Pretérito Imperfeito

14 Capitulo Quatroze


Notas iniciais
Boa leitura!

Capitulo quatorze.

Renda-se como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” – Clarice Lispector.

~♥~♥~♥~

Ino pov’s.

Eu estava terminando de fazer o almoço, Gaara tinha ido tomar banho e guardar as coisas que eu tinha achado por ai na arrumação da casa.

E eu pensava enquanto fazia a comida: até quando terei que ficar na casa do Gaara?

Não que eu achasse ruim, claro que não. Morar com um ruivo desse não é nenhum sacrifício para mim, mas sabe, tenho minhas coisas em casa.

Não tivemos noticias nenhumas sobre a explosão da faculdade, a policia acha que foi causada por um vazamento de gás da cantina.

Mas eu sei que é mentira.

Um misero vazamento de gás não seria potente o bastante para explodir um campus daquele tamanho. Talvez um prédio ou dois, mas não o campus todo.

Gaara sabia o que estava acontecendo e não queria falar, eu estava pensando seriamente em coloca-lo contra a parede e o fazer desembuchar tudo o que sabe.

Porém, ele é delegado. Deve ser especialista em interrogatórios e se livraria facilmente do meu.

– Estou falando com você, Ino.

Olhei para trás, vendo Gaara sentado em uma cadeira e apoiado na mesa de madeira.

– O que disse? – Perguntei, virando para o fogão novamente.

– Que poderá voltar para sua casa amanha se quiser. Meus homens estão de vigia lá, apenas verificando se Fugaku não aparece.

Me virei para ele.

– Se eu quiser? Não te incomoda ter alguém invadindo seu espaço? – Perguntei.

Normalmente, as pessoas falariam “pode ir amanha” e não “se quiser”. Ficou como se ele não quisesse que eu fosse embora.

Ele desviou o olhar e deu de ombros.

– Eu quase nunca venho para casa, fico sempre na delegacia, afinal, nunca tive ninguém para me esperar voltar. Ontem à noite e hoje de manha quando tive que sair, eu lembrei que você estava aqui me esperando. Pela primeira vez, senti como se fosse importante para alguém.

Fiquei em silencio.

Eu sabia que a vida de Gaara devia ser solitária pelo fato de ser órfão desde pequeno, mas não sabia que ele se sentia assim.

Ele suspirou.

– Desculpe, não ligue para minhas palavras, é só que...

– Eu gostaria de ficar. – O interrompi, o fazendo olhar para mim. – Se não for te atrapalhar, claro.

Eu não queria que ele se sentisse solitário mais.

– Não precisa ficar só por causa do que eu disse.

Sorri.

– Não é pelo que você disse. Eu gostei daqui, me faz sentir segura. E também, estou sozinha sem a Sakura por lá. Sua companhia é agradável, então, eu não me importo em ficar mais tempo aqui com você.

Ele ficou um tempo sem silencio e depois assentiu.

Sorri e peguei uma faca grande, me sentando de frente para ele e prendendo a faca na mesa de madeira, sem me importar se estava estragando o móvel ou não.

– Ótimo, agora nós vamos ter uma conversinha. – Falei séria.

Ele olhou para a faca e depois para mim, arqueando uma sobrancelha. Ao ver meu rosto sério, ele ficou tenso, a postura mais rígida e eu vi que eu não estava mais falando com Sabaku No Gaara e sim com o Delegado Sabaku.

– Se pretende me interrogar, sabia que está fazendo da maneira errada e perdendo seu tempo. – Ele falou em um tom sério e profissional.

– Porque da maneira errada? – Perguntei, ignorando o “perdendo seu tempo”.

Ele sorriu, levemente sádico e tocou na ponta da faca.

– Eu sei que você não teria coragem o suficiente para me torturar, então eu posso muito bem usar essa faca contra você.

E foi ai que eu percebi que Gaara é especialista em interrogatórios, assim como eu imaginava.

Peguei a faca da mesa, a mantendo comigo enquanto o sorriso sádico dele aumentava aos poucos.

– Não adianta ficar com ela, Ino. Eu não vou te falar absolutamente nada.

Arqueei uma sobrancelha.

– E você sabe sobre o que eu quero saber? – Perguntei.

Ele se encostou na cadeira.

– Não, mas sei que é algo que a policia está envolvida, senão, não estaria tentando me interrogar.

Semicerrei os olhos e franzi os lábios, pensando.

Como vou fazer ele falar?

– Porque eu perderia meu tempo te interrogando? – Perguntei.

Ele deu de ombros.

– Fui treinado para não abrir a boca nem mesmo na pior das torturas. Não importa o que você faça, eu não vou falar.

– Certo.

Me levantei, levando a faca junto comigo. Fui para o corredor dos quartos, passando direto pelo meu e entrando no de Gaara.

Eu não tinha entrado aqui para limpar, então fiquei surpresa ao ver que o quarto era extremamente organizado.

– Não vai encontrar o que procura aqui. – Ouvi Gaara falar.

Ele estava apoiando na porta, me analisando.

Eu procurava algo que pudesse usar para chantageá-lo, mas parece que ele esconde muito bem seus pecados.

Olhei para ele de cenho franzido.

– Se não me contar o que quero saber, vou perguntar para os seus subordinados. – Falei irritada.

Ele voltou a sorrir sadicamente.

– Va em frente, não vai adiantar nada.

Andei até ele, ficando muito perto. Perto o bastante para sentir aquele cheiro que exalava dele.

– Porque não quer que eu saiba o que houve na faculdade? – Perguntei.

Ele me olhou seriamente.

– Já foi resolvido. Vazamento de gás. – Respondeu.

Sorri e apontei a faca para ele.

– Não me faça rir, Gaara. Vazamento de gás? Por favor! Acha mesmo que uma porcaria de vazamento de gás explodiria uma faculdade daquele tamanho? Admita logo que tinha explosivos lá, que foi uma armadilha para pegar alguém. Alguém que, eu aposto que era a Sakura, mas a pessoa responsável errou o horário e mandou tudo pelos ares antes dela chegar lá. Foi o Fugaku, não é?

Gaara ficou extremamente sério. Segurou minha mão e com a outra, tomou a faca de mim, a colocando cima da cômoda que tinha ali perto.

– Nunca mais aponte uma faca para mim. – Falou friamente. – E pare de se meter no que não é da sua conta. Aquela explosão foi um acidente, ponto final.

– Não é da minha conta? Eu podia ter morrido, Gaara! Alias, nós dois poderíamos ter morrido naquele “acidente”.

– Mas não morremos. Contente-se com isso.

– Sasuke nos chamou na casa dele no dia do acidente para falar disso, não foi? Você já sabia que não foi um acidente antes mesmo da policia analisar o caso.

– Já chega, Ino.

Corei.

Nós nos aproximamos durante a discussão. Se eu apenas inclinasse a cabeça um pouquinho, eu o beijaria.

E, apesar de ser uma pervertida quando se trata de Gaara, eu não estava com vontade de beija-lo agora. Eu queria respostas.

– Tudo bem. Essa sua falta de paciência com esse assunto apenas confirma minhas suspeitas. Foi mesmo uma armadilha para a Sakura, ou seja, obra de Fugaku. – Falei e sorri vencedora ao vê-lo franzir o cenho mais ainda.

– Certo, senhora sabe tudo, agora pare de insistir nisso e vá almoçar antes que esfrie. – Falou friamente.

Vi seu olhar irritado vacilar entre meus lábios e meus olhos e percebi que o Gaara pervertido da outra noite estava presente.

Me inclinei para frente e, consequentemente, meus lábios tocaram nos dele. Quase imediatamente, senti meu corpo contra a porta do quarto e Gaara colado em mim, me prensando.

Arrepiei quando senti sua respiração quente subir pelo meu rosto e soprar no meu ouvido.

– Pare de me provocar. – Sussurrou.

Me encolhi levemente quando o senti mordiscar minha orelha.

– Porque deveria? — Perguntei, passando os braços pelo pescoço dele.

Senti sua respiração no meu pescoço.

– Porque vai me fazer perder o controle.

Sorri e passei a mão pelo cabelo dele, o puxando para mim e grudando em seus lábios. Ele correspondeu ao beijo, o deixando lento, calmo e maravilhoso.

Senti seu braço na minha cintura, me apertando contra ele e suspirei. Logo o ar faltou e ele encerrou o beijo, mas continuou me segurando.

– Eu sinceramente não imaginei que você era uma pervertida quando te salvei pela primeira vez. – Ele disse. – Fica fazendo de tudo para me provocar, uma hora vou acabar cedendo.

Sorri.

– E eu não imaginava que você tinha esse lado pervertido e dominador. Sempre pareceu tão tímido.

Ele corou e eu vi que o Gaara estava de volta ao normal.

– Eu sou tímido. Suas provocações que me fazer virar um cafajeste.

Ele me soltou e sorriu, corado.

– Vai almoçar, vou te levar na sua casa para pegar roupas. – Falou e eu assenti. – Roupas decentes, por favor.

Eu ri com seu tom de suplica e bati continência, saindo do quarto.

Roupas decentes? Espere só para ver, querido delegado.

Porém, mais importante do que fazer Gaara cair em tentação, era avisar Sakura sobre o que eu tinha conseguido descobrir.

Eu não podia nada de ruim acontecer com ela.

~♥~♥~♥~

Sakura pov’s.

Sasuke andava de um lado para outro, eu já estava ficando agoniada com isso, estava quase o mandando quietar a bunda no sofá.

Ele estava impaciente com a demora de Itachi para chegar aqui. ele queria ir ao banco, mas eu não deixei, falei para ele se acalmar primeiro.

Meu celular vibrou e eu vi que era uma mensagem de Ino.

“Oi testuda-chan.

Não diga nada sobre essa mensagem para o seu Sasuke sedução, okay? Então, descobri através do nosso querido delegado gostoso que a explosão da faculdade foi obra de Fugaku, era uma armadilha para você.

Tome cuidado, Sakura. Não quero que se machuque, ok?

Estou com saudades, beijos.

P.S: O delegado tem um beijo do caralho, sim, nos beijamos. Duas vezes. Haha, a vitória é minha”.

Não me surpreendi com o inicio da mensagem, eu já imaginava isso.

Mas eu tive que rir com o final dela. Essa Ino não muda mesmo, não vai ficar satisfeita enquanto o delegado não estiver se arrastando atrás dela.

Ouvi a porta abrir e por ela passar Itachi, Naruto e Hinata.

– Finalmente. – Sasuke falou.

Itachi veio até ele e lhe deu um tapa de leve na cabeça.

– Seu idiota, entendo que tenha ciúmes da Sakura, mas precisava espancar o garoto? – Itachi falou bravo.

Sasuke fez um bico.

– Eu não estou com ciúmes. – Falou irritado.

– Está sim. – Hinata, Naruto e Itachi falaram ao mesmo tempo.

Sasuke bufou.

– Não importa. Você falou com ele?

Itachi assentiu e depois suspirou.

– Aquele abusado era um espião do papai. – Itachi falou. – Ele me contou tudo. Fugaku o comprou. Disse que daria uma vida de lixo cheia de regalias para ele se ele o ajudasse. Ele falsificou sua assinatura de um documento da empresa e foi no banco. Como ele tinha o numero da conta da empresa pelo fato de trabalhar no financeiro, foi fácil para ele transferir o dinheiro.

Sasuke suspirou, passando as mãos pelo cabelo, o bagunçando.

– E agora? – Perguntou.

Itachi deu de ombros.

– Não podemos fazer nada, irmãozinho tolo. Sasori foi detido, provável que seja preso, mas não podemos fazer nada com relação ao dinheiro. Fugaku ganhou essa.

Sasuke assentiu.

Depois de alguns minutos, conversando sobre coisas atoas, os três foram embora, deixando apenas eu e Sasuke na sala.

Sasuke se sentou no sofá e uma duvida passou pela minha cabeça.

– Sasuke, onde Fugaku esteve todos esses anos?

Ele hesitou, mas depois de alguns segundos, respondeu.

– Na cadeia. Preso pelo assassinado da minha mãe e... Outras coisas.

– Outras coisas? – Perguntei curiosa.

– É, outras coisas que não vem ao caso agora. – Falou sério.

Assenti. Ele não ia falar mesmo.

Ele ficou calado, me olhando, enquanto eu encarava um canto qualquer.

– O que tanto olha? – Perguntei incomodada. – Desde a hora que estava fazendo seus curativos que você está me olhando e não fala o que é.

Ele virou a cara.

– Não é nada.

Deitei no sofá e tomei a liberdade de colocar a cabeça em seu colo, o fazendo olhar para mim com uma das sobrancelhas arqueadas.

– Se tem algo te incomodando, me fale. – Falei olhando em seus olhos.

Silencio.

– Você está me incomodando. – Ele disse curto e grosso.

– Eu? E o que eu fiz?

Antes que eu percebesse, ele me puxou e me ajeitou em seu colo, me fazendo ficar sentada sobre ele.

Senti meu rosto corar e quando ia perguntar o que ele estava fazendo, senti sua mão em minha nuca.

– Sim, você está me incomodando.

Ele me puxou e eu fechei os olhos, mas senti meus lábios em minha bochecha. Por um momento, fiquei com raiva por ele ter beijado na minha bochecha e não na boca.

– Porque eu estou te incomodando? – Perguntei.

Os lábios dele escorregaram pela minha bochecha, beijando o canto da minha boca.

– Nunca mais de moral para homens como Sasori. – Sussurrou. – Ou então, matarei todos eles.

Senti a surpresa se apossando de mim, mas antes que eu falasse algo, seus lábios capturaram os meus e eu não pude deixar de correspondê-lo.

Não sei por que, minha mente nublou e a única coisa que eu pensava era em corresponder ao beijo de Sasuke. Um beijo cheio de possessão e desejo.

Com esse beijo, percebi que meu plano de fazer uma farsa sem sentimentos era inútil, não importava o quanto eu não quisesse me apaixonar por Sasuke, o quanto eu não queria ser dele, por que...

Eu já era dele.

Eu já estava apaixonada. Estava apaixonada desde o dia que ele quase me beijou em seu quarto e depois eu fiquei com raiva por quase ter deixado ele me beijar.

O que eu mais temia, aconteceu.

Eu me apaixonei por Sasuke e tinha certeza de que não era correspondida. Afinal, ele mesmo insistira que estava apenas defendendo minha honra ao bater em Sasori.

Mas não importa, eu não o deixaria saber de meus sentimentos. Nunca.

E foi com essa ideia na cabeça, que deixei que ele me beijasse. Deixei que ele me apertasse contra ele, me puxasse mais para ele e tirasse todo o meu ar.

Deixei que ele sorrisse e me beijasse de novo. Deixei que ele me deitasse no sofá, ficando sobre mim e me beijasse como se fosse a ultima vez.

Passei a mão em seu cabelo, o puxando para mim e fazendo com que ele suspirasse. O deixei invadir minha boca com sua língua e me arrepiei toda quando, ao encerrar o beijo, ele mordeu meu lábio inferior com vontade e delicadeza ao mesmo tempo.

– Desculpe, eu disse que não te beijaria mais sem permissão. – Ele sussurrou, a testa encostada na minha e os olhos fechados.

– Eu não me importo. – Sussurrei.

Logo em seguida, o puxei para mim de novo, lhe dando apenas um selinho demorado. Quando ele ia aprofundar o beijo, fomos interrompidos.

– Senhor Uchiha, telefone para o senhor. – Hana informou.

Ela estava atrás do sofá, não nos via exatamente, mas mesmo assim, eu corei.

Sasuke suspirou e se levantou, saindo de cima de mim.

– Obrigado, Hana.

Ele caminhou até o telefone e o atendeu.

E eu?

Bom, eu fiquei com meus sentimentos, todos eles guardados apenas para mim.

Continua...

Notas finais
Gente, minha amiga tá postando uma fic muito boa e sobre um casal que quase não encontramos por aqui, depois passem por lá, okaay? É realmente muito boa.. :D - http://fanfiction.com.br/historia/531682/Doce_Ilusao/ Vesh, Sakura descobriu sentimentos, e agora? Acham que ela vai mesmo guardar segredo do Sasuke? Acham que o Sasuke não a corresponde também ou apenas ela pensa isso? E essa Ino na ousadia? Querendo interrogar o Gaara, osh.. e.é kkk Me digam o que acharam.. :3 Beijos, meos lindos..