O relógio marcava 7:30 da manhã.

Já era hora de descer para o café da manhã, mas eu estava nervosa demais sabendo quem iria encontra lá embaixo. Meu sapato fazia barulho no piso me deixando ainda mais tensa enquanto eu andava de um lado para o outro.

Como eu iria fingir que não conhecia Oliver? Como iria lidar com enventuais insinuações de Laurel e mamãe sobre o casamento? Minha vontade era pegar o primeiro trem pra Londres, e depois o primeiro navio para Nova York. Não querida lidar com esses problemas, não queria lidar com olhares e enganações. Já bastava tudo que eu omitia daquelas pessoas e principalmente de Oliver.

Quando Oliver saíra do meu quarto, escutei um resmungo de bebê e entrei no quarto acoplado ao meu, Caitlin amamentava Rose com calma e carinho. Aquela visão me deixou completamente tranquila. A bebê era tão abençoada que não chorara a noite inteira — não que houvesse problema de um bebê chorar, elas não estavam ali escondidas. Contei a minha amiga tudo que Oliver me falara, mostrando a ela, que ela tinha razão. E então Cait disse o famoso e clichê “Eu te avisei”.

E ela realmente tinha avisado.

Eu não estava tranquila em relação ao Oliver, eu ainda estava extremamente chateada por ele não ter me contado a verdade. Mesmo que tivesse decidido acabar com aquele quase noivado, ele tinha que ter me contado o que estava acontecendo. Eu teria ajudado, teríamos dado um jeito. Eu conversaria com meu pai.

E foi disposta a ter essa conversa com ele que eu me arrumei as pressas.

Conde de Wiltshire devolveria os bens dos Queen, mesmo que eu tivesse que comprá-los dele.

⁃ Você vai me deixar tonta — minha amiga disse enquanto arrumava sua bebê em cima da minha cama

⁃ Eu já sei o que vou fazer — falei parando de andar de um lado para o outro

⁃ Você só não pode abrir mão da sua felicidade por alguém que não faria o mesmo por você, Lissy, mesmo sendo sua irmã.

⁃ Eu sei — suspirei

⁃ Você tem certeza que eu devo me juntar a vocês no café da manhã? — fez careta

⁃ Se me perguntar isso de novo, vou te deixar trancafiada no quarto.

⁃ Talvez seja melhor, sua mãe…

⁃ Minha mãe não destratará uma convidava minha — garanti — A babá cuidará de Rose.

⁃ Tudo bem — suspirou — Então vamos — ela foi até a porta com a bebê no colo e a abriu esperando que eu saísse do lugar, mas eu estava estagnada. Virei um verdadeira covarde — Felicity, vamos! Não precisa ter medo do Oliver.

⁃ Não estou com medo dele — passei por ela saindo do quarto

E eu realmente não estava com medo dele, meu medo era das reações. Minha, dele, e de toda minha família.

Meu vestido azul claro com pedrinhas brilhosas marcando minha cintura estava me incomodando. Eu não costumava usar isso em Nova York, as roupas americanas eram um pouco diferentes das da nobreza inglesa, mas eu não queria começar uma discussão com minha mãe logo cedo. Então preferi me vestir de acordo com o costume.

Peguei Rose do colo de Caitlin enquanto descíamos as escadas, a bebê ria para mim enquanto eu fazia caretas engraçadas para ela. Ela encostava sua mãozinha em meu rosto e eu me apaixonava ainda mais.

⁃ Esqueci o paninho dela na sua cama — Caitlin resmungou — Vou lá buscar

⁃ Tudo bem — sorri — Eu cuido dela. Não é, meu amor? — olhei para a bebê que abriu um sorriso banguela

Terminei de descer as escadas com Rose e atravessamos o hall até a sala de jantar, onde era servida todas as refeições. Tudo era extravagante, desde o café da manhã, até o pós jantar onde nos reuníamos em uma sala com lareira para conversar e beber licor ou whisky.

Rose estava linda com um vestido branco e laço da mesma cor. Suas bochechas estavam extremamente rosadas e o sorriso banguela encantava qualquer um.

Eu fazia de tudo para a minha mente não me trapacear e me levar para os “e se” que tanto me machucavam.

As vezes eu me pegava pensando que se o acontecimento não tivesse sido tão traumático, eu não pensaria tanto. Mas eu me olhava no espelho nua e via a leve cicatriz no canto da minha barriga. Cicatriz essa que tive que mentir para Oliver e dizer que havia me cortado na fábrica, com um vidro de um novo medicamento que estávamos testando. Eu senti que ele não havia acreditado, mas se conformou com minha resposta, pois não tocou mais no assunto e me arrastou para a piscina do navio.

Escutei vozes vindas da sala de jantar e respirei fundo, não sabia o que ia encontrar ali, mas não ia me acovardar.

⁃ Vamos lá, Rose? — falei para a bebê que resmungou como se me respondesse — Vamos lá então! — entrei no recinto e diversos pares de olhos caíram em mim e na minha nova companheira — Bom dia a todos! — forcei um sorriso amarelo

Os empregados em pé no canto da sala me olhavam sem entender nada, assim como o Senhor Martin, nosso mordomo, que servia ovos para o meu pai. Helena e Tommy me olhavam animados, eles já sabiam das novas hóspedes. Mamãe e papai tinham os olhos arregalados e Laurel me olhava com uma carranca. E então meus olhos caíram em Oliver, não soube decifrar o seu olhar em mim. Ele parecia… Não sei. Em seus olhos haviam um brilho diferente.

⁃ Felicity, o que é isso? — mamãe perguntou assustada

⁃ Um bebê — falei como se fosse óbvio e me sentei com Rose em meu colo

Quando dávamos jantares arrojados, usávamos o salão de eventos, onde existia uma mesa muito maior, com mais de vinte lugares e lustres enormes. Mas para refeições que eram apenas para a família e um ou outro convidado, usávamos a usual sala de jantar. Em jantares arrojados, tínhamos lugares marcados, em refeições do dia a dia, as únicas pessoas que tinham lugares marcados eram mamãe e papai, o conde e a condessa. James Noah estava na ponta da mesa e Donna sentava elegantemente ao seu lado. Hoje, Tommy estava do outro lado do meu pai, com Helena ao seu lado e logo depois vinha Oliver. Laurel estava com sua carranca ao lado de mamãe. Havia uma cadeira disponível ao lado de Oliver, e outra ao lado de minha irmã. Pelo bem da minha saúde mental, decidi sentar ao lado de minha irmã, mas não ajudou muito pois era de frente para ele.

Ele tinha seus olhos brilhantes em mim, se fosse em outra época eu estaria esbanjando o meu melhor sorriso bobo, mas dada às circunstâncias… Eu estava nervosa.

⁃ Querida, de quem é essa criança? — Papai perguntou depois que engoliu seu pão

Rose me olhava intrigada, como se me perguntasse quem eram aquelas pessoas. Joguei um beijo para ela que riu e encarei meu pai.

⁃ Laurel demitiu Caitlin — reparei que mamãe e minha irmã se encararam — E eu a trouxe de volta, ela é minha aamiga e agora é minha convidada nessa casa.

⁃ Isso não explica a criança — ele respondeu sem entender — A propósito, Felicity, esse é Oliver Queen — apontou para o Oliver — Filho e herdeiro do Conde de Starling, Robert Queen.

⁃ Milady — Oliver falou para mim acendendo com a cabeça

⁃ Milord — sussurrei nervosa, mordi o lábio e ele riu, o sorriso que eu sabia que dava apenas para mim, tratei de cortar o contato visual antes que ficasse notório que nos conhecemos, Helena me olhava com diversão no olhar — Rose veio com a mãe dela — disse encarnando meu pai e evitando os azuis que queimavam em mim

⁃ Você trouxe uma mãe solteira para dentro da minha casa? — mamãe estava com muita raiva, mas tentava se controlar por causa do convidado.

Mal sabe ela…

⁃ Mãe, isso não é hora — Tommy disse

⁃ Com certeza você e sua esposa tem algo haver com isso — Laurel suspirou — Vocês sempre fazem o que ela quer — me olhou e depois encarou Rose — Uma mãe solteira no mesmo teto que eu pode manchar minha reputação. O que o senhor Queen vai pensar de mim, de nós? — encarou Oliver — Sua noiva morando junto com uma mãe solteira. Desculpe por isso, Sr. Queen, minha irmã tem a mania de querer salvar o mundo.

Sua noiva.

Aquela palavra me fez ficar um tanto quanto enjoada. Mas eu não ia me deixar levar por causa daquilo.

Arqueei as sobrancelhas para Oliver e ele segurou o riso. Laurel não conhece ele, achava que ele se ofenderia por uma mulher como Caitlin — mãe solo — estar dentro daquela casa. Ele seria o primeiro a abrigar alguém assim, seria o primeiro a se preocupar com o futuro de uma criança, a se preocupar de como comida e educação chegaria até ela. Sempre conversávamos sobre como ele iria reger seu condado quando fosse o hora de herda-lo por completo, e Oliver sempre se preocupava com as crianças. Ele seria um ótimo conde.

E um pai maravilhoso…

⁃ Lady Laruel — ele falou sorrindo de leve — Salvar o mundo é um gesto tanto quando nobre ao meu ver — Helena segurou uma risada — Tenho certeza que sua irmã estava apenas pensando no bem da amiga e no bebê, é um gesto lindo.

⁃ Mas a imagem de minha filha…

⁃ Não foi Laruel quem pariu, mamãe — bradei — A imagem dela está intacta.

⁃ Felicity! — ela me repreendeu — Olha como fala! O que a visita irá pensar de nós?

⁃ Está tudo bem, Lady Donna — Oliver falou e era nítido que ele prendia o rio. Ele estava mais que acostumado comigo e com meu temperamento, era igual ao de Thea, por isso ela e eu demos tão certo. — Devemos ajudar quem precisa, ainda mais se são nossos amigos.

⁃ Caitlin era apenas a acompanhante de Felicity, Sr. Queen — Laruel disse com desdém na voz — Não é nossa amiga.

⁃ Chega desse assunto! — papai bradou — Felicity já disse que Caitlin está aqui como uma convidada e não como uma funcionária, então iremos tratá-la como tal.

⁃ James! — Donna reclamou

⁃ Querida, por favor — falou manso para a esposa — Nossa filha chegou não tem nem 24 horas, todos sabíamos que ela iria atrás da Caitlin assim que chegasse, eu só não contava com essa surpresa — olhou para a bebê em meu colo e riu — Por mais que Oliver não ligue, não vamos tratar disso agora.

⁃ Eu só quero saber quem irá cuidar dessa criança — mamãe disse — Só temos uma babá e não temos obrigação nenhuma de arcar com outra.

⁃ Sr. Martin? — Helena falou ignorando minha mãe

⁃ Sim, milady — o mordomo se aproximou

⁃ Contrate uma babá para Rose, por favor — ela disse com toda sua classe e sotaque italiano. Como eu amo essa mulher!

⁃ Helena… — mamãe começou

⁃ Mamãe, eu sempre paguei o ordenado de Caitlin, mesmo ela sendo demitida sem o meu conhecimento — olhei de relance para minha irmã que fingia não ter feito nada — Acredito que esse dinheiro deva estar guardado em algum lugar, não é mesmo, mãe? — ela suspirou e eu sabia que esse dinheiro não existia mais — Então podem usar para pagar o salário da melhor babá que encontrar, quando eu voltar para Nova York, a babá irá comigo, Caitlin e Rose.

⁃ Isso é ridículo! — Donna bradou

⁃ Ridículo é terem ficado com o dinheiro que era de Caitlin — falei no mesmo tom de voz que ela — Ridículo é terem demitido ela quando ela mais precisava! — eu já estava ficando em paciência com tudo aquilo — Se me derem licença… Sr. Martin sirva meu café da manhã no meu quarto, por favor. — me levantei com a bebê no colo — Vamos, Rose! — a menina gargalhou e bateu palmas, arrancando sorrisinhos de todos, menos de mamãe e Laurel.

⁃ Você não pode tomar café no seu quarto, Felicity, não é casada — mamãe reclamou

⁃ Sou viúva, você querendo ou não, milady — sorri falsa e fiz uma reverência forçada para ela saindo dali

Queria estar em Nova York, queria estar no meu apartamento. Lá eu não tinha julgamentos, era apenas eu por mim, eu fazia o que eu queria sem dar satisfação a ninguém.

Eu não sinta falta do inferno que era sempre que eu tomava decisões que não eram aprovadas por minha mãe. Ela gostava de controlar tudo, como se fôssemos fantoches da condessa de Wiltshire. Mamãe tinha uma relação maravilhosa com Laruel — elas eram iguais -, mas eu… Eu tinha uma relação conturbada com ela, eu era a tão temida ovelha ruim da família ao ver de minha mãe. Meu temperamento era idêntico ao de papai, eu sei que no meu lugar ele teria feito a mesma coisa, tanto que não se importou com a bebê em sua casa, mas minha mãe…

Quando atravessei a porta de saída da sala de jantar, encontrei Caitlin encostada na parede ao lado da porta, ela estava encolhida e tinha os olhos marejados. Por um momento senti raiva de mamãe e Laurel por serem como são. Com certeza minha amiga escutou a conversa ridícula que tivemos.

⁃ Eu não deveria ter vindo — fungou

⁃ Vem — puxei sua mão e a levei de volta para o meu quarto, quando entramos nos aposentos eu tranquei a porta e coloquei Rose sentada na cama. Caitlin sentou de um lado da filha e eu sentei do outro, protegendo para que a menina não caísse — Não fica assim — suspirei olhando seu semblante cabisbaixo — Desculpa por isso, mas eu podia deixar você trabalhando naquele lugar, Cait — Rose pegou uma de minhas pulseiras e eu tirei de meu braço e dei pra ela — Eu vou falar com Oliver hoje e ele vai encontrar o pai dela, eu não esqueci disso. Não volta pra aquele emprego, eu não conversar com meus pais, mamãe não vai mais falar aquelas coisas e…

⁃ Felicity, sua mãe pode não falar nada, mas ela nunca vai me tratar bem — suspirou — Eu não sou desejada aqui e não quero ser um peso par você, não quero ser mais um motivo para você discutir com sua mãe.

⁃ Acredite — ri sem humor — Minha mãe não precisa de motivos para discutir comido, ela simplesmente discute. Não vá embora por isso.

E era a mais pura verdade. Quando eu era criança, sempre fui a filha que retrucava, perguntava e debatia. Laurel era a filha de escutava, aceitava e fazia. Mamãe sempre perdia a paciência comigo, ela tentava me moldar aos seus caprichos, mas nunca conseguia e isso a tirava do sério.

Meu pai sempre se orgulhou de minha personalidade forte e do meu jeito em lidar com pessoas e/ou situações que não me agravavam.

Laurel desde pequena percebia a falta de paciência de mamãe para comigo e se aproveitava disso para ser a filha perfeita, em cima dos meus erros e puxões de orelha era moldara a sua personalidade. Se eu escolhesse rosa e mamãe torcesse o nariz, ela escolheria lilás para agradá-la, mesmo gostando do rosa também.

Batidas na porta me fizeram levantar e eu a abri, Raisa apareceu com uma bandeja de café da manhã bem farta, ela não disse nada, apenas olhou para mim, depois para Rose e Caitlin e sorriu terna para elas, saindo do quarto logo depois. Minha amiga e eu comemos em silêncio, eu realmente estava com fome naquela manhã.

Quando terminamos o café, pedi que uma das criadas levasse Rose para a Bah de George, meu sobrinha já era grandinho e eu tenho certeza que a babá dele daria conta dos dois até uma babá para Rose chegar, mesmo sob protestos de Caitlin dizendo que daria conta de cuidar da própria filha.

Minha amiga merecia um descanso, merecia um tempo pra ela. Ela estava livre do fardo de cuidar de si própria e da bebê, eu ajudaria ela. Estaria ali por elas.

⁃ Vamos à cidade — falei enquanto andava pelo jardim da prioridade de braços dados a Helena

Caitlin aproveitou que Rose estava com a babá e pediu para dormir um pouco, e lógico que falei para que dormisse em seu novo quarto, o de hóspedes. E assim ela foi.

⁃ Não aguenta mais a própria casa? — perguntou observando o filho jogar bola com Tommy ao longe — Ou é por causa de um certo homem viril que está hospedado aqui?

A babá estava sentada no banco ao lado do carrinho de Rose, enquanto George jogava bola com seu pai perto delas. Oliver havia ido cavalgar por aí e papai estava em seu escritório. Mamãe e Laurel estavam dentro de casa fazendo sabe-se lá o que. Só espero que não estejam atormentando Caitlin.

⁃ O café da manhã foi difícil — suspirei — É difícil fingir que não o conheço.

⁃ Então não finja, Felicity — ela disse parando de andar — Não há mal nenhum em conhecê-lo, não terá como disfarçar quando Thea chegar.

⁃ Eu sei.

⁃ E no café da manhã era nítida a tensão entre vocês, parecia que iria transar ali na mesa, na frente de todo mundo.

⁃ Se minha mãe escutar você falando obscenidades, ela te expulsa da família. — eu ri e minha cunhada também — Aí, droga — mordi o lábio quando Oliver apareceu montado em um cavalo negro entre as árvores que cercavam o casarão.

Ele estava irresistível apenas de colete cinza e a camisa branca por debaixo, camisa essa que está a dobrada até o cotovelo, realçando os músculos de seu antebraço. Sua coxa estava tornada junto ao cavalo e sem perceber eu comecei a hiperventilar.

Minha respiração ficou descompassada e eu coração acelerado.

⁃ Vocês dois nem disfarçam — minha cunhada riu me dando um beliscão de leve — Pare de babar pelo homem em público, seu irmão já percebeu — automaticamente encarei Tommy que me olhava de braços cruzados e sobrancelhas arqueadas.

⁃ Eu preciso sair daqui — falei dando as costas para ela e indo em direção a casa.

Praticamente corri pelo caminho inteiro e me tranquei na biblioteca. Eu me abanava desesperada, rezando para que aquele fogo todo se apagasse.

Eu podia sentir minha intimadade latejar por aquele homem. Meus seios estarem rijos e…

Céus! Como eu o queria!

Me joguei na poltrona na biblioteca e fechei os olhos tentando me acalmar. Eu não podia ficar assim toda vez que o visses

Céus! Como eu amava aquele homem!

Desfiz o coque de meu cabelo me sentindo presa e sufocada, deixei meus fios loiros caírem em meus olhos livres e aos poucos pude me controlar.

E então, como se as forças divinas quisessem me castigar, a porta da biblioteca foi escancarada e eu arregalei os olhos de sustou ao ver Oliver parado ali.

⁃ Fugindo de mim? — ele perguntou com um sorriso sínico nos lábios

⁃ Não — menti

⁃ Felicity… — repreendeu e entrou na biblioteca fechando a porta atrás de si

Oliver estava do mesmo jeito, porém o blaser estava jogado em seus ombros. Mesmo estando um pouco frio, ele parecia não estar incomodado.

Sentei direito na poltrona e Oliver sentou ao meu lado, tentei me encolher para não encostar nele, mas foi em vão. Eu não podia nem imaginar sua pele sobre a minha que eu voltava a hiperventilar, era melhor evitar contatos.

⁃ Achei que nnos saímos bem no café da manhã — falei tentando evitar qualquer assunto sobre nossa situação atual

⁃ Você achou que fomos bem? — assenti e ele riu — Eu estava me segurando para não te agarrar ali mesmo — minha boca abriu para retrucar para ele foi mais rápido — Após o café da manhã, conversei com seu pai em seu gabinete e me controlei para não contar tudo a ele, sabia que você não ia gostar.

⁃ Não ia mesmo — garanti — Não conte nada a ele, entendeu?

⁃ Sim, milady — falou sem vontade — Sua mãe e sua irmã são difíceis de lidar, não é?

— Ué! — ri sem humor — Não gostou da futura esposa? — ele fez careta

— Não é engraçado, Felicity, não me casarei com ela — revirou os olhos — A propósito, eu gostei do que fez pela Caitlin, ela parece ser uma boa pessoa.

⁃ Ela é — sorri — Antes de Helena chegar aqui, eu só tinha Caitlin

⁃ Rose é uma bebê adorável — ele sorriu olhando para o nada, provavelmente lembrando da pequena — Puxou meus cabelos, inclusive

⁃ Você a pegou no colo?

⁃ Claro que sim, amor — acariciou meu rosto e eu tirei sua mão de mim

⁃ Não me chama assim, Oliver

⁃ Eu amo você, não dá pra evitar — passou a mão no rosto e eu o fiquei encarando

Queria dizer que o amava também, mas preferi ficar em silêncio e não dizer nada. Ele sabia. Eu não precisava dizer.

Então tratei de assuntos mais urgentes.

⁃ Preciso da sua ajuda — falei voltando a ficar jogada na poltrona, eu não precisava usar a etiqueta de bons modos com o homem que me viu pelada diversas vezes, não quando estávamos sozinhos.

⁃ O que você quiser — começou a mexer com o tecido do meu vestido

⁃ O pai de Rose era um soldado — expliquei — Ele se feriou e veio se curar aqui, já que Wiltshire se tornou um ponto médico para a guerra. Caitlin o conheceu e eles se apaixonaram, o amesticio foi assinado e ele foi embora, acabaram perdendo o contato.

⁃ Você quer que eu te ajude a encontrá-lo? — assenti — Pode ser muito difícil, mas não impossível. Qual parte da guerra ele lutou?

⁃ Junto com você, Oliver

⁃ Ele estava nas Trincheiras? — assenti — Vai ser mais fácil do que eu pensava — ele disse que eu me sentei de novo animada, eu precisava ajudar Caitlin.

⁃ Sério? O nome dele é Barry Allen — falei e Oliver se levantou em um rompante, como se aquele nome lhe dissesse alguma coisa muito importante.

⁃ Bartholomew Henry Allen?

⁃ Você o conhece? — levantei em um pulo, meu coração acelerou com a expectativa de que esse tal de Barry fosse fácil de achar.

⁃ Sim — Oliver riu — Barry foi um dos amigos que eu fiz na guerra. Aquele safado é da Rose!

⁃ Você sabe onde ele mora?

⁃ Sei.

Andei rápido até a escrivaninha que tinha ali e pegueis um papel e uma caneta, sinalizei para que Oliver se aproximasse e assim ele fez.

⁃ Convide-o para as festas de fim de ano — estiquei a caneta para ele — Inventa alguma coisa que o traga até aqui, mas não diz nada sobre as meninas, melhor não o assustarmos.

⁃ Eu posso escrever o que eu quiser?

⁃ Sem gracinhas, Sr. Queen.

Oliver sentou na cadeira e começou a escrever a carta para o amigo. E eu andava de um lado para o outro desejando que o tal Bartholomew se materializasse naquela biblioteca o mais rápido possível.

Eu não conhecia esse homem, não sabia suas origens, mas Oliver parecia gostar dele. E eu sei que ele não ia convidar uma pessoa ruim para vir pra cá. E eu confiava no julgamento de Oliver sobre as pessoas.

Minutos depois ele dobrou o papel e colocou dentro de um envelope.

⁃ Acabei — falou — Mas não estou com o meu selo aqui, para que ele se certifique que a carta é minha.

⁃ Use o meu — dei de ombros

⁃ Então irei colocar o remetem como Felicity Queen e Oliver Queen.

⁃ E você será um homem morto até hora do almoço. — cruzei os braços

⁃ Amor, você sabe que vamos nos casar ano que vem — ele se levantou e veio até mim — Eu não vou me casar com sua irmã, até o ano novo todos saberão que estamos juntos e sua mãe irá nos obrigar a nos casar, e eu aceitarei de bom grado esse fardo.

⁃ Fardo? — segurei o riso e deu um tapa em seu ombro

Oliver agarrou minha cintura e olhou em meus olhos. E eu me deixei levar pelas iris azuis profundas e calmas que pareciam me devorar.

Aos poucos nossos rostos foram se aproximando um do outro, eu sabia que deveria afastar ele de mim, ali não era lugar para isso. Nenhum lugar daquela casa era lugar pra isso. Mas eu não consegui resistir, não dessa vez.

Nossos lábios se chocaram e todo o meu sistema pareceu levar um choque. Sua boca sugava a minha com devoção e sensualidade, fazendo minha intimidade voltar a latejar por ele. Seu aperto em minha cintura se tornou mais possessivo e eu gemi entre o beijo.

Mordei seu lábio inferior e Oliver apertou minha nadega com força arfando. Minhas unhas arranhavam sua nuca e eu sentia sua ereção roçar em meu ventre.

⁃ Sim ou não, Felicity? — perguntou quando nos afastamos para respirar

Eu sabia o que aquela pergunta significava.

Antes de transarmos pela primeira vez, ele havia perguntando a mesma coisa. Pedindo permissão para fazer o que quisesse comigo.

E sem pensar muito, eu dei a mesma resposta:

⁃ Sim!

Ele se afastou e trancou a porta sem tirar os olhos de mim e em um rompante atacou meus lábios novamente, me erguendo pela coxa e me colocando sentada na mesa da biblioteca e jogando tudo que estava em cima no chão. Não nos importamos com o barulho, o resto da família estava toda no jardim. Seus lábios desceram pelo meu pescoço e eu joguei minha cabeça para trás aproveitando a sensação que era sentir os lábios dele mim.

Eu deveria afastá-lo, não podíamos fazer aquilo, mas eu estava extasiada pelo prazer o não via a hora de ser preenchida por Oliver. As mãos dele passeavam por todo meu corpo e a minhas mãos apertavam seu braços vírus e musculosos. Era o paraíso.

Ele arreganhou mais minhas pernas e senti minha intimidade ser pressionada pela sua ereção completamente dura. Aquilo me fez soltar um gemido e ele tomou minha vice novamente. Nosso beijo era completamente erótico e cheio de desejo.

Senti as mãos dele indo para atrás do meu vestido e deslizando o zíper, o tecido escorregou pelo meu corpo parando em meu quadril, e então ele parou de me beijar, olhou em meus olhos e sem demoras rasgou a frente da minha roupa íntima revelando meus seios, meus bicos estavam rijos esperando por ele.

Oliver se curvou e passou a língua pelo meu mamilo direito e de novo eu tombei a cabeça para trás, era uma delícia. Dei uma leve rebolada pressionando seu membro contra minha intimidade, era uma pena ainda estarmos tão vestidos. Gemi quando ele abocanhou meu seio com vontade mordendo à região.

⁃ Oliver — gemi colocando minha mão por cima de seu membro ainda na calça e apertei, ele arfou e chupou meu seio com mais vontade, massageando o mamilo do outro peito — Oh! — mordi o labio querendo gritar para que ele me tomasse logo.

Ele me fazia ver estrelas apenas encostando em mim.

Oliver me ergueu e terminou de me despir, agora eu estava completamente nua sentada naquela mesa. Minhas pernas estavam abertas, sentia meu rosto quente, e meus cabelos soltos caindo pelos ombros. Ele parecia gostar da visão que tinha, pois me analisava mordendo lábio com a sua melhor cara de libertino cafajestes.

⁃ Você é perfeita — sua voz era rouca de tanto prazer — Alguém já te disse isso?

⁃ Você disse — sussurrei — Agora tira a sua roupa

⁃ Como quiser, minha condessinha

Oliver tirou o colete e começou a desabotoar a camisa, mas se cansou e simplesmente estourou os botões ao puxar tudo com brutalidade. Ele se livrou de sua calça junto com seu calção e jogou tudo em um canto qualquer. Quando estava devidamente nu, encarei seu corpo dos pés a cabeça e mordi o lábio com força.

⁃ Toda vez que eu vejo você mordendo seus lábios eu fico com vontade de… — falou se encaixando entre as minhas pernas e acariciando minha intimidade com o dedão

⁃ De…? — gemi a palavra ao senti meu clítoris ser massageado por ele

⁃ De te foder com força — dito isso ele me penetrou com brutalidade e eu gemi tão alto que esqueci que estávamos em um biblioteca com diversos criados andando pra lá e pra cá.

⁃ O-Oliver — gemi mordendo o lábio enquanto ele começava a se movimentar dentro de mim. Ele me penetrava com tanta força que o barulho do ranger do pé da mesa no chão se fundia aos nossos gemidos. — Oh! Oh! Isso, amor!

As estocadas não eram nada carinhosas e eu gostava exatamente assim. Com força e sem rodeios. Meus gemidos estavam descontrolados a medida que ele se enterrava fundo em mim, Oliver precisou tampar a minha boca com uma das mãos para que ninguém escutasse. Os sons que saiam da boca dele eram completamente eróticos e me deixavam ainda mais excitada.

Oliver começou a chupar meu seio novamente para controlar os sons que saiam de sua boca a medida que ele me penetrava. Ele mordia, chupava, lambia. Minha cabeça estava tombada para trás apenas aproveitando todas as sensações que o corpo dele junto ao meu proporcionava.

Cansado de me calar, ele grudou as duas mãos na minha nadega intensificando as estocadas fundas. Ele parou de chupar meu seio e tombou sua cabeça para trás, fechando os olhos e mordendo os lábios. Aquela visão deveria ser proibida de tanto tesão que ela me causava.

Que homem gostoso!

⁃ Felicity! — ele gemeu rouco e eu me derreti ali, amava quando ele gemia por mim.

⁃ Mais forte! — pedi e ele ofereceu com maestria — Oh! Oliver!

⁃ Porra! — rosnou e eu soube que ele estava chegando em seu ápice

Minhas pernas começaram a tremer dando sinal que eu também estava chegando ao meu limite de prazer. Ele me prendeu mais a ele, e senti seu orgasmo sendo jogado dentro de mim, enquanto o meu escorria por nossas intimidades. Oliver tomou meus lábios novamente enquanto terminava de gozar. Era erótico pensar em nossas corpos tremendo juntos enquanto trocávamos um beijo apaixonado.

Nossas respirações estavam ofegantes e o suor escorria por nossos poros. Paramos o beijo quando precisamos de ar e ficamos abraçados e nus na mesa por um tempo.

Eu não queria sair dali, não queria ir encarar a nossa atual realidade. Queria ficar naquela bolha onde eu era dele e ele era meu. Não queria ter que fingir que não o conhecia, ter que fingir que não o amava. Se passaram apenas algumas horas e eu já não aguentava mais.

⁃ Eu não quero sair daqui — coloquei meu pensamento em palavras

⁃ Não saia — beijou meus cabelos — Podemos ficar aqui pra sempre, é só você querer.

⁃ Eu quero — olhei em seus olhos — Mas não podemos.

⁃ Me desculpa por tudo — respirou fundo — Fiz tudo errado, mas não sabia como agir…

⁃ Eu não quero falar disso — voltei a abraçá-lo enterrando minha cabeça em seu peito — Agora quero apenas ajudar Caitlin

⁃ E nós vamos — garantiu — Hoje mesmo mandarei a carta

⁃ Obrigada, Oliver

⁃ Sempre farei tudo por você — começou a acariciar minhas costas e ficamos um tempo daquela posição.

Nos vestimos e Oliver selou a carta e saiu da biblioteca dizendo que iria tomar banho e ir para a cidade tentar enviar a carta em forma de telegrama. Chegaria mais rápido ao destinatário.

Depois de um tempo que ele saiu, decidiu que já era seguro sair também e corri para o meu quarto sem encontrar ninguém pelo caminho. Mas quando adentrei ao aposento, três pares de olhos e encaram. Dois esgavam cheios de malícia, e uma era inocente e sorridente.

⁃ Que sorriso bobo é esse? — Helena perguntou quando fechei a porta

Minha cunhada estava com Rose no colo enquanto Caitlin parecia estar mexendo em um baú. Se ela estivesse arrumando minhas coisas, eu ia jogá-la pela janela!

⁃ Estou feliz por estar em casa — deu de ombros — É proibido sorrir?

⁃ Eu sei que esse sorriso tem nome, endereço e um título — Caitlin disse rindo

⁃ Você transou não foi? — Helena riu — Está toda bagunçada

⁃ Respeitem a menina! — andei até Rose que sorria para mim

⁃ Não encosta na minha filha suja de sexo! — fiz careta para Cait e fui até a porta do banheiro

⁃ Vocês são terríveis!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.