Presente de namorado
1 Presente ou quase isso
Notas iniciais
Já fazia muito tempo que o informante estava andando pelas ruas de Ikebukuro, seus pés estavam começando a doer de tanto andar pra lá e pra cá e por sorte não tinha nem visto Shizuo o que de certa forma era algo bom ou ruim, nem mesmo ele conseguia dizer direito o que aquilo era.
Mais cedo, suas irmãs junto de Namie conseguiram colocar na cabeça do informante que seria muito bom ele fazer algo nos dias dos namorados para um certo loiro.
Ele não entendeu e também relutou em aceitar aquilo por Namie estar envolvida nisso tão diretamente. Ainda sim, as garotas conseguiram fazer com que seu corpo se levantasse da cadeira e fosse comprar alguma coisa para Shizuo Heiwajima, já que o dia dos namorados estava bem perto.
Mas, o quê seria perfeito para um monstro?Pensava Izaya enquanto andava pelas ruas, tendo seus olhos fixos nas vitrines sem tanto interesse assim, visto que essas carregavam apenas coisas clichês como: chocolates, ursinhos, balões com frases personalizadas. Ele não queria mesmice no seu primeiro dia dos namorados. É, ele e Shizuo estavam namorando há um mês e poucos dias, até mesmo para Izaya era difícil de acreditar que estavam compromissados.
A relação de ambos não mudou, afinal qual seria a graça se parasse de provocar o loiro?Nenhuma. Continuavam tentando se matar para depois, bem acabarem ou na cama do apartamento do loiro ou no seu. Izaya bufou frustrado por não achar nada que lhe puxasse seu interesse acabou optando pela opção mais comum, chocolates. Parou na décima loja que via naquele dia, não era grande o lugar era algo médio perfeito para atender um número pequeno de pessoas. Izaya observou cada detalhe da loja com os olhos castanhos rubros, e por onde seus esses passavam podia ver que o dono ou dona daquele lugar tinha certo fetiche por gatos e por rosa. Acabou espantando os pensamentos para longe assim que colocou os olhos em uma senhora de estatura baixa, sorria de ponta a ponta do rosto o que de certa forma acabou gerando calafrios sobre seu corpo.
— Como posso ajudar? — perguntava à velha.
Izaya suspirou e mordiscou a ponta dos lábios, tirou as mãos do bolso do casaco passando os dedos pelos cabelos. — Preciso de uma caixa de chocolates. É pra uma pessoa.
É ele não saia por aí dizendo que Shizuo Heiwajima era seu namorado, também nem precisava fazer isso visto que ambos tinham um fã clube enorme de garotas. Izaya não ligava muito para os outros olhando, desde que não se intrometessem quando ele estava com o loiro. Ao ouvir aquilo a mulher sorriu mais largo ainda, a diferença era que agora ela deixava os dentes expostos.
O que levou o moreno a se perguntar se realmente tinha entrado na loja certa.
— É para o dia dos namorados não é? — perguntava a grisalha que agora não ficava mais parada no lugar, aos poucos começava a se mover para trás do balcão tirando de lá algumas caixas de doce com formatos diferentes.
Definidamente não viu necessidade de responder aquilo, visto que essa data era bastante popular. Izaya ficou quieto todo tempo, aproximou se do balcão como viu a senhora tirar as caixas do lugar deixando as, bem visíveis para ele assim como deixou um pote perto dali. Ótimo, o Orihara estava acreditando que escolher chocolates seria uma tarefa fácil não que tivesse que escolher ainda o tamanho e o formato da caixa.
Trinco ou dentes. Izaya nunca tinha parado para pensar qual era a cor favorita de Shizuo, nem se ele gostava de corações ou essas coisas fofas.
— Se quiser experimentar os mesmos chocolates que estão nas caixas, também estão no pote.
— Não — respondeu até mais depressa do que gostaria o que deixou a senhora um pouco surpresa pela reação. Ele não era realmente fã de coisas doces, até comia de vez em quando, porém aquilo não descia por sua garganta de jeito algum e por isso muitas das vezes recusava chocolate quando era oferecido.
Izaya por sua vez sorriu de canto, — Não sou muito fã de doces.
— Você ao menos sabe que tipo de doce ele gosta? — perguntou à senhora,
Izaya ficou por longos minutos olhando as quatro caixas, duas de coração e as outras duas tinham o formato quadricular. Qual dessas seria boa?Qual dessas Shizuo gostaria?Tsk pensava o moreno ao estalar a língua no céu da boca e colocar novamente seus olhos na direção da velha. — O mais simples — retrucou o moreno.
O sorriso largo no rosto da senhora desapareceu, passou a ser algo fechado e sem pouco interesse. Como todo comerciante que se preze, queria empurrar varias coisas para aquele rapaz levar, todavia ele não parecia nem um pouco interessado nelas ou se estava não sabia qual delas seria realmente boa presentear. Avançou as mãos sem pressa alguma ate as duas caixas de coração, agarrou a que tinha cor amarela e entregou para o moço a sua frente. — Esses são os mais simples, são chocolates ao leite, quem não gosta de chocolate ao leite?
Assim que ouviu aquilo Izaya conteve a vontade de responder, “eu não gosto de chocolate”. Dava para ver que ele ao menos tentava se controlar, quer dizer, tentava controlar a língua já seu rosto estava com um sorriso sarcástico bem instalado nos lábios.
— Vou levar — disse o Orihara que mentalmente já contava os minutos para sair daquela loja aquilo realmente estava chegando a incomodar.
(...)
Quando chegou ao apartamento de Shizuou pela noite, não ficou nem um pouco surpreso pela bagunça que aquele lugar estava muito menos pelo loiro não ter notado que alguém entrou pela janela do apartamento. Bem de acordo com o que ouviu saindo do banheiro, ele não ouviria mesmo se quisesse, Shizuo estava muito distraído no show que estava dando para o shampoo e cia.
Izaya teve que conter o impulso de rir e também de entrar no cômodo, não queria denunciar sua presença ali, pelo menos por enquanto não. O moreno andou pelo corredor pequeno chutando varias embalagens de comida para o canto, seu objetivo era o quarto do namorado, nada ali interessava tanto como aquele cômodo. Quando entrou acabou sorrindo de canto, o resto do apartamento poderia estar um verdadeiro chiqueiro, agora o quarto estava perfeitamente arrumado. Deixou a porta entreaberta e andou ate ficar na beirada da cama, deixando a caixa de chocolates em mãos enquanto uma coleira com um sininho habitava seu pescoço, se sua ideia desse certo a organização que dominava aquele cômodo deixaria de existir, de segundo em segundo Izaya Orihara ficava olhando para a porta e nada de Shizuo aparecer. Bufou, irritado pela demora do loiro naquele banheiro no fim acabou deixando a parte superior do corpo deitada sobre a cama, passando a admirar aquele teto cinza chumbo. — Nee Shizuo-chan — murmurou o moreno que aos poucos foi fechando seus olhos.
Shizuo realmente demorou mais do que o esperado, mas para o loiro ele não tinha feito nada demais apenas curtiu sem limites a água quente do chuveiro elétrico. Colocava uma toalha mediana amarrada à cintura, enquanto outra ficava sobre os ombros, o apartamento ainda estava do mesmo jeito que tinha deixado antes de entrar no banheiro com uma pequena diferença a porta do seu quarto antes estava fechada agora ela estava entreaberta. O Heiwajima estranhou isso, de inicio pensou em ser algum ladrão mais bastou que pensasse melhor para pensar em alguém de cabelos negros e olhos castanhos rubros. Um ladrão não seria burro de entrar em sua casa, agora Izaya Orihara...Ele já não poderia dizer o mesmo. Quando entrou no quarto sua certeza foi confirmada. O moreno estava ali deitado em sua cama, segurando uma caixa?Aquilo era o quê?Uma bomba?Veneno?Izaya mataria ambos de uma vez?Shizuo riu de maneira rouca com as próprias coisas que pensava. Deveria parar de comer antes de dormir, pelo menos teria um pouquinho de sanidade mental. Com passos ainda quietos ele aproximou se devagar do Orihara, podia ver que o peito dele subia e descia, Izaya estava dormindo segurando uma caixa de chocolates em formato de coração. Se estivesse com seu celular sem duvida alguma tiraria uma foto daquilo, para quem sabe usar mais tarde.
O loiro acabou mordiscando a própria língua ao perceber o motivo pelo qual ele estava com aquilo, dia dos namorados estava se aproximando e provavelmente aquilo seria seu presente e acabou se esquecendo dessa data, se Izaya Orihara soubesse disso sua reação não seria das melhores, já que também ele não tinha se lembrando do aniversario de um mês de namoro, o moreno não ficou nem um pouco feliz em saber disso e fez daquela semana um verdadeiro inferno. Com cuidado ele abaixou o tronco superior do corpo até estar perto o bastante do rosto do namorado, para que inicialmente beijasse sua testa e depois desse um selinho sutil nos lábios, ao descer um pouco os olhos o loiro conseguiu ver uma espécie de coleira envolvendo o pescoço de Izaya ele apenas riu internamente em saber que mesmo com o ato fofo Izaya Orihara tinha pensamentos pervertidos ou sabe se lá o que ele tinha em mente com aquilo, santo ele não era disso Shizuo sabia muito bem.
Ergueu novamente o corpo e deixou o nu por pouco tempo, suas mãos não demoraram nada para buscar uma cueca nas gavetas do guarda roupa para depois agarrar uma de suas camisetas.
Shizuo voltou para perto do moreno com cuidado, tirou a caixa de cima do abdômen do mesmo deixando a temporariamente sobre o criado mudo. Subiu na cama tentando não fazer barulho o que foi algo inútil, aquela porcaria não parava de ranger cada vez que ele se mexia, arrumou Izaya para que ficasse com as costas sobre seu abdômen, mordiscando levemente a nuca. — Pulga maldita — murmurou.
Shizuo Heiwajima não via por estar atrás do moreno. Mas Izaya estava sorrindo enquanto tinha os olhos fechados.
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