Pretty Normal
5 Capítulo 5- Descobertas desagradáveis
Notas iniciais
Enfim, eu vou postar alguns capítulos em sequência porque eu acabei atrasando as postagens.
Boa leitura!
Capítulo 4- Eu vou parar no hospital
Ficamos nos encarando por um tempo, eu repassando o acontecimento desta manhã, e ele provavelmente pensando que estou mais branca que papel e que minha camiseta me deixa gorda. Ou talvez não, talvez ele esteja apenas olhando para mim e não me vendo realmente, eu não ficaria surpresa. Mas a verdade é que eu ainda estava em estado de choque, pronta para desabar em lágrimas a qualquer minuto. Eu queria gritar, eu estava gritando, mas ninguém podia ouvir. Minha boca estava fechada, mas meu coração pulava, gritava e sangrava, e eu só queria que alguém visse, me ajudasse ou se importasse...mas ninguém viu. Ninguém nunca vê. Talvez o problema seja eu, talvez eu seja uma ótima atriz.
Minha tia foi a primeira a se recuperar do choque, ela estava tão entretida conosco que se esqueceu de fazer o jantar e resolveu pedir pizzas para todos. Meia hora mais tarde estávamos todos devorando alguns pedaços, estava no meu terceiro pedaço de pizza de calabresa quando minha tia me informou que também tinha encomendado pizzas doces também. Apesar de querer me encolher em posição fetal e desaparecer, a companhia de Ethan me fez bem. Quer dizer, ele contagiou a todos com seu riso alto e sincero.
Meu avô contava alguma história sobre a adolescência de meus tios, o que me fazia rir muito, quando minha tia apareceu trazendo uma pizza tamanho família de chocolate.
-Tudo bem, pai, já chega.- disse, com as faces coradas. Ela largou a pizza sobre uma tábua de madeira que estava sobre a mesa e eu, Matt, Will e Ethan nos precipitamos sobre ela.
Ainda estava rindo da piada de meu avô quando coloquei o primeiro pedaço na boca. Senti uma coceira forte na garganta quando engoli, mas Matt estava me contando sobre como conseguir um carro melhor nessa cidade.
-Eu vou te apresentar ao Wally, aquele cara é um gênio com carros, Lu.- soltou, o que fez Ethan erguer as sobrancelhas para nós.
Eu limpei a garganta, tentando afastar a coceira, mas meu primo pareceu perceber o que tinha feito.
-Lu?-Ethan perguntou, me encarando. Dei de ombros e enfiei o maior pedaço de pizza possível na boca, para ter uma desculpa para ficar em silêncio.
Só que isso só piorou a coceira, que logo começou a arder. Eu sentia como se o ar estivesse começando a acabar e como se tudo parecesse distante. Dei uma tossida seca.
-Primos, apelidos de infância.- Expliquei, tossindo mais duas vezes.- Você sabe como é.
Só para tornar tudo menos convincente ainda, Matt apontou para mim e assentiu.
-É, eu chamava ela de lunática.- disse, revirei os olhos e tomei um gole do refrigerante à minha frente.
Mas nada parecia adiantar, comecei a tossir como uma doida e minha tia me olhou preocupada, suas sobrancelhas subitamente unidas. Comecei a sufocar e, percebendo isso, uma comoção se iniciou ao meu redor. Minha tia gritava algo sobre me levarem para o hospital, mas eu não entendia direito, só queria sair dali o mais rápido possível.
-O que você pediu, Rachel?- Meu tio gritou, mais alto que os outros, se fazendo ouvir.- O que tem na pizza?
Minha tia ficou pensando por um minuto, mas para mim pareciam séculos. Meu avô colocou minha cabeça em seu colo, e eu continuei a sufocar e tossir.
-Bom,tinha banana, chocolate e canela.- respondeu, franzindo o cenho.
-CANELA?!- Meu avô exclamou, todos calaram a boca.- Matt, pegue o carro e leve sua prima para o hospital mais próximo.- Ordenou. Meu primo correu para fora da casa e bateu a porta atrás de si, o barulho me sobressaltou.
Á medida que o ar se tornava mais escasso ao meu redor, a constatação de que eu ia desmaiar se tornou mais presente. Foi nesse momento que a cabeça de Ethan se materializou acima de mim, sendo seguida quase que imediatamente pela de Will.
-A Sarah vai ficar bem?- ele perguntou, sua vozinha infantil estava chorosa e eu tive vontade de abraça-lo. Ethan deve ter percebido em meu olhar, porque se inclinou até meu primo e passou um braço por seus ombros.
-É claro que vai, eu e Matt vamos leva-la para o hospital.- Disse, logo que meu primo gritou para avisar que podíamos ir. Ethan me fez segurar seu pescoço e me pegou no colo, praticamente correndo comigo até o carro.
Após ser colocada delicadamente no banco de trás, Matt arrancou. As luzes da cidade brilhavam acima de minha cabeça e pareciam tão distantes quanto as estrelas, apesar de estar quase desmaiando, eu sorri, pensando no quão deveria ser poder dormir sendo rodeada por elas.
-Matt, ela não está respirando! Matt!- foi tudo o que eu pude ouvir antes de desmaiar.
Ainda lembro que meu último pensamento foi sobre a voz de Ethan ficar ainda mais bonita quando tinha um tom de preocupação nela.
(...)
Tá, eu não morri. Mas foi por pouco. De um jeito ou de outro, Ethan e Matt salvaram minha vida. Eu ainda estava meio zonza quando acordei, as luzes pareciam fortes demais e eu estava com frio, mas fiquei feliz ao ver que meu avô estava sentado ao lado da minha cama. Ele estava com os olhos fixos no relógio e parecia tão distante que eu achei que, mesmo se pulasse, não poderia alcança-lo. Mas bastou tocar em seu ombro para que ele se virasse para mim.
-Sarah!- exclamou, sorrindo tão abertamenteque eu pensei que fosse rasgar seu rosto.- Ah, nós ficamos tão preocupados com você!
Eu fiz um esforço para me sentar e então fitei a janela, através da qual eu já podia ver o sol começando a surgir. Me perguntei quanto tempo eu havia ficado deitada ali, todos os músculos de meu corpo estavam doloridos e minha garganta ardia bastante.
-Quanto tempo fiquei apagada?-perguntei, me surpreendendo com a rouquidão de minha voz pela falta de uso. Havia dormido, no mínimo, umas oito horas.
Meu avô não precisou pensar muito, ele parecia cansado e com sono, mas plenamente alegre.
-Umas doze horas, eles disseram que poderíamos te levar para casa quando você acordasse.- Vovô respondeu despreocupado, então fez uma careta.- Infelizmente tivemos que alertar seu pai e ele agora está enfurecido, creio que terá que ligar para ele agora mesmo.
Eu suspirei sabendo que por mais que quisesse, não podia adiar esta conversa. Meu avô me estendeu o celular e murmurou algo sobre ir encaminhar minha alta para que pudéssemos sair logo daquele lugar horrível. Billy Black odeia hospitais mais do que tudo, estou surpreso por ele não ter ficado irritado comigo por tê-lo feito passar a noite em um. De qualquer forma, fiquei feliz pela privacidade. Disquei o número de casa e, depois de quatro toques,Sarabella atendeu ofegante.
-Alô?-ela disse, com sua voz de pré-adolescente. Não respondi de imediato, apenas curtindo o fato de saber que minha irmã favorita estava do outro lado da linha.- Tem alguém aí?
-Edlly.-sussurrei, mas ela pareceu ouvir.
-Lucy!-exclamou com felicidade.- Estamos todos com saudade de você, está a maior confusão aqui em casa.
Eu ri,Sarabella sempre conseguia animar meu dia.
-É, eu sei. As coisas aqui também estão complicadas.- Respondi, mordendo o lábio.- Só avisa o papai que eu estou bem e que ele não vai se livrar de mim tão cedo.- Ouve uma longa pausa e o barulho semelhante ao de um telefone que é passado para outra pessoa.- Sarabella?
-Você pode dizer para mim o quão mal está se sentindo por nos expor desse jeito.- Jacob disse com sua típica voz rouca.- Sabe o que aconteceria se você fosse descoberta?
Eu ri sem humor.
-Você estaria bem ferrado e eu continuaria encrencada, nada demais.- retruquei.- Bom saber que você está se importando tanto com o fato de que eu quase morri ontem a noite.
Meu pai então assumiu um tom mais sério.
-Desculpe, querida. Nós ficamos realmente preocupados, mas...
-Mas Elizabeth está com mais problemas dessa vez e a atenção está totalmente voltada para ela.- completei.- Eu sei, vimos na tevê ontem. Eu só não sabia se era realmente verdade.
Jacob suspirou.
-É, o pior é que é verdade. Sua irmã e Seth foram completamente irresponsáveis e agora terão que assumir as consequências.
Uma onda de choque fez todo o meu corpo estremecer.
-Pai, você disse Seth?-Perguntei, já com os olhos marejados.
Seth...Seth e Elizabeth, juntos? Não, minha irmã sabia que eu era apaixonada por ele, ela jamais, jamais faria uma coisa dessas. Eu a conhecia com a palma da minha mão, contávamos tudo uma para a outra, éramos tipo melhores amigas...isso não podia estar acontecendo.
Papai suspirou novamente.
-Eles disseram que foi apenas uma vez e sua irmã parecia completamente chocada e não parava de repetir que você a mataria.- Claro, como sempre meu pai não sabia que eu era apaixonada por Seth. Aliás nem sei porque ainda espero que ele perceba, meu pai está sempre tão focado no trabalho que mal tem tempo de tomar banho, imagine se um dia irá olhar para as próprias filhas.- Estava pensando em mandar sua irmã passar uns tempos aí, o que acha?
Eu trinquei os dentes e fechei os olhos com força, tentando controlar a vontade de gritar. A dor da traição das pessoas que eu mais amava queimava em meu peito com tanta intensidade que achei que em breve se tornaria um buraco negro e me engoliria inteira.
-Não, pai. Não adiantaria, todos a reconheceriam e você só acabaria com as minhas chances de ser alguém normal. –respondi.- O melhor é trancar ela em casa e tentar abafar o caso, mas mantenha ela longe de Forks e de mim.
Com minha resposta, eu tinha quase certeza que meu pai começava a desconfiar de algo.
-Sarah, tem algo que eu precise saber?- ele perguntou, parecendo preocupado.
-Tem sempre algo que você precisa saber, pai, mas você nos manda para longe quando queremos contar.- Respondi, sabia que me arrependeria depois, mas estava simplesmente cansada demais para ligar.- Mantenha aqueles dois bem longe dessa cidade ou eu juro que poso pelada para a Playboy.- exclamei, em seguida desligando o telefone.
Eu estava chorando quando meu avô entrou no quarto, ele achou que eu estava passando mal de novo e eu tive que me esforçar muito para convencê-lo a não chamar uma enfermeira. Sem fazer mais perguntas, ele me fez sentar no chão em frente a sua cadeira de rodas e ficou acariciando meus cabelos enquanto eu chorava. E eu me senti grata, porque ninguém jamais tinha feito isso por mim.
Foi então que eu percebi que deveria dar uma chance à essa cidade, porque eu não pretendia voltar para Los Angeles tão cedo.
Fale com o autor