Pretending
15 Coquetel e Dança
Notas iniciais
Ao chegar na sala, já arrumada, Celeste viu que Killian conversava com Ward, ambos sentados no sofá. Se aproximou, lentamente.
– Oi, garotos — ela sorriu. Ward pareceu assustar-se.
Ligeiramente vermelho, ele forçou um sorriso.
– Ah, oi Lest. Por que não disse que o Kill toca violão? — Perguntou, rápido demais na opinião de Celeste. A morena deu de ombros.
– Deveria? — Devolveu a pergunta, erguendo uma sobrancelha.
– Claro, temos um aí caso ele queira tocar.
– Hm. Certo. Ouviu isso, né, Kill?
– Pode apostar. — Respondeu o loiro.
– Acho até que vou querer umas aulas — Disse Ward, agora menos tenso. Então levantou-se — Vou pegar uma bebida. Alguém quer?
– Ainda não, obrigada — Disse Lest. Kill também recusou e agradeceu, virando-se para a falsa namorada em seguida.
– Você está linda, Lest.
– Obrigada, loiro — Ela sorriu. Vestia um lindo vestidinho nude-rosé, gola fechada, sem mangas. Blusa solta, de tecido liso, se avolumando sobre a saia justa de renda acima dos joelhos.
Kill nem sabia dizer se aquilo era um vestido ou uma blusa e uma saia. Só sabia que ela estava deslumbrante. Ele levantou-se e ofereceu-lhe o braço, ao qual ela aceitou, sorrindo de lado. Caminharam até uma das mesas no canto e se sentaram.
As pessoas não demoraram a chegar e a música que tocava deixava o ambiente ainda mais agradável. Parentes e mais parentes distantes que Lest nem lembrava que existiam, amigos dos noivos, a família de Thorn... Em resumo, bastante gente. Lizzie estava na mesma mesa que ela, junto com Maybelle e a mãe da própria Lizzie, Martha, que havia chegado há pouco, e mais alguns outros membros da família, além do Kill. Todos conversavam animadamente sobre assuntos aleatórios, quando Jewel aproximou-se da mesa, acompanhada de uma morena alta.
– Gente, essa é a irmã do Thorn, Adele. A que mora fora. — Ela sorriu. — Ade, essas são minhas primas, Lest e Lizzie, minha tias...
Jewel continuava falando, enquanto Adele cumprimentava cada um dos presentes. Quando havia falado com todo mundo, a morena chamou.
– Dy, vem cá! — Todos esperaram, até que um garotinho loiro surgiu correndo em direção a Adele. Lest arregalou os olhos. — Gente, esse é meu filho, Dylan!
Celeste encarou Kill, que parecia tão surpreso quanto ela. Dylan? AQUELE Dylan do aviao??? Que deabos ele estava fazendo alí? Lest não lembrava de ele ter mencionado merda de casamento nenhum. Porra!
Killian não perdeu tempo. Ajoelhou-se ao lado do menino e estendeu a mão em sua direção.
– Opa, prazer, Dylan. Me chamo Killian, mas pode me chamar de Kill. Quantos anos você tem?
Dylan sorriu, cínico.
– Oito. Aquela é a sua namorada? — Ele apontou pra Lest.
– É sim — Respondeu Kill, sorrindo. — Garoto esperto.
Ele deu de ombros.
– Gosto de pensar que sim. Tem coca-cola?
Todos na mesa riram com a pergunta.
– Tem sim, carinha. Vem comigo que consigo um copo pra você. Se a sua mãe permitir, claro.
– Sem problemas — Adele sorriu, encantada com o cuidado de Killian para com seu filho.
– Vou também — Anunciou Lest, levantando-se.
Quando afastaram-se um pouco da mesa, Dylan parou de andar, ficando de frente para os dois.
– Certo, número um: eu realmente quero uma coca. Número dois: não, eu não vou entregar vocês. Mas as caras de pânico dos dois foram muito engraçadas!
Por que não me disse que ia pra um casamento, Dylan?? — Perguntou Lest.
– Ué, você também não falou nada sobre casamento nenhum. E isso aqui é um almoço, não um casamento.
– Coquetel. — Ela corrigiu o pequeno, que deu de ombros.
– Tanto faz.
– Mas o seu tio vai casar!
– Eu sei, ué! Eu falei a verdade no avião: Fomos até a Nova Zelândia encontrar com meu pai, depois viemos pra cá. Mas eu não tinha idéia de que vocês iam estar aqui! De onde você conhece o Tio Thorn?
– Eu sou prima da noiva, na verdade.
– Ah, você é madrinha? Deve ser um saco.
– Certo, pra não haver nenhum tipo de desconfiança aqui, você só conheceu a gente agora, certo, Dylan? — Interveio Kill.
– Ta — O loirinho deu de ombros — Mas vocês ainda não estão namorando de verdade? Caramba, vocês são muito lerdos, viu?
– Somos só amigos! — Disse Lest, irritada.
– Olha, todo mundo que ta nesse "coquetel" discorda dessa afirmação. — Devolveu Dylan. — E ainda quero minha coca.
Killian parou um dos garçons que passava por eles e pegou um copo de coca-cola, entregando-o ao loirinho em seguida.
– Valeu. E podem sossegar, não vou mesmo contar pra ninguém. Prometo. Posso ir brincar agora?
– Á vontade — Disse Kill. Dylan acenou com a mão que não segurava o copo e saiu correndo. Lest passou a mão nos cabelos castanhos e Kill a envolveu com um dos braços.
– Relaxa, ta tudo sob controle.
– Cara, que azar filho da mãe. É obviamente um sinal de que eu NUNCA devia ter concordado com isso.
– Certo, agora já é meio tarde pra desistir, concorda?
– É, né.
– Então! Tenta curtir a festa e esquecer essa história, ta? Não vão nos descobrir, fica tranquila. — Ele beijou-lhe a testa — Olha só como parecemos um casal.
Ela sorriu e segurou a mão dele.
– Ta, tudo bem. Vamos voltar pra mesa.
Seguiram de volta e sentaram-se. Não demorou para que o almoço fosse servido, e, depois dele, as pessoas começaram a beber mais do que o planejado. Kill prestava atenção a todos ao seu redor. Seu poder de observação era incrível — não era a toa que quase fizera psicologia. Conseguia ver que um casal havia brigado por conta do comprimento do vestido da mulher, por exemplo. E que um dos melhores amigos de Thorn estava bebendo de maneira absurdamente exagera para esquecer uma mulher qualquer. E também que Arwin não parava de rondar a mesa deles e — pior ainda — não tirava os olhos de Celeste.
Apesar disso, o dia acabou passando rápido. Quando se deram conta, o sol já havia dado lugar a linda lua cheia daquela noite. O deque da piscina havia virado praticamente uma pista de dança: vários casais e até mesmo solteiros e bêbados dançavam ao redor da piscina. Kill ainda achava que alguém ia acabar caindo na água, mas nada disse: apenas observava, se divertindo com aquilo tudo. Viu, então, Ward se aproximar da mesa deles.
– E aí cara — Ele deu dois tapinhas no ombro do loiro. Kill sorriu.
– E aí, curtindo muito?
– Mais ou menos — Ele sorriu de lado. "How deep is your love" começou a tocar alto, e o deque se resumiu em segundos a casais dançando lentamente. Então ele virou-se em direção a Lizzie, a qual terminava mais uma taça de champanhe. Kill desconfiava que ela tivesse exagerado um pouco no número de taças, mas nada muito perceptível. Finalmente, Ward perguntou se a ruiva queria dançar.
Todos que estavam na mesa naquele momento — no caso, Lizzie, Celeste, Maybelle, Donald e Charlie (um dos primos de terceiro grau), além de Killian, voltaram os olhares para o moreno, mas ele não pareceu ligar muito. Manteve o olhar fixo na Liz.
– Está falando comigo? — Perguntou ela.
– É — Ele deu de ombros. Lizzie apertou os olhos.
– Certo, quanto você bebeu, Ward?
– Na verdade, só provei o champanhe. Não tomei nem meia taça.
– Então está me dizendo que não está bêbado.
– Não estou — Ele garantiu.
– Tá, isso é algum tipo de pegadinha?
– É só uma dança, pelo amor de Deus. — Ele estendeu a mão direita — Não vai te matar, vai? Estou tentado dar uma trégua pro casamento.
Ela o encarou, seriamente desconfiada.
– Se isso for uma pegadinha idiota...
– Certo, se for, pode ficar com meu carro, satisfeita? Mas, agora que sabe que é serio, pode reconsiderar minha oferta?
Ela revirou os olhos, mas cedeu.
Kill decidiu observá-los de longe. Caminharam juntos até o deque e, ao chegarem, pararam de frente um pro outro. Ele estendeu um dos braços, da maneira mais formal possível, e deu um passo na direção dela, pousando a mão direita na sua cintura. A ruiva franziu a testa, mas levou sua mão direita de encontro a esquerda dele e apoiou a restante em seu ombro. Então começou a dar risada.
Ele perguntou alguma coisa a ela, que a fez controlar um pouco mais o riso, mas ela ainda via graça em algo daquilo. Ele tornou a falar algo, que dessa vez fez a ruiva encará-lo com uma expressão surpresa no rosto. Ele riu e balançou a cabeça em negativa, olhando pra baixo. Liz finalmente disse alguma coisa, ao que ele respondeu. Killian estava morto de curiosidade pra saber do que se tratava, e percebeu que Lest também os observava.
– Quer dançar? — Sugeriu ele, sorrindo. Ela entendeu o recado e fez que sim com a cabeça. No caminho, perguntou ao loiro em baixo tom de voz:
– Que tipo de mágica você fez? O que disse pra ele?
– Do que está falando? — Perguntou de volta, pegando a mão da morena e puxando-a pra perto de si.
– Do Ward, é claro! Tento fazê-lo tomar uma atitude há anos e nunca consegui nada. Como você...
– Acha que é minha culpa
– Tenho certeza. O que vocês conversaram?
– Nada de mais. — Ele a girou e começou a conduzi-la — Mas não acho que você tenha que se preocupar muito. Eles provavelmente vão se resolver.
– Por que tem tanta certeza?
– Não é óbvio? Olhe pra eles.
Ambos olharam. Ward e Lizzie riam e conversavam enquanto dançavam. Pareciam estar se divertindo bastante, na opinião de Kill. Já ao final da música, o moreno disse alguma coisa que fez Liz encará-lo. Ela sorria de maneira quase imperceptível, e lhe disse algo que, Kill tinha certeza, era uma espécie de provocação. Ward a encarou e lhe deu uma resposta curta, ao que ela rebateu com apenas uma palavra, igualmente pequena. Eles estavam bem perto, Killian observou. A ruiva mordeu o lábio inferior, ambos se encarando sem dizer nada. Então a música acabou.
Lizzie aproximou ainda mais seu rosto de Ward e, depois de dizer alguma coisa, deu meia volta de maneira dramática, jogando os longos cabelos ruivos na cara do moreno. Ward, porém, foi rápido e a puxou de volta, pela cintura. Sussurrou algo no ouvido dela, que a fez arregalar os olhos. Então a música seguinte, "All of me", começou e ele a puxou ainda mais perto dessa vez, sem dá-la a mínima chance de fugir.
– Que inferno está acontecendo com aqueles dois? — Lest perguntou, franzindo a testa.
– Não faço a menor ideia — O loiro deu de ombros — Mas aparentemente não é ruim. Já está cansada de dançar?
– Claro que não — Ela deu de ombros — Mas se quiser parar, tudo bem.
– Eu não. É até melhor que espanta os olhares alheios pra cima da minha falsa namorada — Ele disse, baixo. Lest riu.
– Como se alguém estivesse mesmo olhando pra mim, né. – Ironizou.
– Ah, que bom que você não acredita. Quer dizer que não está pensando em me trocar por ninguém.
– Não acho que qualquer outro cara fosse topar fingir ser meu namorado, mas tá. – Ela deu uma risadinha fofa.
– Eu aposto que sim. Acho que você não tem mesmo idéia do quão bonita é. — Ela corou ao ouvir aquilo, o que o fez rir – Ah não, não fica vermelha, Lest. Eu sou seu namorado, não pode corar só porque eu disse que é linda.
– É involuntário! – Ela protestou – Acredite, se eu pudesse, não ficaria vermelha nunca. Já deviam ter inventado alguma coisa pra controlar isso. Estamos em pleno século XXI e as pessoas ainda apontam pra cara uma das outras e dizem “olha, ela tá toda vermelha, ta com vergonha”! Isso é uma merda!
– Bom, estamos em pleno século XXI e as pessoas ainda estão longe de descobrirem uma maneira de não se apaixonar.
– Mas se apaixonar não é uma coisa totalmente ruim.
– Quando não correspondido, é sim. Ou quando se tem muito a arriscar.
– Como assim?
– Tipo o Ward e a Lizzie. Eles teriam que passar por cima não só do próprio orgulho, mas ainda teriam que aturar todo mundo enchendo o saco. Não vai ser fácil. Se eles pudessem escolher, garanto que não iam querer estar apaixonados. Ou, sei lá, algo pior. Tipo famílias inimigas, tribos diferentes, melhores amigos...
– Está comparando questões absurdamente complexas a quando dois melhores amigos começam a se gostar?
– Ué, acha que é fácil? Simplesmente arriscar tudo quando se pode apenas estar confundindo as coisas?
– E se a pessoa tiver certeza?
– Mesmo quando se tem certeza – Ele olhava-a diretamente nos olhos – Não é tão fácil assim. Nunca da pra saber se o outro também quer ou está só sendo amigável, como sempre. Essas coisas sempre são complicadas.
– São, mas a gente também complica muito as coisas.
– “A gente”?
– É. As pessoas no geral.
– Hm – Ele, de repente, apoiou a cabeça no pescoço da amiga e afundou o rosto em seu pescoço. Sua respiração quente fez Celeste arrepiar-se. – Não posso discordar – Ele sussurrou.
Celeste, na verdade, podia começar a confirmar aquilo, principalmente a partir do momento que desejou que aquela dança não acabasse nunca...
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