medo o invadir- Ah que decepção Frost, destruído pela coisa mais bela e cativante, não há pior derrota

–Do que está falando?!- O albino perguntou com o desespero na voz- Não fui derrotado

–Foi derrotdo tão sutilmente que nem se deu ao trabalho de prestar atenção- Breu respondeu com uma expressão triste, encarou Prig e sorriu- Realmente não há como resistir a coisas quebradas, todos temos essa necessidade de tentar consertá-las...

–Do que você...- E então foi como se tudo finalmente encaixasse na cabeça de Jack que se interrompeu na frase e arregalou os olhos para a morena- Prig...

Ela olhou para o albino, as lágrimas presas por orgulho faziam seus olhos brilharem, ela sacudiu a cabeça positivamente, não sorriu, ao invés disso permaneceu parada, claro que os guardiões também haviam entendido e cercaram a morena que deixou-se ser cortada pela espada de Norte, Fada a estapeou e Coelhão a atingiu com seus bumerangues, Sandy permaneceu imóvel como se não valesse a pena atacá-la, Jack sentia as pernas bambearem, ele viu a ladra cair inerte no chão, inconscientemente avançou e a segurou nos braços, o corpo se dissolveu em poeira negra e Breu gargalhou atraindo a atenção de todos.

O queixo do albino caiu, ao lado dele estava uma Prig risonha e intacta, isso se ignorarmos as estranhas cicatrizes nos antebraços da ladra, Breu sacudiu a mão e a Prig ao seu lado se revelou uma miragem, Jack sentiu como se uma espada estivesse revirando suas entranhas:

–Sabe o que acontece agora?- O mestre dos pesadelos perguntou- Milhares de crianças acordam e veêm que seus dentes continuam debaixo do travesseiro, milhares de puras criancinhas que vão deixar de acreditar em uma tal de Fada do Dente- Ele mal terminou sua fala e Fada caiu, as asas pareciam cansadas assim como a guardiã que parecia agonizar

–O que...?- Jack perguntou aflito

–Ah não te contaram gelinho?-Breu perguntou sorrindo- Ser guardião é maravilhoso enquanto acreditam em você, mas a partir do momento em que te esquecem...- Ele gesticulou para a Fada do Dente- E o pior é que ela merece- Ele completou sacudindo a cabeça- Até mais ver, esquecidos

O mestre dos pesadelos gargalhou e sumiu em poeira negra, Jack esmurrou um pilar próximo, ele havia gostado de Prig, ajudado ela, havia entrado em uma das facetas dela e como era retribuído? Ah sim, descobrindo que ele não havia passado de um fantoche que ia ser descartado no final, o resto dos guardiões começou a conversar sobre maneiras de salvar ou tentar salvar a Fada, mas todos sabemos que esse não é o foco da nossa história...

Prig Stígur estava ao lado de Breu, os dois admiravam o globo ter seus pontos brilhantes diminuídos, o mestre dos pesadelos vibrava e urrava de triunfo, a morena sorria e torcia as mãos de forma ansiosa, um gostinho de culpa invadia seu âmago, justo ela que nunca precisava sentir culpa, justo ela que não sabia o que era ser querida, justo ela que naquele momento alegre deixava uma lágrima solitária rolar pelo seu rosto de porcelana remendada.

Notas finais
E então???? Gostaram??? Eu sei, crueldade fazer o Jack achar que ela está morta, mas estratégia de guerra é assim... Mandem reviews com suas opiniões, sugestões e o que mais quiserem