Presságio [Klaus/OC]
48 The Beginning of the End
Notas iniciais
"Down on your knees, you'll be left behind. This is the beginning. Watch what you think, they can read your mind" Nine Inch Nails — The Beginning of the End
Sammy respirou fundo, buscou a tranquilidade que ela sabia não ter. O cheiro forte do combustível fez sua cabeça doer. O líquido estava espalhado por todo seu corpo e pingava pelos fios de seu cabelo.
– O que você vai fazer? — Perguntou cautelosa.
Ele sorriu de lado.
Rodou a caixinha de fósforo numa mão e um isqueiro na outra.
– Só... cuide do nosso filho, Niklaus! — Disse mais alto.
* Três dias antes *
– Carter foi embora há um dia e não temos notícia alguma. — Sammy disse. — Nem dele e nem de Rebekah. Eu preciso saber como está Henrik!
– Não fique tão nervosa, está me deixando nervoso.
Samantha se irritou com a calma dele e o fato de não tirar os olhos de um jornal. O pegou e jogou do outro lado da sala.
– Eu sinto que algo está errado, Niklaus! Pode chamar de ligação entre mãe e filho, isso é até bastante comum entre humanos.
– Já que não temos mais nenhuma bruxa na cidade e você não conseguiu fazer um feitiço de localização, estou trabalhando nas possibilidades. — Ele disse e pegou o papel do chão.
– Na verdade, consegui fazer. Mas eles estão encobertos. — Sammy corrigiu. — E não acho que tenha sido idéia de Rebekah.
– Quando você foi embora usou o mesmo feitiço e fui obrigado a pensar nas possibilidades para te encontrar.
– Está dizendo que acha mesmo que Rebekah arrumou uma bruxa para fazer isso? Que é tudo proposital?
– Estou dizendo que continuarei analisando as possibilidades ao invés de surtar.
Samantha bufou e saiu da sala.
No quarto pegou o celular e discou o número de Carter, mais uma vez caiu na caixa-postal.
– Droga, Carter!
Samantha tinha que seguir seus instintos e eles diziam que ela deveria ir ao encontro dele.
*
– Aonde está Leila? Eu... — Klaus entrou falando no quarto, mas se interrompeu ao ver o que ela fazia.
O feitiço de localização.
– De quem são esses cabelos? — Ele franziu o cenho.
– Carter.
– Vou polpar a pergunta de porque você tem o cabelo dele ou de qualquer outra pessoa. Não sabemos que ele voltou para a cidade dele?!
– Foi o que ele disse que faria, não sabemos se realmente o fez. Além do mais ele não ligou informando nada.
– Então você acha que ele foi embora e abandonou a "causa Henrik"?
– Eu não sei. Talvez.
Klaus aguardou em silêncio enquanto ela terminava o serviço.
Minutos se passaram, Sammy estava bastante séria com o que via.
– Então... Aonde ele está? — Klaus perguntou.
Sammy estava nervosa, mas ainda assim explicou para ele.
– Carolina do Norte. — Disse por fim.
– Mas ali é um lugar de montanhas pelo que conheço e você descreveu. — Klaus ponderou. — Tem certeza disso?
– Claro que tenho! — Sammy olhou para ele. — Monte Mitchell se eu precisar ser mais especifica para que você acredite.
– Eu acredito em você, mas só estou pensando no que Carter poderia estar fazendo nesse lugar remoto. Esse é o mais alto pico da América do Norte continental!
– Já percebi que você está mais desligado que nunca. — Samantha rolou os olhos.
#Flashback
No carro ao caminho de casa Carter tagarelava sobre montanhas.
– Eu já escalei muitas delas. — ele dizia. — Há algo em chegar ao topo.
– A vista é sempre incrível. — Samantha concordou.
– Tenho uma grande vontade de conhecer o Monte Mitchell.
– Por que esse em especial?
– Além de ser o mais alto da América do Norte continental? — Sorriu de lado. — É o cenário perfeito para a última cena.
– Última cena? — Sammy repetiu.
Ele olhou pela janela e então para ela novamente.
– O nome é uma homenagem a um geólogo que morreu durante uma expedição à montanha. — Falou calmamente. — Já imaginou morrer fazendo algo glorioso e ter seu nome nisso? As futuras gerações sabendo quem você foi?
– Na verdade não. Se você está morto qual a vantagem em ser conhecido?
– Parece bom, não ser esquecido, pelo menos em minha mente. — Carter deu de ombros.
– Ás vezes você é mais notado quando está ausente. — Sammy murmurou.
#Flashback Off
– Acha que Henrik está lá? E Rebekah? — Klaus questionou.
– Sei que ele não está sozinho.
– Vamos pra lá. Agora. — Klaus concordou. — São quase 3 horas de viagem.
– Então vamos o quanto antes.
* 2 horas depois *
Klaus havia conseguido duas passagens para um avião que sairia em 1 hora do aeroporto da cidade.
A previsão é de que chegassem ao seu destino ás seis da tarde. No mais tardar ás sete.
Logo depois ele subiriam as montanhas, Samantha estava inquieta e com toda certeza se recusaria a esperar a luz do sol.
Pelo fato dela estar tendo problemas com o sol e o calor juntamente com sua própria preocupação com a irmã e o filho não contradiria Sammy. Não agora.
– O que você ia perguntar da Leila? — Sammy lembrou-se de perguntar.
– Não era nada.
– Está pensando na possibilidade dela estar envolvida no sumiço repentino deles? — Sammy perguntou indignada. — Não Klaus!
– São apenas possibilidades.
– Se eu ouvir essa palavra mais uma vez te jogo desse avião!
– Acalme esses nervos.
– Como você pode pensar isso?
– Como você pode não pensar? — ele rebateu. — Ao menos eu estou tentando ligar um ponto ao outro ao invés de roer as unhas.
– Eu não posso acreditar que você está dizendo isso!
– Sobre Leila ou sobre você?
– As duas! — Praticamente gritou.
– Nunca entendi porque você defende tanto ela. — Klaus disse. — Tudo bem, ela te ajudou na adolescência, mas sempre achei que sua devoção por ela viria de algo mais.
– De novo esse assunto. — Sammy respirou fundo. — Eu não vou ficar aqui ouvindo suas teorias absurdas, prefiro a companhia das minhas futuras roídas unhas.
– E vai fazer o quê? Pular de paraquedas?
– Vou fazer algo prático e humano: Mudar de lugar. — Samantha sorriu irônica.
Sammy sentiu batidas em seu braço.
Era a senhora que estava sentada ao seu lado.
– Vocês são tão jovens e já brigam? — Sorriu de forma amável. — Um casamento para perdurar necessita de paciência e compreensão.
– É, já ouvi falar. Mas não somos casados.
Olhou para Niklaus e não era surpresa que ele estivesse ouvindo aquela conversa.
– Meu casamento durou mais de 50 anos e...
Samantha encostou-se a poltrona e encarou as longas horas de viagem numa conversa sobre casamentos.
*
– Aprendeu alguma coisa após a palestra maravilhosa e exclusiva que recebeu no avião?
Sammy olhou séria pra ele.
– Não foi tão ruim assim. — ele disse. — Estava ouvindo atentamente tudo, inclusive anotei algumas dicas.
– Não somos casados, não precisa de dica nenhuma. — Respondeu. — A não ser que tenha pegado dicas para fazer tudo diferente do que ela disse. Casamento... — rolou os olhos. — Quem precisa disso?!
– Acredito que---
– Acredito que você está tentando me enrolar. — Samantha interrompeu e começou a andar.
– Samantha! Não faça nada impensado. — Klaus advertiu.
Samantha voltou alguns passos e parou na frente dele.
– Não estamos aqui a passeio, não vamos procurar um hotel, não vamos tomar banho e não vamos no alimentar.
– Você precisa se acalmar! — Klaus tocou os ombros tensos dela. — Sem extremismos.
– Eu não posso! — Sammy se soltou dele. — Henrik pode estar lá, eu preciso saber.
– Eu também preciso, mas se Henrik estiver significa que Carter faz parte dos bad guys e planeja algo com isso. Você vai lá e fazer o que? Torcer o pescoço dele?
– Eu não acredito que a pessoa mais impulsiva do mundo no assunto matar está me pedindo para ter calma.
– Se isso interferi na vida de Henrik, então sim. Tenha calma.
– Percebe como diz “Carter faz parte dos bad guys”? Você não é parte dos good guys, Niklaus. E nem eu sou.
– Você ainda acredita nisso? — Klaus olhou em seus olhos, profundamente. — Tanta coisa mudou do inicio para cá, já nem me sinto o mesmo.
– Não somos. — ela concordou. — Mas esse tipo de coisa não muda.
Samantha deu as costas novamente.
– Mesmo? — Klaus puxou seu braço. — Na carta que você deixou, no final riscado estava escrito “Eu te...” Ou que isso significa?
– Me solta.
– Fala o que você ia escrever e eu te deixou ir para onde quiser.
– Eu não ia escrever nada. — Samantha desviou o olhar. — Como você mesmo disse estava riscado, como pode ter certeza de que não eram outras palavras?
– Não eram. — Falou sério. — Ainda mais porque você não perdeu o habito de apertar a caneta contra o papel, a forma está toda atrás.
– Não era nada Niklaus. — Falou pausadamente.
Ele soltou-a sem dizer nada.
– Você quer que eu acredite que não é nada? — Perguntou paciente.
– Sim.
– Então assim será.
*
– Percebe como o manto que o envolve continua a balançar levemente mesmo quando não há vento? — ela perguntou.
– É realmente uma criança muito especial. — Carter disse.
– Não quero fazê-lo mal---
– Isso não depende de você ou de mim. — Carter interrompeu.
Pegou Henrik do colo da mulher mais velha e subiu a altura dos olhos.
Olhos completamente negros olhando diretamente para os mais azuis. Pureza, inocência numa briga contra o mal.
– Você é filho de dois assassinos cruéis, deveria ser menos... Fofo. De qualquer forma, seu futuro depende da sua mamãe. Do quanto ela está disposta a fazer por você.
*
Como se Sammy fosse aguentar ficar parada num quarto sabendo que Henrik poderia estar perto.
Se esgueirou pela porta tentando não fazer nenhum barulho que pudesse chamar a atenção de Niklaus que estava no banho.
Assim que pisou no corredor sumiu pelo mesmo. Andando tão rápido que só seria possível ver em câmera lenta.
Era tarde e o saguão estava vazio do Hotel que ele obrigará a entrar alguns minutos antes.
Vazio se não fosse um único trabalhador.
– Samantha. — ele disse.
Ela virou nos calcanhares, a sobrancelha devidamente arqueada.
– Ele está te esperando. — Tornou-a dizer.
Um humano compelido.
– Ele? Carter?
– Seu bebê.
Foi o suficiente para Sammy estremecer.
– E onde ele está me esperando?
– Você sabe onde.
Sammy parou a centímetros dele.
– Diga onde! — falou entredentes.
– Ele disse que você saberia exatamente onde procurar.
Era perda de tempo continuar falando com ele.
Samantha suspirou e foi em direção a porta.
– Você quer brincar Carter? Vamos brincar.
*
Estava bastante escuro no começo do monte. Também, o que ela poderia esperar de um lugar que não tinha mais que árvores?
– Vai ser um trabalho árduo.
Ao menos havia uma trilha que ela imaginou que pudesse levá-la por uma boa parte da subida, depois disso ela daria um jeito.
O celular de Sammy tocou, imaginou que fosse Niklaus, mas era um número diferente.
Colocou-o sob a orelha.
Demorou um pouco até perceber os ruídos ao fundo.
– Henrik. — Murmurou.
– Seu bebê está esperando por você. — Uma voz feminina tomou a frente.
– Hey! Quem é?
Mas sua pergunta pairou na linha até o celular ser desligado.
*
Sammy parou de repente ao ouvir barulhos á esquerda.
Se esgueirou por uma árvore e esperou.
Seu coração batia acelerado pela adrenalina.
O barulho parou. Talvez fosse algum animal.
Continuou a subida.
*
– Até quando ficaremos aqui? — ela perguntou.
– Samantha é bastante inteligente, logo estará aqui. — Carter respondeu sorridente.
*
Samantha sentiu a dor no braço e usou seus Poderes para afastar quem quer que tivesse a ferido naquele breu.
– Seu filho da p---
– Samantha? — A voz interrompeu sua fala.
*
– Acenda logo essa fogueira. — Reclamou.
Carter usou seus Poderes para conseguir aquilo.
– Está desvinculado á ela?
– Consegui reverter as coisas. — Carter disse.
A mulher segurou seu braço sobre as chamas.
A pele dele queimou.
E mesmo assim Carter não sentia dor.
– Certo. — Disse o soltando. — Espero que esteja doendo bastante nela.
*
– O que está fazendo aqui? — Samantha se irritou.
– O que você está fazendo aqui? Achei que estivesse no hotel! — Ele rebateu.
– Era você quem estava tomando banho quando eu sai!
– Quanto a isso... — Klaus suspirou. — Eu já havia saído pela janela.
Samantha estava pronta para xingá-lo quando a sentiu a pele queimar.
Klaus tentou ajudá-la, mas sua pele parecia queimar com se estivesse exposta as chamas ou algo assim.
E assim do nada, parou.
Não era tão grave quanto foi nas costas e nem tão intenso.
– Carter está fazendo isso? — Klaus perguntou entredentes.
– Sem sombra de dúvidas, apenas não consigo entender como.
– Está vendo por que eu queria que você esperasse antes de vir aqui?
– Não. — Samantha olhou para ele. — Você estava indo sem mim!
– Ele não pode me atingir como a você.
– Não importa Niklaus.
– Você me disse: “Temos um novo Henrik e ele será a sua chance de fazer as coisas certas dessa vez.”
Parafraseou com perfeição o que ela disse ao justificar a escolha do nome Henrik.
– Eu não vou deixar que nada aconteça a ele. — Klaus continuou. — Mas não posso fazer isso com perfeição se você estiver lá também. Não posso garantir a segurança dos dois ao mesmo tempo, principalmente se Carter te afeta tanto mesmo a distância.
– Eu entendo Niklaus. — ela disse. — Mas se Carter me afeta mesmo a distância não importa se estou aqui ou em outro País. Henrik é a única coisa que importa nessa história.
– Samantha. — disse em tom de adversão.
– Trina me disse Niklaus.
– O que ela disse?
– “Tudo é sobre o bebê, nunca foi sobre você.”
– Por favor, Samantha diga que não levou isso de forma literal.
– Não posso dizer que não.
Klaus a abraçou.
– Não faça nada que te coloque em perigo. — Disse.
– Se tiver que escolher...
– Shhh. Preciso de você e Henrik.
*
Carter abaixou ao lado de Rebekah.
Puxou a adaga de seu coração.
– Vamos loirinha, é hora de você voltar a ação.
Fale com o autor