Pretending To Pretend
6 V. Travis
Notas iniciais
Desculpem-me a demora, eu desanimei um pouco com a fanfic, sinto que não estou fazendo um bom trabalho. Não se preocupem, não vou desistir, só que os bloqueios criativos serão um pouco mais frequentes, espero que tenham paciência.
Aproveitem a melação do capítulo!
Travis definitivamente não gostava do jeitinho de Katie. Ele fora acordado com a sua suposta namorada jogando roupas em cima dele.
— O que Hades você pensa que está fazendo, Gardner? — ele se levantou, deixando as roupas caírem.
— Arrumando a sua mala, partimos em meia hora.
— E você está fazendo isso por quê?
Katie olhou por cima do ombro, averiguando se havia alguém por perto.
— Você perdeu o café da manhã — ela apontou o óbvio e Travis levantou uma sobrancelha. — Quíron abriu aquele enorme fucinho de cavalo para todo o Acampamento.
— Ele contou a todos?
— Contou! — Katie revirou os olhos. — Como se para pedir voluntários fosse necessário contar as confidências alheias.
— E agora teremos que fazer um belo espetáculo — Travis sorriu malicioso.
— Idiota! — Katie riu e empurrou o ombro dele. — Vá se arrumar e me encontre no pavilhão.
Katie virou as costas, mas Travis a puxou de volta.
— Eu tenho que ir.
— Não antes do meu beijo de bom dia.
— O que?
Ela fitou o rosto completamente sério dele. Não era uma brincadeira. Katie revirou os olhos e depositou um beijo rápido nos lábios de Travis, saindo logo em seguida.
(...)
Hollywood deveria pensar em contratá-los. Travis realmente se sentia mal por enganar a sua mãe, mas mostrar ao Acampamento que ele também tem alguém para beijar fora uma sensação absurdamente deliciosa.
Ele mantinha os olhos fixos na estrada, tentando lembrar o caminho até a casa de praia de sua mãe em Montauk — onde ela sempre passava os fins de semana. A cantoria de Katie não ajudava muito a sua concentração, a paisagem era sempre o mesmo composto de dunas e o combustível estava perigosamente na reserva.
— Travis, você sabe mesmo para onde estamos indo?
— Claro que sei! — ele parou o carro e abriu o porta-luva, tirando de lá um mapa. — Mas é sempre bom conferir.
— Estamos perdidos — Katie constatou.
— Sei exatamente onde estamos, Gardner!
— O mapa está de cabeça pra baixo, Stoll.
— Viu? Não estamos perdidos — ele ajeitou o mapa. — Apenas fomos na direção errada.
— Desconfio mesmo que seja filho de Hermes — Katie murmurou. — Vamos para o lugar certo então.
— Kay — Travis riu nervoso —, acho que não vai dar.
— Por quê?
— A gasolina acabou.
Katie abriu a porta do carro e saiu, fechando-a furiosamente. Ela foi até a mala do carro e se apoiou, respirando fundo; depois levantou a cabeça e passou as mãos pelo cabelo.
— O que você está fazendo? — Travis perguntou se aproximando dela.
— Pensando em dez motivos para não cortar a sua jugular aqui e agora.
— Sou novo demais para morrer, Gardner — ele se apoiou na traseira do carro.
— Você já viveu bastante para um semideus.
— Os tempos mudaram!
— Infelizmente — ela rosnou e gotas de chuva começaram a pingar neles. — Zeus só pode está curtindo com a nossa cara.
Um trovão ribombou ao longe e Katie murmurou algo que Travis entendeu como um xingamento. Os pingos de chuva aumentaram e ficaram mais grossos.
Pedir ajuda a Zeus: fora de questão.
— Pode pelo menos abrir a porta do carro?
Travis bufou e puxou a maçaneta.
Nada aconteceu.
Travis puxou mais uma, duas, três vezes e a porta continuava fechada.
— Pega a chave, Stoll!
Ele tateou o bolso e não encontrou a chave. Katie marchou até a janela do motorista e tentou enxergar dentro do carro.
— Parabéns! Você trancou o carro com as chaves dentro.
Eles sentaram na traseira do carro e ficaram estáticos, fitando o horizonte enquanto a chuva molhava o vestido floral de Katie e o conjunto favorito de calça jeans e blusa social de Travis.
— Só temos uma solução, Stoll — Katie falou depois de um tempo. Os pelos de seu braço estavam arrepiados e ela batia os dentes.
— E qual seria? — Travis falou enquanto se aproximava e abraçava Katie, tentando fazer ela parar de tremer.
— Chamar as Irmãs Cinzentas.
Travis quis protestar. A primeira — e última, ele prometeu a si mesmo — experiência no táxi das Irmãs Cinzentas fora traumática o suficiente para ele pensar ao menos cinco vezes antes de chamá-las. Mas ao olhar para Katie completamente encharcada e a chuva cada vez pior ele não conseguiu recusar.
— Tudo bem — ele se levantou e tateou os bolsos novamente, pondo-os para fora. Vazios. — Você tem algum dracma?
Katie sorriu presunçosamente e subiu a saia do vestido até metade da coxa, revelando o seu suporte para a adaga. Ela retirou a adaga e, do fundo do suporte, tirou um dracma.
— Stêthi — Ela começou a gritar em grego antigo. — Ô hárma diabolês!
Antes mesmo de a moeda estatelar no asfalto molhado, ela foi sugada. Por alguns segundos tudo continuou como estava: o carro parado e a chuva torrencial castigando os dois.
Travis preferia que tudo continuasse assim.
Onde a moeda desapareceu, surgiu um retângulo que mais parecia uma poça de sangue fervendo. Em poucos segundos um carro que parecia ser feito de fumaça apareceu, uma das irmãs colocou a cabeça para fora e berrou:
— Passageiros?
Travis sentiu seu estômago encolher até virar um grão de feijão. Katie abriu a porta do táxi e entrou puxando Travis.
— Duas passagens para Montauk — Katie avisou.
— Montauk! Bandeira três! — a irmã que estava dirigindo berrou com a voz sonolenta.
— Bandeira três? Ira, isso não existe! — gritou a do canto direito.
— Vespa, está chovendo! — Ira respondeu.
— Não sei, a Tempestade pegou o olho!
— A Tempestade disse que está chovendo então é bandeira três.
— De acordo com o estado desse casalzinho — Tempestade virou e fitou os dois com o único olho verde —, está mesmo chovendo.
— Se não se importam — Travis interrompeu uma discussão que se iniciava —, precisamos chegar a Montauk ainda hoje.
— Não se preocupe, filho de Hermes. Sabemos para onde quer ir — Ira falou e arrancou com o táxi.
Travis sentiu seu estômago se reduzir a nada. Katie estava com as unhas cravadas no banco e olhos fechados, murmurando algo como “Por favor Hermes, não nos deixe morrer, não nos deixe morrer”.
Ira deu uma guinada para esquerda, batendo na dunas. Travis e Katie escorregaram para o canto. O carro guinou para a direita e seguiu batendo nas dunas por mais meio quilômetro.
— Dirige direito! — berrou Vespa.
— Tempestade está com o olho!
Elas começaram a se estapear para pegar o olho. O táxi seguiu sem direção por mais três quilômetros, Katie se agarrou no braço de Travis e continuou a murmurar preces e mais preces.
— Por favor, senhoras! Uma de vocês tome a direção pelo amor dos deuses! — Travis berrou.
Ira havia pego o olho mas Tempestade o roubou de volta e continuou a berrar coordenadas.
O táxi continuou nesse zigue-zague até parar bruscamente em frente a casa de praia da mãe de Travis.
Os dois saíram cambaleando e se encostaram na lateral do táxi, tentando se recuperar.
— Cadê o pagamento? — berrou Ira.
— Acerte com Hermes — Travis deu um tapinha nas costas dela e seguiu em direção a casa.
Assim que Travis se virou ouviu o carro desaparecer.
A casa de praia era larga e possuía somente um andar, era branca com detalhes trabalhados em madeira escura. As luzes estavam apagadas, sinal de que não havia ninguém. Ele se agachou e levantou o tapete, encontrando uma chave ali.
Por dentro, a casa continuava sendo simples, com poucos móveis. Apenas um sofá, mesinha de centro e um apoio para a tevê na sala; armários e uma bancada na cozinha e um corredor que levava aos quartos e ao banheiro.
Um bilhete colado na porta dizia que a mãe de Travis fora jogar pôquer na casa de uma amiga e voltaria tarde.
Katie espirrou, fazendo Travis se lembrar da presença dela. Ele foi até o armário do corredor e pegou uma toalha e uma coberta.
— Você está ardendo em febre, Kay! — Travis constatou ao encostar a mão no pescoço de Katie quando colocou o cobertor em volta dela.
— Eu to bem, Stoll — Katie murmurou e depois tossiu.
— Cale a boca, Gardner! Vá tomar um banho quente enquanto faço um chá.
— Nossas malas ficaram no carro!
— Pegue uma blusa minha. Qualquer coisa grita. — Travis beijou a testa de Katie.
Ele ferveu a água e esperou o chá ficar pronto. Quando Travis começou a sentir o cheiro do chá de erva verde, ele despejou o líquido em uma xícara, derramando metade na mão.
— Porcaria! — Travis largou o bule na pia e colocou a mão na água gelada.
— Até para fazer chá precisa de ajuda? — Katie riu e terminou de colocar o líquido na xícara. — Mas obrigada pela intenção.
Travis se virou para encarar Katie e a encontrou vestida com uma camiseta velha que lhe caia como um vestido, o cabelo castanho-terra estava preso em um coque e o nariz estava tão vermelho quanto um morango.
— Você precisa descansar, Kay.
Apesar dos protestos, Travis levou Katie para o quarto dele.
— Se precisar de mim, vou estar na sala. Boa noite, Kay — ele beijou a ponta do nariz dela.
— Travis! — ela chamou quando ele estava na porta.
— Sim? — Travis se virou.
— Preciso de você.
Travis sorriu e se deitou ao lado de Katie, afagando a cabeça dela até cair na inconsciência.
Notas finais
Espero que tenham gostado e, bom, acho que é isso.
Vejo vocês no próximo.
Tchauzinho!
PS.: Posto bastante de madrugada, sou uma coruja (não foi apenas um trocadilho infame pelo fato de eu ser filha de Atena, eu realmente troco o dia pela noite), então esperem que eu poste na maioria das vezes neste horário.
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