Pretérito Imperfeito
18 Capitulo Dezoito
Notas iniciais
Capitulo Dezoito.
“Quando alguém tem uma imagem excepcional, as outras pessoas só estão à espreita para acabar com ela. Estão só esperando aquele defeito fatal aparecer”. – Hannah Baker (Os 13 Porquês).
~♥~♥~♥~
A sala da casa do Gaara estava decorada com balões pretos e na mesa, tinha algumas panelas.
– Parabéns, Gaara. – Naruto praticamente gritou, abraçando o ruivo.
– Obrigado.
Hinata se aproximou e entregou um presente, o abraçando logo depois.
Meu deus, eu me esqueci do presente.
Olhei para Sasuke e ele segurava um embrulho nas mãos.
Quando foi que ele arrumou isso?
– Parabéns. – Sasuke disse, dando dois tapinhas nas costas do Gaara.
Gaara sorriu em agradecimento e eu me aproximei, lhe dando um abraço.
– Feliz aniversario, Gaara.
– Obrigado, Sakura.
Me afastei dele e sorri.
– Quantos anos está fazendo? – Perguntei.
– Trinta e quatro. – Naruto gritou e depois começou a rir.
– Trinta e cinco. – Sasuke entrou na brincadeira, rindo logo em seguida.
Gaara fez um bico.
– Haha, engraçadinhos. – Sorriu. – Estou fazendo vinte e três anos, Sakura.
Sorri para ele e depois Ino pegou minha mão e a de Hinata.
– Venham comigo. – Falou.
Começou a nos puxar para um corredor, deixando os três rapazes na sala confusos.
Ela entrou em um quarto e depois fechou a porta. Se virou para nós e respirou fundo, nos olhando seriamente.
– Eu não tenho a mínima ideia do que dar de presente para o Gaara, me ajudem, por favor. – Pediu.
Hinata pareceu pensar e eu ri.
– Passa uma fita vermelha no cabelo e faz um laço, vira para ele diz: parabéns, eu sou seu presente. – Falei a pirraçando.
– É sério, Sakura. – Ela disse depois de rir.
– Bom, — Hinata começou. – eu e Naruto demos uma camiseta para ele, ele sempre acaba rasgando as dele no meio das perseguições, então, seria uma boa opção.
Concordei com ela.
– Okay, então depois eu compro uma. Obrigada. – Ino nos abraçou e eu sorri.
– Tá muito apegada nele, não é porca?
Ela nos soltou, o rosto corando levemente.
– Um pouco. Outro dia, ele me contou que quase nunca voltava para casa e que estava gostando de voltar para casa e achar alguém que estava esperando por ele, então eu decidi ficar, eu não gosto de ver ele triste. – Ela disse.
Eu e Hinata sorrimos, Ino tem um bom coração.
Nós voltamos para a sala, encontrando os meninos conversando sobre coisas da empresa e da delegacia, totalmente animador. – Por favor, apalpem a ironia.
– Mas e então, Sakura e Ino, o que vão fazer sobre a faculdade? – Naruto perguntou.
Suspirei.
O que eu ia fazer?
– Então, eu entrei no site da faculdade. – Ino falou. – Eles publicaram lá que, como estávamos perto das férias, para nós vermos esse acidente – ela olhou sugestivamente para Gaara – como férias adiantadas. Todos os alunos serão aprovados no período, eles começaram a reconstruir a faculdade e estão tentando mais rápido possível para que em fevereiro ela esteja pronta para a volta das aulas.
Aprovados?
– Espera. – Falei. – Foram todos aprovados?
Ino assentiu e eu comecei a rir, a abraçando. Ela entendeu e começou a dar pulinhos e gritinhos junto comigo.
– Para que a animação, gente? – Naruto perguntou e vi que os quatro ali estavam confusos.
– É porque, a Sakurazinha aqui só precisava desse período para começar a fazer residência.
– O significa que, a partir de fevereiro, eu vou começar a trabalhar no hospital. – Falei animada.
Todos ali me parabenizaram, menos o Sasuke. Ele ficou com uma expressão carrancuda e um bico enorme.
Ignorei isso – e a pontada de magoa por ele não ter ficado feliz por mim também – e sorri.
– Então, vamos jantar. – Ino falou. – Depois teremos bolo.
Fomos todos para a mesa e sentamos, nos servindo de strogonoff de frango, arroz branco, batata palha e sala.
– Se a comida estiver ruim, foi o Gaara que fez. – Ino falou.
Ele a olhou com uma sobrancelha arqueada.
– Mas fui eu quem fez mesmo. – Ele disse, fazendo Ino mostrar a língua e depois rir.
– Se foi o Gaara que fez, então está ótimo. – Hinata falou com os olhos brilhando.
Olhei para Gaara.
– Você cozinha mesmo? – Perguntei.
Ele assentiu e Naruto sorriu.
– Muito bem, para falar a verdade. – O loiro disse.
Depois disso, nós comemos em silencio.
A comida estava realmente boa, Gaara era um ótimo cozinho.
Fiquei observando ele e Ino, que estavam sentados um do lado do outro, e depois olhei para Hinata, que fazia o mesmo.
Nós trocamos um sorriso malicioso e voltamos a comer.
Aqueles dois não me enganam, já devem ter se pegado pela casa inteira. Principalmente sendo do jeito que a Ino é.
Eu só me surpreendia com Gaara. Quer dizer, ele é tão tímido, tão meigo, sair pegando Ino pela casa não fazia a cara dele, mas Ino disse que eles já tinham ficado, então...
Terminamos de comer e ficamos conversando sobre coisas atoas.
Quer dizer, eu, Hinata, Ino, Naruto e Gaara conversando, porque Sasuke parecia que tinha acabado de chupar limão.
– O que foi? – Perguntei em um tom apenas ele ia ouvir.
Ele me olhou de cenho franzido e depois virou a cara, fazendo um bico enorme.
– Gaara. – Sasuke o chamou. – Eu gostaria de ficar até o final da comemoração, mas não estou me sentindo bem. Eu vou indo.
Ele se levantou e eu o olhei confusa.
– Pode ir com a gente se quiser, Sakura. – Hinata falou, olhando preocupada para Sasuke.
Suspirei.
– Não, eu vou com ele, obrigada Hina. – Falei.
Abracei Gaara, lhe desejando felicidades novamente e Ino me abraçou.
– Até mais, Testuda. – Falou.
Dei-lhe um beijo na bochecha e me despedi de Naruto e Hinata, seguindo Sasuke para fora da casa.
Nós seguimos em silencio até o carro e quando ele deu partida, eu o olhei.
– Qual é o seu problema? Gaara é seu amigo, é a primeira comemoração dele, custava ficar até o final? – Falei brava.
Ele me ignorou.
– O que foi, Sasuke? Porque está bravo comigo?
– Você vai fazer residência, não vai mais trabalhar para mim. – Ele disse friamente.
O olhei desacreditada.
– Não acredito, está bravo porque não vou mais trabalhar com você? – Franzi o cenho. – Pare de ser egoísta, Sasuke. Ser médica é o meu sonho e ele vai começar agora, não pode ficar minimamente feliz por mim?
– Eu estou muito feliz por você, Sakura. Meus parabéns, seja uma ótima médica como você sempre quis. . – Falou irritado.
– Você é inacreditável. – Falei brava.
– E você é cega. – Ele disse.
– O que?
– Não consegue ver que não estou bravo por causa da residência? – Ele parou na porta de casa e me olhou. – Porra, estou bravo porque você vai ficar longe de mim.
O olhei surpresa.
Ele estava bravo porque eu não ia mais passar 24 horas grudada nele?
Acabei rindo e ele bufou ainda mais irritado.
– Sasuke, eu não vou ficar longe de você. Nem tem como, afinal, eu moro com você e todos pensam que sou sua namorada.
Ele estacionou o carro na garagem.
– Ainda sim, você vai ficar o dia todo enfurnada em um hospital, longe de mim. – Falou andando para dentro de casa.
Fui atrás dele.
– Mas Sasuke, você vai me ver a noite também.
– Não é a mesma coisa.
Sorri.
– Mas você vai me ver, não vai focar sem mim.
Ele não respondeu mais nada, apenas entrou em seu quarto e fechou a porta, a trancando.
Suspirei.
Não pude deixar de sorrir.
Sasuke queria minha companhia sempre.
~♥~♥~♥~
Acordei com um estrondo extremamente alto e me encolhi na cama.
Ah não, por favor.
O clarão invadiu meu quarto junto com o barulho do lado de fora, me fazendo encolher novamente sob a coberta.
Odeio tempestades. Morro de medo de relâmpagos de troves.
Tentei voltar a dormir, mas estava impossível.
Sempre que tinha tempestades, Ino dormia junto comigo. Tenho muito medo.
Suspirei e me levantei da cama. Eu não teria outra escolha.
Andei pelo corredor até chegar à porta ao lado e a abri, entrando em seguida. Os clarões iluminavam o quarto de Sasuke, então consegui andar até a cama dele sem esbarrar em nada.
– Sasuke? – Chamei.
Ele não respondeu.
– Sasuke. – Chamei novamente.
– O que foi, Sakura?
Um relâmpago. Um trovão. Uma Sakura encolhida.
– Posso dormir aqui com você? É que... Ai. – Interrompi a frase com um trovão extremamente alto.
Outro clarão e pude ver o Sasuke com uma parte do corpo levantada, a coberta também levantada e o braço esticado na minha direção.
– Vem. – Ele disse.
Segurei sua mão e me deitei. Ele me ajeitou e me abraçou. Fechei os olhos, sentindo sua respiração batendo em minha bochecha.
– Obrigada, Sasuke.
– Hn. – Resmungou.
Alguns minutos depois, a respiração de Sasuke já estava mais calma, ritmada e eu soube que ele já tinha dormido de novo.
Minutos depois, eu também dormi.
~♥~♥~♥~
Ino pov’s.
01h30min e eu estava na sala, assistindo um filme, comendo bolo e com um bico enorme.
Eu estava muito irritada.
Como assim Sasuke e Sakura vão embora antes de cantar parabéns? Tsc, eu não organizei uma mini festinha para eles irem embora antes.
– Ainda aqui?
Olhei para trás, vendo Gaara bocejar e andar ate o sofá. Ele se sentou ao meu lado e me olhou.
– Já falei para não ligar, Sasuke é assim mesmo. – Ele disse. – Me da um pedaço desse bolo?
Coloquei o bolo no garfo e levei até a boca dele, que o comeu.
– Eu sei, mas custava ter ficado, pelo menos, até os parabéns?
Ele sorriu.
– Ino, eu não me importo com isso. O que eu mais gostei, foi de você ter organizado uma comemoração para o meu aniversario, muito obrigado, de verdade.
Ele deu um sorriso tão fofo, mais tão fofo, que senti meu rosto corar e eu virei à cara.
Ouvi um trovão extremamente alto e suspirei. Espero que Sakura fique bem.
De repente, todas as luzes se apagaram de uma vez. A energia acabou.
– Gaara?
Ele segurou minha mão.
– Aqui. – Respondeu.
Ouvi um barulho na porta da frente.
– Gaara, o que é isso? – Sussurrei.
Ele apertou minha mão.
– Vem comigo. – Sussurrou.
Ele me puxou, não sei como, mas andamos sem esbarrar em nada.
Ele pegou uma lanterna e vi que estávamos no quarto ele. Ele foi até o guarda-roupa e tirou uma arma de lá.
O olhei assustada e ele me entregou a lanterna.
– Fique aqui. – Sussurrou.
Assenti e ele saiu do quarto. Deitei-me em sua cama e fiquei encolhida lá, esperando ouvir algum disparo ou coisa do tipo.
Ouvi passos e me cobri até a cabeça com a coberta, desligando a lanterna.
– Ino? – Ouvi Gaara chamar.
Me descobri e liguei a lanterna de novo.
– O que era? – Perguntei.
Ele riu.
– O porteiro. Ele estava conferindo o interruptor do corredor e sem querer bateu na porta. – Explicou.
Suspirei.
– Não sei como consegue ver bandidos todos os dias.
Ele deu de ombros e se deitou ao meu lado depois de guardar a arma.
– É o costume.
– Não tinha medo no inicio? – Perguntei.
Ele negou com a cabeça.
– Nunca senti medo de nada.
O olhei surpresa.
– Sério?
Ele assentiu.
– Tudo bem então. – Suspirei. – Vou ir para o meu quarto.
Ia me levantar, mas ele me segurou. O rosto corado e os olhinhos verdes brilhantes.
– Pode dormir aqui, se quiser.
Sorri maliciosa e ele corou mais.
– Só dormir, Ino.
Eu ri e assenti.
Nos ajeitamos na cama e ele desligou a lanterna.
– Boa noite, Gaara.
– Boa noite, Ino... E obrigado por ter deixado meu aniversario divertido.
Apenas sorri e logo dormi.
Continua...
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