Notas iniciais
Esse conto é dedicado as lindas do grupo Meninas de HoH e, em especial, a maravilhosa da Lara, que teve um papel fundamental nesse conto.

Lia Thiollent não podia segurar o divertimento ao ver Lexa Prutt sentada à sua frente.

—Então, você quer uma previsão, fofa?

— É...

— Sobre o que, especificamente? — Perguntou, sorrindo cinicamente para a expressão contrariada da garota.

— Ora, não é você que se diz vidente? Adivinha! — Respondeu debochada, mas Lia, atentíssima, foi capaz de perceber o sutil constrangimento da grifinória.

— Até posso, mas o pagamento vai sair mais caro. — Disse maliciosa sem segurar o sorrisinho ladino.

Lexa a olhou irritada, o que aumentou o divertimento da sonserina, mas com um suspiro acabou se rendendo:

— T-tem alguém, é, ... hum, — A garota parecia querer enfiar a cabeça numa vala de tão envergonhada que estava, mesmo com suas previsões, Lia nunca teria esperado por essa situação — Ah!!! Eu quero saber se há uma pessoa que gosta de mim.

Espantada com a explosão súbita da outra, Thiollent precisou de uns minutos para assimilar toda a situação, a pergunta tinha sido expressada no geral, mas Lia tinha experiência e sabia que a dúvida de Prutt se estendia a alguém especifico, já tinha percebido a quedinha da garota pelo seu capitão, mesmo que a artilheira nunca fosse admitir.
Porém, a possibilidade de outra pessoa na equação não poderia ser descartada, tinha lá suas desconfianças sobre os sentimentos da grifinória pelo Potter mais novo. Sempre achou exagerado a raivinha infantil de Prutt pelo colega de casa.

A garota parecia extremamente envergonhada, penalizada com a situação inesperada, Lia resistiu ao impulso de rir e debochar dela.

— Beba o café lentamente, concentrando-se na sua pergunta. — Sem o ar de divertimento anterior, Thiollent estendeu a xicara de café para a artilheira — Quando terminar de beber, coloque o pires sobre a xícara, como se fosse uma tampa, e vire-o, num movimento rápido.

Observando a grifinória realizar o que tinha sido pedido, Lia, disfarçando sua curiosidade, manteve-se plena.

Após o término de todo o procedimento, Lia, olhando brevemente para Lexa, retornou sua atenção para a xícara, analisando as borras de café, a grifinória já estava se estressando, pois tinha certeza que a demora da sonserina para dar a previsão era proposital.

Sorrindo maliciosamente, Lia lançou um olhar enigmático para Lexa, que, tentando esconder a ansiedade, devolveu um olhar de desdém.

Divertida com o falso desdém da garota, Lia aumentou o sorriso:

— Como sou boa em tudo que faço — disse arrogante – Com 100%, hum, pra não dizer que não sou humilde, vamos considerar 98% de certeza, que, o que o futuro reserva pra você é ... — com uma pausa dramática e misteriosa, Lia mal pôde segurar o riso ao ver a expressão raivosa que ganhou o rosto de Lexa com a sua pausa proposital, sem dar tempo da garota verbalizar a raiva, continuou – Uma experiência única.

Atenta a postura corporal da artilheira grifinória, Lia percebeu o exato momento em que a compreensão chegou a Lexa, desfazendo a carranca raivosa para, aos poucos, uma expressão confusa e uma quase imperceptível, insegurança.

— Experiência única?! — Respondeu duvidosa – Que tipo de experiência?

Incrédula, Lexa não podia acreditar que depois de toda aquela enrolação, isso era tudo o que a sonserina tinha pra revelar, irritando-se novamente quando Thiollent se recusou a acrescentar os detalhes da previsão, a víbora teve o disparate de cobrar o dobro, já que, de acordo com a mercenária, essa pergunta não estava dentro do pacote.
Lia poderia até se amedrontar com os olhares furiosos de Lexa Prutt, mas já estava acostumada com a insatisfação dos clientes, sempre querendo saber mais, porém nunca dispostos a pagar por tais informações, por fim, Lexa, teimosa e orgulhosa, deu meia volta e saiu bufando da sala.
Lia sorriu, verdadeiramente dessa vez, a previsão havia sido clara, Lexa voltaria.
...

A vida era mesmo uma vadia.

Era o que pensava Lexa ao observar Lia sentada tranquilamente na mesa da Sonserina, sabia que tinha que procura-la agora que a tal experiência profetizada estava batendo na sua porta, suspirou alto ao anteceder a humilhação que seria engolir seu orgulho e ir pedir auxílio à Thiollent, que por bem ou por mal, era a única que poderia ajuda-la.

Ao ver Lia deixando o salão principal, Lexa levantou e a seguiu apressada, ignorando as caretas dos outros alunos que estavam sendo empurrados grosseiramente, ora, eles estavam no caminho e Lexa não tinha tempo a perder!

Mas todo seu esforço mostrava-se desnecessário, pois ali, escorada na parede despojadamente, encontrava-se Lia, que lhe sorriu cínica.

— Como sabia que eu estava indo atrás de você? — Perguntou Lexa, embora não estivesse realmente surpresa, Lia, desencostando da parede, não respondeu de imediato, apenas seguiu andando com Lexa ao seu encalço.

— Eu já sabia que você iria me procurar. – Respondeu presunçosa, dando fim ao pequeno dialogo.

Caminharam em silêncio para a pequena saleta usada pela sonserina para atender aos alunos de Hogwarts, destrancando-a com um feitiço verbal simples, afinal, trancava só por trancar mesmo, ninguém era louco o suficiente para invadir o local e Lia sabia disso.

— Sente-se. — Já acomodada confortavelmente em seu lugar habitual, Lia sorriu falsamente simpática – A que devo a honra da sua presença?
Lexa segurou a vontade de xingar e mandar a garota adivinhar -de novo -havia notado o brilho provocativo no olhar da artilheira rival. Ignorando a frustação, decidiu que cooperar com a garota seria melhor, assim poderia se livrar de uma vez dos olhares e sorrisos de Thiollent que já estavam começando a perturba-la.

— Você estava certa ...

— Eu sempre estou. – Interrompeu Lia, arrogante

— Dá pra não interromper!!! – Exclamou irritada, estar ali já era desagradável o suficiente, ter que lidar com a péssima personalidade de Thiollent deixava-a ainda mais insatisfeita – Como estava dizendo — Continuou, com um olhar desafiador a Lia, que apenas a olhou esnobe — Aquela sua previsão estava certa e acho que prestes a acontecer. — Por que Lia parecia tão desinteressada? — Eu tenho um encontro.

—Hm, e o que tenho a ver com isso?

— Como é? — Borbulhando de raiva, Lexa custava a crer que tinha escutado a última fala da serpente, o que ela tinha a ver com isso? Diabos, isso era tudo culpa dela! – Foi VOCÊ quem disse que eu teria uma experiência única, deixa de ser sonsa, garota!

— Quem disse isso foi o futuro e não eu, bobinha. — Debochou Lia, soltando um risinho que irritou até o ultimo fio de cabelo de Lexa – E outra, desde quando um encontro é uma experiência única? Coisa mais corriqueira na vida.

— Pra você pode até ser. — Revidou nervosa, nunca imaginou que passaria por uma situação tão degradante.

— Tanto faz, quem foi que te convidou? — Perguntou Lia, desdenhosa, imaginando que tipo de ser convidaria uma mostrinha como Lexa Prutt para um encontro.

— Michael Thomas — Respondeu como se não fosse nada, infelizmente para Lexa, seu próprio corpo denunciou sem embaraço, ao ruborizar suas bochechas.

— Que gracinha, ficou vermelha — Riu Lia – Acha que é uma experiência única só porque um popularzinho metido a besta te convidou? Que bobagem. – Revirou os olhos ao não obter nenhuma resposta da grifinória – Que seja, precisa de mim pra que?

Embora fosse prevista a volta de Lexa, mesmo Lia não sabia em que circunstâncias isso se daria e principalmente, qual seria seu papel nela, estava tentando descobrir pelo desenrolar da história, mas toda essa situação já estava a cansando, maldita hora que aceitou atender Lexa Prutt!

— É que, bem, eu nunca fui a um encontro antes e ...

— E? — Encorajou Lia.

— E se ele me beijar?! — Exclamou, Lia não sabia se a garota estava nervosa ou envergonhada, mas, espera, a grifinória estava estranhamente perturbada, ok, isso estava ficando interessante.

— Espera, você tem medo de beijar mal ou você nunca beijou? — Falou direta, observando a reação da garota, que ruborizou ao ouvi-la.

— Eu — Tossiu seco – nunca beijei. — Respondeu por fim, aborrecida.

— Ah, se é só isso, é fácil de resolver. — Convicta, Lia a olhou sugestiva – Chega mais perto que eu te ensino.

— O QUE? – Lexa estava perplexa e escandalizada – Você tá zoando com minha cara? Eu não vou beijar você!

— Por que não?

— Porque você, ora, porque, porque sim! — Gesticulou exasperada.

— Pra que tudo isso? É só um beijo, você devia era agradecer, eu aqui, me dispondo a fazer esse sacrifício! — Lia parecia realmente ofendida. – Que ingrata! Vamos, venha aqui logo, ou prefere fazer feio e virar chacota?

Inferno, como diabos tinha chegado a esse ponto, Lexa definitivamente não queria se tornar a piada de Hogwarts, mas ter que beijar Lia? Mesmo que a garota fosse bonita, ok, muito bonita com toda uma áurea atraente em torno de si, droga, não queria mesmo virar chacota!

— Tá, mas se contar pra alguém, eu te mato – Ameaçou indo até a sonserina, porém, Lia apenas sorriu, nem um pouco amedrontada.
...

— ... e você acredita que aquele babaca ainda teve o disparate de dizer que achava injusto perder a vaga na seleção para mulheres, que o treinador Potter quis dar uma de politicamente correto, como se nós só estivéssemos na seleção por ser mulher... — Reclamou Lexa, a garota tinha chegado a mais de meia hora e desde então, desatado a falar do péssimo encontro que tivera – Ao invés de aceitar que é ruim, fica com essas desculpinhas fajutas — suspirou irritada – Que vontade de dar um soco naquele imbec...

— Tá bom, já chega, seu encontro foi uma bosta. — Interrompeu Lia, não aguentava mais ouvir sobre esse encontro, tinha cara de terapeuta por acaso? — Vai reclamar com seus amiguinhos ao invés de ficar aqui me perturbando!

— Como é que é? — gritou – A culpa é toda SUA! — Agora Lexa estava indignada.

Lia suspirou, já acostumada com as acusações da garota, sorriu maliciosa, ao se dirigir a grifinória:

— Sendo assim, devo compensa-la? — Respondeu Lia provocativa, alisando, com o indicador, os lábios de uma Lexa sem reação, que se recuperando do choque, afastou a mão da sonserina com um safanão e saiu correndo da sala, deixando uma Lia gargalhando para traz.

Lexa podia até não concordar, mas tinha vivido sua experiência única, e, quer saber, bendita hora em que Lia aceitou atender Lexa Prutt.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!