Notas iniciais
Eu sei... tem meses desde que apareci por aqui... não tenho desculpas a não ser bloqueio criativo. No mais, Kat e Alex estão de volta... preparando um casamento. Boa leitura!!

E, com um piscar de olhos, já tinha um mês que o casamento do ano tinha acontecido, parecia até surreal que Pietra estava oficialmente casada e que Benny finalmente tinha sossegado.

E enquanto os dois ainda estavam curtindo a Lua de Mel, a vida continuava para nós. Alex estava gravando a segunda temporada da série e, ao mesmo tempo em que ele começava a divulgar o primeiro episódio em programas de TV, o meu foco era total na empresa e nos números do balancete de meio de ano.

E, depois de uma viagem rápida à Londres, para uma reunião com Camilla, voltei para Los Angeles com mil e um planos para a empresa.

Minha vida seguia uma rotina certa, era quase um relógio, levantar, correr, ir para o trabalho, pilates e, enfim, casa, onde, se fosse um dia de gravações normal, encontraria com Alex me esperando para jantar.

Em uma sexta-feira, depois de entrarmos em um acordo de que estávamos cansados demais para sair, acabamos sentados no sofá da sala, vendo a reprise de algum filme antigo na TV, quando meu celular apitou, avisando que tinha chegado mensagem.

- Por favor, não me diga que vão te tirar do meu lado hoje! – Alex falou quando peguei o aparelho que estava na mesinha de centro, ao lado do balde de pipoca.

Dei uma olhada na tela e a notificação era do grupo de casamento de Pietra e Benny.

As primeiras fotos da festa ficaram prontas. – Era o dizia a mensagem.

- São as fotos do casamento de Pietra e Benny! – Falei animada e mostrei para Alex a primeira, mesmo sabendo que ele também estava no grupo e tinha recebido a mesma notificação.

Passei a próxima meia hora comentando foto por foto, esquecendo temporariamente do filme, até que enfim, vi todas, e estas eram somente as prévias.

- Acabou? – Alex me perguntou, quando notou que o celular dele continuava a receber as notificações.

- Da minha parte sim, apesar de que você nem se deu o trabalho de olhar uma foto sequer. – Reclamei.

- Aposto que o mais simples comentário seu, seria melhor do que o meu. – Ele disse simplesmente e puxou para o seu lado. – Podemos voltar ao filme?

Olhei para a televisão e tentei me situar com o que passava, eu já não estava entendendo muita coisa antes, agora pior ainda, então apenas me escorei em Alex que ficou brincando com a minha mão esquerda.

Ao final do filme, eu cochilava, mas isso não impediu que Alex se remexesse e me colocasse apoiada em seu peito.

- Sabe o que essas fotos me lembraram? – Ele falou.

- As fotos do casamento?

- Sim. – Ele me respondeu com um sorriso enquanto dava um peteleco no meu nariz.

- Não faço ideia. – Sentei-me direito e o encarei.

- Que nós temos um sorteio para fazer. Afinal, alguém me prometeu que iria se vestir de branco e caminhar até o altar.

Empertiguei-me toda, realmente, com a correria que foram as nossas vidas no último mês não havíamos feito o sorteio.

- Acho que devemos decidir a data primeiro, não acha? – Questionei.

- Ainda dá para ser nesse ano?

- Alex! – Dei um tapa em seu ombro. – É claro que não!

- Então no ano que vem?

- Pode ser, eu acho. Creio que para o final do ano, pode ser que dê tempo...

- Final do ano que dia?

- Você não quer se casar no inverno, não é? – Perguntei.

- Sua ideia é um casamento debaixo da neve? – Ele me devolveu.

- Acho que até a data teremos que sortear... – Murmurei.

Alex deu uma risada.

- Qual é a data que você pensou?

- 21 de dezembro.

- Não acha que é muito perto do Natal e que não vamos poder sair em Lua de Mel depois?

Fiz um biquinho.

- Não pensei na Lua de Mel...

- Pois deveria, Kat. Enquanto você pode tirar uns dias do escritório, porque manda lá, eu tenho uma agenda de gravações.

- Tudo bem... vamos para o sorteio, então. – Cedi.

- Eu pego os papeis e a caneta. De quantos vamos precisar?

- Temos que escolher data, lugar da cerimônia, se será de dia ou à noite e destino da Lua de Mel.

E meu noivo voltou e se sentou do meu lado.

- Lugar?

- É claro, Alex. Eu não quero me casar em um castelo, mas tem que ser um local grande o suficiente para nossas famílias e amigos ficarem confortáveis.

- E só pela sua fala, você tem uma ideia... – Ele me leu direitinho.

- Sim. Eu tenho.

- Não me diga que na Lapônia...

- Não. Eu sei que sou a única que verdadeiramente gosta do frio, mesmo que o casamento seja no verão, lá ainda é frio para a parte californiana da família.

- Então...

- A fazenda .

- A fazenda?! Onde sempre passamos os finais de semana?

- Sim. Não gosta da ideia? Eu sei que temos que pedir emprestado para os seus pais, mas, e não me pergunte os motivos, eu consigo visualizar vários cenários de um casamento lá, principalmente ao pôr do sol.

- Creio que temos um sorteio a menos para fazer. – Alex disse simplesmente.

- Gostou da ideia?

- Sim, não poderia ser melhor!

- Você não quer se casar na praia, em algum lugar paradisíaco do Caribe ou até mesmo aqui na Califórnia?

- Posso me contentar em passar a lua de mel em um lugar assim.

- Isso se for este o destino sorteado... – Informei.

- Vamos ver quem está com sorte hoje. – Ele deu um tapinha em minha perna e saiu em direção ao escritório, de onde voltou com um bloco de papel e duas canetas. – E quais são as regras das escolhas?

- Uma data e um destino de lua de mel? – Meio que mais perguntei do que confirmei.

- Por que não dois? A gente pode tentar balancear os locais.

- Uma boa ideia.

Cada um escreveu suas ideias nos respectivos papéis e depois tirei o boné que Alex usava e fiz de tigela. Colocando os dois que indicavam as datas primeiro.

- Tira um. — Falei para ele.

- Sem briga, independente da data? – Ele retrucou.

- Sem briga.

Ele olhou para os papéis dobrados e escolheu um, me entregando para abrir.

- Eu escolho, você lê.

Abri o papelzinho e a data de meu casamento se revelou.

- 21 de junho.

Alex abriu um imenso sorriso. Era a escolha dele.

- Creio que teremos um bom tempo para a viagem depois. – Ele disse ao pegar o papel e colocar do seu lado. – Agora, você escolhe. – Me estendo o boné onde tinha colocado as quatro opções de viagem.

Remexi um pouco e pesquei uma.

- Sua vez de abrir. – Entreguei a ele.

E o bobo fez suspense. Fingiu que ia abrir e não abria, até que, com um floreio abriu e...

- Acho que nós dois tivemos a mesma ideia de viagem.

- Como assim? – Cheguei mais perto dele.

- Eu também escrevi Bora Bora, mas essa com certeza é a sua letra. – Estendeu o papel.

- Não acredito!

- Será que aconteceu o mesmo com a outra escolha? – Ele, curioso como só, começou a desdobrar os papéis, lendo os demais destinos em voz alta.

- Bora Bora, de novo, Brasil e Zimbabue?! Você escolheu Zimbabue?

- Sim, algum problema?

- Inusitado.

- Já ouviu falar? – Questionei.

- Não, mas... bem, podemos colocar o país como nosso próximo destino de férias, quero saber o que tanto te chamou atenção nele.

- Você vai se surpreender. – Falei séria.

- E não me surpreendo sempre quando se trata de você? – Ele respondeu e me deu um beijo, depois me puxou para seu colo e olhou para as nossas escolhas. – Creio que temos uma data, um local e um destino de lua de mel. Já podemos nos casar!

- Você gosta disso, não gosta? – Perguntei, vendo a felicidade que ele não conseguia esconder refletida em seus olhos.

- Não vou negar, sim eu gosto, esperei muito tempo até que você estivesse pronta para fazer isso, Kat. E esperaria mais, caso você me pedisse. Agora, quero que o tempo passe o mais rápido possível até que eu posso dizer para todos que sou casado com você.

- Antes de tudo, temos que pedir o nosso local da cerimônia emprestado aos seus pais. Não se esqueça disso.

- Com coisa que meus pais vão falar não. Primeiro para você, segundo, porque eles jamais perderiam a chance de poderem transformar a fazenda no local do nosso casamento.

- Se você está dizendo.

- Acredite em mim, Kat. Só confie no que estou falando.

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E eu fui ter a comprovação das palavras de Alex, no dia de Ação de Graças, que dessa vez foi comemorado em nossa casa.

Vínhamos protelando divulgar a informação da data, primeiro porque antes eu queria ter uma boa parte da cerimônia planejada, e segundo, por falta de tempo mesmo, afinal, queríamos informar às duas famílias ao mesmo tempo.

E, por ironia do destino, tudo aconteceu sem planejamento, graças à curiosidade de minha sogra e ao fato de que Alex foi incapaz de guardar as provas de nosso sorteio dentro de uma gaveta.

Tudo começou quando Dona Amelia pediu para recarregar o celular, após passar um bom par de horas resolvendo um problema pelo telefone.

Alex, que estava subindo para o quarto para poder tomar banho, apenas falou para a mãe que o carregador dele estava em cima da mesa de seu escritório, e que ela poderia usá-lo sem problemas.

Até aí, uma coisa banal e corriqueira, eu mesma já tinha feito a mesma oferta tanto para Dona Amelia, quanto para meu sogro inúmeras vezes.

E minha sogra, agradecendo, foi em direção ao escritório e eu, aproveitando que o peru ainda iria demorar um pouco para ficar pronto, fui atrás do meu celular para ligar para meus pais.

Mal tinha cumprimentado a minha mãe, que é quem sempre atende aos telefonemas, quando ouvi:

- Deixa os meninos em paz, Amelia! Você nem sabe se isso não é algo do trabalho.

- Mas Jonathan, não pode ser trabalho! Não quando isso está bem claro aqui... – Dona Amelia respondeu.

Foquei minha conversa nas respostas de minha mãe, até que ouvi uma batida na porta.

- Acho que o jantar de vocês ficou pronto! – Minha mãe brincou comigo. Conferi o contador regressivo no relógio e vi que não.

- Não é o jantar. Deve ser outra coisa. Só um minutinho, mãe. – Pedi. – Entre! – Falei mais alto para quem estava do outro lado da porta encostada.

Dona Amelia entrou e veio para meu lado, segurando uma folha de papel. E, mesmo que ela não tivesse me mostrado ainda o que era, reconheci tanto o papel, como consegui ler contra a luz o que estava escrito.

Era nada mais, nada menos, o resultado de nosso sorteio. Ela tinha em mãos uma data, um destino de lua mel e, escrito na caligrafia de Alex, o local.

- Katerina, me desculpe, mas tem algo que você e Alex queriam nos contar? – Ela perguntou e colocou o papel na minha frente.

Fiquei muda por alguns segundos, encarando minha sogra, mas foi tempo suficiente para que minha mãe, do outro lado da chamada, fizesse coro:

- O que você tem para contar para sua sogra que não contou para mim?

Internamente eu xinguei Alexander.

- Sim. Nós temos uma notícia para dar. Mas para isso, preciso de todos reunidos. – Respondi às duas ao mesmo tempo. – Mãe, tem como a senhora chamar o pai enquanto eu ligo para o restante da família? – Pedi.

- Claro.

- Obrigada. Te chamo em dez minutos, pode ser?

- Ficarei esperando filha. – Ela me respondeu e desligou a chamada.

Respirei fundo e encarei Dona Amelia.

- Acho que a senhora já deduziu tudo, não? – Olhei para ela que me sorria.

- Sim, minha querida.

- Mas queremos fazer isso de forma certa, assim, pode esperar só até que o filho mais velho da senhora acabe de tomar banho e apareça aqui em embaixo?

Dona Amelia riu e eu segui para o pé da escada, de onde gritei por Alex.

Ele apareceu cinco minutos depois, ainda tirando água do cabelo.

- Chamou, Kat?

Eu só estendi a folha de papel e ele arregalou os olhos.

- Minha mãe...

- Vem, está na hora de anunciarmos para toda a família que temos uma data para nos casarmos. Além de pedir um favor...

É claro que a notícia foi devidamente comemorada, afinal, mesmo que o meu lado da família não estivesse presente fisicamente, da Europa, fizeram tanto barulho quanto a família de Alex e, teve até Vic cantando “Aleluia”, porque para ela jamais iríamos oficializar o que temos.

Passada a onda de alegria pela notícia, começaram as perguntas sobre data, local, horário.

Tínhamos a data, o local...

- Bem, o local vai depender se Jonathan e Amelia Pierce vão querer emprestar a fazenda para a festa. – Disse Alex de forma casual.

Minha sogra nem esperou que ele respirasse, e já foi respondendo que sim, que era um prazer.

Assim, já tínhamos um começo de planejamento, mas ainda tinha muita coisa para ser decidida.

Muita coisa mesmo para ser escolhida, montada, decidida dentro de somente seis meses.

E a primeira delas era uma organizadora. Precisávamos de uma pessoa que fosse, além de competente, discreta, porque a regra número um desse casamento não era o felizes para sempre.

Era a discrição.

Logo na segunda-feira, Alex anunciou para sua equipe da vindoura festa, informando que precisávamos de toda a privacidade do mundo para o nosso dia.

E foram justamente eles quem nos indicaram a nossa organizadora. Lauren.

- Mas ela é discreta mesmo? – Perguntei para Maggie.

- Pode confiar, Kat. Não tem pessoa que arranque dela uma informação. Ela já trabalhou para pessoas importantes do país, e só fui ficar sabendo porque as pessoas permitiram que as fotos fossem divulgadas.

Assenti e tudo o que me restou foi confiar nas palavras de Maggie e na confirmação que Bradley dava.

Claro que com isso resolvido, veio outro assunto.

Meu vestido.

Eu ainda não tinha ideia do que queria, não tinha nenhum misero esboço de como deveria ser.

Vicenzo me deu a ideia de ir para a Itália atrás dos melhores estilistas de noivas.

Agradeci à ideia, mas achei demais. Eu não queria algo espalhafatoso que acabaria saindo na mídia mais cedo ou mais tarde.

Hillary já foi de outro tipo de ajuda.

- Eu nunca me casei, mas já orientei noivas, antes de virar personal stylist. Sei que o momento é complicado, assim, tire o seu tempo para escolher o que quer, não escute ninguém, é o seu dia, seu vestido, seu gosto. Caso queira contatos de estilistas dos mais variados, ficarei imensamente feliz em te passar, e se quiser saber quais são as tendências para noivas, pode contar comigo também. Apesar de que eu acho que você não é uma pessoa de tendências, mas sim de um gosto clássico. Assim, siga seu coração na escolha, e somente o seu. O seu vestido perfeito está por aí, só esperando que você o veja. Porque vestido de noiva é igual a amor à primeira vista. Você pode vestir 500, mas aquele primeiro que você viu é com o qual subirá ao altar.

- Obrigada! – Agradeci de coração, porque ela fora certeira nas palavras.

- Sua maquiagem e de suas madrinhas são por nossa conta! – Chelsea me falou e apontou para ela e para a irmã. – Fazemos questão.

- Mas vocês serão convidadas! – Argumentei.

- Amiga, a cerimônia só começa quando a noiva chega, assim, nós sabemos que nunca chegaremos atrasadas!

Tive que rir da lógica das irmãs, mas errada não estavam.

E, quinze dias depois, nossa reunião com Lauren foi marcada. Já iríamos levá-la ate o local que escolhemos para que ela tivesse uma ideia do lugar e de todo o ambiente.

A mulher parecia de outro mundo, quando, mal havia descido do carro, já começou dando ideias, falando de alguns enfeites e até mesmo de como poderíamos iluminar todo o caminho até que chegasse ao lugar exato de onde o casamento seria realizado.

E não parou por aí, foi analisando cada pedaço do terreno e da casa, tirando fotos, fazendo anotações, sempre tendo um comentário sobre se era viável fazer algo ali ou não.

Por fim, depois de três horas, nos sentamos no escritório e começamos a falar da possibilidade real de se fazer a cerimônia ali.

- Possível? É claro. Não vejo como um casamento aqui não possa ficar perfeito. Ainda mais com a data que escolheram. Eu vejo várias possibilidades de uma festa aqui, porém, eu preciso saber o que vocês querem. Desde esquema de cores às flores, passando por seus gostos pessoais, história do casal, preciso saber se os familiares virão todos, ou se tem alguém que não participará. Por fim, quero saber se será um casamento temático ou não.

Essa pergunta era fácil.

- Não. – Respondi.

- Tradicional, então?

Olhei para Alex e ele me surpreendeu.

- Sim.

- Ótimo. Assim, na minha cabeça algumas ideias já são mais possíveis que outras e, para finalizá-las, vou precisar das suas respostas. Normalmente eu tenho quase um ano para programar tudo, no casamento de vocês, tenho seis meses, mas acredito que será mais do que suficiente, vocês não me parecem querer muitas tendências de internet...

- Por favor, nada disso. – Pedi.

- Certo. Enviem-me as respostas e assim que eu tiver um esboço de toda a cerimônia eu entro em contato com vocês. E não se esqueçam, caso queiram fazer alguma surpresa para o outro, podem entrar em contato comigo que eu ajudo na preparação. E não, eu não conto se isso for acontecer. – Ela já avisou de uma vez.

E foi aqui que meu maior problema começou, pois metade das perguntas eram individuais, mas tinham algumas que era o cerne do casamento.

E essas me pegaram, porque Alex, por mais empenhado que estivesse em me ajudar com todas as escolhas, deixou essa na minha mão.

O esquema de cores.

Eu pedi que ele me desse uma ideia que fosse. Mas ele não tinha, não fazia ideia.

E nem eu.

E isso martelou na minha cabeça por dias.

Eu tentava buscar na minha memória se alguma cor ficaria boa, tentava escolher uma palheta que favorecesse ao dia e aos casais de padrinhos e madrinhas.

Porém, nossos padrinhos eram ecléticos demais, ninguém se parecia com ninguém para pensar desse jeito.

E eu ficava sem escolha.

Até mesmo as meninas do escritório tentaram me ajudar. Amanda me mandou mil e uma ideias que encontrou não Pinterest. Mas eu não gostei de nada.

Estava para entregar essa decisão nas mãos de Lauren, quando percebi outra pergunta, essa mais pessoal.

O buquê da noiva.

Meu buquê no outro casamento, foi simples, somente rosas. E apesar de ter sido bonito, era algo que eu não queria repetir.

E, pensando em flores, nos jardins de minhas avós, nas paisagens do Rancho, e até mesmo no jardim de Dona Ilsa, eu tive uma ideia.

Meu buquê não teria somente um tipo de flor. Teria vários, porque eu queria representar minha família, meu local de nascimento, a família de Alex e onde ele nasceu.

Assim, passei a procurar na internet algumas informações sobre flores, pois lembrava de ter lido em uma das muitas revistas de minha avó Claire que cada país tinha uma flor símbolo, bem como alguns estados, como descobri que a Califórnia tinha a sua própria flor.

Quando acabei de montar mentalmente o buquê, reparei que que as cores das diversas flores davam uma palheta única.

Tão única que seria a nossa palheta de cores.

E ela não poderia combinar mais com o verão.

Com um imenso sorriso no rosto comecei a escrever as respostas, pois agora eu conseguia visualizar tudo.

E mal conseguia esperar para viver o que eu imaginava.

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Com a parte dos preparativos indo à todo vapor, comecei a auxiliar minhas madrinhas com as roupas e, também algumas convidadas.

As primeiras que me alugaram por quase um sábado inteiro foram Wendy, Amanda e Milena. Já devidamente avisadas da festa, elas se desesperaram, porque jamais estiveram em um evento com a presença de celebridades. E, resolveram que como era eu quem as estava convidando, eu deveria ajudá-las com os mínimos detalhes.

E foi por isso que parei em mais de trinta lojas, atrás de vestidos perfeitos, de acessórios perfeitos e sapatos perfeitos, além, é claro, dos ternos de seus respectivos companheiros.

Confesso que foi divertido ter esse momento com as meninas do escritório, porque diferentemente de Pietra, Mel, Vic e Pepper que só me perguntavam dos preparativos, elas estavam mais preocupadas em como seria para elas.

E eu me vi explicando que elas só teriam que ser elas e nada mais. Contudo, eu entendi o nervosismo, pois era exatamente assim que eu me senti no primeiríssimo evento que fui com Alex há dois anos. E deixei que elas falassem o tanto que precisavam, que expusessem suas inseguranças para no final eu tornar a afirmar que elas só precisavam comparecer à festa, que eu seria imensamente grata por isso.

E assim passei o sábado, que terminou com um happy hour em um restaurante com vista para o Pacífico.

E das meninas do escritório eu fui dragada para os vestidos das madrinhas. Com a cor definida, fui conferir os modelos que minhas madrinhas queriam.

A mais fácil de escolher um foi Mel, ela rodou pela loja e logo escolheu um modelo de um ombro só. Pepper ficou em dúvida entre quatro modelos, Vic, ora gostava de todos, ora de nenhum, e Pietra, sempre ela, disse que em nenhuma das lojas tinha vestido a sua altura, só para no final do dia, ter comprado quatro, porque ela queria ter opções no dia de meu casamento.

E, entre as escolhas, o ano acabou, 2024 se iniciou e só faltava um ponto para ser decidido.

Aquele que para muitos deveria ter sido o primeiro, mas na minha vida não foi bem assim.

O vestido da noiva.

Eu já tinha olhado diversas opções, diversos vestidos, tanto na internet, quanto pessoalmente, e não tinha gostado de nada.

Absolutamente nada.

Porém, ninguém sabia disso.

Quando me perguntavam a quantas iam a confecção do vestido, eu dizia que estava indo, se me perguntavam algum detalhe, ou alguma dica de como ele era, eu dizia para esperarem pelo dia 21 de junho.

E, nem mesmo Alex fazia ideia de que a sua noiva não tinha um vestido.

Na cabeça de meu futuro marido, meu vestido estava comprado e já estava até mesmo dentro de nossa casa.

Mal sabia ele que não, que não havia vestido.

E que se não houvesse um, também não haveria casamento.

Ou, na melhor das hipóteses, eu me casaria com um vestido branco qualquer. Que problema haveria?

Todos.

Porque com o passar dos dias, eu comecei a me desesperar por dentro. Dia sim, e outro também, eu saia mais cedo do trabalho e dava uma volta em alguns ateliês especializados, procurando por um modelo que me fizesse escolhê-lo.

Só que eu não gostava de nada.

E isso foi me preocupando.

Até que um dia, em uma tarde de sábado, quando Alex me deixou sozinha em Los Angeles e foi para o Rancho, resolver a surpresa que ele me daria de casamento, eu surtei.

Já haviam me dito que isso aconteceria, que teria algo que me tiraria do prumo, do rumo, da minha calma habitual. Internamente eu achei que nada me assustaria dessa vez, porque tudo começou fluindo tão bem, dando tão certo, que eu me iludi.

Tudo bem que eu foquei muito na decoração, na escolha das flores, do buquê, das cores, dos vestidos das madrinhas, das roupas de meus pais e sogros e de toda a família... Contudo, eu acreditava que encontrar o vestido ideal seria fácil, porque da outra vez foi.

Só que não foi bem assim.

Eram meados de abril, faltavam 10 dias para o meu aniversário e 66 para o casamento.

E eu me encontrava aos prantos dentro de casa, sozinha, porque não tinha um vestido de noiva.

Eu chorava andando pela casa, depois, ainda chorando, corri na cozinha e peguei um pote de sorvete, sentei-me no sofá, encolhi minhas pernas e me entupi de sorvete de chocolate enquanto grossas lágrimas de desespero rolavam por minhas bochechas.

Estava tão concentrada na minha autocomiseração que não escutei um barulho importante, o da porta da frente se abrindo, também não notei que Thor e Stark tinham saído correndo em direção à porta.

Só notei que estava acompanhada em casa, quando minha própria mãe parou na minha frente e, com seus olhos azuis arregalados e uma feição assustada, perguntou:

- Katerina, o que houve?

Encarei minha mãe de volta e recomecei a chorar como um bebê, até soluçando.

- A täti tá bem? – Escutei a voz de Liv.

- M...mãe? O que a senhora? Como chegou até aqui? – Balbuciei quando ela me abraçou.

- Alex foi nos buscar no aeroporto. – Ela começou a explicação. – Ele me ligou na semana passada, dizendo que você parecia que precisava desabafar algo com alguém, mas que não era com ninguém que estava perto de você. Assim, perguntou se eu poderia vir.

- E como são as férias de primavera e nosso aniversário tá chegando, né tia, eu vim também. – Liv completou de algum lugar próximo ao piano onde brincava com Thor.

- Ah. Obrigada. – Murmurei ainda chorando, desfazendo o abraço que minha mãe me dava para colocar o pote de sorvete em cima da mesinha de centro.

- Pode me explicar o que está acontecendo para você estar desse jeito?

- Por favor, täti, não diz que brigou com o setä! – Minha sobrinha exclamou desesperada e pegou o restante do sorvete para comer, com uma expressão de puro teor.

- Algo muito pior do que isso. – Falei.

- Katerina, por favor!

- Eu não tenho um vestido! – Clamei aos prantos.

- Eu também não! — Liv fez coro e minha mãe deu um tapinha na perna dela como que pedindo para que ela mantivesse seus pensamentos para si.

- Minha filha, faltam sessenta dias para a cerimônia!

- Eu sei. – Funguei. – Mas eu não encontrei nada que preste. Nada que seja bonito ou que combine com tudo o que já foi escolhido.

E Dona Diana se sentou do meu lado, passando a mão nos cabelos.

- Isso é um problema.

- Um problemão. – Liv falou de boca cheia.

- Alex por acaso sabe disso?

- Não, mãe, nem faz ideia. Para ele o vestido já está pronto e até dentro do meu closet. Eu não tenho vestido nem para o jantar de ensaio!

Escutei minha mãe se escorar no sofá e suspirar. Liv me encarava um tanto assustada e, vendo meu estado, me estendeu de volta o sorvete.

- A senhora está precisando disso mais do que eu. – Falou

- Obrigada.

Peguei o sorvete e voltei a pegar colheradas generosas, enquanto aguardava um milagre, algo como o vestido se materializar na minha frente.

- Já está tarde, mas podemos dar uma volta ainda, mesmo sendo sábado. – Minha mãe começou.

- Volta aonde? Eu já procurei em quase todos os ateliês de Los Angeles.

- Bem, ainda temos que encontrar o vestido da sua sobrinha também, não sei o que deu nas duas que deixaram os vestidos por último!

- Eu não achei nada que gostasse! – Liv falou se defendendo.

- Nem eu! – Fiz coro.

- Acontece que uma é só convidada, a outra é a noiva. Katerina, você deveria ter procurado pelo vestido antes, se aqui não tinha nada que lhe agradasse, que você fosse para a Europa ou outra cidade. Agora levante-se daí que vamos procurar um.

Respirei fundo e me abracei ao pote de sorvete, um tanto presa demais no meu infortúnio.

- Eu falei para se levantar! – Minha mãe tornou a falar subindo a escada com as malas.

Levantei-me e fui auxiliá-la, além de ajeitar os quartos que as duas ocupariam durante a sua estadia.

E, duas horas depois, e sem vontade alguma, entrei no carro para ir só Deus sabia onde.

Minha mãe parecia que tinha feito algumas pesquisas enquanto eu organizava os quartos, e ia indicando os endereços.

Depois de uns dez, onde eu afirmei já ter passado, acabamos desistindo e formos atrás do vestido de Liv.

Estava procurando uma vaga para meu carro quando minha sobrinha deu um grito.

- ACHEI!!! ACHEI!!

- Pelo amor de Deus, Olivia Alexandra Nieminen!! Quer que eu bata o carro? Você não é mais uma criança para ficar gritando assim! – Reclamei!

- Mas eu encontrei o meu vestido. Bem ali. – Apontou para trás de si.

- Talvez tenhamos resolvido um problema. – Disse minha mãe assim que saiu do carro, vendo a neta mais velha correr em direção à loja.

- Como ela pode ter falado que não encontrou nada em Londres quando lá também tem essa loja?

Minha mãe me encarou e apenas soltou:

- Adolescentes, Katerina. Você já foi igualzinha.

E seguimos uma esfuziante Olivia que, ora andava, ora corria na nossa frente e, assim que parou na vitrine, somente comentou:

- Ele é perfeito! Preciso dele. – Disse com os olhos brilhando.

- Então vamos vê-lo. – Minha mãe tentou conter a adolescente que mais parecia uma criança de cinco anos vendo os presentes debaixo da árvore na manhã de Natal.

Já na loja, não foi demorado, nem complicado, garantir que o vestido perfeito que Olivia tinha encontrado fosse ajustado às suas medidas e, como ela era um caso especial por não morar na cidade, nos garantiram que a peça seria entregue dentro de três horas.

- Isso foi rápido. – Liv comentou quando deixamos a loja, claro que carregando mais do que devíamos. – Agora...

- Lá vem você. – Reclamei. Infelizmente meu humor não estava dos melhores.

- Täti, eu preciso de um sapato que combine com o vestido. – Ela nem se importou.

- Nós temos três horas até o vestido ficar pronto, podemos olhar as lojas por aqui. – Minha mãe disse.

E assim fizemos, entramos em algumas, minha sobrinha olhou os sapatos que poderiam combinar com o vestido escolhido e não gostou de nenhum, porém, em uma das últimas lojas da rua, ela parou e comentou:

- Creio que esse pode dar certo.

E lá fomos nós. Entramos na loja, fomos muito bem atendidas e, enquanto Liv calçava e fazia a prova do sapato, eu fiquei dando voltas, vendo as vitrines e os demais modelos, afinal, sapatos são sempre bem-vindos. Estava observando um branco off White todo de renda, bem calçado de noiva quando a vitrine do outro lado da rua me chamou a atenção.

Na verdade, foi a movimentação na vitrine, pois estavam trocando o manequim, tiravam um belo vestido de festa dourado com detalhes em preto e o substituindo por um vestido de noiva.

Um vestido perfeito.

Sem nenhum defeito.

O vestido dos meus sonhos.

Porque eu claramente me via usando aquele vestido no dia do meu casamento.

Fiquei tão encantada, tão apaixonada pelo vestido que me esqueci que estava acompanhada, que minha sobrinha estava escolhendo os sapatos que iria usar no meu casamento e que com toda a certeza iria querer a minha opinião quanto ao calçado, mas algo me impulsionava a sair daquela loja, atravessar a rua e entrar no estabelecimento da frente para ver de perto o vestido e só sair de lá quando ele fosse meu.

E foi o que eu fiz.

Um tanto atônita parei na frente da vitrine e tive a certeza.

Era aquele vestido.

E, em um piscar de olhos estava atravessando a elegante porta da loja de uma grife exclusiva.

Tão exclusiva que eu nem sabia que eles tinham vestidos de noiva.

Ou talvez eu soubesse, só não procurei ali.

Ainda bem que minha mãe veio de Londres e que Olivia precisava de um vestido e que elas cismaram de sair hoje, mesmo estando cansadas da viagem.

Ainda bem!

Porque todos estes acontecimentos culminaram com esse momento.

- Boa tarde, senhorita, chamo-me Jane, posso lhe ser útil em algo? – Uma moça vestida de forma clássica e com uma maquiagem impecável chamou a minha atenção e me trouxe de volta à terra.

- Boa tarde, Jane! – Respondi tentando me fazer parecer calma. – Sou Katerina, estava passando e vi o vestido de noiva que vocês acabaram de colocar em exposição na vitrine.

- Ah! Aquele? – Ela indicou o vestido.

- Exatamente. – Eu juro que tentei, mas não consegui suprimir o sorriso.

- Vejo que realmente gostou do modelo.

Senti meu rosto esquentar.

- Sim. Eu, se é que possível, me apaixonei pelo modelo.

- Ele é o único que nos foi entregue, somente outro como ele foi feito e está na Itália.

- Ah. – Algo dentro de mim se retorceu, eu tinha amado o vestido, mas e se não me servisse. – Bem, seria possível...

- Experimentá-lo?

- Sim.

- É claro. Venha comigo que vou te mostrar a sala para que possa experimentar. – Jane indicou o caminho e quando passamos próximas da porta principal, eis que minha mãe e Liv estão entrando.

- Achou o vestido, tia? – Liv perguntou.

- Creio que sim.

- Estão com você? – Jane questionou.

- Estão.

- Ótimo, podem me seguir por favor que eu já vou levar o vestido até vocês.

Seguimos Jane pelo interior da loja, sempre olhando as outras roupas. Eu até conhecia a marca, mas nunca me imaginei em uma peça assinada por este estilista, pois sempre o liguei a pessoas finas e com presença garantida em tapetes vermelhos.

Passamos por outras duas salas onde mulheres experimentavam vestidos, inclusive uma também era uma noiva, até que Jane nos indicou a sala.

- Bem, fiquem à vontade. Temos os sofás para o conforto da senhora e da senhorita. – Falou com minha mãe e Liv. Vou providenciar o vestido de sua escolha e, só para que tenha outras opções, trarei vestidos que tenham a mesma ideia e design parecido com o que gostou. Fique à vontade para escolher e experimentar quantos quiser. – Disse na minha direção. – Com licença.

Fizemos um sinal com a cabeça e logo que Jane saiu, me vi nervosa, andando de um lado para o outro.

- Qual vestido te fez sair como um furacão para entrar até aqui?

- Perdão por não ter avisado. É que foi amor à primeira vista. Estava olhando um sapato e quando notei estavam trocando a vitrine dessa loja e colocando o vestido de noiva no lugar. Só que não era um vestido qualquer... – Dei de ombros.

Com pouco Jane, duas costureiras e outras duas moças, que puxavam uma arara com outros quatro vestidos de noiva, entraram na saleta

- Bem, Katerina, aqui está a sua escolha e outras opções, caso queira experimentar também. Estas são Mary Ann e Charlotte, são nossas costureiras especializadas em vestidos de renda e nesta coleção em específico. Todo e qualquer ajuste que julgue necessário, será feito por elas, assim como qualquer outro acréscimo que queira implementar no modelo que escolher.

Aquiesci com a cabeça e Mary Ann me entregou o vestido que tanto chamara minha atenção.

- Fique à vontade para pedir por ajuda, se precisar. – Ela me disse ao fechar a porta do provador, que mais parecia um quarto em escala menor.

Comecei a desabotoar os botões da camisa que usava e assim que me vi livre das peças, dei os dois passos até o delicado cabide de cetim para pegar o vestido e quando estiquei as mãos para abrir os botões de pérola da gola e depois das costas, notei que estava tremendo.

- Não é possível! – Murmurei para mim mesma. – É só um vestido! – Tentei me controlar. Porém, verdade seja dita, não era só um vestido, pois assim que coloquei minhas mãos nele, toda uma vida passou diante de meus olhos, desde a festa até mesmo uma imagem de uma paisagem montanhosa onde quatro crianças brincavam correndo atrás de um cachorro e Alex, de cabelos brancos falava comigo: “Finalmente cumpri a promessa que fiz a você antes de partir naquela nau viking.”

Pisquei rapidamente e voltei ao presente, acabei de abrir os botões e cuidadosamente coloquei o vestido. Até onde consegui, fechei os botões, contudo, estando em um quarto com espelhos nas quatro paredes, eu consegui perceber, mesmo ainda não tendo vestido completamente, que era aquele.

A peça era tão perfeita que parecia que havia sido costurada em mim, sob medida.

Fiz um esforço e ao abotoar o último botão na região da lombar, levantei os olhos para ver como tinha ficado.

E não havia nada no mundo que tirasse da minha cabeça que aquele era o vestido.

Nada.

Abri a porta do quarto de vestir e, descalça, pisei na saleta que nos fora reservada.

Minha mãe se levantou na hora e Liv ficou sem palavras.

- Filha...

- Eu sei. – Falei, mas notei que minha voz estava embargada.

- Está perfeito – Minha mãe tornou a falar e veio até onde eu tinha parado, na frente de mais espelhos.

- Não tem nada o que arrumar aqui. – Falei.

Mary Ann e Charlotte pediram licença e vieram para perto de mim, para conferirem se havia algum ajuste a ser feito.

- A senhorita está descalça, assim a barra está muito comprida. Já sabe o sapato que irá usar? Será salto ou sapatilha? – Charlotte perguntou. E, em um estalo, eu sabia exatamente o sapato.

- Será salto. – Informei. – Creio que dez centímetros de altura.

- Por acaso tem ele em mãos?

- Bem... aqui, não, mas não será problema. – Conversei com elas, e virei-me para minha sobrinha. – Liv, pode me fazer um favor?

- Até dois, tia!

- Vá até a loja onde comprou o seu sapato. Tem um de renda off White na vitrine que dá para esta loja. Você sabe meu número. Pegue o cartão...

- Sim, senhora! – Ela falou já pegando a minha bolsa e voando porta afora.

- Para quem não tinha um vestido até algumas horas atrás, você resolveu tudo muito rápido, minha filha.

- Acho que eu só precisava da senhora aqui para me levar até rua certa, mãe. – Falei.

E, enquanto Liv comprava o meu sapato, Jane, Mary Ann e Charlotte iam me mostrando opções de véu, luvas e até mesmo outras formas que o vestido poderia ser usado.

- Eu vou querer do jeito que está aqui. Não tenho motivos para mudá-lo, porém, quanto ao véu, eu tive uma ideia e gostaria de saber se é possível torná-la realidade.

- Que ideia seria? – Mary Ann que estava com um caderno em mãos me perguntou

- Um bordado. Na verdade, eu gostaria de bordar algumas flores na barra do véu.

- Coloridas?

— Não. No mesmo estilo da renda do vestido.

- E quais flores seriam?

- As que eu carregarei no meu buquê. Lírio do vale, rosa de Tudor, centáurea, violeta, orquídea, rosa e papoula da Califórnia.

As duas costureiras se entreolharam e depois me questionaram:

- Quando é o casamento?

- Em 21 de junho.

As três mulheres que trabalhavam na loja se entreolharam, assustadas com a proximidade do evento.

- Eu sei que está muito em cima da hora, e não ficarei chateada se não der tempo de bordar, foi só uma ideia.

- Se não tiver que fazer nenhum ajuste no vestido, teremos tempo sim. – Disse Charlotte convicta. – Vamos esperar pelos sapatos para confirmar com a senhorita.

E como se estivesse sendo chamada, Liv entrou na loja carregando o embrulho igual ao dela, rindo de alguma piada que só ela sabia qual era.

- Bem, aqui está, Penelope nunca viu uma noiva tão decida quanto a senhora, e nem uma tão doida a ponto de mandar a sobrinha para comprar o sapato. – Estendeu a caixa na minha direção e eu só a encarei. – Epa, deixa que eu pego o sapato e te ajudo.

Na verdade, precisou que todas as cinco mulheres me ajudassem a calçar o sapato, devido a saia do vestido. E assim que ajeitei a minha postura, ficou evidente que não era necessário refazer a bainha do vestido.

- Essa é a primeira vez em mais de trinta anos como costureira que eu vejo isso acontecer. Nem com vestidos feitos sob medida isso ocorreu. – Mary Ann disse embasbacada.

Eu dei uma volta, para ver cada detalhe do meu vestido.

E mesmo sem estar maquiada ou com o penteado, eu já parecia uma noiva, se o casamento fosse agora, eu poderia sair dessa loja e ir direto para o altar que estava perfeita.

- Como não teremos nenhum ajuste, teremos tempo mais do que suficiente para bordar o seu véu. – Disse Charlotte. – Vamos fazer os esboços das flores e te chamaremos para vir aqui e aprovar.

- Certo.

- Vamos ficar com o vestido para lavá-lo para a senhorita e te entregaremos em uma semana. O véu, creio que levaremos uns quinze dias a contar da aprovação dos bordados para te entregar. – Jane me avisou e acendeu a luz do provador.

Quando entrei e fiquei lá sozinha, observei o vestido por uma última vez, agradecendo internamente que agora tudo estava perfeito. Só faltava encomendar as flores do buquê.

Tirei primeiro os sapatos, depois o vestido e com reverência o coloquei no cabide, sem nem olhar para os demais que estavam na arara, não precisava mais de nenhum.

Coloquei a minha roupa e na mesma hora me senti muito comum. E ao voltar para a saleta, uma última pergunta me foi feita:

- A senhorita já tem ideia se o seu véu será preso no seu cabelo por uma presilha ou por uma tiara?

Eu não tinha nenhuma tiara, mas só tinha a certeza e o sonho de que seria com uma.

- Uma tiara. – Afirmei.

- Então quanto vier aprovar os desenhos das flores, favor trazê-la, para que possamos preparar a pega do véu.

- Claro. — Sorri para Mary Ann e fiz uma anotação mental de correr atrás de uma tiara imediatamente. – E muitíssimo obrigada pelo serviço que vocês irão fazer. – Já agradeci de antemão.

Segui Jane novamente, dessa vez para a administração, era hora de saber o quanto me custaria o meu amor à primeira vista. Não que eu me importasse muito, pois era meu dinheiro sendo gasto, porém, eu deixei uma pequena fortuna só no vestido e outra viria quando o véu ficasse pronto.

Assim que saí da loja, carregando somente a caixa do meu sapato, Liv que vinha balançando a caixa do dela, comentou:

- A senhora não me falou que tinha uma tiara.

- E não tenho.

Minha mãe deu uma risada do meu lado.

- Katerina...

- Eu sei, eu sei... mas me diga, o que mais combinaria com aquele vestido, mamãe?

E minha mãe ficou calada, só sorrindo de lado enquanto voltávamos para a primeira loja para pegarmos o vestido de Liv.

E o dia terminou com minha mãe e eu sentadas na sala de minha casa, conversando sobre a completa e total impossibilidade de eu ter encontrado um vestido quando nem estava procurando.

- Como eu disse, mãe, eu precisava da senhora do meu lado para abrir os meus olhos e me guiar na direção certa. – Falei e lhe dei um abraço.

- Você será uma noiva maravilhosa, filha. Creio que ninguém estará preparado para a visão que você será ao aparecer no final do corredor. Vai ter um corredor, não vai?

- Apesar de ser um casamento ao ar livre, sim, terá um corredor, e creio que um altar, pois nada me tira da cabeça que Alex está construindo um, por isso essa fuga dele hoje. Já faz uns dias que ele tem ido direto para o Rancho e ficado por lá até tarde, ou ele está aprontando algo ou ele está fazendo um altar. Que eu acho que será quase um gazebo que ficará permanente no Rancho, mas é só achismo meu!

- E por que você simplesmente não pergunta?

- Já tentei, toda vez que eu tento enveredar por esse lado, Alex simplesmente me sorri e troca de assunto!

- Amanhã a gente tenta descobrir. – Ela brincou comigo comentando o fato de que iriamos para o Rancho para que ela pudesse ver as pequenas, mas importantes mudanças que já tínhamos feito.

- Veremos. Contudo, é bem capaz que Alex conte para a senhora, mostre o que é, e te faça prometer não me contar nada. Mas a senhora me contará, não é?

- Se meu genro me pedir segredo, vou acatar o pedido dele.

- Não acredito!!! Mãe!!! – Falei revoltada.

- Sabe, filha, do mesmo jeito que o seu vestido é o grande mistério para ele, talvez o que ele esteja fazendo, seja a sua grande surpresa, o que eu apoio totalmente.

- Isso não é justo. – Voltei a reclamar.

- Após a cerimônia voltaremos a conversar sobre isso. – Minha mãe falou como se fizesse uma profecia.


Notas finais
E aí está.Sim, no próximo já é o casamento... e espero que tenham tempo, paciência e disposição, porque o capítulo está IMENSO!! Mas não dava pra cortar nada. No mais, o meu imenso MUITO OBRIGADA a quem não abandonou essa história ainda., e à Lilikah que se não tivesse comentado outro dia nessa história talvez eu nem me lembrasse de atualizar. Até o próximo capítulo! xoxo