Pretty Woman.

9 Capítulo 9


Notas iniciais
Bom dia, amorecos. Como prometido, aqui está mais um capítulo. Este foi um dos que mais gostei de escrever, então espero que vocês gostem, e por favor, me digam se estão gostando! ♥

POV Regina.

Quando entramos no quarto do hotel, Emma ainda estava resmungando por termos caído no lago, e eu não conseguia fazer nada além de rir. Tudo bem que estávamos sujas daquela lama verde esquisita, e aquilo era bem nojento, mas há muito tempo eu não me divertia tanto quanto naquela tarte. Até a conversa que tivemos sobre nossas famílias fora leve e boa. Era como se eu tivesse tirado algum peso de minhas costas simplesmente por conseguir compartilhar algo com alguém, depois de tanto tempo vivendo aquela vida “suja” que eu tinha.

— Quando eu fico molhada pra você, você não reclama, não é, Emma? – Ela arqueou uma de suas sobrancelhas e se virou para mim, notando o tom de voz sensual que eu havia usado, e então logo as covinhas nos cantos de sua bochecha denunciaram o sorriso que estava por vir.

— Não me provoque, Regina. Você sabe que preciso terminar de revisar aqueles papéis. – Ela me disse, já caminhando em direção ao banheiro, e eu não perdi tempo em segui-la.

— Você prometeu que passaria a tarde toda comigo, e ainda não são seis. – Disse fazendo um biquinho assim que entramos no banheiro. Ela apenas me ignorou e começou a se livrar de sua roupa, jogando-a no canto do banheiro e ficando completamente nua na minha frente. Era como se nós tivéssemos aquela intimidade há muito tempo. É claro que eu estava acostumada a tirar minhas roupas para estranhos, mas Emma não. E aquilo me deixava ainda mais confortável. Então tirei também toda minha roupa, e sem que ela dissesse qualquer coisa, entrei debaixo do enorme chuveiro, que mais parecia uma ducha, com ela.

Emma estava de costas para mim, com a cabeça levemente arqueada para trás, enquanto deixava a água cair por seu rosto e seus cabelos, levando embora toda a sujeira daquele lago e revelando o corpo maravilhoso que ela tinha. Conforme ela movia os braços para mexer em seus cabelos, seus músculos ficavam em evidência e aquilo enviava uma corrente elétrica para todo o meu corpo. Quando ela se virou de frente e me viu ali, um sorriso maldoso passou por seus lábios e logo suas mãos estavam em minha cintura, puxando-me para perto daquela forma que me fazia estremecer em seus braços.

— Vai ficar só me olhando? – Ela perguntou, descendo seus olhos furtivos por todo o meu corpo, e naquele momento, eu entendi que a Regina que eu havia sido durante todo o dia, tinha que dar espaço à profissional. Pensar nisso, me fez pensar que agora era um dia a menos para que Emma fosse embora. O que me levou a pensar que isso logo chegaria ao fim, e eu seria só mais uma, assim como ela, seria apenas outro cliente. Um nó surgiu em minha garganta e uma vontade de chorar tomou conta de mim, mas eu não podia, era meu trabalho, afinal. Respirei fundo, aproveitando que estávamos debaixo da água e que Emma jamais poderia notar as lágrimas insistentes que rolaram por meu rosto, e a abracei, envolvendo meus braços ao redor de seu pescoço e tomando um impulso do chão para que minhas pernas cercassem sua cintura. Logo ela me agarrou pela bunda e me manteve em seu colo, girando nossos corpos para me pressionar contra a parede e me manter ali.

Quando ela encostou sua testa na minha e me olhou daquela forma tão intensa, senti meu abdômen queimar de vontade de tê-la em mim. Mas ela se aproximava mais e eu sabia exatamente o que ela iria fazer. Não. Virei meu rosto para o lado antes que Emma pudesse me beijar outra vez, e senti seus lábios pressionarem minha orelha. Sua respiração funda e descompassada me causando mais arrepios. Tenho que ser profissional. Tenho que ser profissional. Só mais dois dias e Emma vai embora, ela sequer se lembrará da sua existência em poucas semanas, sua idiota. Seja profissional. Eu repetia aquilo mentalmente para mim mesma, embora a vontade que eu tinha de sentir os lábios macios de Emma novamente fosse enorme, ela não era ninguém em especial. Ela não era diferente. Era só mais uma pessoa me dando dinheiro em troca de prazer. Dinheiro. Prazer.

Apertei meus olhos com força quando senti Emma me invadir, com firmeza, sem aviso, arrancando-me um gemido que saíra por minha boca em alto e bom som. Algo estava diferente com ela também, como se ela sentisse exatamente tudo o que estava se passando por minha cabeça naquele momento. Ela não fora cuidadosa ou carinhosa como das outras vezes, era simplesmente um ser humano em uma busca ávida de seu próprio prazer. Forçando seu corpo contra o meu, me apalpando, apertando, mordendo, possuindo-me de forma bruta e possessiva. Aquilo me fazia gemer de forma enlouquecida. Porcaria. Eu gostava. Eu gostava da maneira que ela estava me tratando desde que eu havia recusado seu beijo, e ela sabia disso. Eu gostava de tudo o que ela fazia comigo.

Cravei minhas unhas em seus ombros com tanta força, que Emma soltou um grunhido rouco, carregado de tesão, fazendo-me contorcer em seus braços em busca de mais. E ela me deu, rebolando seu quadril contra o meu com tanta eficiência que me fazia rolar os olhos, puxando o ar fortemente contra os dentes, sem nenhum controle do que o meu corpo fazia a partir dali. O silêncio no banheiro era absoluto, os únicos sons que podíamos ouvir era a água caindo copiosamente do chuveiro, e nossas respirações ofegantes, juntamente a um gemido ou outro que não conseguíamos segurar. Surpreendendo-me outra vez, ela girou nossos corpos até me pressionar contra a outra parede do box, fechei meus olhos e gemi sem pudor, num misto de dor e prazer pela força que minhas costas havia sido chocada contra o azulejo frio.

— Emma... – Seu nome escapara por meus lábios de forma automática, e me arrependi no mesmo instante. Os olhos esverdeados, profundos e indecifráveis me encararam, da mesma forma que ela havia feito há pouco, fazendo com que tudo dentro de mim, todas as sensações espalhados por meu corpo, se triplicassem. Não tenho ideia de quanto tempo ficamos ali, encarando-nos silenciosamente enquanto nossos corpos se encaixavam daquela forma deliciosa e perfeita. Minha cabeça rodava, meu corpo inteiro queimava, a boca de Emma me tocava nos lugares exatos para me levarem de uma vez à loucura. Agarrei-me com mais força em seus ombros, apertando meus braços ao redor de seu pescoço, e, um último movimento de seu quadril fora o suficiente para nós duas. Gozamos juntas.

Quando saímos do banheiro, um clima estranho tomou conta de nós e aquela diversão de antes simplesmente desapareceu. Eu não sabia o que Emma iria querer fazer, então apenas me sequei e vesti uma roupa confortável para me deitar. Ficar o dia todo naquele parque realmente havia me deixado cansada, e como ela não disse nada, me joguei na enorme cama e me fechei com meus pensamentos até que eu finalmente adormecesse.

POV Emma.

Quando eu e Regina saímos do banho, eu não consigo explicar exatamente o porquê, mas eu me sentia tão desconfortável. Era como se mesmo depois de todo aquele tempo debaixo da água, eu ainda estivesse suja. Sentia-me a pior pessoa do mundo, e ficar perto dela só iria tornar as coisas piores. Então, sem dizer mais nada, me troquei e a deixei sozinha no quarto, indo até a área onde havia uma mesa e um pequeno “escritório improvisado”, para que eu pudesse analisar mais uma vez os documentos, antes que Robin resolvesse me matar.

Por falar nele... Soltei um longo suspiro quando vi seu nome na tela do meu celular. Eu não estava a fim de falar com ninguém naquele momento, mas eu sabia que ele iria me encher até que eu atendesse ao telefone e lhe dissesse que iria terminar o maldito relatório sobre a compra da empresa Gold. Aliás, que ainda não era algo certo, e eu não estava tão confiante quanto a isto. Atendi ao telefone e tratei de me livrar de Robin o quanto antes. Com muita relutância, ele aceitou uma desculpa qualquer que inventei por ter sumido durante todo o dia e finalmente desligou a ligação. Agora éramos somente eu e meus documentos. Infinitos documentos...

POV Emma end.

Enquanto lia e relia aquelas inúmeras páginas, Emma deixou que sua cabeça pendesse para frente, tentando aliviar um pouco da tensão acumulada nos músculos depois daquele momento que dividira com Regina no banheiro. Pequenas pontadas, como choques elétricos, percorriam sua musculatura a cada movimento, por mais lento que fosse. Era um misto de dor e prazer, e ela mal conseguiu conter um gemido rouco. Talvez ela não devesse ter feito aquilo de forma tão bruta e forte, mas fora o único jeito que encontrou para descontar a fúria que existia em seu interior. Regina recusou-se a beijá-la, outra vez. E ela sabia exatamente o que aquilo significava. As barreiras entre duas estavam de volta, e ela só não conseguia entender o porquê. O que foi que eu fiz de errado, afinal? Passava por sua cabeça, insistentemente, e por isto, mal pode se concentrar em qualquer coisa que estivesse lendo.

Ela sentia vontade de fazer uma única coisa. E isto ela fez. Levantou-se dali, com cuidado, alongando os braços por um breve momento antes de caminhar de volta para o quarto. Quando entrou, tudo estava em perfeito silêncio. Imaginou que Regina pudesse estar concentrada em algo, ou até mesmo com seus pensamentos, mas quando se aproximou o suficiente da cama, percebeu que a morena estava adormecida.

Emma não pode conter um suspiro que veio como uma surpresa para ela mesma. A visão de Regina encolhida num dos cantos da cama, agarrada ao travesseiro que a loura havia utilizado na noite anterior, de alguma forma, trouxe certa calmaria e conforto para ela. Parte de seus fios castanhos espalhados pela seda branca dos lençóis, e outro punhado de fios derramando-se em cascata por seu rosto era adorável, principalmente pela forma em que o peito de Regina subia e descia num ritmo compassado, e a forma que seus lábios estavam levemente curvados para cima, num sorriso débil, como se estivesse sonhando com algo bom.

Emma não teve coragem de fazer qualquer mínimo movimento com medo de despertá-la. Mas aos poucos, com cuidado, foi deitando-se e se moldando na grande cama ao lado do corpo moreno. Com o que será que Regina sonhava, afinal? Um sorriso passou por seus lábios ao imaginar a baixinha tendo sonhos malucos com todas aquelas coisas infantis de que tanto gostava. Talvez estivesse alimentando alguma família de patinhos, ou comendo morangos, perdida em algum campo por aí... Emma não sabia. Regina jamais deixava de surpreendê-la. E aquilo, de certa forma, era tão bom. Tão diferente e distante de sua vida enfadonha e sem graça.

É claro que na cabeça de muitas pessoas, ter muito dinheiro e uma boa posição social era o ápice. E por muito tempo, fora exatamente isto que Emma pensou. Foi isto que buscou, e, como não costumava falhar, conquistou. E só então pode perceber que na verdade, nada daquilo realmente importava. Ter inúmeras pessoas dispostas a fazer o que você quiser para agradar-lhe, sempre passando a mão em sua cabeça, sempre concordando com qualquer asneira que você estivesse disposta a pagar. Claro. Tudo tinha seu preço. Mas nada era sincero. Nada era verdadeiro, e como Emma havia concluído, tudo era vazio. De que adiantava ter toda aquela fortuna, se seu prazer era sempre momentâneo, se a felicidade acabava quando a última gota de álcool deixava de fazer efeito em seu sangue.

A loira sentiu suas pálpebras começarem a pesar, realmente, havia sido um dia cheio, porém, diferente do que estava acostumada, fora tão divertido, que ela não se importaria em viver daquela forma, simples e leve. Um suspiro escapou por seus lábios e ela relaxou sua cabeça no travesseiro ao lado de Regina, que, antes que a loira se deixasse levar pelo sono, despertou. Emma sentiu seu coração errar a batida quando os grandes olhos castanhos encontraram os teus. Estavam preguiçosos, cheios de manha, como ela já havia presenciado nas manhãs em que acordara ao lado da morena. Mas desta vez havia algo diferente, como se Regina estivesse lhe questionando silenciosamente. Mas então ela sorriu, curvando os lábios carnudos de forma tão graciosa, que fez qualquer resquício de sono abandonar o corpo de Emma imediatamente.

— Oi. – Sua voz rouca ainda embargada pelo sono ecoou pelos ouvidos de Emma por um breve momento, até que a mulher a sua frente se libertasse daquele transe.

— Oi. – Respondeu simplesmente, fazendo com que Regina abrisse ainda mais seu sorriso, dessa vez revelando uma fileira de dentes brancos e irritantemente perfeitos.

Os olhos esverdeados eram incapazes de desviar o foco da boca de Regina. Talvez ela passasse despercebida pelas pessoas na rua, afinal, sua beleza era comum. Altura mediana, com lindas curvas distribuídas por seu corpo, porém, nada tão definido que fizesse parar o trânsito. Cabelos e olhos castanhos escuros, como oitenta por cento das pessoas em Los Angeles, a pele morena com seu toque caramelizado. Não era difícil encontrar pares de mulheres assim pelas ruas. Mas ali, de tão perto, Emma tinha certeza de que nunca vira nada tão bonito quanto Regina. Os olhos sempre tão expressivos e reluzentes, as bochechas que quase sempre estavam coradas, e claro, aquela cicatriz da qual Emma não fazia ideia de como havia conseguido, mas, em sua forma, tão instigante e sensual. Até suas cicatrizes são bem desenhadas.

— Por que você está me olhando assim? – Regina perguntando, acomodando-se melhor na cama, deitando-se de bruços, ainda agarrada àquele travesseiro, aspirando o perfume que ela sabia pertencer à mulher a sua frente.

— Não sei, queria poder saber no que você está pensando. – Aquilo saíra de fora tão natural de sua boca, que Emma mal teve tempo de filtrar suas palavras. Regina deu-lhe outro sorriso.

— Eu penso sobre tudo. – Deu de ombros, enroscando seu dedo indicador em uma pequena mecha do cabelo negro, enrolando-a ali. – Sabe... – Ela continuou, e Emma apenas arqueou sua sobrancelha, indicando que continuasse. – O primeiro cara que eu amei, era um zero a esquerda. O segundo foi pior, minha avó dizia que eu era um imã para vagabundos. Se houvesse um vagabundo num raio de dez quilômetros, eu sempre ficava atraída por ele. Foi assim que eu acabei aqui, seguindo o vagabundo número três. – Emma não fez menção nenhuma de dizer qualquer coisa, então Regina prosseguiu.

— Aí eu cheguei aqui, sem dinheiro, sem amigos, sem ninguém.

— E então escolheu essa profissão. – Emma a interrompeu pela primeira vez.

— Trabalhei em algumas lanchonetes, estacionava carros, mas não podia pagar o aluguel e sentia vergonha de voltar para casa. – A morena fez uma pausa, soltando um longo suspiro. – Foi quando eu conheci Mary. Ela já era uma prostituta, e fez parecer tão legal... E então um dia eu fui, chorei o tempo todo. Mas quando consegui fregueses, não sei, ninguém planeja ficar assim. – Ela voltou seus olhos para os de Emma, que tinha um olhar melancólico em sua direção. – Qual é o seu sonho de infância?

— Você poderia ser muito mais. – Respondeu, surpreendendo Regina.

— As pessoas te colocam para baixo, e você começa a acreditar nisso. – Emma sentiu uma imensa vontade de puxá-la para si e apertá-la em seus braços naquele momento, mas não se moveu.

— Acho você muito inteligente, uma mulher muito especial, Regina.

— É mais fácil acreditar nas coisas ruins, já percebeu isso? – Seus lábios curvaram-se em mais um sorriso desanimado. E quando percebeu, os dedos de Emma estavam sobre eles, acariciando-os levemente.

— Não sei, porque eu acredito em você. Desde o primeiro momento em que te vi. – A loira não tinha ideia do que estava fazendo quando se apoiou em seu cotovelo e aproximou seu rosto do de Regina. A morena soltou um longo suspiro, enquanto – agora tão próximo, estudava o rosto da empresária minuciosamente. As sardas em seu rosto, livres da maquiagem, transformavam Emma em uma pessoa mais leve, até mais doce, Regina diria. E aquilo lhe enviava correntes elétricas por todo o corpo.

— Então talvez eu seja algo ruim. – Disse por fim, soltando uma risada baixa pelo nariz e fechando seus olhos, dando a deixa para que Emma caísse em si e se afastasse.

Notas finais
Agora eu quero saber quem acha que Regina está fazendo o certo em se afastar, impondo limites à Swan. E como acham que Emma vai lidar com isto???? Beijos de luz e até o próximo, que pretendo postar em breve.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.