Pride and Disappointment
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem.
Comentem muitooooooooo!
Início de novembro do ano de 1919
Meu coração doía pelo fato de deixar a América e voltar para a pacata Inglaterra. Tudo lá cheirava a velho... Mas Nova York não, Nova York era o meu ponto de paz, Nova York era o futuro. Em Nova York eu podia ser Felicity Megan, a filha de qualquer pessoa, aqui ninguém se importava. Mas na Inglaterra eu era a filha de James Noah Smoak e Donna Elizabeth Smoak, Conde e Condessa de Wiltshire*, devia andar nos eixos, sempre com um belo vestido e arrumar um novo marido. Novo? Sim, um novo marido. Fugi do Casarão de Castle Comb e em Nova York eu me casei, — para o desgosto de mamãe — e em menos de um ano me tornei viúva, Cooper se foi e logo após a guerra veio. A Primeira Guerra Mundial devastou nossas vidas por 4 anos, eu estava a 4 anos sem ver minha família na calma Wiltshire, Inglaterra*.
Fui praticamente obrigada a embarcar no primeiro navio para a Europa depois de uma carta eufórica de mamãe dizendo que Laurel, sua filha prodígio, iria se casar com um Conde. E que estava a minha espera, pois tão breve o maravilhoso conde chegaria em Wiltshire. E que dali a um mês, no Natal, Laurel e o conde tornariam o noivado oficial.
Entendam... Laurel nunca conheceu o tal rapaz, ela quisera tanto um casamento nobre que papai acordou a mão dela com o pai do tal conde — mas obviamente mamãe não colocou essa informação na carta que me mandara — essa informação constava na carta que papai mandou, dizendo que o conde-pai não via a hora de ver o conde-filho casado para que ele tomasse jeito e herdasse oficialmente o título, e claro que na carta também dizia que papai não via a hora de me encontrar e que me queria para seu aniversário e festas de fim de ano.
Então eu ia.
Pelo papai.
Eu praticamente fugi de casa aos 19 anos para me casar com Cooper Sheldon, tão cedo ele morreu. Ninguém, além de papai e Tommy — meu irmão mais velho -, sabe o real motivo de eu ter me casado. E eu espero que ninguém saiba, pois doía relembrar e eu não queria julgamentos. Cooper e eu viemos para a América, nos casamos e desde então nunca mais voltei para casa. Não que a guerra tenha me dado muitas opções...
Tudo em mim gritava para que eu não voltasse, tudo em mim dizia que o melhor era ficar onde estava, no país onde aprendi a chamar de lar, onde construí uma estabilidade sem precisar da minha mesada por ser uma jovem condessinha. Eu gostava de ser independente, gostava de não ter gente me dizendo o que fazer e quando fazer. A sociedade inglesa era completamente diferente da americana. Por mais que as mulheres tenham pouco direito de ir e vir, eu conquistei o meu. Em cima de muito preconceito, muitos burburinhos eu consegui assumir as rédeas da empresa farmacêutica que Cooper deixara em minhas mãos, e ela não parava de crescer. Calei muitas bocas dentro da Sheldon Medicaments. E hoje era respeitada lá dentro e consegui me tornar dona da minha vida. Com a minha ida rápida a Inglaterra, eu deixei a empresa nas mãos do Sr. Curtis Holt, primo de Cooper e meu melhor amigo na América e o único outro acionista da empresa.
Ele cuidaria dos negócios.
Respirei fundo e olhei uma última vez para o meu prédio, encarando a janela do meu apartamento no 3º andar. Sentiria saudades.
⁃ Apenas, senhorita Megan? — perguntou o taxista simpático que havia terminado de guardar minhas malas dentro de seu carro
⁃ Sim — sorri — Apenas. — me sentei no banco do passageiro tentando me lembrar se havia pego a minha escova de dente. De qualquer forma, compraria uma no Porto antes de embarcar no navio.
⁃ O trânsito está tranquilo, chegaremos a tempo — sorriu pelo retrovisor — A senhorita não precisará fazer nada correndo
⁃ Ainda bem — sorri de volta, eu estava muito sorridente para quem estava odiando voltar pra casa — Não consigo fazer nada as pressas, sabe como sou desastrada, Steve — ele assentiu sorrindo
Steve era um senhor taxista muito simpático, perdeu os dois filhos e a esposa durante a guerra — soldados e enfermeira respectivamente. Foi Coop, como eu chamava meu falecido marido, quem me apresentou Steve e sua esposa falecida, Peggy.
O senhor me ajudou a levar toda a bagagem para o navio, onde uma pessoa ficaria responsável a levá-las para minha cabine.
Juntamente de sua carta papai me enviou uma passagem de navio, ele queria realmente que eu chegasse a tempo de seu aniversário. Seriam 10 dias flutuando em alto mar na cabine de luxo providenciada por papai, e mais 3 horas de trem até Wiltshire.
Me despedi de Steve e subi a bordo, a sensação de que eu não deveria estar ali veio com tudo me causando um grande calafrio. Ignorei a sensação e caminhei até a proa do navio, subi as escadas que levavam a uma espécie de lounge, algumas pessoas bebiam e fumavam descontraídas, sabia que levaria um tempo até o navio deixar o Porto, olhei para parte da cidade visível, fechei os olhos e deixei a brisa bagunçar um pouco meus cabelos loiros. Não sei quanto tempo fiquei naquela posição, só senti um impulso forte do navio deixando o Porto, e com esse impulso meu corpo indo para frente.
Caindo.
Direto para o chão.
Apertei os olhos esperando o queda, mas ela não veio.
Ao invés do chão eu senti um par de braços me segurando e abri os olhos e encarando meu salvador.
⁃ Oh meu Deus — arregalei os olhos em surpresa me agarrando ao homem a minha frente. Meu abraço foi correspondido, lógico que seria, e me permiti chorar por um tempo. O amor que sentia, a saudade, tudo que passei em sua ausência e o medo da perda. Tudo veio à tona quando cruzei com aqueles olhos azuis.
⁃ Vem comigo — secou as últimas lágrimas que caiam depois que me acalmei — Vamos para a minha cabine. — assenti ainda sem palavras e surpresa por estar vendo ele ali.
Andamos por uns cinco minutos até entrarmos em um corredor luxuoso com várias portas e lustres. Provavelmente a minha cabine seria em alguma daquelas portas. Ele abriu a porta do final do corredor e fez sinal para que eu passasse.
Entrei e ele fechou a porta atrás de si. O quarto dele era luxuoso. Éramos recebidos por uma sala de estar com uma porta enorme que dava pra uma varanda privativa. Corri pra lá e observei Nova York se distanciando a medida que o navio avançava.
Me perdi por um momento na imagem a minha frente. O azul do céu namorando, se fundindo, ao azul do mar, e a grande — agora pequena — Nova York entre os dois. Aquela imagem trazia paz, calmaria. Mesmo sentindo a respiração dele no meu pescoço, arrepiando cada centímetro do meu corpo, aquela imensidão de azul me trazia paz. O que tínhamos me trazia paz, aquele momento me trazia paz. E depois de tudo que passei, depois de tudo que ele passou na frente de combate. Tudo que eu queira era paz.
⁃ Senti a sua falta — falei encostando minha cabeça em seu peito e ele me abraçou por trás — Por um momento eu pensei que nunca mais fosse te ver.
⁃ Isso nunca vai acontecer — falou baixinho — Nunca mais — beijou meus cabelos
⁃ Como sabia onde me encontrar? — me virei encarando seus olhos azuis — Curtis?
⁃ Sim — sorriu bobo e eu imitei seu sorriso — Liguei de manhã cedo para a empresa esperando falar com você e ele me disse onde você estaria, tratei de comprar as passagens no mesmo momento.
⁃ Você é maluco — meneei com a cabeça
⁃ Maluco por você, senhorita — e selou nossos lábios
Eu o amava, apesar de nunca ter dito, eu o amava perdidamente. E eu nunca pensei que sentiria algo tão forte assim por alguém, e em tão pouco tempo. Cada partícula do meu corpo gritava por ele.
O beijo começou calmo, lento. Estávamos aproveitando um ao outro. Mas depois o beijo ficou feroz, cheio de sentimentos, saudade... Precisávamos um do outro naquele momento.
E assim foi...
Não demorou muito para estarmos nus na cama.
Eu em cima dele fazendo movimentos inapropriados para uma moça solteira naquela época.
Gemendo tanto que envergonharia qualquer mãe que criara sua filha para ser uma dama da nobreza londrina.
E eu queria estar exatamente onde eu estava.
Ele me segurava pela cintura me acompanhando em cada movimento. Nós dois gemíamos alto falando palavras desconexas. Só existia nós dois ali. Nossos corpos suados, encaixados em completa sintonia. Eu me movia, eu rebolava em cima dele de uma forma desesperada, parecia que ele ia sumir a qualquer momento. A cada movimento que eu fazia ele apertava ainda mais a minha nadega me guiando. Em um rompante ele trocou nossas posições, ficando por cima de mim e entre as minhas pernas. As estocadas começaram lentas e enlouquecedoras, depois ele as acelerou empurrando com força. Intensificamos os gemidos, a cama rangia no chão, eu via o suor escorrendo pelo seu peitoral viril me excitando ainda mais. Minha intimidade latejava por ele. Meu corpo gritava por mais dele.
⁃ Olive-er — gemi alto enquanto ele estocava com vontade e apertava com força as minhas coxas. — Ahn, ah — quase gritei — Isso!
⁃ Perfeita — sorriu me encarando entre as estocadas e abocanhou meu seio esquerdo. Chupando, lambendo, mordiscando e chupando de novo. Ele passava a língua em volta do meu bico só para enrijece-lo ainda mais e depois morder. Eu gemia alto e descontroladamente, eu amava as sensações que Oliver me fazia sentir na cama. Ele começou a estimular o ponto da minha intimidade com o dedo indicador. A visão e a sensação dele me penetrando fundo e me tocando estava me levando a loucura. Eu sentia a minha intimidade completamente encharcada e quente — Felicity eu vou... Ahhh... Eu… — me penetrou com mais vontade e com mais força, e com um último rosnado e jogando a cabeça para trás ele chegou ao ápice do prazer, e com mais duas estocadas eu me juntei a ele.
Deitamos na cama e encaramos um ao outro. Aquele sorriso bobo estava lá novamente em seus lábios. E eu sabia que o meu sorriso era mais bobo ainda.
Oliver Queen...
Ele era irmão de Thea Queen, uma das poucas amigas que eu havia feito na América — poderia arriscar dizer que era a única, sem contar com Curtis -, nos tornamos inseparáveis depois que nos conhecemos. O pai deles era um Conde, Oliver era o herdeiro do título, apesar de já se apresentar assim para muitos.
Aconteceu com Thea e Oliver a mesma coisa que ocorrera a mim. Não puderam voltar para Londres durante por causa da guerra. E foi assim que nos conhecemos, em uma sala cinematográfica vendo vídeos aterrorizantes do início de um grande inferno. Thea chorava em desespero com medo que convocassem seu irmão, ela passou mal e eu acabei estando ao lado e prestei socorro. Eu e Oliver levamos ela para a emergência e depois disso eu e Thea não nos desgrudamos mais. Ela tinha a minha idade, compartilhava dos mesmos ideais que eu, isso facilitou muito a nossa aproximação. Eles não sabiam minhas origens, de quem eu era filha. Apenas sabiam que eu era inglesa e viúva de um homem rico que faleceu cedo demais.
Éramos um caso tanto quanto confuso, Oliver e eu. Ficávamos juntos sempre, porém escondido. Ele era um Conde, e eu filha de um. Por mais que ninguém do meu convívio em Nova York soubesse minhas origens, eu gostava de deixar minha vida particular longe da boca de qualquer manchete de jornal. E Oliver, antes de nos relacionarmos, costumava aparecer nas manchetes como o bom cafajestes que era. Eu não queria ser obrigada a casar com ele por termos passado noites acordados, pelados, um embolado no outro, trocando carinhos e promessas... Meus pais não podiam nem sonhar, mamãe já planejaria meu segundo casamento para que eu não ficasse mau falada. Como se eu me importasse... Eu o amava. Amava demais. Mas isso não significava que eu queria tornar público agora. Era algo de nós dois. Sem cobrança. Nunca tocamos no assunto relacionamento sério, ele apenas aparecia na minha casa, jantávamos, conversávamos e depois ficávamos juntos, ou apenas dormíamos abraçados. De manhã tomávamos café e ele ia embora. Vez ou outra nos arriscávamos em um teatro ou cinema. Tudo começou depois de um jantar que Thea deu no Palacete Queen, Oliver me trouxe em casa e me roubou um beijo. No dia seguinte ele voltou e jantamos, depois os encontros ficaram mais frequentes e passaram a ser todos os dias. Acho que Thea desconfiava, mas nunca comentou nada.
Porém não passou de três meses.
O inferno da guerra chegou em nossas vidas literalmente.
Aquela carta dizendo que ele iria precisar ir.
Eu nunca me vi tão desesperada. Passei a entender o que Thea sentia. A angústia dela passou a ser minha também.
Na ultima noite antes dele ir para frente de combate, Thea havia arrumado um “jantar de despedida” no meu apartamento, quando o jantar acabou ele fingiu que foi embora e voltou logo depois quando eu já estava sozinha. Não transamos, eu apenas o abracei e chorei. Chorei de medo, medo por mim, por ele, pela Thea, pela minha família que eu não via a mais de 2 anos por causa da guerra que nunca acabava. E ele me deu colo, me deixou chorar, me acalmou até que eu dormisse. E na manhã seguinte ele não estava mais lá, desde então nunca mais o vi. Nem uma carta, um telefonema, nada.
Eu não me deixei abalar.
Eu o amava, o amava desesperadamente. Mas não tínhamos nada, não tínhamos um relacionamento sério.
Ele não tinha obrigações comigo.
Por mais que algumas semanas depois de sua partida eu tivesse descoberto algo que mudou completamente a minha vida... Mas esse segredo só pertenceria a mim, ele jamais faria parte. Ninguém jamais faria parte. Nem Thea, que passara tantos meses comigo sabia. Fora um sonho que tão breve se foi.
⁃ Preciso me desculpar — disse acariciando meu rosto e me tirando dos meus devaneios — Não agi como deveria.
⁃ Você não precisa se desculpar pelo que acabamos de fazer, Oliver — sorri ainda mais — Eu estava com saudade
⁃ Não é sobre isso — suspirou pesadamente — Eu sumi... Eu também estava morrendo de saudade. Não podia ter feito isso com você.
⁃ Nós não havíamos combinado nada — o tranquilizei — Está tudo bem, eu fiquei bem — menti
⁃ Na frente de guerra eu só pensava em você — me olhou intensamente — Eu não consigo mais ficar longe de você.
Olhei dentro de seus olhos e vi verdade ali, eu sabia que ele não estava mentindo. Nunca dissemos “Eu te amo”, mas fazíamos promessas de nunca nos abandonarmos independente das circunstâncias. Porém, quando eu mais precisei ele não estava lá, e não foi por escolha dele. E eu não queria que ele se sentisse culpado por não ter estado lá.
Nesse tempo, meses, que ele ficou longe eu sentia que meu coração estava fora de mim. Eu acordava, pois eu tinha que acordar, eu comia só quando meu corpo gritava por comida e só saia na rua, pois tinha que trabalhar. Eu só sobrevivi. Esqueci o que era viver.
⁃ Eu... — comecei
⁃ Não — pediu — Deixa eu terminar, por favor — assenti — A poucos meses eu fui liberado para ir embora, resolvi muitas questões burocráticas e queria ter certeza que meus homens que foram mortos chegariam em suas famílias. Após, eu corri para Londres, eu precisava ver meus pais, precisar ver Thea — meus olhos marejaram quando escutei o nome dela, ela havia sofrido tanto com a ida do irmão a guerra. Mas ela me deu apoio, mesmo sem eu nunca ter dito o que acontecia entre eu e seu irmão, Thea fora o meu apoio e eu o dela. Ela fechou o palacete e se mudou para meu apartamento, ficamos meses juntas, as vezes ela ia trabalhar comigo. Assim que guerra foi dada como acabada ela pegou o primeiro navio e foi a encontro dos pais. Eu queria ter feito o mesmo, mas eu não queira deixar o local onde Oliver poderia bater a qualquer momento em minha porta. Egoísta? Talvez. Mas eu não conseguia sair de lá. Mas eu não podia ficar enfiada naquele apartamento para sempre. — Eu precisava ver minha mãe, minha irmãzinha.
⁃ Eu sei, Conde — acariciei seu rosto — Thea me enviou uma correspondência dizendo que você havia chego em casa, vivo e bem. — beijei seu nariz — A carta atrasou um pouco, mas chegou, chegou junto com a carta dos meus pais me chamando pra casa. O que importa é que você está aqui e... — ele me calou com um beijo e recomeçamos tudo que havíamos parado a instantes atrás
Eu tinha que afastar ele, eu precisava afastar ele. Eu não podia continuar assim, escondida com alguém que eu nutria um sentimento tão forte. Uma parte de mim queria aproveitar cada momento que eu teria presa nesse navio com ele, a outra parte — a parte racional — queria que eu aproveitasse esses dias para me livrar dele.
Nosso relacionamento era quase impossível. A nobreza era complicada demais.
Depois de mais momentos cheios de prazer e gemidos altos eu corri para o banheiro e tomei um banho quente e demorado. Apesar de ainda não ter começado a nevar, Nova York essa época do ano era um gelo. Em alto mar o frio se intensificaria, mas não quando com Oliver eu não senti nada. Ri com o pensamento enquanto colocava meu vestido. Deixei meus cabelos molhados caídos pelos meus ombros. Sai do banheiro e encontrei Oliver em pé na varanda apenas de calça observando a imensidão negra que era o mar e o céu e bebericando um whisk no copo. O quarto estava extremamente gelado, peguei meu casaco e o vesti. Me aproximei de Oliver e pude perceber uma marca em suas costas, aquela marca não estava ali a um tempo atrás quando nos vimos pela última vez. Me peguei pensando no que ele devia ter passado nos meses em que ficou na guerra.
⁃ Eu levei um tiro — ele disse se virando
⁃ O que? — perguntei sem entender
⁃ Você pensou em voz alta — sorriu e eu corei — O que eu passei na guerra? Levei um tiro nas costas, uma cilada — bebeu um pouco do whisk — Um homem se infiltrou na nossa linha de frente e atirou em mim, eu era o oficial no comando. Mas consegui acabar com ele antes que fizesse um estrago maior. Foi esse tiro me afastou da linha frente, mas fiz questão de cuidar da burocracia.
⁃ Você queria ser útil — sussurrei e o abracei por impulso
⁃ Eu precisava ser útil naquele inferno — beijou meus cabelos — Mas agora estou bem
⁃ Meu herói — sorri lhe dando um selinho
Foi difícil, mas eu finalmente consegui sair da cabine de Olivier e ir para a minha — que por incrível que pareça era ao lado da dele. Verifiquei todas as minhas malas me certificando de que minha escova de dente estava lá. E para meu alívio, estava. Troquei de roupa — coloquei algo mais elegante e para o jantar que seria servido no restaurante principal do navio -, ajeitei meus cachos loiros e me permiti usar umas joias de pérolas, coisa que quase não fazia em Nova York, e escovei meus dentes feliz por não ter esquecido minha escova. Me perfumei e sai, um pouco perdida pelos corredores, mas finalmente encontrei o grande salão principal, que parecia um castelo de tão clássico e vintage. Pessoas elegantes dançavam e algumas outras comiam e bebiam nas meses em volta a pista de dança. Avistei Oliver sentado, sorrindo e bebendo com um casal simpático. Nossos olhares se cruzaram, mas eu ignorei, estava com fome demais para dar atenção a Oliver. E como só éramos vistos em público quando Thea estava junto, preferi me sentar sozinha.
O garçom me guiou para a mesa referente ao meu quarto e pedi minha refeição e um bom vinho. Na minha época não era de bom tom uma mulher solteira beber sozinha, viajar sozinha — algumas faziam sem ligar para comentários -, as mulheres deviam fazer um bom casamento e servir ao seu marido. Mas eu já era viúva, então não me importava com nada. Por mais que a sociedade, e a minha mãe, impusessem um outro casamento para alguém tão jovem e de uma classe social tão alta como eu. Mas se eu me casasse novamente seria por amor. Eu amei Cooper, mas não esse amor de amantes, nem paixão... Eu não o amava como amo o… Era complicado...
Terminei a refeição e a todo tempo eu sentia o olhar quente de Oliver em mim. Eu não o encarava, mas eu jurava que ele estava com aquele sorriso sínico nos lábios.
Ah os lábios...
Beberiquei meu vinho sorrindo e lembrando dos momentos de mais cedo. Ele era a minha perdição.
⁃ Me daria a honra de uma dança, senhorita Megan? — a voz me tirou de meus devaneios e eu afastei a taça de minha boca. Lá estava o sorriso sínico dele.
⁃ Seria um prazer, senhor Queen — sorri aceitando sua mão estendida, ele beijou minha mão me puxando para a pista.
A música lenta e melancólica soava pelo salão, ele depositou a palma das mãos em minhas costas e me puxou para mais perto, coloquei as mãos em volta de seu pescoço e encarei seu rosto. Ele também me olhava, sério demais. O sorriso sínico havia ido embora e agora seus lábios finos estavam em linha reta. Alguma coisa estava incomodando Oliver. Eu o conhecia o suficiente para lê-lo. Abri a boca para perguntar, mas ele me puxou mais para si e enterrou o rosto em meus cabelos. Respirei fundo fazendo uma nota mental de lhe cobrar aquela informação mais tarde. A música acabou e a banda disse que dariam uma pausa.
⁃ Eu vou para a minha cabine — avisei quando voltamos para a mesa em que eu estava
⁃ Vou com você — sussurrou — Preciso lhe contar algo
⁃ Oliver… — ia dizer que não era bom nós ficarmos andando juntos demais por aí, ainda mais entrando na mesma cabine
⁃ Eu vou — disse decidido, meneei com a cabeça rindo de lado. Ele se apossou da minha cintura e me guiou pelo caminho. Os corredores do navio estavam calmos, as pessoas já deviam estar dormindo ou na pequena festa do salão. — Onde é a sua cabine?
⁃ Ao lado da sua — falei e ele assentiu me guindo pelo corredor. Ele estava sério demais e eu estava exausta… Andamos rápido e em silêncio pelo corredor evitando grandes multidões. Oliver estava sempre bem atento a tudo ao seu redor, porém seu semblante estava gritando algo que eu não conseguia decifrar. Preocupação? Culpa? Angústia? Dessa vez eu não conseguia ler sua feição. — O que foi? — perguntei assim que entramos em minha cabine e ele fechou a porta e depois a trancou.
⁃ Eu preciso te dizer duas coisas — começou e eu assenti esperando — Uma é que eu sou a pessoa que sempre vai fazer de tudo pela minha família. Sempre.
⁃ É o que costumamos a fazer por quem amamos — sorri em entendimento — Eu também sempre farei de tudo pela minha família. — ele assentiu suspirando
⁃ Você nunca me falou sobre ela — franziu o cenho, parecia estar se dando conta de um fato
⁃ Outro dia — lhe assegurei — É isso que te preocupa, a sua família? Aconteceu alguma coisa com a Thea?
⁃ Não, Thea está bem
⁃ O que é?
⁃ É complicado — suspirou passando as mais no cabelo. Eu teria tempo de tirar essa informação dele.
⁃ E qual é a segunda coisa?
⁃ Eu te amo!
⁃ Oh — me limitei a isso
Eu não estava pronta para aquilo. Eu não estava pronta para essa declaração, não assim dessa forma. Eu nunca tive certeza se Oliver me amava, eu sabia que ele sentia algo por mim. Mas sempre pensei que tudo se limitava a paixão. Paixão e amor nem sempre andavam em uma via de mão dupla. Podíamos amar alguém perdidamente como nos livros de romance, mas também podíamos sentir uma paixão arrebatadora, um fogo, que em tempos pode ser apagado. O amor não, o amor não pode ser simplesmente apagado. Mas quando a paixão e o amor são usadas juntas, aí sim tudo complicava.
Eu amava o Oliver absurdamente.
Eu sentia uma paixão absurda por ele.
Tudo estava complicado.
⁃ Felicity…
⁃ Conde — chamei e ele olhou em meus olhos. — Eu te amo — encurtei o caminho entre nós e o prensei contra a porta. — Eu te amo — falei de novo e ele sorriu. Aquele sorriso de criança quando ganha um doce. Selamos nossos lábios e logo o beijo foi intensificado. Tirei seu blazer e depois arranquei a gravata de seu pescoço, me enrolei um pouco com os botões de sua camisa, mas consegui deixá-lo apenas de calça. Ele se afastou de mim parando o beijo e me encarou, me permiti por um momento admirar seu abdômen definido, mas logo recobrei os sentidos com Oliver falando.
⁃ Gosta do que vê, senhorita?
⁃ Não — fingi um careta — Está vestido demais, Conde.
*Condessa e Conde de Wiltshire não existe.
* Castle Combe, Wiltshire, Inglaterra — Realmente existe, peguei no Google. Lugar lindo!!
*Eu não sei se realmente são 10 dias de navio de Nova York para Londres, eu acredito que não. Eu pesquisei, mas não encontrei. Então vamos fingir que é.
*Conde de Starling não existe.
Notas finais
Comentem muitooooooooo!
O feedback de vocês é muuuuuito importante para que eu possa dar continuidade.
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