Pretty Normal
22 Capítulo 22
A risada de Ethan ainda escoa em meus ouvidos quando acordo pela manhã, eu me sento na cama, bufando quando meu cabelo cobre meus olhos. Mamãe, Sarabella e eu tivemos um bom tempo ontem à noite, assistindo filmes, comendo porcarias e conversando sobre meu próximo filme. As duas estavam deitadas ao meu lado, na cama king size de nosso hotel caro.
Sonhar com Ethan destruiu o que poderia ter sido um dia perfeito. Deus, como posso sentir tanta falta dele? Estava na cara que ele não queria ter mais nada a ver comigo, ainda mais depois da forma como me tratou da última vez que nos vimos. Tentando afastá-lo de minha mente, corro para fazer minha higiene matinal e me vestir. Batem à minha porta segundos após eu ter passado a última camada de rímel, e eu a abro para encontrar Mia, falando em seu telefone enquanto escreve em sua agenda.
Suspiro.
Terei um dia cheio hoje, e daqui a algumas semanas, voltarei para Los Angeles. Elizabeth está bem perto de ter o bebê agora, não que eu me importe. Ficarei na casa de papai por alguns dias, mas já pedi para que Mia providenciasse meu próprio apartamento, para que pudesse morar com minha mãe. Estava farta de dividir minha casa com tanta gente.
Meu celular toca quando entramos no elevador, e eu atendo com um sorriso.
–Hey, priminha.- Ouço Matt dizer, parecendodesanimado, me pergunto o que ele está fazendo acordado à essa hora da manhã.- Como está a escola de verão?
Mia está estreitando os olhos para mim, porque ela queria discutir meus horários.
–Acabando, sorte a minha.- Respondo, ajeitando meu cabelo, para que pareça mais bagunçado.- Vou terminar o álbum em Los Angeles, provavelmente. Como está o vovô?
Posso imaginar meu primo caminhando ao redor da casa.
–É por isso que eu liguei, Sarah.- Fala, e meu coração se encolhe em meu peito.- Olha, ele não queria que eu te contasse, mas ele está doente.
Eu sinto que não consigo respirar, meus pulmões ardendo.
–Quão ruim é?- Pergunto, meu primo se mantém em silêncio.- Eu te perguntei o quão ruim é, Matt!
Mia está com os olhos arregalados em minha direção.
–Ele tem um tumor no cérebro desde o acidente que matou nossa avó.- Ele faz outra pausa, e eu engulo em seco.- Nunca foi um problema, mas agora...Se tornou um câncer, Sarah, e nosso avô não tem muito tempo.
As portas do elevador se abrem, e flashes me cegam. Tenho certeza que estou parecendo devastada e confusa, mas não me importo com o que eles pensam. As lágrimas começam a cair enquanto Mia me guia até o carro. Ela ordena que eu me recomponha, mas simplesmente não consigo. Terei entrevistas em poucos minutos e vou estar horrível. Nem, não me importo. Como posso me importar com algo tão estúpido quando acabei de descobrir que meu avô tem poucos meses de vida?
Tento imaginar um mundo sem ele, mas um ataque de pânico me sufoca. Não, certamente não pode existir um mundo sem meu avô. Claro que não, a ideia em si é ridícula. O velho Billy é o melhor homem que já conheci, com certeza o mais honrado de nossa família, ele sobreviveria ao câncer. Um silêncio enorme preenche minha alma, mas pelos gritos de Mia, acho que estou soluçando ou no meio de um ataque de pânico. Eu não sei, não percebo. Parece difícil respirar, mas não presto atenção, tudo que posso fazer é tentar imaginar um mundo sem meu avô.
Chegamos ao prédio e eu sou arrastada para a sala onde acontecerão as entrevistas.
–Pelo amor de Deus, alguém consiga um calmante.
Os segundos passam, alguém limpa meu rosto e refaz minha maquiagem, eu engulo as pílulas que me dão e Mia me convence a forçar um sorriso, ensaiando vezes o suficiente para que pareça convincente. Ela me manda não estragar tudo e acho que assinto.
Estou completamente perdida.
(...)
Horas mais tarde, Mia me larga em casa. E não estou falando do quarto de Hotel em Seattle, o chalé de minha mãe ou a mansão de meu pai em New York. Estou falando da pequena cabana de meu avô. A chuva está caindo, como sempre, mas nenhum paparazzi está a vista.
Girando a chave, entro na casa silenciosa. Meu avô não deve estar aqui, ou, se estiver, está dormindo. Aprecio o silêncio, deitando-me no sofá. Ligo a televisão, mais por força do hábito do que por vontade própria. Fotos de Elizabeth estão em todo lugar, sua barriga enorme parece pronta para explodir. Ela já deve estar perto de terminar sua gestação.
E então a cena muda, para minha entrevista desta manhã.
–Em uma entrevista realizada com Lucy Black nesta manhã, mostramos-lhe o vídeo que está gerando muita polêmica neste mês.- O vídeo em questão, com imagens minhas e de Seth e sua música estúpida é reproduzido ao fundo.
–Você, eu quero você.- Seth está dizendo no começo do video.-Olha, eu sei o que eu fiz e lembro de todas as coisas que já te disse, mas eu estava errado, Lucy. Agora eu sei o que eu quero, agora eu sei que é você, que sempre foi você. Volta pra casa que nós vamos resolver tudo.
(link da música aqui: https://www.youtube.com/watch?v=yGVq03ZxvQk)
Eu me lembro do dia em que tivemos essas conversa no telefone, nunca teria respondido se imaginasse que ele estava gravando. Claro, ele foi esperto o suficiente para não colocar minha resposta no vídeo, e fez uma bela atuação em sua expressão sofrida, mas eu não acreditava nele. Eu não acreditava em uma palavra que saia de sua boca. Seth escreveu essa música e montou esse clipe sabendo que atrairia atenção, que era exatamente o que ele queria, mas poderia esperar por um processo também. Graças á sua maldita música, eu gastei com entrevistas o tempo que poderia estar passando com meu avô.
A melodia começa e eu apareço sorrindo no vídeo, é uma gravação caseira, assim como as que a seguem. Seth e eu brincando piscina, correndo com Sarabella pelo campo, eu pulando em suas costas e rindo como uma criança enquanto ele me gira. E então nós estamos conversando, trocando olhares, sorrindo um para o outro. Qualquer um que olhasse, pensaria que tivemos o relacionamento perfeito. Aparecemos cozinhando juntos, dançando e fazendo guerra de bolas de neve. É uma repetição de imagens felizes, abraços, beijos na bochecha, olhares furtivos...Tudo que um casal apaixonado geralmente faz. Mas isso foi antes. No final do vídeo, Seth está no aeroporto de New York, segurando uma placa em que se lê: Volte para mim, Lucy.
Reviro os olhos, assim como fiz na primeira vez que fui forçada a assistir essa palhaçada. E então a apresentadora finalmente mostra minha entrevista.
–Claramente, Seth Clearwater ainda é apaixonado por você.
Eu estou com a maior cara de choque do planeta, e totalmente revoltada.
– Não.- Minto.- Eu não creio que seja isso.
A entrevistadora ri.
–Que outro motivo ele teria para fazer um vídeo como este?- Pergunta.- Você voltará para ele?
Eu sorrio.
–Os motivos que o levaram a fazer esse vídeo não importam, realmente, mas, se quiser minha opinião, acho que foi uma brincadeira.- Respondo.- Sabe, a mídia está em cima da gente, querendo saber dos detalhes e tudo mais, mas isso é passado. Não tivemos um relacionamento de verdade, foi uma coisa passageira. Seth está feliz com minha irmã e eles terão um bebê, estou realmente feliz por eles.
Ela faz uma cara desconfiada.
–Está mesmo?- Provoca.- Nenhuma chance de ter uma recaída?
–Sem chance.- Afirmo.- Eu segui em frente com a minha vida e Seth fez o mesmo, foi a melhor escolha que já fizemos.
Eu desligo a televisão, farta de todo o drama, e me permito adormecer no sofá.
(...)
–Sarah?- Uma voz está me chamando, mas não quero acordar ainda. Estou com tanto sono.- Sarah, acorda.
Abro meus olhos para encontrar meu primo me encarando. Fito-o, confusa, e então percebo a figura a seu lado. Ethan está me olhando de um jeito estranho e sou incapaz de ler sua expressão. Ele parece feliz por me ver, e triste ao mesmo tempo, se é que isso é possível.
–Droga, Sarah, quando eu te disse que o vovô estava doente, não esperava que você viesse vê-lo.- Matt reclama, mas sua voz parece distante enquanto me perco nos olhos de Ethan.- Ele não está aqui, Sarah, você está ouvindo?
Assinto, voltando meu olhar para ele. Imediatamente faço uma careta, o cabelo de Matt cresceu muito e ele precisa desesperadamente de um corte.
–Você precisa cortar o cabelo.- Respondo.- E, sim, eu sei que ele não está aqui.
Sento-me no sofá, bocejando. Ajeito meus cabelos e olho ao redor, sentindo fome. Tento meu melhor para não olhar para Ethan ou notar sua presença.
–Então por que é que você veio?
Ignoro a pergunta de meu primo e me dirijo à cozinha com um “Estou morrendo de fome”. Ele me segue, de qualquer maneira. Retiro o cereal do armário aéreo e o despejo em uma tigela azul, sem me preocupar em adicionar leite. Em uma corrida até a geladeira, encontro morangos, e depois de lavá-los e cortá-los, misturo-os ao cereal.
–Você detesta morangos.- Ethan diz, e eu ergo minha cabeça, surpresa.
Assinto.
–Sim, bem, Mia os adora.- Resmungo, enfiando uma colherada na boca. Os morangos são doces e não totalmente desagradáveis.
–Mia?
A pergunta de Ethan fica no ar quando meu primo puxa uma cadeira ao meu lado.
–Me diga porque eu não tenho um circo de paparazzis em meu pátio.
Dou de ombros, devorando meu cereal.
–Apenas Mia sabia onde eu estava indo.- Não deixo de perceber que Ethan mantêm-se do outro lado da cozinha, o mais afastado de mim possível.- Precisava de uma pausa. Eu deveria estar ensaiando agora, porque foi o que disse à ela que faria, mas não me importo.
–Ela vai te matar.
Pondero com um meneio de cabeça, um sorriso leve toca meus lábios.
–Dou muito dinheiro aos chefes dela para que ela sequer pense em tentar, além do mais, Mia não vai saber se ninguém contar.- Retruco, imediatamente sentindo saudades das tardes que passei com meu primo, apenas rindo e aproveitando nosso tempo livre.- Eu poderia ficar sem mais um de seus sermões.
Matt sorri.
–Sim, você definitivamente poderia.
Uma melodia começa a tocar e a voz de Seth flui pelo ambiente, eu largo minha colher, irritada. Meus olhos se voltam para meu primo, semicerrados.
–Quem ligou a televisão?
Ele dá de ombros.
–Achei que você não se importaria com um pouco de música.
Reviro os olhos, correndo para a sala e desligando a televisão enquanto uma versão minha de dezesseis anos está sorrindo e brincando com Seth. Sem se tocar do que acabou de fazer, Matt entra na sala, sacudindo suas chaves. Ethan está atrás dele, me fitando por cima dos ombros de meu primo.
–Ethan concordou em vigiar a casa por algumas horas enquanto eu vou até o hospital buscar o vovô, ele pode ser liberado a qualquer minuto.- Seus olhos são questionadores.- Seu quarto continua o mesmo. Vocês dois ficarão bem?
Fito Ethan e forço um sorriso para meu primo.
–Claro.- Minto.- Estamos bem.
(...)
Uma hora depois que meu primo saiu, ainda não nos falamos. Ethan ligou a televisão porque percebeu que me irrita, mas está assistindo um jogo de basquete, o que é com certeza melhor que um canal de fofocas. Ele me olha, de tempos em tempos, e eu apenas decido que não aguento mais. Espero que ele me olhe novamente para iniciar uma conversa, não demora muito.
–Tudo bem, apenas diga o que você quer dizer.- Falo, irritada. Essa tensão entre nós está me deixando completamente frustada, e se ele não parar de me evitar logo, posso socar sua cara.- Apenas diga.
–Sinto muito pelo seu avô, ele é um cara legal.- Responde, fitando-me.- Eu nunca tinha reparado que você tinha olhos verdes.
Suspiro, largando meu celular sobre uma almofada.
–Isso é porque eu usava lentes castanhas na escola.- Seus olhos brilham em reconhecimento.- Era desconfortável, na verdade.
Ethan parou de prestar atenção no jogo, e se volta completamente para mim.
–Então por que você fez isso?- Questiona.- Por que você mentiu para mim e para todos? Por que você continua mentindo para todos que está feliz, Sarah? Eu não entendo!
Eu me levanto, irritada.
–É o que se espera de mim, Ethan!- Grito.- É o que meu pai, meus agentes e meus chefes esperam. É o que todos esperam. Minha irmã vai ter um filho com o cara que eu amava, e todos continuam a me perguntar sobre isso, eles esperam que eu cometa um erro e lhes dê uma história, eles vendem revistas e mais revistas sobre o assunto. E todos estão tão preocupados em obter um história, que ninguém percebe que não há uma. Não importa que eu queira seguir em frente, não importa que eu estou nem aí para Seth e Elizabeth, o que eu quero nunca importa!
–Importa para mim!- Ele berra, calando-me. Segundos se passam, meu coração está acelerado pela sua declaração. Eu quero abraçá-lo, eu quero… Ethan se dá conta do que diz, e passa as mãos pelo cabelo.- Ou, pelo menos, costumava importar. Sua vida é uma farsa, Lucy, nada disso é real. Nosso tempo juntos não foi real.
–O que eu sinto por você é real.- Retruco.
Ele sorri, um sorriso de puro escárnio.
–Ah, diga o que você sente por mim, Lucy Black.- Ele se levanta também, passeando pela sala enquanto zomba de mim.- Seria pena, ou talvez você apenas gostasse de ter um novo brinquedo? Talvez você achasse que estava fazendo um favor para mim, por que que garoto não quer uma super estrela lhe dando atenção? É isso, você sente pena de mim?
–Eu te amo!- Explodo.- Eu não sinto pena de você, Ethan, eu te amo. E você é um bastardo idiota por…
Antes que eu possa terminar minha sentença, os lábios de Ethan estão sobre os meus, e eu derreto contra ele. Não é um beijo calmo e lento, é agressivo e apaixonado, e tudo que eu estava precisando. Suas mãos correm meu corpo e eu sinto algo acender dentro de mim. Quando suas mãos erguem minha bunda, enrolo minhas pernas envolta de sua cintura e permito que ele me leve até o sofá. Permito que seus dedos explorem sob minha saia, que retire minha blusa e beije minha pele sensível. Do mesmo modo, ele permite que eu retire sua camisa, explorando o peito musculoso com minhas unhas enquanto ele massageia entre minhas coxas. Permito que Ethan retire as últimas peças de roupas que sobraram e me beije sem sentido.
Ele nos levanta, caminhando até meu quarto e me coloca com cuidado sobre a cama. Seus lábios percorrem todo meu corpo enquanto minhas mãos percorrem o seu. Deixo minhas preocupações de lado e aproveito o momento. Esqueço a doença de meu avô, o video estúpido de Seth e meu próprio nome. Semanas atrás entreguei meu coração a Ethan, e hoje entregarei meu corpo. Beijo seu pescoço, sua mandíbula e seus lábios. E apenas quando não conseguimos aguentar mais, seus lábios suavizam sobre os meus e ele me faz sua. E eu não lhe digo, e não sei se ele percebe, mas Ethan Uley é meu primeiro. O primeiro cara a me tocar tão intimamente, o único a possuir meu coração.
Fale com o autor