Pretérito Imperfeito

19 Capitulo Dezenove


Notas iniciais
Boa leitura !

Capitulo Dezenove.

“Como todos disseram, ele é muito amável. Mas, por alguma razão, eu podia ver a tristeza escondida atrás daquele sorriso”. – Ada Bezarius sobre Vincent Nightray (Pandora Hearts).

~♥~♥~♥~

Ino pov’s.

Quando acordei, Gaara ainda dormia. Ele estava deitado de bruços, a cabeça virada para mim.

O rostinho de garotinho inocente dele ficava ainda mais fofo quando dormia. Passei a mão por sua bochecha e, ainda dormindo, ele sorriu levemente.

Depois, ele fez uma careta e abriu os olhos, focando em mim. Sorri.

– Bom dia. – Falei.

Ele bocejou.

– Bom dia. – Resmungou. – Meus ombros estão doendo.

Sorri com sua reclamação e depois me sentei sobre suas costas, o fazendo olhar para mim, ou tentar.

– O que está fazendo? – Perguntou.

Coloquei as mãos em seus ombros e comecei a fazer uma massagem, vendo o quanto seus músculos estavam tensos.

– Relaxa, Gaara. Você tem trabalhado demais.

Ele fechou os olhos e soltou um suspiro quando coloquei um pouco mais de força na massagem, relaxando logo em seguida.

– Isso é bom. – Falou com um meio sorriso.

Eu ri e continuei fazendo a massagem nele até que ele estivesse bem relaxado e ele relaxou, quase dormindo de novo.

Quando terminei, sai de cima dele e me sentei onde estava deitada, olhando sua expressão calma.

– Obrigado, parou de doer. – Falou.

– Não há de que.

De repente, ele abriu os olhos e me olhou por alguns segundos.

– Lembra quando nos encontramos na livraria, logo após eu ter salvado você? – Perguntou.

Assenti.

– Sim, você estava comprando um presente.

Ele sorriu.

– Quer conhecer ela? Quero dizer, para quem eram os livros?

Assenti. De repente, fiquei muito curiosa.

– Ok, então vá se arrumar. – Ele se sentou. – Vamos para o orfanato onde eu cresci.

~♥~♥~♥~

Sakura pov’s.

Quando acordei, Sasuke não estava mais dormindo. Eu estava completamente sozinha no quarto dele.

Me levantei e fui para o corredor, olhando para os dois lados.

– Sasuke? – Chamei.

Ouvi barulho de vozes alteradas e fui para a escada, a descendo com o cuidado de não fazer barulho e me escondi na parede da cozinha, ouvindo o que estava acontecendo.

Sasuke e Itachi estavam discutindo.

– Eu nem sei o que você quer aqui, Itachi. Vá embora logo. – Ouvi Sasuke resmungar.

Ele estava com a voz meio enrolada.

– Você sabe muito bem o que eu vim fazer aqui, Sasuke, não se faça de desentendido. Quando vai contar tudo para Sakura? Não acha que já a envolveu demais nisso tudo? – Itachi retrucou.

Sasuke riu, mas foi uma risada um tanto quanto diferente.

– E o que quer que eu diga? Que a mamãe ter morrido é minha culpa?

– Você sabe que não é sua culpa. Ninguém te culpou por nada. – Itachi falou. – Você era uma criança, não sabia o que estava fazendo.

– E por ser uma criança, eu a matei. – Sasuke falou e depois riu. – Palmas para mim, eu sou patético.

Silencio.

– Me escuta aqui, Sasuke. você vai chamar a Sakura agora e contar tudo para ela.

– E falar tudo, Itachi? Pelo amor de deus, ela não é psicóloga para ter que ficar ouvindo meus problemas.

– Sasuke, me solte agora. Pelo amor de deus digo eu, são 10h30min da manha e você já está fedendo a álcool, está quase bêbado.

– Você sabe que eu não fico bêbado com whisky, não se preocupe, Nii-san. Estou muito sóbrio.

– Então aproveite essa sua sobriedade e vai contar tudo para a Sakura. Agora.

– Porra, Itachi. Vou chegar nela e falar: olha Sakura, meu pai me odeia porque acha que sou fruto de uma traição da minha mãe, traição essa que nunca aconteceu, por isso ele sempre me maltratou, até mesmo depois de fazer exame de DNA. Há, e tem mais. Ele me espancava desde que eu tinha dois anos de idade, todos os dias, todas as noites. Até que um dia, eu derramei leite no sofá e ele começou a me bater, mas como a mamãe era uma ótima pessoa, tentou impedir ele, então, ele a espancou. Até a morte. E o Sasukezinho aqui, assistiu tudo de camarote, até pode brincar com o sangue da querida mamãezinha dele. Por favor, me poupe, Itachi.

Espancado desde os dois anos?

Arrisquei a olhar para dentro da cozinha, mas voltei rapidamente ao ver Itachi olhar na minha direção.

– Sasuke, o que a Sakura está fazendo? – Ele perguntou.

Merda.

– Dormindo no meu quarto.

Itachi – eu acho – suspirou.

– Sakura, eu não sabia que o quarto do Sasuke tinha se mudado para a sala. – Ele disse.

Respirei fundo e entrei na cozinha.

Itachi estava de braços cruzados enquanto Sasuke vestia apenas uma calça de moletom e segurava um copo de whisky na mão, extremamente sério.

– Vou deixar os dois conversarem. – Itachi falou, saindo logo em seguida.

Sasuke se virou de costas.

– É a segunda vez que é pega escutando minhas conversas com Itachi, quer tentar se defender? – Sasuke perguntou.

Ele se virou um pouco, ficando de perfil para mim e levou o copo aos lábios, bebendo o liquido de uma vez.

– Você ouviu, não é? – Perguntou.

Abri a boca para responder, mas ele me interrompeu.

– Meus parabéns, Sakura. Você finalmente descobriu o porquê de Fugaku me perseguir e me odiar tanto. – Ele se se encostou a pia.

De frente para mim, ele abriu um sorriso extremamente arrogante. Depois, voltou a encher o copo.

Abri a boca para falar novamente, porém, ele não deixou de novo.

– É isso. Fugaku sempre achou que eu não era filho dele, só porque a mamãe tinha um melhor amigo. Mesmo depois de vários testes de DNA, ele não conseguiu me aceitar como filho. – Ele bebeu metade do conteúdo do copo em um gole só, sorrindo arrogante depois. – Ah, coitadinho do pobre Sasuke.

Ele gargalhou.

– É o que está pensando, não é? – Apontou para mim e depois sorriu mais. – Não responda, eu sei que sim.

Ele realmente estava parecendo um bêbado.

– Sabe, todas as noites, meu papaizinho ia ao meu quarto. – Ele começou com um tom sarcástico. – E eu sempre esperava um beijo de boa noite e um “eu te amo”, igual ele fazia com Itachi. Ah, crianças são tão iludidas.

Ele terminou de beber e, novamente, encheu o copo. Eu estava quase tomando aquela maldita garrafa dele.

– Ele me espancava até sangrar, até eu implorar de joelhos para que ele parasse. – Bebeu. – Quem cuidava de mim eram a mamãe e Hinata. A minha priminha ficou com um ódio mortal dele quando descobriu tudo.

Apenas as duas? Mas e...

– O Itachi nunca cuidou de mim quando Fugaku me batia. – Ele parou e bebeu tudo de uma só vez. – Você pode imaginar o porquê, Sakurinha?

Ele gargalhou, completamente bêbado.

– Porque eu odiava o Itachi. – Ele encheu novamente o copo. – Eu odiava Itachi com todas as minhas forças, não suportava nem olhar para a cara dele que já tinha nojo, repulsa.

Bebeu um pouquinho.

Que vontade louca de tirar aquele copo das mãos dele.

– Mamãe, ele e Hinata nunca entenderam o porquê de eu o repudiar tanto, na verdade, nem eu mesmo sabia o porquê de tanta raiva. – Engoliu todo o liquido. – Mas no dia que a mamãe morreu, eu entendi o motivo de eu o odiar.

Ele ia encher o copo, mas eu fui mais rápida e o tomei de sua mão. O cheiro de álcool tava para ser sentido, estava impregnado nele.

– Chega de beber, Sasuke. – Falei.

Ele riu e pegou a garrafa, tomando o whisky direto do bico. Suspirei nervosa.

– Não quer saber o motivo de eu não gostar do Itachi? – Ele perguntou.

O cheiro de álcool em seu hálito era tão forte, que acabei dando alguns passos para trás, o fazendo rir como um louco.

– Inveja. – Ele disse a palavra acidamente, como se fosse suja, podre.

Ele bebeu dois longos goles da bebida e me olhou, completamente fora de si.

– Inveja, Sakura. – Riu. — Eu sempre, sempre o invejei. Ele sempre teve tudo o que eu quis. Ele tinha a mamãe, tinha um irmãozinho mais novo que era uma gracinha e, acima de tudo, ele tinha o amor do papai.

Ele gargalhou ao terminar de falar.

– O amor do papai, isso é tão ridículo. – Riu mais. – O papai sempre brincava com ele, lhe dava presentes, carinho, companhia... Segurança. Mas e eu, Sakura?

Ele riu de novo, bebendo mais.

Eu nunca tinha visto Sasuke falar tanto em um só dia.

– Eu era um trapo. Eu era um brinquedo quebrado, jogado aos cantos. Uma presença impura. Como se fosse uma doença contagiosa da qual ele queria se livrar. Eu, para ele, era o próprio demônio.

Respirei fundo. Minhas mãos estavam geladas, eu estava tremendo.

– Sasuke, por favor, me dê essa garrafa? – Pedi calmamente.

Ele olhou para mim, os olhos negros brilhantes de tantas lágrimas.

– Eu sou um lixo, Sakura. – Ele riu as lágrimas escorreram pelo seu rosto. – Eu sou um inútil, uma praga, um ser que nunca devia ter nascido.

Dei dois passos para frente.

– Não diga besteiras, Sasuke. Você está bêbado.

Ele riu e soltou a garrafa em cima da pia, pensei que havia quebrado devido ao barulho que ela fez.

– Mas sabe, Sa-ku-ra. – Ele disse meu nome lentamente, chegando para frente enquanto eu ia para trás. – Eu tenho uma coisa que nenhum dos dois, nem Itachi e nem Fugaku, vão ter.

Ele sorriu maliciosamente, se aproximando mais.

– Você. – Ele afirmou, segurando minha cintura, me colando nele e depois riu. – Eu tenho você, Sakura, e nenhum dos dois vão tê-la, porque você é minha.

Ele passou os lábios pelo meu pescoço e eu tentei me soltar dele.

– Sasuke, me solte. Você está bêbado, não sabe o que está fazendo.

Ele mordeu levemente minha orelha, me fazendo arrepiar.

Minha.

Arregalei os olhos quando senti sua mão em meu seio. Comecei a me debater, tentando me soltar.

Se ele estivesse sóbrio, ele não estaria fazendo isso.

– Pare, Sasuke.

Ele apertou meu seio, me fazendo soltar um gemido de dor. Ele não sabia o que estava fazendo.

– ITACHI. – Gritei. – Itachi, me ajude.

Logo ouvi passos apressados e me vi livre do toque de Sasuke e de seu cheiro alcoólico.

– O que pensa que está fazendo, seu idiota? – Itachi perguntou furioso. – Ia abusar dela?

Sasuke o olhou com raiva.

– Não interfira, Itachi. A Sakura é minha.

A voz de Sasuke estava embolada, típica voz de bêbados.

– Ela é sua, eu sei disso, irmãozinho tolo. Mas pare de agir como um psicopata. Você está bêbado, não vou deixar que encoste nela nesse estado. – Nunca tinha ouvido a voz de Itachi tão séria.

Sasuke me olhou, os olhos enchendo-se de lágrimas.

– Sakura, você me odeia? Vai me abandonar? Vai me deixar, assim como Fugaku deixou? Não faça isso, Sakura, por favor, por favor.

Meus olhos arderam, enchendo de lágrimas ao ouvi-lo falar isso.

– Por favor, não me deixa, Sakura. – Ele se ajoelhou. – Me perdoa, eu juro que nunca mais faço algo que você não queira. Mas por favor, não me deixe como Fugaku me deixou. Por favor, estou te implorando, Sakura. Não faça comigo o que ele fez, por favor.

As lágrimas escorreram pelo meu rosto, minha garganta estava fechada, tentando conter o choro e a dor de vê-lo nesse estado por causa de Fugaku.

Dei alguns passos, esticando a mão para ele e Itachi me olhou apreensivo.

Assenti para ele e me agachei ao lado de Sasuke, colocando as duas mãos em seu rosto, o fazendo olhar para mim.

– Eu nunca vou te abandonar, Sasuke. – Falei.

As lágrimas escorreram pelo rosto dele e ele me abraçou apertado, começando a chorar desesperado.

Fechei os olhos na inútil tentativa de conter minhas próprias lágrimas.

– Promete? – Sasuke murmurou contra minha pele. – Promete que não vai me abandonar? Não vai me tratar como ele me tratou? Não vai me chutar para fora da sua vida como se fosse uma praga, da mesma forma que ele fez? Me promete, Sakura?

Respirei fundo, tentando conter os soluços.

– Eu prometo, Sasuke.

Ele fungou e vi Itachi se agachar ao nosso lado.

– Sasuke? – Ele chamou, fazendo Sasuke virar a cabeça levemente em sua direção. – Que tal ir tomar um banho e dormir um pouco? Vai te fazer bem.

Sasuke assentiu.

– Só vou se a Sakura for ficar comigo até eu dormir. – Ele disse como uma criança.

Itachi me olhou e eu assenti levemente.

– Agorinha ela vai ficar lá com você, quando você terminar de tomar banho. – Itachi disse.

Sasuke me soltou e se levantou, começando a ir para a escada, cambaleando levemente.

Me sentei no chão e coloquei as mãos no rosto.

– Me desculpe, Sakura. – Ouvi Itachi falar e o olhei, ele tinha os olhos marejados. – Eu não queria que você soubesse de tudo dessa forma. O Sasuke já se machucou muito por isso, ele não consegue falar disso e se manter... Sasuke. Ele não consegue ficar... Normal. Por isso ele bebe, a bebida lhe da coragem para falar.

– Tudo bem, Itachi. Não é sua culpa. Nem sua e nem dele. – Me levantei, lhe dando um abraço. – Obrigada por me ajudar.

Senti as lágrimas dele.

– Obrigado por cuidar do meu irmãozinho tolo.

Ficamos assim até que ouvimos o chamado de Sasuke.

– Sakuraaaa.

Sorri para Itachi e subi as escadas, entrando no quarto de Sasuke.

Ele estava deitado na cama, os cabelos molhados e o rosto levemente vermelho por causa das lágrimas.

Ele sorriu para mim como se eu fosse a pessoa mais importante da vida dele e deu dois tapinhas na cama.

Meu olhos marejaram.

Fui até a cama e me deitei. Sasuke me abraçou, deixando a cabeça apoiada no meu peito e respirando fundo.

– Pode dormir, Sasuke. Prometo que estarei aqui quando acordar. – Sussurrei.

Ele assentiu e logo depois sua respiração ficou ritmada, leve e calma.

Ele tinha dormido.

E ali, abraçando Sasuke enquanto ele dormia, deixei todas as minhas lágrimas saírem.

Lágrimas de amor, lágrimas de compaixão, lágrimas de carinho, lágrimas de proteção.

Mas acima de todas, deixei sair às lágrimas de dor.

Dor de saber que meu Sasuke tinha passado por tamanho sofrimento.

Dor de não poder ter o ajudado.

Dor de vê-lo nesse estado.

Continua...

Notas finais
FINALMENTE o mistério foi desvendado, agora vocês sabem a historia toda do Sasuke com o Fugaku... Sinceramente, esse foi um capitulo um tanto quanto complicado de escrever, EU NÃO SABIA SE CHORAVA OU SE ESCREVIA ! D: - Sim, galerinha, eu chorei no final que nem uma manteiga derretida.. Ç.Ç O mistério foi revelado, mas não é por isso que a fic está acabando, se acalmem... Ainda falta MUITA coisa para acontecer, muita treta para rolar e nosso casalzinho ainda nem está namorando.. e.é Eu realmente espero que esse capitulo tenha agradado e atendido as expectativas de todos vocês.. Vou ficando por aqui.. :( Beeeijo.. ;*