LUNA


“Todos os dias, eu gostava de amar coisas que me lembravam você.”

Amei a mesma pessoa durante cinco – sim, cinco – anos. Neste interminável tempo, fui obrigada a assistí-la com outra pessoa. E o pior: uma pessoa que mora a zilhões de quilômetros longe dele.

Eu poderia fazer da vida deles um inferno. Poderia, também, tentar roubar esse alguém pra mim. Poderia fazer uma série de coisas, pois, às vezes, parecia ser tão fácil obtê-lo. Aliás, por que diabos não enchi a cabeça dele dizendo coisas ruins dela? Éramos melhores amigos, e ele confiava tanto em mim quanto nela. Seria MUITO fácil fazer eles brigarem dizendo que ela não presta, especialmente devido à distância, que já estava no caminho desde o início. Todavia, minha consciência pesaria e não conseguiria lidar com isso. Seria egoísmo demasiado da minha parte querer tê-lo a qualquer custo, incluindo até os golpes mais baixos.

“Vou esperar a minha vez.”, pensei. O que custa pensar? O que custa sonhar? Um dia ele seria meu. Esperaria pelo dia em que ele olharia pra mim como uma garota, não irmã.


DANTE

“São dois olhos. Dois olhos que “olham” para a mesma pessoa e que fazem seu coração disparar.”

“Amor, você está bem?”; “Amor, como foi o seu dia hoje? Não conseguimos nos ver. Você fez bem hoje?”; “Meu travesseiro deve estar cansado de tanto eu apertá-lo e sufocá-lo todas as noites fingindo ser você.”; “Foi você; é você e continuará sendo você.”.

Eu não costumava sorrir tanto, tampouco me distrair tanto, porém, agora, sempre me pego sorrindo feito um bobo olhando ao nada. Me imagino perto dela diariamente. A minha única tristeza é por minha namorada morar tão longe. Queria sentir o seu físico; falar com ela pessoalmente, olhá-la diretamente... mas, por enquanto, não dá. Por vezes, me sinto desanimado com este fato de não estarmos perto.

Ainda bem que tenho a Luna, minha melhor amiga. Ela sempre me incentiva a contiuar, enquanto os outros querem que eu desista.

Morram.


LUNA


Pronto, falei. Disse-lhe que o amo. Quando, ainda, naquela época, queria ele, me declarei timidamente e falei-lhe que o esperaria, mas eu esperei tanto, que resolvi que me mudaria para outra cidade. Assim, poderia esquecê-lo mais facilmente.

“Não!”, exclamou ele em desespero quando falei que ia embora. Pega de surpresa, perguntei o porquê de eu não ir embora, e ele, sem o que dizer, me beijou demoradamente. Meus olhos se abugalharam; meu corpo arrepiou-se e minhas pernas ficaram bambas.

“Estou sonhando? Isto está acontecendo?”, perguntei-me zilhões de vezes durante aquele beijo. Aquilo era tão... tão... tão estranho... Eu estava feliz.


DANTE

“Talvez eles tenham razão. Talvez... eu deva terminar tudo com ela e seguir em frente... Estou bem.”


LUNA


Sete meses passaram-se. Nós estávamos juntos; no entanto... eu não estava feliz. Sim, eu, que desejava-o tanto, não estava feliz. Sabia que ele não me amava. Me senti usada.


DANTE


"Eu menti. Eu não estou bem."


LUNA


Meu aniversário tinha chegado. Neste dia, marcamos de nos encontrarmos no parque. Não estava muito bem. Era o dia em que eu ganhava mais um ano de vida, e eu não estava bem. Como assim?

Sabe de uma coisa? Esse dia foi o pior da minha vida.

“... bem, trouxe um presente pra você...”, acanhado, falou ele, dando-me a caixa. “Dan, obrigada...”, agradeci antes mesmo de abrir o presente, e, com lágrimas nos olhos, continuei: “... mas... não quero este presente...”. Ele até se preocupou. Parecia desapontado.

“Por quê?”, perguntou. “Fiz algo de errado?”

“Não, é só que...”, o resto das minhas palavras não saíam, porém, com um pouco de coragem e deixando as lágrimas rolarem sobre o rosto, perguntei: “Se sentiria zangado se eu pedisse um outro presente de aniversário que não fosse este?”, me referia ao que estava dentro daquela caixa.

“C-Claro que não. O que você quer?”

“Termine comigo.”, com a voz chorosa, respondi, olhando-o nos olhos. Os dele estavam arregalados. Ele se paralisou por vários segundos.

“Bem... eu--”

“Você está perdendo tempo comigo quando podia estar com ela.”, interrompi-o, referindo-me à sua ex. “Não deve desistir dela...”

“Me perdoe... por isso...”, ele abaixou a cabeça junto da voz.

“Tudo bem. Não escolhemos por quem nos apaixonamos, afinal, não mandamos no nosso coração.”, até aquele momento, eu estava contendo as lágrimas bem.

“Luna”, olhou pra mim. “, como você disse, não escolhemos por quem nos apaixonamos. Meu coração é dela e, mesmo que eu pudesse escolher por quem me apaixonar, ainda seria ela...”, feito! Não consegui mais segurar as outras lágrimas. Elas rolaram rapidamente e constantemente. Estava sentindo-me tão triste; tão nervosa; tão inútil... Ele não precisava dizer aquilo. Não aguentei: dei um tapa no rosto daquele idiota e, seguidamente, saí dali.

Passei dois dias trancada dentro do quarto. Não tinha vontade de comer nem de tomar banho. Só queria chorar. Só depois daquelas longas quarenta e oito horas, que resolvi mudar aquele quadro: respirei fundo; sequei as lágrimas; me olhei no espelho; arrumei o cabelo; joguei todas as nossas fotos na lareira; apaguei ele de todas as redes sociais – mas, antes disso, mandei-o para o inferno –; olhei para o céu; subi na janela do apartamento e, finalmente, tombei ao chão, morta.

Aqui eis uma carta de uma suicida inútil que tentou ser feliz e... Felicidade? Isso nunca existiu pra mim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!