Preso Á Sete Chaves
9 Cara a Cara
Notas iniciais
Acordei no banco do carona do carro, olhei para fora e vi, além da névoa, uma enorme igreja. Lembrei-me do noticiário – “Jovem morto em igreja numa cidade abandonada”. Sai do carro assustado, meio tonto.
- Dan! – chamei por Dan, mas ninguém atendeu.
Andei em direção a igreja, subindo as escadas. Então vi de onde saia o som da sirene – do alto da igreja, perto da imagem da cruz.
Subi apressadamente as escadas, enquanto a cidade escurecia cada vez mais. Então entrei na igreja, sentindo uma forte dor de cabeça. Então a névoa me cercou e tive mais uma daquelas visões, essa mais completa, esclarecedora.
Eu estava no interior de uma igreja, queimada por um incêndio, a imagem de Jesus caída no chão. Eu me vi, estava um pouco mais velho, uma barba a fazer, o cabelo mais curto e penteado.
A garota – minha irmã – estava brincando com uma faca. Sorriu para mim e disse.
- Você já sabe o que acontece! – ela disse.
- Sim! – “eu” respondi.
Então ela veio em minha direção e me apunhalou com a faca dizendo.
- Você deixou que eles me abandonassem. – ela disse – Não derramou nenhuma lagrima por mim.
Então eu me vi morrer, no chão frio daquela igreja abandonada. E a névoa me cercou trazendo-me de volta ao meu tempo.
Então olhei a igreja e vi dois vultos, a igreja estava cercada por arame farpado por todo o lado, no centro uma fogueira já cinza, no chão um enorme buraco, de onde saiam os arames farpados. A porta da igreja então se fechou.
- Alex! – Dan sussurrou – Me salva.
Corri em direção aos dois vultos. Eram Dan e uma garota – Rosalie mais velha, bem mais velha. Ela sorriu para mim e disse algo em uma língua desconhecida por mim.
Ela então foi ficando cada vez mais jovem. Os cabelos brancos foram ficando pretos, a pele enrugada foi sumindo dando lugar a uma pele macia como seda. Seu corpo curvado deu lugar a um corpo esbelto de mulher e em seguida foi tomando a inocência de uma garotinha.
Então a gargalhada inocente dela ecoou por todo o interior da igreja. Dan me olhava com cara de quem não tava entendendo porra nenhuma, mas eu entendia, tudo se clareava dentro de minha mente.
- Olá irmãozinho! – ela disse – Pegue a chave logo.
- Que chave? – me fiz de idiota.
- Não seja burro! – ela disse – Não adianta tentar me enganar. Você não estaria aqui se não tivesse pegado as outras chaves.
- Onde ela esta? – perguntei.
- Na cama! – ela disse, apontando para uma cama de hospital pendurada nos arames farpados.
- Como eu vou fazer isso? – perguntei.
- Subindo. – ela disse rindo.
- Vai você! – respondi a ela.
- Não posso porra! – ela disse – Se eu pudesse não o tinha trago para cá.
- Merda! – eu disse.
- Ele está chegando... – ela disse, parecendo amedrontada.
- Quem? – perguntei.
- Não faça perguntas. – ela mandou.
Eu não sabia por que, mas senti que tinha que fazer o que ela “mandou”. Fui para o centro da igreja e comecei a subir até a cama, segurando no arame farpado e me cortando os braços.
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