Pretending To Pretend
9 VIII. Katie
Notas iniciais
― O que é isso, Stoll? ― Katie perguntou olhando em volta.
― Como é a nossa última noite fora do Acampamento e em menos de vinte e quatro horas iremos ser escravizados até o fim do verão, pensei em finalmente termos um primeiro encontro ― Travis deu de ombros.
― Em um parque de diversões meia boca no centro de Montauk? ― ela arqueou uma sobrancelha.
― Pensa pelo lado positivo, Kay: pelo menos não é em uma barraquinha de cachorro quente no Central Park.
― Só concordo se você ganhar aquele urso polar pra mim.
Katie apontou para uma barraquinha de madeira a alguns passos à frente, vários bichos de pelúcia estavam pendurados e só havia uma única chance de ganhar pelo menos um deles: ou derrubava todas as latinhas ou as mãos saíam vazias.
Travis tirou um bocado de notas dos bolsos ― até mesmo alguns dracmas ― e jogou tudo em cima do balcão.
― O que consigo com isso? ― perguntou.
― Quatro chances de errar ― respondeu o balconista com um sorriso presunçoso.
― Veremos ― Travis sorriu igualmente.
Ele pegou a bola branca na mão e se preparou como se fosse fazer um lançamento em um jogo de basebol. A bola passou por cima das latinhas empilhadas em forma de pirâmide e atingiu os fundos da barraca. O balconista gargalhou e pegou uma nota da pilha de Travis.
― Estava só me aquecendo ― Stoll disse. ― Não brinco com isso desde que Connor ficou grande demais para que eu não apanhasse ao fazer dele meu alvo de dardo ambulante.
Katie revirou os olhos impacientemente.
Travis lançou a bolinha novamente e só acertou metade das latas. Jogou outra vez e só acertou a do topo.
― Pelo seu esforço, camarada, vou deixar você levar um dado de pelúcia se acertar metade.
― Não, obrigada. Vou derrubar tudo e levar o urso polar.
― Travis, para, vamos ficar sem dinheiro para aproveitar o resto do parque.
― Kay, aqui só tem essa barraquinha, uma máquina de algodão doce, uma montanha-russa que com certeza já deu muitos atestados de óbito, uma roda gigante que não tem nem um metro e meio de altura e uma lanchonete que deveria distribuir vacinas antirrábicas junto com a comida.
― Stoll, isso só fez esse encontro cair no meu quesito.
― Ah, qual é, Gardner! Viva perigosamente!
― Estou vivendo perigosamente ao pisar nesse terreno correndo risco de pegar tétano.
― Você fala isso agora ― ele sussurrou no ouvido dela ―, mas vai estar me chamando de herói quando eu conseguir aquele urso.
― É o que vamos ver ― respondeu Katie no mesmo tom.
Travis depositou um beijo na bochecha dela e se virou para a barraquinha, encarando aquelas benditas seis latinhas. Ele mirou, respirou fundo e jogou. A bolinha passou zunindo e derrubou metade dos alvos no chão.
― Ainda tá de pé a oferta do dado de pelúcia? ― Stoll sorriu amarelo.
― Isso, de longe, é o oposto de encontro perfeito.
Katie disse mordiscando uma maçã do amor ― que era, supostamente, a única comida do parque que não seria levada pela vigilância sanitária.
― E qual é a sua ideia de encontro perfeito, Kay?
― Um piquenique em um bosque, com muita salada de batata e uvas verdes.
― Você acabou de descrever um dia normal no Acampamento Meio-Sangue.
― Nem todos detestam o ordinário. ― Katie entrelaçou os seus dedos nos de Travis. ― Vamos à roda gigante, provavelmente é a única coisa no parque que não corre o risco de despencar.
Eles seguiram até o brinquedo e Travis escolheu um carrinho verde porque lembrava os olhos de Katie, ela corou até a raiz dos cabelos, mas depositou um beijo rápido nos lábios dele como forma de agradecimento.
― Sabe ― disse ela depois de algumas voltas ―, até que não foi uma escolha tão ruim.
― A roda gigante? ― Stoll encarou as sardas dela.
― O encontro ― Katie sorriu e esfregou seu nariz no dele.
― O que está fazendo, Gardner?
― Beijo de esquimó, Stoll. ― Gardner revirou os olhos como se fosse óbvio.
― Você é terrivelmente infantil, Katie ― ele disse. ― Por isso me apaixonei por você.
Katie acotovelou as costelas dele, mas logo abraçou a sua cintura e depositou um beijo no pescoço de Travis, escondendo o rosto no emaranhado xadrez da blusa de Stoll.
― Eu te odeio ― ela gargalhou baixinho.
― Desculpe Kay.
Travis falou de repente enquanto eles terminavam de escovar os dentes.
― Pelo que?
― Por ter ganhado o dado de pelúcia e não o urso.
― Tantas coisas para você me pedir desculpas e é pelo urso que você sente muito? ― Katie se aproximou e enlaçou seus braços no pescoço dele. ― Eu adorei o presente, Travis. Mesmo tendo uma péssima mira, você tentou.
― Não tenho uma péssima mira! ― Travis protestou fazendo Katie gargalhar.
― Tem sim. ― Ela se aproximou mais. ― Agora cala a boca e me beija ― sussurrou.
― O que não me pede chorando que eu não faço sorrindo?
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