Pretty Woman.

5 Capítulo 5


Notas iniciais
Olá, amigas Swens! Eu demorei pra caramba, eu sei. Mas a vida tá corrida, e não tá dando pra escrever muito. Enfim, depois daquele capítulo de OUAT ontem, que foi um "tapa na cara" das Swens, eu resolvi postar pra ver se melhoro um pouquinho o dia de vocês. Boa leitura. ♥

Fiz questão de pular, dançar e rodar por todo o apartamento, antes de fazer as coisas que Emma me pediu. Em um dos saltos, eu cai deitada em cima do sofá, enquanto comia meu Fruit Loops e imaginava que seria divertido ter um gato aqui pra me fazer companhia. Será que Emma gostava de gatos? Será que ela deixaria eu ter um aqui? Eu sempre quis ter, mas eu sabia que Mary não gostava de gatos. Uma vez até tentei esconder um em nossa casa, embaixo do meu travesseiro, mas ela o encontrou e me fez devolver para a loja.

Pensar em MM me fez lembrar que eu deveria ligar para ela, ela poderia estar preocupada comigo. Desde que sai com Emma ontem a noite, não dei nenhum sinal de vida. Larguei meu cereal, corri para a outra poltrona, ao lado do telefone e disquei o número já tão conhecido.

— Mary Margaret?

— M-mãe?

— Não, sou eu, Regina!

— Regina? Ah, claro! Hey, e ai? Achei que tinha sido morta pelo cara da BMW! Onde você está?

— MM? Você estava dormindo?

— N-não, claro que não. Eu estava limpando o apê! — Ela fez uma pausa, e ouvi uns barulhos estranhos. — Que por sinal está uma bagunça, Regina! Mas eai, me conta, o que aconteceu? Por que não voltou ainda?

— Você não vai acreditar! — Não pude conter meu gritinho eufórico. — Então, o cara da BMW na verdade era uma mulher. — Soltei uma risada, sabendo que MM não curtia mulheres. — Mas não qualquer mulher, é a mulher mais linda que você possa imaginar! E tem mais, ela tem um pênis!

— O que? — Ela disse tão alto, que doeu meus ouvidos e tive que afastar o telefone da orelha.

— É uma longa história, mas isso não importa. — Fiz novamente uma pausa, pensando em como deveria contar. — Eu estou aqui deitada, no quarto de hotel dela, comendo Fruit Loops. — Soltei outra risadinha eufórica. — E o melhor você não sabe! Ela vai ficar a semana inteira na cidade, e quer que eu a faça companhia! Não é incrível? Ela me deixou um cartão de crédito e dinheiro para eu sair hoje e comprar roupas, porque a noite teremos um jantar de negócios e eu serei sua acompanhante. — Comecei a dizer uma porção de coisas, sobre como o hotel era bonito e como as pessoas me olhavam de forma engraçada, até ser interrompida por MM.

— Não sei, tem algo ai que não está me soando bem, Regi!

— É que nós estamos na cobertura, e o ar aqui é mais forte.

— Não quis dizer isso, Regi! — Eu tinha quase certeza, pelo seu tom de voz, que ela estava revirando os olhos para mim agora, como sempre fazia. Ué, mas por que? — Quero dizer, ela já te pagou?

— Hum, ainda não.

— Ai está! É isso que está errado, ela vai te dar o golpe. Vai te conquistar com roupas, jantares, e quando você menos esperar, você estará apaixonada e ela te deixará na rua sem nenhum centavo.

— Não! Emma não faria isso comigo, Mary. E além do mais, ela já me pegou oitocentos pela noite de ontem! — Eu disse, não conseguindo conter a empolgação em minha voz.

— Não, não, não! Você está apaixonada, Regina? Você a beijou, não foi? Você a beijou?

— O-o que? C-claro que não, Mary! Ela até tentou me beijar, mas eu não deixei.

— Ai como você é burra, Regina! Meu Deus, como você é burra! Você se apaixonou na primeira noite! — MM parecia indignada com aquilo. Mas eu não estava apaixonada, estava? Quer dizer, Emma é só a pessoa mais deslumbrante que eu já conheci na minha vida. — Vou continuar minha limpeza, se cuida, Regina!

Eu nem mesmo consegui dar tchau para MM, acho que a ligação tinha caído. Mas eu não acreditava que Emma iria me dar algum golpe, ela não era uma má pessoa, certo? Tentei tirar esses pensamentos de minha mente e fui procurar por minhas roupas, para que eu pudesse ir às compras como Emma tinha me pedido. Eu não sabia que tipo de roupa eu deveria usar naquele jantar, mas não deveria ser muito difícil de achar algo por ai.

Quando sai do elevador, fiz o caminho do hotel em direção a saída, o mais rápido que pude, pois tinha a impressão de que havia um homem me seguindo. Acho que ele queria me dizer alguma coisa, mas eu não podia falar com ninguém, eu era exclusiva de Emma essa semana! Dei o fora dali rapidamente, virando à primeira esquina.

Caminhei por alguns minutos, e logo estava no centro da cidade. Escolhi um lugar que eu sempre passava, e ficava namorando as roupas nas vitrines. Uma larga avenida repleta de lojas finas dos dois lados das calçadas. Em algumas partes das calçadas, haviam tapetes para que as pessoas pudessem caminhar confortavelmente. Okay, as pessoas ricas não sabem mesmo como gastar dinheiro. Entrei na primeira loja da esquerda, chamada "Estilo Zizes", e meus olhos brilharam imensamente ao ver a quantidade de vestidos maravilhosos, dos quais eu sempre tive vontade de usar. Tinha um amarelo colado no corpo da manequim, que me lembrava uma torta de abacaxi. Me deu até vontade de comer, hum. Me perguntei mentalmente se aquele vestido seria adequado para ir ao jantar com Emma, e não vi porque não.

Só então notei uma mulher por trás do balcão da loja, ela respirava riqueza. Havia outras duas mulheres do lado oposto ao que eu estava, e abri um sorriso tímido, me aproximando da mais velha.

— Olá! Eu gostei muito daquele vestido de torta de abacaxi! — Soltei uma risada para mim mesma, ele realmente me deixava com fome. — Qual o preço dele?

— Não acredito que seja ideal para você, querida. — A mulher respondeu, com um tom de voz indiferente. Franzi o cenho, sem entender.

— Por que não? Eu gostei da cor, e daqueles detalhes branquinhos que parecem chantilly. — Soltei outra risada.

— Ele não tem um preço para você. — Ela respondeu novamente de forma indiferente, com um nariz empinado.

— Ele não está a venda? — Perguntei, já perdendo minha paciência.

— Sim, ele está. — Ela olhou para as duas outras mulheres, que abafaram uma risadinha. — Mas não para alguém como você.

— Você acha que o estilo torta doce não combina comigo? — A mulher revirou os olhos, e saiu de trás do balcão, caminhando em minha direção.

— Escute, querida. — Ela pediu, e eu fiz que sim com a cabeça. — Nada nesta loja combina com você, e se você puder se retirar, antes que chegue alguma cliente, eu ficaria muito grata. — Ela disse, já segurando-me pelo braço e me levando em direção a saída da loja. Eu não tive reação, a única coisa que ouvi foram as risadas que agora não eram nada discretas, das outras duas mulheres.

Pessoas que passavam na frente da loja me olharam de forma estranha, e a mulher bateu a porta atrás de mim. Rapidamente meus olhos ficaram marejados. Aquilo havia sido humilhante! Eu nunca tinha passado por algo parecido na minha vida. Tudo bem que as pessoas não eram tão legais na periferia, mas elas não eram maldosas assim.

Fiz o caminho de volta para o hotel, sem a menor vontade de entrar em nenhuma outra loja, com lágrimas molhando todo o meu rosto. Assim que entrei, o mesmo homem que havia me seguido aquela hora, caminhou em minha direção. Mas eu fui mais rápida e desviei o caminho, seguindo para o lugar onde ficavam os elevadores.

— Senhorita? — Ele me chamou, mas não olhei para trás. — Senhorita?

Eu não queria falar com ele, então eu apertei várias vezes o botão do elevador, para ver se chegava mais rápido. Mas para o meu azar, o homem em segundos estava ao meu lado.

— Senhorita? — Chamou outra vez.

— Olha, o senhor até que é atraente, mas eu já estou compromissada e preciso voltar para...

— A senhorita está hospedada em nosso hotel? — Ele me interrompeu, olhando-me de forma preocupada.

— Sim, e eu estou tentando ir para o meu quarto nesse momento! — Respondi já sem paciência.- Olha, eu não tive uma boa manhã e eu quero muito ir pro quarto.

— Certamente, senhorita. — Ele sorriu, de forma gentil. Uau, alguém estava sendo gentil comigo? — Em qual quarto a senhorita está hospedada?

— Hum, no último? — Franzi o cenho. — Na verdade, eu estou acompanhando Emma!

— Certamente, senhorita. — Ele repetiu, como um robô muito bem treinado. — Eu irei verificar os dados! Qual o sobrenome da senhora Emma?

— É... — Umedeci meus lábios com a língua, enquanto pensava na pergunta. — Eu não sei... Mas por que tudo isso? Eu não sou nenhuma impostora! — Percebi que ele estava segurando uma risada. — Ele me conhece! — Por Deus o elevador chegou, mostrando o mesmo rapaz que havia levado eu e Emma ao quarto na noite anterior.

— Neal? Por gentileza! — Ele fez um sinal, para que o rapaz se aproximasse de nós. — Você conhece esta senhorita? — O homem arrumava constantemente a gravata do rapaz enquanto esperava uma resposta.

— S-sim senhor Sidney, ela está acompanhada da senhora Swan, na cobertura! — Soltei um suspiro de alívio ao perceber que o tal do Neal havia me reconhecido.

— Bom, agora que o senhor sabe que eu não sou nenhuma impostora, eu posso ir para o quarto? — Eu perguntei, sem nenhuma animação em minha voz.

— Não tão rápido, senhorita. Por favor, me acompanhe! — Ele me segurou pelo braço, me levando para outro corredor.

— Ei, me solte! Ele já não falou que me conhece? Ei, espera! — Eu já estava sendo arrastada da recepção do hotel pelo homem. Qual era o problema dele, afinal? Ele já sabia que eu estava acompanhada de Emma, Emma Swan era o nome dela.

Ele me levou até uma porta enorme, onde entramos e meus olhos rapidamente capturaram um escritório imenso. O tal do Sidney fechou a porta atrás de si, e fez menção para que eu me sentasse em uma das cadeiras, de frente para a mesa que eu julgava ser sua.

— Pois bem, senhorita... Como é mesmo seu nome?

— Como você quer me chamar? — Arqueei minhas sobrancelhas. Eu queria chorar, mas não iria ser humilhada pela segunda vez no mesmo dia. — Está bien, mi nombre es Regina! — Ele pareceu surpreso.

— Ouça, senhorita, eu não estou aqui para este tipo de brincadeiras! — Seu tom de voz dessa vez foi mais sério.

— Então porque você me trouxe aqui e fechou a porta? — Respirei fundo, já estava começando a odiar aquele cara.

— Senhorita, eu quero que saiba que como gerente deste magnífico hotel, tenho que garantir todo o tempo que tudo esteja dentro dos padrões. E sendo assim, sem querer ofende-la, a senhorita não esta vestida adequadamente para circular por nossos saguões. — Ele limpou a garganta, recompondo sua pose superior. Era engraçado.

— Eu tentei, okay? Emma me deu todo esse dinheiro, e esse cartão, e eu fui na loja e o vestido de torta não podia ser vendido pra mim! — Despejei todo o dinheiro e o cartão que Emma havia me dado sobre a mesa do homem, deixando que as lágrimas que eu tanto tentei segurar, caíssem de uma vez.

Eu odiava fazer aquilo, odiava parecer tão vulnerável para as pessoas, muito menos para quem eu nem conhecia. Mas toda aquela confusão havia me deixado extremamente sensível. E tinha mais, quando Emma chegasse e visse que eu não havia feito nada do que ela me pediu, eu certamente seria uma pessoa morta. Então eu chorei sobre a mesa do homem engomadinho e aceitei um lenço que ele me ofereceu. Assoei o nariz algumas vezes, até meu choro cessar.

Quando finalmente me acalmei um pouco, Sidney ainda me olhava de um modo estranho, e recusou o lenço quando eu tentei devolvê-lo, falando que eu poderia ficar com ele. Fiquei um pouco desconfortável com ele me analisando daquela forma, mas logo o olhar dele suavizou como se tivesse tido alguma idéia. Eu me apavorei ao ver ele pegar o telefone e discar algum número.

— Oh... Bueno, tu vais a llamar a la policía? Usted puede llamar, estoy limpia, está bien? Que no cometí ningún delito! — Eu fiquei tão nervosa que me enrolei, e acabei falando em espanhol. Ele me olhou de forma engraçada e depois sorriu.

— Ingrid, amiga querida! Como está? — Por que ele estava ligando para uma amiga, enquanto eu estava desesperada na sua frente? — Oh, claro, eu adorei! Diga a sua irmã que ela sabe como tratar um homem muito bem! — Soltou uma risadinha, e quando notou meu olhar, posso jurar que ele corou. — Ah sim, eu estou te ligando, pois eu irei te enviar uma amiga muito especial, pois ela precisa de uma roupa muito especial hoje a noite, para um jantar especial, na companhia de uma hospede muito especial, que está hospedada em nosso hotel, e como sei que sua loja é especial como a proprietária, eu tenho certeza que ela encontrará tudo o que ela precisa. O nome dela é Regina!

Parei de chorar no momento que Sidney falou que eu era especial. A única reação que tive quando ele desligou o telefone, foi me levantar e abraçá-lo, enchendo-o de beijos na bochecha. Ele ficou constrangido e me mandou parar, mas eu estava eufórica com o que havia ouvido. Ele ia me ajudar?

***

POV Emma.

— Boa noite senhora Swan, desculpe-me incomodá-la, mas a senhora tem alguém te esperando no bar do hotel! — Um funcionário do hotel me avisou, enquanto eu caminhava em direção aos elevadores. Alguém me esperando no bar? Eu estava tão irritada com o dia exaustivo na empresa, que não me lembrava de ter marcado nada com ninguém, além do maldito jantar com os Gold.

— Mas eu não estou esperando ninguém, mande-o ir embora! — Respondi sem um pingo de paciência.

— Na verdade, quem está te esperando é a senhorita encantadora que está hospedada em seu quarto. A senhorita Mills! — Senhorita Mills? Regina se chamava Mills? No mesmo instante, toda a irritação que eu sentia se esvaiu, e eu tive que controlar meu sorriso para que o rapaz não visse.

— Se precisar de alguma coisa, eu sou o gerente Sidney, a sua disposição! — Ele me deu uma piscadinha e saiu, como se estivesse alegre demais com aquilo. Que diabos estava acontecendo?

Mas espere, ele disse senhorita encantadora? Regina? Claro que ela era encantadora aos meus olhos. Mas, da forma que se vestia e se comportava, dificilmente alguém a descreveria de tal forma. Mas afinal, por que ela estava me esperando no bar? Dei meia volta, seguindo em direção ao bar, sem nem mesmo agradecer ao homem, e tive a impressão de que ele me falou mais alguma coisa, mas não parei para escutar de novo.

Por que será que ela estava me esperando no bar? Será que aconteceu alguma coisa? Entrei no ambiente e olhei tudo ao redor a procura da morena, mas sem nenhum sucesso. Eu estava prestes a voltar para brigar com o homem que havia me feito ir até ali atoa, quando ela se virou em minha direção. Wow! É claro que eu não a reconheceria.

Regina estava sentada em um dos bancos no balcão do bar, com um vestido longo e preto, bem justo da cintura para cima, que marcava perfeitamente a cintura fina e um decote que fez minha respiração falhar. Ele caia mais solto em suas pernas e havia uma fenda do lado esquerdo, dando-me uma visão do paraíso. Os cabelos presos em um coque, com apenas duas mechas soltas ao lado do rosto e o incrível batom vermelho que completava o look.

Ela estava... Céus, acho que ainda não havia uma palavra no dicionário que descrevesse a beleza daquela mulher. Ela sorriu para mim e se levantou, caminhando em minha direção. Só então notei os sapatos, também pretos, tão delicados que a deixavam com um aspecto de boneca.

— Regi, eu... Uau. — Não consegui dizer nada, e ela riu, provavelmente achando graça da cara de boba que eu tinha naquele momento.

— Você gostou, Emms? — Ela perguntou, olhando para o próprio corpo, procurando por falhas. Achei melhor falar logo, antes que ela interpretasse mal o meu espanto.

— Você está maravilhosa. — As palavras saíram de minha boca com tanta facilidade, que me senti novamente uma adolescente boba e apaixonada.

— Obrigada! Você também está linda, senhora Swan. — A forma com que me chamou, me surpreendeu. Como ela sabia meu nome? Oras, provavelmente da mesma forma que você sabia o dela, Emma.

Olhei para o meu corpo, agradecida pelas horas que passava na academia para mantê-lo. Eu usava uma camisa branca de seda, um tanto quanto transparente, com uma fita preta no pescoço, que formava um laço e caia em duas partes. A calça colada também era preta, e eu gostava como ela valorizava minhas pernas.

— Agradecida, senhorita Mills! — Dei-lhe uma piscadinha, e ela sorriu. Se eu não conhecesse Regina, poderia jurar que ela estava tímida.

Ofereci meu braço para que ela se apoiasse, e caminhamos para fora do hotel. Gragam nos aguardava com a porta da limousine já aberta, fiz menção para que Regina entrasse, e assim que entre, me sentei ao seu lado.

— Vamos? — Perguntei ao meu motorista, que concordou com a cabeça e deu partida. O caminho até o restaurante não foi muito longo, mas fora preenchido por conversas divertidas com Regina. Era incrível como ela era capaz de me fazer esquecer todos os meus problemas, quando estava ao meu lado.

Quando chegamos, Graham abriu a porta para sairmos e eu a peguei pela mão. Notei a surpresa em seu rosto, e confesso que achava fofo quando ela agia como uma garotinha. Eu definitivamente poderia me acostumar a andar de mãos dadas com Regina todos os dias, nossos dedos se encaixavam tão perfeitamente que eu poderia jurar que nossas mãos haviam sido feitas uma para a outra.

Fizemos nosso caminho para dentro do restaurante e o maitre nos levou diretamente a mesa reservada em meu nome, nos informando que os outros convidados já estavam a espera. Olhei para Regina que tinha os mesmos olhos sobre o restaurante que ela tinha dentro da limusine, parecia que ela estava conhecendo um novo mundo, uma floresta encantada. A imensidão negra de seus olhos tinha um brilho muito especial, que me fazia sorrir abertamente. Mas assim que desviei meu olhar para a mesa e encontrei Gold, meu sorriso se desfez.

— Emma Swan! — Ele disse, com seu tom de voz arrogante. — Boa noite.

— Regina, estes são Gold e seu filho, Neal. — Apresentei visivelmente desconfortável, apontando para os homens que agora estavam de pé para nos receber.

— Boa noite, muito prazer, Regina Mills. — Ela disse de forma gentil, estendendo a mão para que apertassem. Meu queixo praticamente caiu. De onde havia surgido toda aquela educação? Neal também a olhava com a boca aberta, mas não por estar surpreso com seu comportamento, e sim porque seus olhos passeavam do decote de Regina para suas pernas e voltaram para sua boca. Que inferno! Eu tive que me segurar para não voar no pescoço dele e mostrá-lo que não se deve olhar para a mulher dos outros.

— Bom, isso tudo foi muito agradável, mas vamos ao ponto, Emma. — Neal se pronunciou, assim que nos sentamos. — Fique longe da empresa do meu pai!

— Agradável tudo ficará quando você seguir o meu conselho e procurar um emprego de palhaço num circo, Neal! Não se cansa de passar vergonha? Você não entende nada sobre isso. — Todos na mesa ficaram tensos, menos Regina, ela apenas parecia confusa com a mudança repentina das formalidades para o tom de voz que usávamos agora. Eu não a culpava, ninguém entenderia.

POV Regina.

Eu não entendi o porque de Emma e Neal estarem conversando daquela forma. Olhei para Gold, que parecia um pouco mais pálido do que quando chegamos. Eu queria falar alguma coisa, mas fomos cortados por quatro garçons, cada um trazendo um prato com algo que pareciam post-it de recados amarelo que me fez ficar apavorada, pois Sidney e Ingrid me ensinaram que em restaurantes como esse, o primeiro a ser servido eram as saladas, e esse era o único garfo que eu havia decorado para comer.

— Emms, onde está a salada? É o único garfo que eu conheço! — Falei o mais baixo possível, próximo à orelha de Emma para que ninguém percebesse.

— Não se preocupe senhorita Regina, eu também nunca sei quais são os garfos certos! — Gold se pronunciou, e então pegou a comida que parecia post-it com a mão e deu uma mordida. Olhei para Emma que tinha um olhar amoroso em minha direção, e para Neal que ainda estava com a mesma cara de bobo, porém tentando esconder um sorriso.

A conversa entre eles continuou, e eu continuei a não entender nada. Então, resolvi comer o post-it, e ao dar a primeira mordida, tive a certeza de que eu nunca tinha provado nada tão ruim em toda a minha vida. Será que aquilo era mesmo comestível?

— Gold, todos nós sabemos que sua única saída é vender a sua empresa pra mim! Pois, se você sozinho não conseguiu erguê-la, de nenhuma outra maneira você conseguirá com a ajuda de Nealnútil. — Percebi que Emma estava começando a ficar mais irritada do que o normal, então apoiei minha mão em sua coxa por baixo da mesa, tentando deixá-la mais calma. Não pude resistir em fazer um carinho ali, subindo um pouco mais do que deveria. Ela rapidamente me olhou com uma cara de assustada, o que me fez rir, deixando todos na mesa confusos.

— Você é uma mulher persistente, Emma. — Gold quebrou novamente o silêncio. — Mesmo que você seja uma pessoa sem nenhum escrúpulo, nenhum sentimento, seu pai deve ter orgulho de você por não desistir de suas conquistas, mas infelizmente a minha empresa você não terá!

— Ofensas são elogios aos meus ouvidos, senhor Gold! — Ela sorriu de forma irônica. — E, felizmente meu pai não é mais vivo para que possa ousar me dizer alguma coisa, por isso antes que você siga o seu caminho nas profundezas do inferno, pois todos nós sabemos que você já não tem a mesma saúde de antes, assine este papel me vendendo a empresa e poderemos terminar o nosso jantar de agradavelmente! — Sua voz era ríspida, gélida, de uma forma que eu nunca havia visto-a falar. Neal tentava acalmar seu pai, que parecia que a qualquer momento sofreria um infarto. Todos se assustaram quando, de repente, meus talheres voaroam e foram parar na outra mesa. Não me perguntem como aquilo aconteceu, eu simplesmente não sabia como lidar com todos aqueles acessórios. Pra que precisam disso tudo pra comer, afinal?

— Eu sinto muito pela morte de seu pai, Swan!- Neal disse, tentando disfarçar o ocorrido e eu o agradeci mentalmente por isso.

— Sim, eu também, Emms! — Falei com sinceridade, apesar da vergonha de ter chamado a atenção de todo o restaurante. Mas, não pude deixar de ouvir o que ela dissera sobre seu pai, e queria muito poder abraçá-la naquele momento. Mesmo não gostando da forma como ela havia falado com senhor Gold, ele não parecia estar assim tão mal de saúde, poxa. Só estava um pouco pálido.

— Eu não! Eu não sinto muito, pois seu pai não sabe do que ele se livrou ao morrer e te deixar, Emma. E você nunca saberá como é ter uma pai que te ama, como eu faço! — O mais velho esbravejou, levantando-se de repente. — Senhorita Mills, eu adorei conhecê-la, e sinto que nessa triste situação.

— Senhorita Regina, foi um prazer! — Gold e Neal se retiraram da mesa, no momento em que os garçons chegavam com a sobremesa. Uma enorme taça de sundae, com chantilly e morangos fora posta à minha frente. Meus olhos brilharam imediatamente, apesar da situação chata que acabara de acontecer, porque sorvete era sempre motivo de alegria para mim. Eu estava prestes a dar a primeira colherada, quando Emma se levantou e falou que estávamos de saída.

— Vamos Regi, o jantar acabou! — Puxou minha cadeira e estendeu a mão para que eu me levantasse.

— Mas Emms, e o sorvete? — Perguntei, olhando para aquela obra de arte bem na minha frente.

— Regina, agora! — Resmunguei e me levantei, dando-lhe a mão e seguindo-a para fora do restaurante.

O caminho de volta ao hotel pareceu mais rápido do que a ida. Graham ao perceber a cara de poucos amigos que Emma fazia, nem precisou perguntar onde iríamos e logo tratou de fechar a janela de vidro que nos separava, deixando somente eu e Emma atrás.

— Quando chegarmos ao hotel, você pode pedir sorvete se quiser! — Emma falou, me surpreendendo. Estávamos há um bom tempo em silêncio, e eu não tinha certeza se deveria quebrá-lo. Quando ela se pronunciou, sorri de forma aliviada e me aproximei um pouco mais, aconchegando-me em seus braços e deitando a cabeça em seu ombro.

— Tudo bem, Emms! — Eu não sabia exatamente o que fazer para deixá-la melhor, sabia que o jantar não havia saído como ela queria, mas Emma era tão reservada, era praticamente impossível decifrar o que ela estava pensando ou desejando naquele momento. Então apenas fiquei ali, segurando sua mão. Aquilo costumava me ajudar quando eu não estava bem, então achei que pudesse funcionar com ela também.

— Toma. — Ela me estendeu a chave do quarto, assim que chegamos no hotel e descemos do carro. — Eu preciso fazer uma coisa, te encontro lá em cima daqui a pouco. — Concordei, pegando a chave e não a questionei, afinal, eu não estava ali para isso.

Quando entrei no quarto, a primeira coisa que fiz foi tirar o vestido, ele era lindo, mas aquele decote estava me sufocando. Não me importei em ficar apenas de calcinha e sutiã, sabia que a qualquer momento Emma subiria, e ela iria gostar de me encontrar assim.

Esperei algum tempo, para que Emma decidisse o que faríamos, mas ela não voltou. Comecei a me sentir entediada, então tive uma ideia. Liguei para o serviço de quarto e pedi muito sorvete, que tomei enquanto assistia vários desenhos animados, naquela TV enorme que eu jamais me acostumaria. As horas se passavam, e nada de Emma voltar, eu já estava começando a ficar preocupada. Olhei no relógio e já passavam das três da manha, então decidi ligar na recepção pra saber se o gerente Sidney sabia onde ela estava.

Peguei um dos roupões de banho e sai do apartamento, logo avistando August, que me esperava com um sorriso no rosto. O gerente Sidney já tinha terminado seu expediente, mas a funcionária do hotel me falou que Emma estava no bar, e que August me levaria até ela.

Passei pelas portas do bar e quase não reconheci o ambiente em que eu havia passado toda a tarde treinando etiquetas com Ingrid, pois estava escuro e com apenas alguns funcionários sentados, apreciando a suave melodia que vinha do piano. Minha boca se abriu em um enorme sorriso ao constatar que, quem o tocava era nada mais, nada menos que minha Emms. Ela realmente não cansava de surpreender.

— Eu não sabia que você tocava piano. — Eu falei baixinho, tocando suavemente em seus ombros e me aproximando de forma que a abracei pelas costas. Emma não parou de tocar, mas ela se aconchegou ao meu corpo como se pedindo para que eu não saísse daquela posição. Ficamos ali por mais alguns minutos, e eu tenho certeza que poderia passar o resto da minha vida ouvindo Emma tocar aquele piano.

Ela parecia tão leve, tão absolta de qualquer problema, que era algo admirável de se ver. Além de é claro, tocar maravilhosamente bem. Seus dedos deslizavam com tanta delicadeza entre as teclas pretas e brancas, que eu sentia-me tocada na alma. Para o meu desgosto, a melodia acabou. Mas ela virou-se no banco, abraçando-me pela cintura e apertando o rosto contra meu estômago. Deixei que meus dedos deslizassem pelos fios do cabelo louro, acariciando-a e tentando livrá-la de qualquer pensamento ruim que ela pudesse ter naquele momento.

— Senhores, por gentileza, vocês poderiam nos deixar a sós? — Ela disse, assim que afastou o rosto da minha barriga.

As pessoas que antes apreciavam sua música, rapidamente juntaram suas coisas e saíram em fila do lugar, e o último a passar pela porta a fechou. Agora éramos somente nós duas ali, e ela me olhava de uma forma engraçada. Nunca havia visto Emma daquele jeito, parecia frágil, tocada com algo que imaginei que pudesse ser a morte do seu pai. Ou até mesmo decepcionada pela falha profissional que tivera com Gold.

Deslizei minha mão pelas maçãs de seu rosto, vendo-a apertar os olhos como um gatinho. Céus, por impulso, eu quase me inclinei para frente e beijei seus lábios. Eu queria tanto. Aquilo traria conforto não só para ela, mas para mim também. No entando, eu sabia que não deveria e que não podia, então não o fiz.

— Todo mundo sempre faz o que você manda? — Perguntei de forma divertida, vendo-a abrir os olhos novamente, e finalmente sorrir. Emma não respondeu minha pergunta, ela simplesmente desatou o nó de meu roupão, deixando que as íris esverdeadas corressem por todo o meu corpo, que vestia apenas o conjunto de lingerie comprado hoje mais cedo, especialmente para ela. Suas mãos grandes e alvas seguraram-me pelas coxas, e ela as deslizou de baixo para cima, fazendo-me sentir bamba.

— Eu não quero isso, não por hoje. — Ela sussurrou, me deixando confusa. O que ela não queria? A mim? — Eu não quero mandar em ninguém, em nada, Regina. — Sua voz tinha um tom de súplica, que me apertou o coração. — Eu quero sentir que estou fazendo algo com alguém, em conjunto, quero sentir que não estou sozinha. — Ela se levantou, puxando o meu roupão para baixo, deixando meus ombros nus, apesar do sutiã. Ela me abraçou pela cintura outra vez, e começou a depositar beijos suaves em minha pele, me fazendo arrepiar.

— Vo-você tem, Emma. Você tem a mim. — Gaguejei, era praticamente impossível raciocinar direito quando ela me beijava daquela forma.

Num piscar de olhos, Emma me segurou pela bunda e me sentou em cima do piano que tocava há alguns minutos. Minha primeira reação foi de surpresa, mas logo gostei daquela ideia. Ela se encaixou entre minhas pernas, com as mãos vorazes já percorrendo todo o meu corpo por dentro do roupão. Eu queria tirá-lo, mas entendi o que Emma estava fazendo.

Nós estávamos em um lugar público, apesar de seu pedido para que nos deixassem a sós, a qualquer momento alguém poderia entrar ali e nos ver. Então, como o roupão cobria todo o meu corpo nas laterais, era uma forma de me proteger à exposição. Pensando nisso, senti meu coração se aquecer outra vez. Ela se importava, se preocupava comigo.

— Eu tenho? — Ela perguntou depois de algum tempo, e eu já não fazia ideia do que ela estava dizendo. Seu rosto estava enfiado em meu pescoço, beijando-me, mordendo-me, chupando a minha pele como se daquilo dependesse sua vida. E nossos corpos se encaixavam de uma forma perfeita, cada centímetro de minha pele tocando a sua, mesmo que por cima de sua roupa, era extasiante.

Suas mãos deslizavam com força em minhas coxas, fazendo-me soltar alguns gemidos baixos. Uma de minhas mãos segurando seu braço para me manter firme naquela posição, e a outra envolvida em seus cabelos, puxando-os, estimulando-a a continuar. — Você é minha, Regi? Hum?

— So-sou. — Eu continuava a gaguejar, praticamente sem ar. — Yo soy tuya, Emma. — Quando Emma pressionou sua ereção contra meu centro, soltei um gritinho, e logo me arrependi, não queria chamar a atenção de ninguém que estivesse por trás daquela porta. — Yo soy toda tuya. — E não estava mentindo. Eu era, não sabia há quanto e nem por quanto mais tempo, mas eu era completamente dela.

— Regi? — Ela chamou, ofegando agora contra meus seios, que ela beijava e lambia, pelo menos a parte que não estava coberta pelo sutiã.

— Sim, Emma? — Perguntei, começando a mover meu quadril de encontro ao seu. Eu precisava daquele contato, aquele atrito delicioso que funcionava tão bem entre nós. Ela gemeu, um gemido baixo e discreto, ainda abafado contra minha pele, mas foi o suficiente para me fazer perder o resto de razão que eu ainda tinha em meu corpo.

— Eu quero fazer amor com você. — Amor. Emma queria fazer amor comigo. Eu estava sonhando? Ou aquilo estava mesmo acontecendo? Antes que eu pudesse responder, ela puxou minha calcinha, da forma ágil que só ela sabia fazer, e a guardou... No bolso do blazer? Por que diabos ela havia guardado minha calcinha em seu bolso? Eu a olhei confusa, e ela apenas deu uma risadinha. Céus, aquela risada! Aquela carinha de safada!

Mordi meu próprio lábio inferior e sorri de forma tímida. Emma me puxou pela cintura, deixando-me bem na ponta do piano, com meu centro molhado roçando contra o volume já evidente em sua calça. Deslizei minhas mãos por suas costas, seguindo o caminho de sua cintura até os botões da calça. Os abri sem muita dificuldade, e fiz o mesmo com seu zíper, deixando-a livre para me ter.

Pensei que Emma me faria dela naquele momento, mas ela não o fez, ela me puxou para o seu colo e me colocou no chão. Ah, droga, é sério? Eu estava adorando toda aquela coisa do piano. Mas, novamente, antes que eu pudesse dizer ou fazer qualquer coisa, ela me virou de costas para ela, fazendo com que eu fosse obrigada a apoiar minhas mãos no piano, o que consequentemente ocasionou em um enorme barulho de teclas aleatórias sendo pressionadas com força por meus dedos.

Gemi mais alto, sem poder controlar o quanto aquilo me excitava. Senti seu corpo colado ao meu, e seus lábios passeando por meu pescoço e nuca, de onde ela havia afastado meus cabelos, segurando-os em um pequeno rabo de cavalo.

— Você me quer assim? — Ela perguntou, seus lábios agora tão próximos ao meu ouvido, que sua respiração quente fazia-me delirar. Engoli a seco e apenas confirmei com a cabeça, sentindo-a me segurar com força pela cintura, enquanto me penetrava.

Os sons de nossos gemidos se misturavam com o barulho de minhas mãos contra o piano, tornando aquela cena completamente exótica, diferente de qualquer coisa que eu já havia vivido. Emma era algo completamente diferente. E naquele momento eu tive certeza de que, independente de quantos dias passássemos juntas, de quantas vezes ela me fizesse dela, nunca seria igual. Seria sempre uma sensação nova, uma descoberta, de um mundo imaginário onde eu adoraria me perder.

— Minha. — Ela gemeu em meu ouvido, de forma possessiva, enquanto entrava em mim com força. Naquele momento, Emma colocava para fora de seu corpo todas aquelas energias, ruins e boas. Todos os desejos e frustrações, entregava-se para mim de corpo, e eu sabia que também de alma. Ela era minha e eu era dela. E tudo o que eu podia fazer era aceitá-la. E eu a aceitava, de qualquer forma, eu a queria. Eu precisava. Droga, eu a amava.

Notas finais
Espero que tenham gostado, POR FAVOR PRECISO DE OPINIÕES, beijos de luz. ♥