Pretérito Imperfeito
13 Capitulo Treze
Notas iniciais
Capitulo treze.
“Estou com medo. Medo de não ser humana, medo de ser diferente das outras correntes, medo das coisas que não sei, medo das coisas que sei. E também, acima de tudo, estou mais aterrorizada... sobre minha própria existência." — Alice Baskerville (Pandora Hearts)
~♥~♥~♥~
A única coisa que vi, foi Sasuke arregalar os olhos.
– O que? – Sibilou possesso.
– É isso mesmo. – Hinata falou seriamente. – Ao que tudo indica, alguém de dentro da empresa fez a transferência. Eu olhei todas as datas do livro de contabilidade e fui ao banco.
– E o que eles falaram? – Sasuke perguntou irritado.
Hinata suspirou.
– Que você autorizou a transação.
– É o que? – Sasuke perguntou mais irritado ainda.
– Eles me mostraram o pedido de transferência de dinheiro. Sasuke, era a sua assinatura que estava lá. – Hinata estava ainda mais séria. – Alguém aqui da empresa falsificou sua assinatura e levou ao banco. E eu tenho certeza que você sabe quem foi, já que me deram a descrição da pessoa que foi lá. Cabelos ruivos, olhos castanhos, sorriso bonito. Ele não te lembra de alguém? – Hinata perguntou um pouco sarcástica e eu me surpreendi, ela era sempre tão doce.
Sasuke respirou fundo e passou a mão no rosto. Quando abaixou as mãos, seu rosto estava em uma fúria evidente.
– Sasori? – Eu perguntei.
Três pares de olhos estavam em mim. Naruto deu um tapinha na própria testa, entendendo, e Hinata e Sasuke me olhavam confusos.
– Conhece o Sasori? – Hinata perguntou.
Assenti.
– É o meu ex-namorado. – Admiti, corando um pouco.
Senti Sasuke ficar tenso do meu lado.
– Ótimo, vou ter uma conversinha com o ex da minha namorada. – Ele falou ironicamente.
~♥~♥~♥~
Ino pov’s.
Acordei e fui direto tomar um banho e fiz minha higiene matinal. Vesti uma roupa leve e sai do quarto.
Não vi Gaara na sala e nem na cozinha, então, tomei a liberdade de fazer o café para nós.
Quando estava quase terminando, ouvi uma movimentação e olhei para trás, vendo Gaara aparecer apressado pelo corredor.
– Mande sete viaturas atrás dele. Não o deixem fugir. Façam uma barreira na Avenida Principal, na Rua 24 e na Rua 55, eu estou a caminho. – Ele falou no celular.
Contive a risada. Gaara apoiava o celular no ombro enquanto, com uma mão, tentava fechar os botões da camisa e com a outra mão, tentava abotoar a calça jeans. O cabelo extremamente bagunçado e com cara de sono.
Ele olhou em volta, a procura de alguma coisa enquanto voltava a falar alguma coisa no celular e lutava contra as roupas.
Com uma risadinha, fui até ele. Tirei sua mão da camisa e a abotoei para ele, ele ainda olhava pela casa.
– Façam rápido. Ele é um serial killer, o quero na minha sala de interrogatório em no máximo quarenta minutos. – Ele falava enquanto olhava ao redor, ainda procurando algo. – Não, não quero que me busquem de viatura, alcanço vocês no meu próprio carro.
Fechei o botão de sua calça e subi o zíper com certa brutalidade, o fazendo olhar para mim com a sobrancelha arqueada e um sorriso pervertido aparecer nos meus lábios.
Me afastei dele e ele desligou o celular, começando a revirar a casa.
– Posso saber o que procura para poder ajuda-lo? – Perguntei.
Ele jogou as almofadas do sofá para o alto.
– Meu distintivo. Tenho que achar ele rápido.
Olhei em volta e sorri. Gaara estava tão avoado que nem percebeu o distintivo em cima do rack, do lado da TV.
Peguei o distintivo e o rodei no dedo pela cordinha de passar pelo pescoço.
– É isso aqui? – Perguntei chamando sua atenção.
Ele me olhou e abriu um sorriso, correndo na minha direção e o pegando, depois, correu para pegar a chave do carro e veio até mim rapidamente, me dando um beijo na bochecha.
– Muito obrigado pela ajuda. Não saia daqui ate que eu volte, me entendeu? – Falou seriamente.
Bati uma continência enquanto sorria e ele saiu correndo, batendo a porta em seguida.
Dei uma risadinha. Gaara era um delegado e tanto.
~♥~♥~♥~
Sakura pov’s.
Sasuke foi ate sua sala e pegou o telefone.
– Quero Akasuna no Sasori na minha sala AGORA. – Ele disse para alguém.
Engoli em seco. Sasuke estava puto.
Naruto estava com um sorrisinho satisfeito no rosto e eu lhe dei uma cutucada.
– Qual é, Sakura-chan? Finalmente aquele mala vai levar uma coça, me deixe ficar feliz com isso. – Ele reclamou.
Sasuke se virou para Naruto.
– Para você não gostar dele, ele deve ter feito algo muito ruim. Me conte.
Suspirei.
Era exatamente a hora que eu teria que pedir ajuda para Hinata para conter esses hormônios masculinos.
– Ele traiu a Sakura-chan. – Naruto disse. – Quer dizer, ele tentou forçar ela a ir para a cama com ele, eu que a ajudei, mas no outro dia ele jogou na cara dela que há traia o tempo todo.
Sasuke se virou roboticamente para mim. O rosto era uma mascara de frieza e raiva contida.
O elevador apitou, avisando a chegada de alguém e Sasuke sorriu macabramente, andando ate ele.
Quando a porta se abriu, Sasuke puxou Sasori de lá de dentro pela gola da camisa, assustando o ruivo.
– Filho da puta! – Sasuke disse enquanto o acertava com um soco.
Eu e Hinata nos assustamos e Naruto riu. O loiro estava se divertindo para caralho.
Sasori, ao ver que Sasuke ia para cima dele de novo, tentou se defender. Segurou o punho de Sasuke e depois se afastou.
– O que pensa que está fazendo, Uchiha? – Sasori perguntou irritado e com sangue escorrendo pelo nariz.
Sasuke sorriu.
– No momento, estou acertando as contas atrasadas da minha namorada com você. Quando eu terminar, conversaremos sobre sua relação com meu querido papai. – Sasuke disse sarcasticamente.
Sasuke foi para cima dele de novo, desferindo outro soco no rosto de Sasori, que cambaleou e “caiu” sobre a mesa.
Sasuke, aproveitando o desequilíbrio dele, o prendeu na mesa, dando mais três socos seguidos e com uma força surpreendente.
Quando ele ia acertar o quarto soco, Hinata segurou a mão dele.
– Sasuke, se controle. – Ela disse irritada e assustada. – Vai matar o garoto.
Sasuke se livrou da mão dela e deu o soco que Hinata tinha impedindo, fazendo com que sua mão se manchasse de sangue.
– Que ele morra então.
Olhei para Naruto, desesperada, e o mesmo mantinha um sorriso tão macabro quanto o de Sasuke enquanto o olhava detonar Sasori.
Sasori empurrou Sasuke e o acertou um soco, o fazendo cambalear. O rosto de Sasori estava cheio de sangue e inchado.
Hinata, que estava perto demais, tropeçou e caiu, chegando para trás assustada quando os dois voltaram a se atracar, rolando pelo chão, derrubando e quebrando tudo que entrava na frente deles.
Fui até ela e a ajudei a levantar, a puxando para longe dos dois.
– O que fazemos, Hinata? – Perguntei desesperada.
Aqueles dois iam se matar.
– Eu sinceramente não sei. – Ela disse.
Os dois pararam de rolar no chão, Sasori ficando por cima e dando outro soco em Sasuke, que rapidamente virou, voltando a socar o ruivo com toda sua vontade. Depois, Sasori que inverteu, voltando a socar Sasuke, se se defendia facilmente e batia no ruivo.
Hinata se irritou do meu lado.
– Naruto, faça alguma coisa. Sasuke vai matar ele.
Naruto suspirou e foi para o meio da briga.
Naruto puxou Sasori de cima de Sasuke e o jogou para longe do moreno. Sasuke estava com um corte no supercilio e o nariz sangrando, enquanto Sasori sangrava pelo nariz, pelo supercilio, pela boca e suas bochechas já estavam roxas, provavelmente ele ficaria com os dois olhos inchados.
Sasuke tentou ir para cima dele de novo, mas Naruto o segurou.
– Calma ai, amigão. Por mais que eu queira ver você fazendo a cara dele de pano de chão, tenho que te parar. Daqui a pouco você vai deixar ele em coma.
O pessoal da empresa já estava juntando na sala de Sasuke, para ver o que estava acontecendo.
Sasuke se soltou de Naruto e limpou o sangue do nariz, a respiração ofegante e depois respirou fundo.
– Tudo bem. – Falou ele, um pouco mais calmo, mas ainda sim, furioso. – Agora quero conversar com ele sobre o meu pai.
Olhei irritada para Sasuke.
– Não, você não vai. O Itachi vai conversar com ele. – Falei e me virei para Hinata. – Pode o chamar, por favor, Hina?
Hinata assentiu e foi ligar para Itachi e Sasuke se virou para mim, mas eu falei antes que ele abrisse a boca.
– E você vai para casa comigo. Vou cuidar desses machucados e você vai esfriar a cabeça. Depois, com mais calma, conversa com Itachi.
Fui até ele, pegando sua mão e o puxando para o elevador. Depois, apertei o botão do estacionamento.
Ficamos em silencio no elevador, eu não falei nada e Sasuke tentava estancar o sangramento do nariz.
Quando saímos do elevador, estiquei a mão para ele que, entendendo o que eu queria, me entregou a chave do carro sem reclamar.
Entramos no carro e eu o liguei, saindo rapidamente da empresa.
– Porque não me disse que já tinha namorado com Sasori? E mais, que ele tentou te forçar? – Sasuke perguntou irritado quando conseguiu parar o sangramento do nariz.
Pisquei, meus olhos estavam começando a arder.
– Porque meus antigos namorados não são da sua conta. – Falei irritada. – Naruto que é linguarudo, não estava mais se aguentando de vontade de ver Sasori apanhar, já que eu não deixei que ele fizesse isso na época.
Sasuke bufou.
– Não deixou? Sakura, ele ia te forçar, ia te estuprar, você entende isso? Deviam ter me deixado terminar com ele.
– Eu sei muito bem disso, Uchiha Sasuke. Mas ele não me estuprou, ok? Ele mal tocou em mim graças ao Naruto, então, pare de me encher.
Ele me olhou.
– Não, eu não vou parar. O que você tem na cabeça para namorar com aquele ruivo idiota?
Bufei.
– Você parece um namorado com ciúmes.
– Eu não estou com ciúmes. – Ele disse entredentes. – Estou defendendo a sua honra.
– Eu não te pedi para fazer isso. – Falei mais baixo. – Já faz muito tempo que isso aconteceu, não tem porque brigarem.
– Você não pediu, mas eu fiz e faria mais mil vezes se fosse necessário, eu vou te defender desses idiotas, não importa o quanto se irrite com isso. – Falou ele, cruzando os braços.
– Por quê? – Perguntei. – Porque quer me defender?
Ele ficou em silencio por um minuto.
– Porque sim. – Respondeu simplesmente.
Chegamos a casa dele e antes de destravar as portas, eu suspirei, o fazendo me olhar.
– Desculpe, é só que... Além do Naruto e da Ino, que são praticamente meus irmãos, ninguém nunca me defendeu assim. – Falei quase sussurrando. – Obrigada, Sasuke.
Senti a mão do Sasuke em cima da minha cabeça e o olhei curiosa.
Ele tinha um olhar gentil e um sorriso carinhoso. Completamente o oposto do Sasuke que eu conheço.
– Disponha. Te defenderei sempre que precisar. – Depois ele se afastou, fazendo uma careta. – Eu precisava mesmo de uma boa briga, estou enferrujado.
O tom de voz dele e o rosto voltaram para a costumeira frieza e nós saímos do carro, entrando na casa logo em seguida.
Peguei meu kit e voltei para a sala, onde Sasuke estava sentado sem o paletó, que estava sujo de sangue.
Me sentei ao seu lado e comecei a cuidar dos machucados dele, tendo consciência de que seu olhar não saia de mim.
Ele bufou e virou a cara.
– O que foi? – Perguntei. – Ainda não terminei.
Virei o rosto dele de novo para mim, terminando o curativo no seu supercilio.
– Nada. – Respondeu rude.
Dei de ombros. Sasuke bipolar.
Analisei seu nariz, conferindo se estava quebrado. Acabei me aproximando mais dele, ao analisar e percebi que ele estava olhando demais para mim.
Suspirei e o soltei.
– Desembucha Sasuke. Fala logo o que está te incomodando.
Autora pov’s.
Sasuke bufou de novo e pegou uma das enormes almofadas, a colocando sobre o colo e apoiando as mãos nela.
– Termine logo com isso, Sakura.
Sakura suspirou e voltou a analisa-lo. Depois de alguns segundos, sorriu.
– Não está quebrado, mas ele vai ficar muito dolorido.
Sasuke assentiu e se levantou, saindo de pressa da sala para seu quarto, deixando uma Sakura confusa para trás.
Ao entrar em seu quarto, Sasuke suspirou e olhou para baixo, vendo o volume extra que se encontrava ali em sua calça.
– Porcaria de imaginação fértil. – Suspirou de novo e fechou os olhos, imaginando Sakura vestida de medica, com uma roupa super curta e muito decotada, mostrando grande parte do corpo dela. – Acho que acabei de descobrir que tenho fetiche por roupas de medicas.
Entrou no banheiro para tomar um banho e ver se tirava aqueles pensamentos da cabeça, afinal, não sentia nada por Sakura.
Ela era apenas sua amiga e os dois tinham combinado de continuar a farsa sem sentimentos, não podia simplesmente se sentir atraído por ela a esse ponto.
~♥~♥~♥~
Ino pov’s.
Enquanto Gaara estava fora, fui dar uma arrumada na casa. Sabe, não posso ficar “hospedada” aqui e não ajudar em nada.
Limpei a casa toda, peguei todos os documentos da policia dele e coloquei em cima da mesinha da sala, depois ele guardava aonde pudesse achar, eu tinha medo de sumir algo importante.
Depois de limpar, olhei para as coisas que achei jogadas por ai.
Colete a prova de balas, algemas, cartucho de balas carregado e uma fotografia, nela estavam Sasuke, Naruto e o próprio ruivo, na porta do colégio.
Peguei as algemas, a girando nos dedos e abrindo um sorriso quando pensamentos nada puros passaram pela minha cabeça.
A porta da frente abriu e por ela passou um Gaara com um sorriso satisfeito. Acho que ele pegou o bandido.
Ele olhou para a casa e depois para mim, que ainda girava a algema nos dedos.
– O que você fez? – Perguntou.
Sorri.
– Dei uma arrumada e acho que encontrei algumas coisas importantes. – Falei apontando para o colete, o cartucho e as algemas.
Por um segundo, pensei ter visto o Gaara pervertido de ontem à noite, mas ele sorriu amável.
– Obrigado, eu estava procurando isso um dia desses.
– Disponha.
Ele suspirou e depois me analisou.
Eu estava com a blusa amarrada, deixando minha barriga e as curvas a mostra e um micro short que deixava minhas pernas muito a mostra, meu cabelo estava no típico rabo de cavalo, porém, todo bagunçado.
O vi corar levemente e depois desviou o olhar.
Totalmente o oposto do Gaara que me agarrou ontem. Acho que devia provoca-lo um pouquinho.
Sorri com a ideia e ele me olhou.
– Preciso de um banho, estou fedido. – Falou e eu duvidei que houvesse uma hora que ele estaria fedido, ele tinha um cheiro maravilhoso. – Obrigado pela limpeza e por ter me ajudado hoje de manha, fico te devendo uma.
Sorri ao ouvi-lo falar que me deve uma.
– Não há de que.
Ele sorriu e foi tomar banho.
Não se preocupe, querido delegado.
Logo, logo eu o cobraria o favor.
Continua...
Fale com o autor