Notas iniciais
Bônus! Adoro sempre eles!

Esse conto começa com uma garotinha de nove anos correndo pela cidade de Londres menos conhecida.

Ela para e observa uma loja de bonecas, seu estômago embrulha, como alguém poderia gostar daquelas coisinhas demoníacas?

Eu passei na frente dela tentando não perceber que a porta está rangendo.

Eu me viro rapidamente e vejo através da vitrine que há uma guitarra vermelha com desenhos de lava, eu tinha que tocar aquela guitarra.

Eu entro sem raciocinar o que uma guitarra está fazendo numa loja de bonecas,Eu toco naquela perfeição, eu tinha que toca-la....BUM!

Eu me viro para a porta, que agora não é mais uma porta, um portal verde e azul muito estranho,com tiras em espiral e um brilho misterioso.O que seria aquilo?

Eu corro para ver o que é, minha curiosidade nunca me abandonou.

E instantaneamente sou puxada para dentro daquele buraco gelado, minha mente está pulsando com “Eu vou morrer”, o portal me arranhava como garras de um gato qualquer, como se eu estivesse atravessando um canteiro de rosas.

Eu sou jogada no chão, na terra e meus cortes sangrando já estão se curando.Eu olho para os lados e me vejo num porão de brinquedos, todos eles me olhando ,com aqueles olhinhos sanguinários.

Eu fico paralisada e a primeira reação é procurar uma arma, vejo um cano jogado no chão daquele porão úmido, e o pego,usando como ameaça,eles recuam e fazem sinais de “não foi isso que queremos dizer” e então apontam para grande cadeado que os prendem naquele porão, como uma prisão.

Eles apontam freneticamente para ele agora.Uma boneca sem um olho e o cabelo ruivo raspado acidentalmente na lateral com as pernas deformadas vem em minha direção.Ela devia ser a líder.

Ela pega um giz vermelho e uma folha de caderno e começa a desenhar uma chave,e depois um cadeado em forma de coração.

Eu procuro o tal cadeado e o vejo no teto, trancando uma portinha de madeira.

–Como eu o abro?-Eu pergunto confusa.

–A boneca arranca uma nova folha de caderno e começa a rabiscar ,ela fez uma escada e o colocou de baixo do desenho do cadeado de coração.

Eu olho para a boneca e ela aponta para onde ficaria o seu coração.

Eu me concentro naquela imagem.

Os outros brinquedinhos de aparência demoníaca também começam a fazer o mesmo, e em seguida, fazem o sinal de uma porta abrindo...

–Abra o coração?

–Os brinquedos pulam com a minha descoberta.

A boneca faz um sinal agora,e começa a mexer a boca ,como se estivesse dizendo lgo,os outros também começam a fazer o mesmo.

–Conversar?

–Dizer?

–Comer...Falar?

Eles comemoram de novo.

–A boneca faz um sinal e começa de novo , ela faz um sinal para o seu coração de novo e faz uma cara triste,feliz,brava e se repete.

Os outros também.

–Felicidade com tristeza?

–Raiva no coração?

–Rai...Tris...Fe...Sentimentos!

Eles comemoram de novo.

A boneca faz um sinal e aponta pra mim.

As palavras são, Abrir o coração,falar,sentimentos,eu.

–Abrir o coração...para abrir o coração eu devo falar dos meus sentimentos?

Eles comemoram.

–Mas como eu vou chegar lá?

Eles começam a se reunir debaixo da portinha do cadeado, eles começam a fazer uma escada e a boneca lá no topo me chama para subir, eu subo (com muita dificuldade) e chego até o cadeado, eu começo então a falar dos sentimentos...mas como falar sobre isso?

Eu olho para os brinquedos cheios de esperança a baixo ,e pergunto.

–Como?

Eles respondem com uma cara triste.

Sentimentos,sentimentos...a resposta era um pouco óbvia.

–EU TENHO SENTIMENTOS.

E com um raiozinho, a porta se abriu e eu entrei lá dentro,o cadeado de coração havia caído no chão, com o trinco quebrado.

O lugar que ele guardava era vazio, a não ser por um baú estranho.Eu empurro a tampa do baú e havia uma chave prateada muito grande, aquela que cabia no cadeado do portão.

Eu retiro a chave e pulo no buraco, os bichinhos pulavam de excitação.

Eu sou empurrada até o portão e eu os destranco.

Todos eles pulam e pulam e quando atravessam o portão vão ficando do meu tamanho e as vezes até passavam.Elas eram crianças.

Elas sorriem para mim, a boneca horripilante virou uma linda garotinha ruiva de vestido verde e os outros eram muito bonitinhos também.

–Fomos punidos por um bruxo ,ele nos disse que crianças que não tem sentimentos equilibrados, são crianças fadadas a viver a ignorância de um sentimento só.Eu era muito feliz,Luke (o que era um urso)brigava muito com as pessoas,e Bob era muito triste (o que era um patinho).

E muitos outros falavam, MS meu sono foi aumentando e eles me empurraram para o portal verde e azul que apareceu do nada.

Eu acordei na minha cama, com minha mãe na porta berrando que fez ovos mexidos,e então vejo uma bonequinha na minha cama,ela tinha asinhas de morcego e cabelos preto rebeldes de lã, havia um bilhete,escrito, “para nossa salvadora”.E como uma fênix, ele pegou fogo sem queimar minhas mãos, e virou cinzas que foram levadas pelo vento da janela.

Acordei em um sobressalto. Suava frio. Eram três da manhã. Droga. Tinha que ser três da manhã? Levantei lentamente e caminhei até o corredor da minha casa. Uma chuva torrencial caía. Me assustei com alguns trovões.
– Que besteira. — Sussurrei. — É só mais uma tempestade.
Fui até a cozinha. Está bem! Não é muito legal andar às três da manhã ,com uma tempestade e tudo escuro, mas o que posso fazer? Estou com fome!
Por incrível que pareça, não havia nada na geladeira.
– Deixa pra lá. — Revirei os olhos.
Cheguei ao corredor novamente. À outra ponta, havia um espelho grande. Cheguei perto. Encostei minha testa no vidro frio. Quando me afastei, lá estava ela. Uma garota, atrás de mim, de preto e máscara de Comensal. Eu queria gritar. Mas havia algo tão familiar nela. Lentamente ela afastou o capuz e retirou a máscara. Era assustador o quanto era parecida comigo. Loira. Olhos castanhos avermelhados.
– Você não tem escolha.- Dou sussurrou. — Quem é você? — Eu perguntei.
– Você não tem volta. Irá acabar assim de um jeito ou de outro. Por bem ou por mal. — Outro trovão. Me virei para encarar a garota. Não havia ninguém lá. Quando me viro de novo para o espelho, sangue escorre do espelho. Corro até meu quarto e me "enfio" debaixo dos cobertores. Comecei a chorar. Fiquei assim por um tempo até que me convenci de que tudo não passara de um sonho. Voltei à dormir. Mas até hoje o espelho ensanguentado me atormenta. A garota não. Eu tinha cinco anos quando isso aconteceu. Não contei à ninguém. Nem mesmo à Lia. Ela não sabe que tenho que me segurar para não lembrar daquele momentotodas as vezes que me vejo em frente à um espelho. Ao contrário, vejo todo aquele sangue de novo. Mas isso é passado. Eu tinha cinco anos. Eu podia ter imaginado. Mas no fundo eu sabia. Não fora um sonho.

Notas finais
Gostaram?Comentem! Bzinho da Detonatons!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!