Pretérito Imperfeito
9 Capitulo Nove
Notas iniciais
Capitulo nove.
“É por causa do amor que sacrifícios são feitos. O ódio nasce para então sermos capazes de conhecer a dor.” – Pain (Naruto).
~♥~♥~♥~
As aulas nem pareciam aulas, parecia que estava mais para “olhem para Haruno Sakura, a nova peguete de Uchiha Sasuke”.
Todos me olhavam, estava ate começando a me sentir constrangida ao máximo. As três primeiras aulas se passaram assim, até que chegou o intervalado.
Eu não ia sair, não mesmo. Para todos ficarem me olhando? Não, obrigada.
– Fala ai Sakura, quanto é que está pagando para ele?
Levantei o olhar, vendo Kaitlin me olhando junto com suas amigas. Kaitlin era a típica garotinha mimada e invejosa que sempre arrumava uma maneira de implicar comigo.
– Pagando quem? – Perguntei desinteressada.
Ela bufou e colocou as mãos na cintura.
– Como quem? O Uchiha, claro. Ta pagando quanto para ele te comer?
A olhei surpresa e com a boca escancarada.
Eu não estava ouvindo isso, não mesmo.
Fechei a cara e a olhei depois de me levantar.
– Não sou você para que tenha que pagar para alguém, Kaitlin. – Falei friamente e sai da sala.
No corredor, todos me olhavam.
Obrigada, Uchiha Sasuke.
Logo o intervalo acabou e as duas aulas se passaram rapidamente.
Ao sair na porta da faculdade, vi um aglomerado de pessoas em volta de alguém. Senti o sangue fugindo do meu rosto na hora.
Por favor, que não seja obra do Sasuke.
Abri passagem entre as pessoas e vi um Sasuke furioso encarando a Kaitlin. Mas o que estava acontecendo?
– Vai, me fale logo. Quanto ela ta te pagando? Por que só pode ser isso, afinal, quem seria louco de querer algo com aquela testuda ridícula?
Sasuke me viu no meio da multidão e fez um sinal de cabeça para mim, mandando eu entrar no carro.
– Ao contrario do que pensa, garota, Sakura não está me pagando nada, até porque eu não preciso de dinheiro. Se estou com ela, é porque gosto dela, já você, eu não pegaria nem que fosse a ultima mulher do planeta. – Sasuke falou friamente para ela e deu a volta no carro. – Entre logo, Sakura.
Entrei no carro e ele deu a partida, saindo da faculdade rapidamente. Ficamos em um silencio incomodo, até que eu suspirei.
– Era isso que eu estava pensando, não acha que fingir estar interessado em mim chama mais atenção do que estando longe? Fugaku vai ficar louco atrás de mim agora. – Falei de cabeça baixa.
Sim, eu estava chateada com o que Kaitlin disse.
– Ele vai e já está louco atrás de você de qualquer forma. – Sasuke olhou para mim pelo canto dos olhos e depois para a pista. – Por favor, não diga que levou a sério as baboseiras daquela garota.
Virei o rosto, olhando pela janela e o ignorando.
Era tudo culpa dele. Ele tinha inventado essa maldita farsa de gostar de mim e agora a faculdade todo estava achando que eu era uma puta que paga para ele ficar comigo.
– Sakura. – Ele disse, exigindo uma resposta.
– Porque me contratou? – Perguntei ainda sem olha-lo.
– O que?
Virei-me para ele.
– De todas as garotas que fizeram entrevista para o emprego, por que eu? Eu sei que você assistiu todas as entrevistas, elas foram gravadas e foi você quem escolheu quem ocuparia a vaga.
Ele não respondeu.
– Sasuke, te fiz uma pergunta.
Ele bufou quando parou em um semáforo.
– Por que você era a melhor entre todas. A mais inteligente, a com a melhor qualificação, a mais dedicada e a mais bonita. Satisfeita?
A mais bonita? Ele realmente me acha bonita?
– E porque quer tanto me proteger do seu pai?
Ele acelerou quando o semáforo ficou verde.
– Não quero mais ninguém se ferindo por minha culpa, principalmente você, que não tem nada haver com isso, que nem mesmo sabe do que aconteceu.
– E você não vai me contar o que aconteceu, certo?
Tomei o seu silencio como uma confirmação e ficamos em silencio o resto do caminho.
Logo chegamos a casa e eu desci do carro rapidamente, evitando olhar para Sasuke.
O que? Eu estava envergonhada pelo elogio, não posso mais?
Cumprimentei Itachi que estava indo embora para sua própria casa e logo subi. Perguntei para a empregada onde era meu quarto e ela disse que era ao lado do quarto de Sasuke.
Que ótimo.
Tomei um longo banho e vesti o pijama no banheiro.
Quando sai do banheiro, Sasuke estava deitado na minha cama, apenas de calça, exibindo seu físico perfeito para qualquer Sakura idiota ficar babando.
– Seu quarto é o do lado, caso tenha esquecido. – Falei desviando o olhar.
– Você não me respondeu.
O olhei e ele me encarava.
– Não respondi o que?
– Se levou a sério o que aquela garota disse.
Suspirei e me sentei na cama abraçando meus joelhos, e claro, ficando a uma distancia segura dele.
– Não, não me importei.
Ele se sentou.
– Olhe para mim quando for responder minhas perguntas. – Falou rude.
Virei-me para ele irritada.
– Não, todo poderoso senhor Uchiha Sasuke, eu não me importei.
Ele me analisou alguns segundos.
– Está mentindo. – Afirmou.
Sim, eu estava mentindo, mas isso não interessava.
– E desde quando você se importa com o que eu sinto?
Ele desviou o olhar para o chão e depois de alguns segundos, se levantou.
– Tem razão, eu não me importo. – Disse friamente e saiu sem falar mais nada.
Por um momento, me senti culpada achando que o magoado, mas logo me lembrei de que ele é Uchiha Sasuke, o homem mais insensível do mundo.
Deitei-me e fechei os olhos, logo pegando no sono.
~♥~♥~♥~
Acordei cedo e me arrumei para o trabalho, eu iria junto com Sasuke, já que íamos para o mesmo local, mas ao descer, não o vi.
Uma empregada que passava ali me olhou e sorriu tristemente.
– O Senhor Uchiha não vai trabalhar hoje.
A olhei confusa.
– Por quê?
Ela abaixou a cabeça.
– É o aniversario de morte da Senhora Mikoto, nesse dia, ele nunca sai do quarto e pede para que ninguém o incomode.
Assenti para ela e subi de novo, mas ao invés de entrar no meu quarto, eu bati na porta do quarto de Sasuke.
Não obtive resposta, mesmo assim abri a porta e entrei.
Ele estava sentado na cama, ainda com a roupa que dormiu. Ele olhava para um porta-retratos na sua mão e a franja cobria seus olhos.
– Sasuke?
Ele não me olhou, nem sequer se mexeu.
Aproximei-me mais dele e vi que na foto, estavam ele, Itachi e uma mulher muito bonita. Sasuke era muito parecido com ela e eu sorri involuntariamente.
– Ela era linda. – Falei.
Ele não fez nada novamente.
– Sasuke?
Toquei seu ombro e me assustei quando ele deu um tapa leve na minha mão, a afastando.
– Quero ficar sozinho. – Falou.
A voz sem emoção, como se ele fosse um morto-vivo. Franzi o cenho.
– Eu não vou te deixar sozinho hoje.
– Sai daqui, Sakura.
Sentei-me ao lado dele e passei a mão no cabelo dele, contendo um sorriso quando ele se arrepiou. Ele gostava que mexesse no cabelo dele.
– O que vamos fazer hoje? Que tal irmos dar uma volta no Parque Central? – Perguntei.
Ele afastou minha mão do cabelo dele e a ficou segurando.
– Sakura, por favor, me deixe sozinho. – Ele disse entredentes.
Eu sorri e me levantei, saindo do quarto logo em seguida, mas peguei a chave sem ele ver.
Desci até a cozinha e pedi para a Hana colocar o café-da-manha em uma bandeja e assim ela o fez.
– Tome cuidado, Senhora Sakura. Ele vai ficar bravo. – Ela disse entendendo o que eu ia fazer e eu sorri em agradecimento.
Subi de volta para o quarto de Sasuke e entrei, sentando novamente na cama, dessa vez com a bandeja.
– Você gosta de morangos? – Perguntei para ele.
Levei um morango até a boca dele, que não fez nada além de levantar o olhar para mim.
Os olhos vermelhos e inchados, o rosto levemente úmido e o cenho franzido.
– Sai. Do. Meu. Quarto. Sakura. – Disse pausadamente e eu sorri.
– Sabe, eu adoro morangos, tem um gosto doce, mas ao mesmo tempo é azedinho.
Ele abriu a boca para me retrucar e eu enfiei o morango nela. Ele afastou a cabeça extremamente irritado e eu sorri.
Ao terminar de engolir o morango, ele se levantou. Pensei que tinha vencido, mas ele veio até mim e me jogou pelo ombro como um saco de batatas.
– O que está fazendo, Sasuke?
Bati em suas costas o mandando me soltar, mas ele não soltou. Ele saiu do quarto e entrou no quarto do lado, ou seja, no meu e me jogou na cama sem delicadeza nenhuma.
– Fica longe de mim. – Disse com a voz carregada de raiva.
Ele saiu do quarto e eu sorri vencedora, apenas aguardando.
Três... Dois... Um.
– SAKURA! – O ouvi gritar.
Ele apareceu de volta na porta do quarto, espumando de raiva.
– Me de a chave do meu quarto, AGORA.
Sorri mais ainda.
– Vai me deixar ficar lá?
Ele olhou para a porta do quarto, mas eu fui mais rápida e levantei, pegando a chave antes dele.
– Que feio, Sasuke-kun. Quer deixar sua namorada trancada no próprio quarto. – Falei sarcástica e usando a farsa de ontem.
Ele me olhou com uma feição maliciosa e eu dei um passo para trás.
– Minha namorada, é?
Ele foi chegando para frente e eu para trás, até bater na bendita parede.
– Sasuke, hm, se afaste, por favor. – Pedi quando ele estava perto demais.
O sorriso malicioso dele se espalhou e ele passou o braço pela minha cintura.
– Por quê? Minha namorada não deveria se importar.
Eu não tive tempo de retrucar, porque seus lábios me calaram.
Ele me beijou calmamente e eu, automaticamente, o correspondi. Ele apertou minha cintura, me puxando mais para ele quando sua língua invadiu minha boca. Meus braços foram para o seu pescoço e minha mão se enroscou em seu cabelo, o fazendo suspirar.
O ar começava a me faltar e eu ia parar o beijo quando senti sua mão em minha bunda.
Espera. Na minha bunda?
Afastei-me rapidamente, mas ele já tinha conseguido o que queria.
Franzi o cenho, ofegante, enquanto ele abria um sorriso vitorioso e me mostrava à chave de seu quarto em sua mão.
Tentei pega-la de volta, mas ele me segurou novamente pela cintura.
– Quer mais um beijinho, amor? – Perguntou sarcástico.
– Sasuke, me de a chave. – Falei séria.
Ele aproximou o rosto e pensei que ele ia me beijar de novo.
– Sakura, eu quero ficar sozinho, portanto, não me importune.
Ele me soltou e foi para o quarto dele, trancando a porta.
Desci a procura de Hana para saber se ela tinha uma segunda chave e a encontrei parada na porta, meio assustada.
– Hana? Tudo bem?
Ela se virou para mim.
– Senhora Sakura, o que eu faço com isso?
Ela me mostrou uma caixa media, preta e com um laço, como se fosse para presente. Peguei a caixa e a levei para a mesa.
– Sabe de quem é? – Perguntei.
Ela me entregou um cartão.
“Para meu querido filho, Uchiha Sasuke.
De: Uchiha Fugaku.”
Engoli em seco e abri a caixa, sentindo meus olhos arregalarem com o que tinha ali.
Depois, senti uma raiva enorme dele.
Mas o que merda Fugaku estava pensando?
Continua...
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