Pretending
14 Preparação e Cachinhos Dourados
Notas iniciais
Lest acordou com as insistentes batidas na porta.
As pálpebras estavam pesadas, mal conseguia abrir os olhos. Esfregou uma das mãos no rosto e olhou pra cima, criando coragem.
– Lest! Sou eu, Jewel. Posso entrar?
Merda.
Não, ela não podia entrar, ou veria Kill dormindo no chão ao invés de dividindo a cama com ela como ele, teoricamente, deveria estar.
– Só um minuto! — Disse. Então pegou um travesseiro e arremessou em Kill, que acordou assustado. — Killian! — Sussurrou. — Acorda!
Ele a encarava de sobrancelhas franzidas, como se ainda tentasse entender onde estava e quem era ela. Celeste bufou.
– Sobe aqui,agora! — Sussurrou mais uma vez.
– Que? — Disse ele, no mesmo tom.
– Só obedeça!
– Lest, tudo bem aí dentro? — Perguntou Jew.
– Tudo ótimo, só me de mais um segundinho — Respondeu, enquanto Kill deitava na cama ao seu lado e, com a ajuda da amiga, enfiava o colchão inflável debaixo da cama e cobria as almofadas com o cobertor. — Pronto, pode entrar!
A noiva pôs a cabeça pra dentro, sorrindo maliciosamente.
– Bom dia pombinhos! Já vi que a noite foi boa...
Lest sentiu-se corar.
– Bom dia... — Respondeu Kill.
– Não é o que está pensan...- Tentou Celeste.
– Poupe-me das suas explicações, Lest — Ela riu — Vim aqui requisitá-la pra ajudar nos preparativos do coquetel.
– Que?! 8 da manhã?! Achei que alguém tinha morrido!
– Você vai se não aparecer lá em baixo em 20 minutos! Um dos males de ser madrinha, boba.
– Cara, odeio esse cargo. Só faço por que é pra você.
– Também te amo. 20 minutos. Estamos só esperando você. Kill, nem tente segurá-la na cama.
– Aaaaaaaah, poxa, Jew... — Ok, aparentemente agora ele estava bem acordado. Lest, meio que por reflexo, jogou um travesseiro em sua cara. Jewel riu e fechou a porta. — Também te amo.
– Idiota.
– Ei, por que com a Jewel funciona e comigo não?
Lest apenas revirou os olhos, levantou-se da cama ainda morrendo de sono e foi até o banheiro. Tomou um banho rápido e arrumou-se o mais depressa que conseguiu, descendo em cerca de 23 minutos.
– 3 minutos atrasada — Constatou Jewel — Acho que tenho permissão pra te matar agora...
– Fique nessa que volto pra dormir — Disse Lest, ainda com sono.
Jew riu e explicou suas tarefas: Organizar os copos, instruir os garçons, estender toalhas de mesa... Essas coisas. O resto das madrinhas fazia o mesmo. Ajudaram com os preparativos até as 10:30, já que o evento estava marcado para as 11.
Quando chegou ao quarto, Lest deparou-se com Kill praticamente pronto, pondo a gravata.
– Já? — Perguntou ela, se aproximando.
– É, ontem você me disse que começava ás 11 e sabia que ia subir pra se arrumar correndo — Respondeu.
– É por essas e outras que eu sei que não podia ter escolhido melhor falso namorado — Ela sorriu — Posso?
Ele fez que sim e ela começou a dar o nó em sua gravata.
– Pelo visto seu humor melhorou — Ele sorriu.
– Eu fico muito mal-humorada quando acordo.
– E você fala isso pra mim, Lest? Como se eu não soubesse...
Foi a vez dela sorrir novamente.
– Pronto — Disse, soltando a grava e passando uma suas mãos sobre o terno do amigo — Tá até parecendo gente.
– Vou levar como um elogio. Ei, quer que te espere ou devo ir descendo?
– Pode ir, ainda vou demorar um pouco. E é bom que você faz companhia aos caras que forem ficando prontos. Mas obrigada.
– Nada — Ele deu de ombros — Você quem manda — E saiu do quarto.
Ao chegar lá em baixo, encontrou Ward sentado num dos sofás. Puxou um assunto qualquer sobre futebol e, depois de cerca de 15 minutos batendo papo, Kill foi direto ao ponto.
– Ward, já que esse assunto parece incomodar a você muito menos que a ela... O que há entre você e a Lizzie?
– Como assim "o que há entre" a gente?
– Vocês vivem brigando, certo, isso é bem perceptível. Mas... Por que?
– Ela me odeia — Disse ele, dando de ombro.
– Hm... Essa meio que foi a justificativa que ela me deu, na verdade. Só que com um "ele" iniciando a frase.
Ward deu um meio sorriso.
– Engraçado ela achar que eu comecei tudo, sempre.
– Como assim?
– É complicado.
– Ela me disse que você ficava zoando-a quando ela era pequena.
Ele balançou a cabeça negativamente, como se tentasse não rir.
– É, no dia em que a conheci, fiz uma brincadeira idiota sobre o cabelo dela. Por que? Porque tinha onze anos e, quando olhei pra ela, tive certeza de que era a garota mais bonita que já tinha visto. – Ele deu de ombros – Coisa de criança. Tentei ser engraçado, mas ela ficou irritada. Eu não sabia o que fazer. Pedi desculpas da primeira vez, mas isso deixou ela bem chateada. Não falou comigo o resto do dia. Então, achei que era melhor que ela me achasse um chato do que fingisse que não existo.
– Espera. Está me dizendo que brigam até hoje por que tinha uma queda por ela quando era criança?
– Basicamente. Eu não a odeio nem nada, mas já virou um hábito perturbá-la. Além do que, hoje em dia, minha presença por si só a deixa irritada, então não importa muito o que eu faço.
– E por que você não simplesmente diz pra ela o que queria dizer, anos atrás?
– Cara, não sou mais aquele garotinho de onze anos. Sei chegar numa mulher quando quero.
– Aah. Acho que achou alguma mais bonita, então. – Kill brincou. Ward deu uma meia risada.
– Mais bonita que aquela menininha ruiva? Com certeza. Mas mais bonita que a atual Lizzie? Difícil de encontrar. Falando sério, independentemente da minha relação de ódio com ela, não da pra negar que ela é uma gata.
– É, ela é bem bonita.
– Ah, foi mal. Esqueci que você namora a Lest.
– Não deixo de achar garotas bonitas por causa disso – Ele deu de ombros – Só não entendo por que não chega na Lizzie se a acha tudo isso...
– Talvez por que ela me odeie? Não queira aturar a zoação da família? Os zilhões de “eu avisei” que vão vir da sua namorada e da Jew?
– Não vale a pena tentar?
– Mesmo que valesse, e não estou dizendo que vale, não vejo como. As poucas conversas civilizadas que tivemos, acabei estragando por besteira. Ela é linda, mas essa história já deu merda demais pra consertar.
– Se você diz – Kill eu de ombros – Ainda acho que devia tentar. Se quiser minha ajuda, estou a disposição. – Completou, começando a se levantar. Ward, porém, estendeu uma das mãos e o impediu.
– Certo, cachinhos dourados, qual é o seu plano?
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