Pretending To Be A Ninja

6 Capítulo 6 - O ninja orgulhoso parte I


Notas iniciais
“A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós”. Jane Austen – Orgulho e preconceito.

Dizem que todo Uchiha é orgulhoso por natureza e talvez Uchiha Sasuke fosse o mais orgulhoso de todos. Desde pequeno idolatrava Fugaku, seu pai que na época era o chefe da polícia de Konoha, logo encontrou outro ídolo em seu irmão mais velho, Itachi, que se tornou um ninja profissional muito cedo, uma criança prodígio. Diferentemente dos Uchiha, Itachi tinha uma natureza mais calma e serena, não era orgulhoso, mais representava o orgulho dos Uchiha.

Sasuke tinha como seu maior sonho se tornar um ninja habilidoso, pois nada lhe seria mais satisfatório do que estar ao lado de seus “ídolos”. Porém, para que tal sonho pudesse se realizar seria necessário um grande esforço. Ele não queria ser considerado pior, ou melhor que seu pai ou seu irmão, ele queria ser reconhecido e respeitado, mas era visto apenas uma como criança de 8 anos de idade, e sendo assim era deixado de lado das questões mais pertinentes de seu clã as quais eram discutidas nas reuniões daqueles que eram pertencentes ao clã Uchiha.

– Papai, o senhor irá me ajudar em um justu? – perguntou o pequeno Sasuke ao seu pai.

–Agora não posso Sasuke, preciso organizar alguns papéis para reunião de daqui a pouco. Pergunte a seu irmão se ele pode!

– Eu já pedi e ele disse que está ocupado! – resmungou Sasuke.

– Seu irmão entrou para a ANBU há pouco tempo e agora está muito ocupado meu querido – justificou sua mãe que tentava lhe convencer da omissão de seu irmão. Seu pai, por outro lado, tendo este assunto como acabado se levantou e foi em direção sala onde ocorriam as reuniões, as quais seu irmão estaria presente juntamente com seus familiares.

– Se você quiser filho, mamãe te ajuda! — A atenção de Sasuke se voltou para sua mãe.

– Obrigado mamãe, mas acho que já dormir!

Sua mãe apenas assentiu sorrindo, sabendo que seu filho mais novo queria a companhia do pai e irmão.

– Então vá querido. Boa noite! – disse sua mãe dando-lhe um beijo em sua testa, então ela voltou para pia a fim de terminar de lavar as louças do jantar.

Percebendo a distração de sua mãe, Sasuke aproveitou para espreitar através da porta entreaberta da sala onde estava acontecendo a reunião. Apesar do pequeno buraco, Sasuke pode reconhecer as silhuetas do seu pai, do seu irmão e de alguns tios e primos seus.

– Eu já havia lhe dito que está proibido de fazer isso – o grito de seu pai fez Sasuke sobressaltar quase denunciando sua presença.

– As evidências indicam que ele matou estas pessoas – disse Itachi apontando para um papel sobre a mesa — principalmente na guerra civil, por isso quero fazer isso!

– E o que o líder da ANBU lhe ordenou? — perguntou um de seus tios.

– Ele me pediu para fazer uma busca local de modo que eu possa coletar mais evidências e ver quais foram os possíveis esconderijos dele nesses últimos oito anos- disse seu irmão calmamente.

– Itachi, quero que dispense desta missão – ordenou seu pai.

– Não posso pai já aceitei!

– Não tem problema! Esqueça o orgulho...

– Não é orgulho! – Itachi interrompeu seu pai bruscamente e para o que pareceu uma eternidade, mas duraram somente alguns segundos, seu pai e seu irmão se encaravam. Nenhum se atreveu a desviar o olhar, era como se fosse um desafio, onde aquele que afastasse o olhar primeiro perderia. A tensão estava sobrecarregando a sala e nesse momento Sasuke decidiu que havia visto o bastante, assim recuou na direção contrária da porta e quando ele encostou-se em algo, o medo de ser pego espiando o assustou. Uma mão tampou sua boca impedindo que o seu grito viesse à tona, enquanto outra mão segurava firmemente seu corpo. Assim que começou a se esgueirar, reconheceu a voz da pessoa que sussurrava em seu ouvido.

– Sasuke, já passou da hora de você dormir meu filho – sua mãe lhe soltou e o virou de forma de que ficasse de frente a ela.

Ele apenas assentiu cabisbaixo. Não conseguiria dizer nada, um sentimento desconhecido havia inundado seu corpo, e Sasuke não sabia se ele provinha do medo de ter sido descoberto espiando por sua mãe ou advinha da discussão entre seu pai e seu irmão, pois nunca os tinha visto discutir.

Notando a preocupação no rosto de Sasuke, sua mãe logo procurou acalmá-lo.

– Não se preocupe querido! Olhe para mim- ordenou sua mãe. Sasuke olhou para o rosto sereno de sua mãe ao qual lhe transmitiu a tranquilidade que precisava.

– Tudo ficará bem! – Sua mãe sorriu – Acredito em mim filho.

Sasuke assentiu e se dirigiu em direção ao seu quarto, onde se permitiu sonhar pela última vez.

16 anos depois

– Muito bem Sasuke! Espero seu relatório desta missão até amanhã. — disse Sarutobi Hiruzen, o Hokage.

– Sim Hokage. – respondeu Sasuke automaticamente.

– Pode ir- disse o Hokage apontando a mão em direção à porta. Sasuke já estava se retirando da sala quando interrompeu seus passos quando ouviu o chamado do Hokage.

– Sasuke, me desculpe, mas devido a minha idade estou me esquecendo das coisas! Tenho outra missão para você.

Sasuke apenas ergueu a sobrancelha, gesto ao qual o Hokage interpretou como sinal de assentimento para continuar a conversa.

– Tsunade, uma de minhas antigas pupilas me pediu um favor. Bom, ela quer uma matéria sobre o ponto de vista de ninja, contando algo como seus hábitos e rotinas. De modo que... Você terá que ceder uma entrevista para uma de suas jornalistas para que ela possa escrever a matéria.

“Entrevista?!” pensou Sasuke. Observando uma expressão confusa no rosto do Uchiha, Sarutobi resolveu “clarear” um pouco mais as coisas.

– Tsunade era uma ótima ninja, mas depois de um tempo ela resolveu largar tudo e seguir na carreira jornalística. De fato, ela não esconde o orgulho que tem de ter sido uma de nós e visto que esse mês a vila fará uma homenagem aos ninjas, ela quer um depoimento real de como é a vida de um ninja...

– Hokage, você não acha que... — interrompeu Sasuke.

–... As glórias e derrotas, obviamente sem floreios e rosas. — continuou o Hokage sem dar atenção a interrupção do Uchiha. — Assim necessito de alguém capacitado, que tenha cumprido muitas missões e tem conhecimento da rotina e o treinamento de um ninja. Você é o líder do esquadrão ANBU, além disso, vem de um clã de muita importância para nossa vila. Acredito que está bem qualificado para tal missão e não vejo o porquê, você poderia dispensá-la. O Hokage finalizou seu discurso e deu um olhar a Sasuke que expressava “não discuta comigo!”.

– É claro Hokage — resmungou Sasuke.

– Pegue este envelope aqui na minha, nele contém as informações da pessoa que irá lhe entrevistar.

Dando-se por vencido, Sasuke pegou rapidamente o envelope e andou novamente em direção à porta não sem antes ouvir o Hokage dizer.

–Aguardo ansiosamente a sua entrevista na próxima edição do jornal!

O Hokage por sua vez escutou aquele murmúrio conhecido do Uchiha, mas sabia que para os nãos leigos da linguagem Uchiha Sasuke, aquele “Hn” significava “nem fodendo!”

XxXxXxX

O hokage poderia ter lhe dado qualquer incumbência, menos essa “missão-entrevista”. Sasuke era considerado como frio, rude e orgulhoso. No entanto, por ser uma pessoa retraída, sistemática e introspectiva, muitos o viam dessa forma, frio, rude e orgulhoso. E por ter tal personalidade, entrevistas sempre lhe provocavam um certo desconforto.

Sim, ele já havia “concedido” algumas!

No Colégio, as garotas o procuravam perguntando a respeito de seus gostos culinários, cores favoritas, qual tipo de cabelo ele achava mais belo e entre outras coisas que o deixavam irritado. “Qual a importância de saber minha cor favorita?”, pensava Sasuke. Para ele, tais perguntas eram inúteis quando se tinha um longo dia de treinamento para melhorar suas habilidades ninja.

Talvez essa seja um motivo tolo para que Sasuke odeie entrevistas, mas foi um dos fatores que contribuíram isso. Afinal, todos os dias ter garotas lhe fazendo tais “perguntas” contribuiu para deixá-lo cada vez mais introspectivo. Entretanto, o fator determinante para tal ódio, foi a mais dolorosa de todas as entrevistas, um interrogatório no qual os ninjas da ANBU vieram lhe fazer a respeito da noite em que sua família havia sido destruída. Ele tinha apenas oito anos, mas se lembrava como se fosse ontem de todos os detalhes que ocorrem.

De repente, ele se encontrava diante homens desconhecidos que lhe questionavam sobre algo que lhe partia o coração. Naquele momento, ele teve uma leve nostalgia das perguntas a respeito de seu doce preferido, pois, era muito mais fácil responder a essa pergunta tola do que ficar relembrando momentos infelizes. Logo depois daquele acontecimento, ele percebeu que as pessoas olhavam-no diferente, algumas procuravam confortá-lo, algumas questioná-lo. Para todas elas, Sasuke se manteve silencioso e distante, porque, mesmo para os motivos mais altruístas sempre surgiam perguntas que ele não respondia. Não por desconhecer a resposta, mas porque as lembranças ainda doíam.

Assim...

Nenhuma pergunta, nenhum questionamento, nenhuma entrevista.

Preciso de um plano!

Ele precisa se livrar desta entrevista, pois tinha certeza que no momento em que essa jornalista pesquisasse sobre ele, os fantasmas de seu passado ressurgiriam e ele ainda não estava pronto para enfrentá-los.

– Ei teme! – só uma pessoa chamava Sasuke assim — Vamos ao Ichiraku Ramen acabei de chegar de uma missão e estou morto de fome e nada melhor do que um ramen.

Sasuke se virou e viu um garoto loiro e de olhos azuis a sua frente. Eles tinham quase a mesma altura, personalidades diferentes, mas tinham alguns objetivos em comum. Uzumaki Naruto era o melhor amigo de Sasuke e às vezes era uma “pedra no seu sapato”. A primeira resposta que veio a mente de Sasuke foi uma recusa, mas olhando para o rosto ansioso de Naruto, ele resolveu aceitar. Tal ação não foi resultado do “rosto ansioso” e muito sorriso menos do enorme sorriso que Naruto estampava em seu rosto, Sasuke tinha um plano.

– Então vamos Dobe. – respondeu Sasuke. Num primeiro momento, Naruto ficou desconfiado da facilidade com que Sasuke aceitou seu convite, mas resolver pensar que alguns “milagres” aconteciam.

Assim que chegaram ao Ichiraku Ramen, Naruto se apressou em fazer seu pedido, enquanto isso, Sasuke apenas esperava o momento certo para começar a operação “me livrar da entrevista”.

–Naruto, você quer ficar famoso? – perguntou Sasuke despreocupadamente.

– Nani? — um Naruto confuso indagou.

– Hn... – Uma vez idiota, sem idiota. Parece que terei que soletrar! Pensou Sasuke – Você quer ficar famoso? Aparecer em revistas e jornais? – Naruto adora chamar atenção, logo irá aceitar essa maldita entrevista sem pensar. Vendo os olhos de Naruto brilharem, Sasuke decidiu prosseguir – Dar entrevistas? Bom, essa é sua oportunidade! Fui designado para conceder uma entrevista, porém terei que recusar. Aceite fazer essa entrevista no meu lugar e logo, logo além de ficar famoso você pode estar próximo de realizar seu sonho de se tornar um Hokage.

– É verdade! A vila inteira me reconheceria – disse Naruto entusiasmado. – Mas, espere um pouco Dobe! Porque você não faz a entrevista? É uma armadilha não?

–É que eu... Tenho um compromisso – corou Sasuke. Ele não podia contar ao seu amigo que ficava “tímido” diante de algumas perguntas, pois, Naruto era conhecido por zoar tudo e todos, e no momento Sasuke não estava a fim de virar alvo de piadas.

– Sei...

– Eu não estou mentindo!- afirmou Sasuke- Apenas não posso cancelar!

– Está bem, entendi tudo! É uma garota! Aposto só de olhar para essa “cara” vermelha sua! – disse rindo Naruto. – Pode deixar com o Grande Uzumaki Naruto!

Sasuke permaneceu calado e deixou Naruto tomar aquilo como um assentimento. O que interessava ao Uchiha naquele instante era fazer com que Naruto aceitasse conceder a entrevista.

–Então, aqui estão alguns dados da jornalista, o endereço e o horário aonde você irá se encontrar com ela. – Sasuke entregou a Naruto o mesmo envelope que o Hokage havia lhe dado mais cedo.

Naruto empurrou sua tigela de ramen que nesse momento estava vazia, para abrir o envelope e ler os documentos. A primeira folha que retirou continha as informações sobre a jornalista e Naruto não precisou ler nenhum dos dados listados para saber quem era a repórter, pois somente ao olhar a foto dela foi capaz de identificá-la. Sua melhor amiga, HarunoSakura. Ao fazer esta constatação, guardou a folha no envelope e devolveu este rapidamente a Sasuke que ficou confuso com sua ação.

– Você vai precisar dessas informações dobe! – disse Sasuke irritado.

– Não irei precisar!- murmurou Naruto.- Porque eu não posso fazer essa entrevista!

– Naruto, você aceitou! – resmungou Sasuke.

– Eu sei, mas é que... A jornalista é a Sakura. — notando que não tinha sido claro, Naruto resolver contar toda a história que lhe impedia de “tomar o lugar” do Uchiha. — Você deve se lembrar daquela vez que eu disse que estaria em um encontro. Bom, na verdade era para ajudar minha amiga que é jornalista em uma pesquisa. Ela ia escrever uma matéria sobre comidas típicas da nossa região. A amiga em questão é a Sakura, a mesma que lhe entrevistará.

– Se você a conhece irá ser até melhor. – disse Sasuke, não entendendo o porquê da negativa de Naruto.

– Eu ainda não acabei a história! E o problema não é por conhecê-la, mas sim por causa dessa pesquisa que fiz com ela. Eu até cheguei a responder algumas perguntas, depois eu achei que era melhor comer alguns sabores diferentes de ramén para descrevê-los com mais clareza. Assim eu convenci a Sakura a provar juntamente comigo 50 sabores diferentes. No começo, ela tinha se negado, mas eu fiz chantagem com ela, dizendo que não iria ajudá-la se ela não fosse provar os ramens comigo. Só não imaginava que ela iria ficar doente e com muita dor de barriga. Depois disso, ela me ligou me insultando e disse que não queria falar comigo por um bom tempo.

Atônito, Sasuke ouviu o relato de Naruto que começou a ficar depressivo ao se lembrar do acontecimento e como Sakura tinha ficado irritada e magoada com ele.

– Até hoje, ainda não vi a matéria sobre o ramén. Eu tenho certeza que ela não vai querer que seja eu o ninja que ela deverá entrevistar. — Notando o clima “denso” que havia se instalado, Naruto se levantou de seu banco, e se retirou cabisbaixo do Ichiraku Ramen, deixando o Uchiha sozinho e perdido em seus pensamentos.

–Ei! Amigo! -– disse uma voz desconhecida ao lado de Sasuke que saiu de seu devaneio que por fim, notou a saída de Naruto, deixando assim suas esperanças se esvaírem por inteiro.

–Ei!- Sasuke se virou para o desconhecido que tentava chamar sua atenção. As roupas dele pareciam que não eram lavadas há muito tempo, ele tinha uma longa barba e exalava um cheiro de álcool que ajudava a camuflar o fedor que vinha de seu corpo. – Tem um trocado para me dar?

Sasuke suspirou, já suspeitava qual era o objetivo daquele homem. Quando ia retirar algumas moedas para dar a ele, observou que o homem tinha sentado no mesmo banco onde Naruto a pouco estava. Ele lhe deu um olhar complacente como já soubesse de seu calvário, isso incomodou Sasuke que tratou de entregar as moedas a fim de que pudesse ser pensar em algum novo plano.

– Valeu amigo! – agradeceu o homem que ao contrário que pensava Sasuke, ao invés de ir embora ele permaneceu sentado.

–Eu só tento essas moedas para lhe dar. — disse rudemente Sasuke – Já pode ir!

– Ei calma! Só estava aqui pensando se podia ajudar a resolver seus problemas, amigo.

– Problemas? – perguntou Sasuke

– Sim – sussurrou o homem que repentinamente começou a olhar para os lados como se estivesse com medo de que alguém pudesse os ouvir. – Na verdade, tenho um dom.

–Hn- Putz, mais essa! Pensou Sasuke.