Pretérito Imperfeito

22 Capítulo 21 - Essa noite o amor chegou...


Percy POV

Tranquei a porta de casa sentindo a chave deslizar por minha palma suada. Eu estava extremamente nervoso. E bonito. Risinho. Eu precisava descontrair ou enlouqueceria de pavor. Precisava ir buscar Annabeth.

Dirigi tenso até sua casa. Aquela roupa quente era desagradável, mas eu queria uma noite perfeita para nós dois, e aquilo se mostrou necessário. Eu tinha pegado um iate “emprestado” com meu pai. O velho safado ia sair de novo com a namorada misteriosa e me xingou por ter pensado em levar a minha no iate, antes dele.

Assim que estacionei o carro, ela veio ao meu encontro. Será que estava ansiosa assim como eu?

Cumprimentei-a com um beijo e ela sentou-se no banco do passageiro.

Eu mal me aguentava. Quando percebi, minha mão já repousava em sua coxa, que se arrepiou com meu toque. Ri de canto para ela, que estava vermelha.

– Para onde nós vamos? – Annabeth perguntou, tentando disfarçar o rubor em suas bochechas.

– Surpresa – respondi, vagamente. Ela bufou. Provavelmente estava frustrada de tanta curiosidade, e eu rindo por dentro.

Chegamos ao tal píer e saímos do carro, logo que estacionei em uma vaga qualquer. Annabeth parecia feliz, e ao mesmo tempo incrédula.

Talvez ela não imaginasse que eu a levaria até o iate do meu pai.

O barco estava preso ao píer por uma corda, e ao embarcar tratei de desamarrá-la.

O interior do iate é composto por coisas que todo iate tem ou deveria ter; a única diferença é que há uma mesa com tolha branca, velas e castiçais, sem falar na garrafa de champagne dentro de um balde com gelo.

– Que romântico – Annie quebra o silêncio, observando a decoração especial.

Coço a nuca, visivelmente ansioso/nervoso.

– É... Nós merecemos certo? – Refiro-me a todas as coisas ruins que já aconteceram, e Annabeth concorda com um aceno de cabeça, seguido de um belo sorriso que aquece meu peito.

– Percy – Ela segura meu rosto entre suas mãos, encarando-me nos olhos. – Cronos se foi, não é?

Concordo com um manear de cabeça, e mais uma vez um lindo sorriso surge em seu rosto.

– Então está na hora de deixarmos todas essas coisas ruins de lado e seguirmos em frente. O que passou, passou, e é isso que interessa para nós. Deixe tudo isso para lá, ok?

Não resisto, e sem nem ao menos pensar em responder sua pergunta (ou prometer algo que talvez eu demore a cumprir), a puxo para um beijo que arrepia os pêlos de minha nuca.

– Vem cá. – puxei-a até um pequeno sofá branco, servimos de champagne e estendi uma taça para ela.

Um gemido de aprovação escapou de sua boca e eu sorri.

Sentei-me ao seu lado e lhe puxei para meu colo, inseguro.

– Já falei pra você que minha mãe tem um namorado misterioso? – neguei com a cabeça. – Ela disse que finalmente irei conhecê-lo. Estou ansiosa. – seu corpo estremeceu ao fim da frase enquanto eu arrastava minha boca por seu pescoço apertava sua cintura.

– Que tal nos concentrarmos em outras coisas? – ela riu de um jeito safado e eu fiquei mais aceso ainda.

– Acho ótimo.

Segundos depois estávamos atracados de novo. Nos beijávamos com volúpia, e minhas mãos não paravam quietas. Ela praticamente me dera carta branca, então não hesitei em abaixar seu vestido.

– Ela partiu o beijo para me olhar. Não apenas seus lábios estavam vermelhos, mas um leve rubor cobria suas bochechas.

– Sabe que eu sou virgem, né? – Assenti, afrouxando o aperto em suas coxas.

– Você acha que está pronta? – ela assentiu energicamente e eu mordi seu nariz, fazendo-a rir.

Arrastei-a para o compartimente onde havia uma cama espaçosa cheia de pétalas de rosa. Ideia do Chris.

Segurando sua mão, deitei-a sobre a cama e retirei meu paletó. Eu estava doido para que nos livrássemos daquelas roupas e entre carícias inocentes ou um pouco mais ousadas, aquilo finalmente aconteceu. Annabeth era muito mais bela do que eu havia imaginado. Delicada até mesmo ao me tocar.

Quando nos unimos, senti que fui ao céu. Tê-la gemendo baixo em meu ouvido era uma das melhores sensações que provei, e acabei por descobrir um lugar onde eu não queria ir embora nunca mais.

Chris POV

– Porra, Clarisse! – gritei furioso com ela. – Será que dá pra parar de me enrolar? Por que não abre o jogo comigo?

Aproveitei que ela estava sozinha em casa para fazer uma visita amistosa. Eu estava cansado de ser tão atencioso com ela e só receber foras, ainda mais porque todos diziam que ela gostava de mim.

Eu só não esperava que Clarisse começasse a chorar na minha frente. Aquilo partiu meu coração mais do que qualquer fora que eu já tivesse recebido até hoje por parte dela.

Aproximei-me dela, hesitante, porque estava com medo de levar um tapa. Mas quando ela levantou a mão, foi para colocá-la sobre a boca.

– Qual o problema, hum? – abaixei seu braço, secando as lágrimas que teimavam em cair. – Por que não me conta o que há de errado?

– Achei que estava brincando comigo. Não sei lidar com o fato de alguém gostar de mim. Parece uma piada. – soluçou, e meu coração se apertou mais um pouco. – Sou muito feia e desengonçada. Não consigo parar de me sentir assim.

Segurei seu rosto entre as mãos, obrigando-a a me encarar.

– Escute aqui: você é linda. E mesmo que no fosse, eu te amaria da mesma forma, porque seu jeito me conquistou Clarisse. – fui sincero. – Eu amo você. Por que não me deixa fazer parte da sua vida?

Ela parecia tão vulnerável, mas continuava tão linda... Estava parando de chorar, e aproveitei a guarda baixa para juntar nossos lábios. Ela parecia surpresa, mas não hesitou em corresponder.

E pela primeira vez, senti que algo preenchia meu peito, uma coisa inexplicável.


(...)

Luke POV

Talvez eu esteja dramatizando demais, mas sair com Thalia Grace não é um fato que me anima muito.

Quero dizer, não que eu não goste de estar perto dela ou coisa do tipo – na verdade, tê-la ao meu lado é um verdadeiro sonho de consumo – só que a questão de convidá-la é o que mais me assusta.

Primeiro, porque Thalia não sai muito.

Segundo, porque o pai dela é um excelente atirador.

Só que agora não tem volta. Até tem se eu for rápido e sair correndo antes que a porta abra e revele um sogro super-zangado, mas já que estou aqui, é melhor enfrentar isso de uma vez.

– Moleque – a voz de Zeus não me encoraja nem um pouquinho a prosseguir. Se eu entrar aí, provavelmente só saio em uma ambulância (se meu sogro não me jogar na lareira antes).

– C-Como v-vai? – Gaguejo, sentindo-me extremamente estúpido.

– Entre logo – Zeuza... Digo, Zeus, dá as costas para mim, que me vejo obrigado a passar da soleira da porta de uma vez.

Adentro a casa bem mobiliada ainda inseguro. Controlo o tremor de minhas mãos ao coloca-las nos bolsos da calça, e consigo disfarçar meu nervosismo extremo, balançando-me para frente e para trás.

– Luke Castellan! – Hera, a madrasta da Thalia, aproxima-se de mim com sutileza, carregando um sorriso radiante em sua face. – Finalmente nos conhecemos!

– É isso aí – murmuro, percebendo pelo arquear de sobrancelhas da minha sogra, que não foi algo legal de se dizer. – Hum... É um prazer conhecê-la, madrasta da Thalia.

Hera sorri tão largamente, que por um instante pensei que sua boca iria se rasgar.

– Ora, não me chame assim, garoto. – Um tapinha no meu braço e a ênfase ao “garoto” são sinais de que não conquistei muitos pontos com ela. – Me chame de “Esposa do Zeus”, se quiser ser gentil.

– Não acredito que já está exibindo suas garras, Hera. – Nunca fiquei tão feliz ao ver Thalia Grace como estou agora. Ela cruza os braços ao parar ao meu lado, e confesso que preciso de muito esforço para não agarrar sua mão e arrastá-la dessa casa.

– Só estava mostrando meus bons modos para o rapaz que insiste em sair com você. – E dá as costas para nós, seguindo até a cozinha com o nariz empinado.

– Não ligue para ela – Thalia revira os olhos, encarando-me com um pequeno sorriso. – Agora, aonde você pretende me levar?

Selo nossos lábios em um beijo breve, mas que só aumenta meu vício por ela.

– Para bem longe daqui – digo, fazendo Thalia rir. – Não quero ser morto pelo seu pai quando ele terminar de jantar com a sua madrasta.

– Sem mais delongas, Thalia pega sua bolsa de contas no sofá, e segura minha mão, arrastando-me para fora do perigo iminente.

A pior coisa que existe nesse mundo são pais que sabem atirar.

Fico pensando em como vai ser quando eu pedir Thalia em casamento. Será que vou levar uns tiros no traseiro, ou serei esquartejado e meus restos serão queimados na lareira?

– É melhor você trazer minha filha de volta antes das onze, moleque! – o berro de Zeus só me deixa ainda mais desesperado.

Talvez seja melhor esperar mais uns anos antes de casar com a Thalia (tipo uns dez quem sabe). E provavelmente seja mais seguro se eu fizer o pedido por e-mail.

Narrador POV

Do outro lado da cidade, um casal inusitado atracava-se na cama. Afinal eles não estavam velhos demais para aquilo.

– Amor... Você acha que eles vão gostar da novidade? – o moreno dos olhos verdes perguntou, fazendo um leve carinho nas costas nuas de sua loira.

– Acho que sim. E não poderão ir contra. Se eles podem, nós também podemos, não é mesmo?

O moreno concordou, voltando a beijá-la, mas estava receoso e curioso para saber a reação de seu filho quando descobrisse quem era sua famosa “namorada misteriosa”.

Notas finais
Heeey!!! Saudações Percabethilianos õ/ Esse foi o Penúltimo Capítulo procês. O próximo será o Epílogo ;) Desde já agradecemos pelos reviews mandados. Embora poucos de vocês tem marcado presença desde o início da fic, mandamos nosso imenso "Obrigada" por terem estado conosco desde o ano passado :) Até o tão esperado Epílogo. Beijokas!!!