Present Perfect
12 11. Chaos
Capítulo 11: Chaos
06/01/2010
Sob os olhares atentos de Amy, Alec e Ethan, Winter mudou de posição. Ela contorceu-se debaixo do cobertor cor de rosa, abriu a boca em um longo bocejo e voltou ao mesmo sono tranquilo de antes.
— Ela não faz muita coisa, né? — Ethan verbalizou o que estivera permeando sua mente durante boa parte da última hora.
Amy fitou-o com descrença.
— É um recém nascido, o que você esperava? Cambalhotas?
— Sei lá. — Ethan respondeu, afastando-se do berço. — Só não achava que fosse ser tão… parado.
— Fique feliz por isso. — Hollie disse. Sentada na cadeira de balanço na parede oposta do quarto, ela fitava as unhas com desinteresse. — Quando ela não ‘tá dormindo, ‘tá berrando sem parar. Faz três dias que ninguém consegue dormir nessa casa.
Ethan sentou-se no tapete felpudo e Chanel desceu da cômoda para ajeitar-se em seu colo. Apesar da fama de mal-humorada e antipática, a gata persa da família de Hollie adorara o novo visitante e agora seguia-o por todos os lados. Ele entrelaçou os dedos no pelo branco e macio, tentando não suspirar entediado.
— Daqui a pouco passa. — Havia uma esperança genuína nas palavras de Amy, mas sua prima só deu de ombros, não parecendo muito convencida.
— Sim, daqui a pouco além de dormir e chorar, ela vai estar puxando meus cabelos, jogando comida no chão e fazendo drama toda vez que for contrariada. — Hollie enumerou desanimada e os demais fizeram o possível para não rir. Não era difícil perceber que o que a incomodava mesmo era o fato de ela não ser mais o alvo exclusivo de todo o afeto e atenção de seus pais.- Muito animador.
Alec, que ainda estava concentrado no bebê adormecido, desviou o olhar para Hollie.
— Qual é, não pode ser tão ruim assim. Ela é tão fofinha.
— Sim! Dá vontade de apertar! — Amy concordou, o tom de voz um pouco alto demais. Assustada, Winter remexeu-se outra vez e abriu os olhinhos castanhos. — Olha só, ela acordou.
Hollie arregalou os olhos.
— O quê? — Perguntou atônita, desviando a atenção dos dedos para erguer o tronco em alerta. — Saiam daí. Agora. Devagar. Sem movimentos bruscos.
Confusos, Amy e o irmão entreolharam-se sem entender.
— Por quê? — Alec indagou confuso e ao ouví-lo, Winter esboçou o que pareceu um sorriso. Então sua boquinha se contorceu, surgiram dobrinhas em seu queixo e seu rosto ficou vermelho. Um choro estridente saiu de sua garganta e Alec sentiu vontade de chorar junto pela morte de seus tímpanos.
Hollie escondeu o rosto em uma das mãos.
— Por causa disso. — Disse com pesar, preparando-se para levantar e acudir a criança que chorava como se alguém a estivesse torturando. Ela estava a meio caminho do bebê quando a porta do quarto foi aberta e Charles, o pai dos gêmeos, entrou. — Eu juro que não fiz nada.
Julian, o pai de Hollie, não pareceu nada convencido. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Keith colocou uma mão sobre os braços cruzados do marido, a fim de interrompê-lo.
— Eu sei que não, querida. — O padrasto de Hollie respondeu. Apesar do sorriso acolhedor em seu rosto, as olheiras escuras debaixo dos olhos denunciavam seu cansaço. — Ela deve estar com fome.
— Posso? — Charles perguntou e Keith fez um sinal com as mãos como se dissesse “é toda sua”. Ela andou em direção ao berço e, com cuidado, tomou Winter (que continuava chorando copiosamente) nos braços. — Pronto, pronto. — Repetiu, sacudindo lentamente a criança até que ela se acalmasse. O silêncio se estabeleceu logo depois e Charles foi agraciado com um sorriso por parte da recém nascida. Comovido, ele não pensou antes de dizer em um tom um pouco mais alto. — Amor, acho que quero mais um.
— Ah, pronto. — A voz da mãe dos gêmeos ecoou do corredor, arrancando risadas generalizadas. — Alec, Amy, peguem suas coisas. Vamos embora antes que seu pai comece a falar sério.
Charles rolou os olhos, abandonando o quarto com o bebê nos braços. Eles ainda podiam ouvir a divertida troca de farpas entre o casal quando Keith encostou a porta.
Um silêncio incômodo preencheu o quarto.
— Ok, o que a gente faz agora? — Ethan não conseguiu esconder o tédio por trás de suas palavras. — E se alguém sugerir mais uma partida de Uno eu juro que não respondo por mim.
Amy caminhou até o amigo e deu um leve aperto em seu ombro. Um gesto silencioso para expressar o quanto compartilhava do sentimento. Então voltou-se para a prima:
— É seu aniversário, o que você quer fazer?
Hollie suspirou e passou uma das mãos pelo rosto, como se tentasse decidir se deveria ou não revelar o que estava se passando em sua cabeça. Até que disse por fim:
— Honestamente? Eu queria poder ir pra qualquer lugar que proibisse a entrada de bebês.
Sem saber o que dizer, Ethan se limitou a rir baixinho. Alec caminhou até a janela e observou a paisagem por um longo momento antes de responder.
— Ainda ‘tá nevando muito, duvido que deixem a gente ir lá fora. — O auge do inverno chegara mais cedo em New Castle naquele ano e desde que haviam colocado os pés na cidade, na madrugada daquele mesmo dia, pouco pudera ser feito. Todas as atividades estavam restritas ao interior da casa de Hollie. — Alguma outra sugestão?
— Filme? — Hollie propôs, apenas para negar com a cabeça em seguida. — Não, se vocês me fizerem assistir Harry Potter mais alguma vez eu acho que morro de overdose. — Constatou pesarosa e voltou-se para Ethan, que ainda tinha sua gata no colo. — Obrigada por viciar minha prima, viu? Era mesmo o que ‘tava faltando na minha vida.
— O prazer é todo meu. — Ele sorriu em agradecimento e sob seus dedos, Chanel ronronou satisfeita. — O próximo passo é fazer todos vocês assistirem Star Wars. Ainda não desisti dessa missão.
— Ei, não é bem assim. — Alexander rebateu, ofendido pela generalização. Ele se considerava um legítimo jovem padawan em treinamento, tinha seu próprio sabre de luz e tudo. — Eu já assisti todos. Você que ainda não viu o Senhor dos Anéis!
— Os filmes têm mais de três horas! — Ethan precisou defender-se. — Eu e a Amy já tentamos várias vezes, só que a gente sempre acaba dormindo. É muito parado!
À menção da ruiva, todos no quarto voltaram suas cabeças à procura de Amy, apenas para descobrir que ela não estava mais ali.
— Quando foi que ela saiu? — Alexander indagou, sua expressão confusa sendo mimetizada tanto por Ethan quanto por Hollie.
— Eu não vi. — Ela admitiu.
— Aposto duas libras que ela ‘tá aprontando.
Ao término do desafio de Ethan, a porta do quarto foi aberta lentamente. Pelo vão, a ponta azul e laranja de uma arminha de dardos podia ser vista.
— Senhoras e senhores, mãos para o alto. — Amy disse, surgindo por trás da Nerf. — Não se mexam ou eu atiro.
— Se não é pra se mexer, como eu vou colocar as mãos pro alto? — Ethan questionou e a ruiva rolou os olhos, apertando o gatilho em seguida. Um dardo de plástico passou a quase vinte centímetros da testa do menino. Ele riu antes de se levantar e ir até a porta, puxando a amiga para dentro pelo cano da arminha de brinquedo. — Suas ameaças teriam mais valor se você conseguisse acertar o alvo.
Amy riu, entregando a arma a ele e dando as costas para puxar uma enorme mochila vermelha pela alça.
— Eu quase esqueci que tinha trazido isso. — Ela disse, agachando-se para abrir o zíper e revelar outras três arminhas de brinquedo como aquela.
— Você esqueceu que tinha um arsenal guardado? — Ethan indagou curioso e a ruiva esboçou um sorriso culpado.
— Mais ou menos. — Admitiu em voz baixa para que apenas ele ouvisse. — Era uma espécie de plano de distração de emergência.
Ethan franziu o cenho sem entender.
— Como assim?
Amy fez um sinal com as mãos indicando que explicaria mais tarde e ele apenas assentiu, tentando imaginar o objetivo de tudo aquilo. Afinal, se a menina tinha uma estratégia para entretê-los, então porquê não a revelara quando o tédio os havia feito passar horas revezando entre rodadas de uno e super trunfo? Ethan tinha quase certeza de que conseguiria se lembrar dos pontos fortes e fracos de um buldogue francês pelo resto de sua vida.
— Cada um por si ou em duplas?
Ao ouvirem a pergunta de Hollie, Amy e Alec trocaram um olhar rápido, porém cheio de palavras subentendidas. O irmão assentiu e a ruiva tentou esconder a feição espevitada e ansiosa que sempre acabava denunciando seus planos mirabolante.
— Nenhum dos dois. — Ela respondeu, tirando da mochila uma outra Nerf e esticando-se para dá-la ao irmão que ainda estava próximo à janela. — Já que você é a aniversariante do dia…
Hollie abriu a boca em choque e franziu as sobrancelhas. O reconhecimento da encruzilhada estampado em seu rosto.
— Ah, não! — Protestou, cruzando os braços sobre o peito. — Vocês não podem fazer isso comigo! É meu aniversário, vocês deviam me servir, não me atacar!
Alec ajeitou a arminha no braço, verificou se ela estava devidamente carregada e sorriu com ternura para a prima.
— Você tem dez segundos pra correr.
— Não! — Hollie choramingou, contrariada. Amy tirou outra Nerf da mochila e entregou-a à prima. Com capacidade para 42 tiros e gatilho automático, era também maior que todas as outras. — Ok, menos mal.
— Dez. — Alec ergueu os dedos e começou a contagem. Hollie não esperou o próximo número para sair correndo do quarto de Winter.
— Sabe, isso é um pouco cruel. — Ethan sentiu-se obrigado a admitir quando a menina não estava mais à vista.
— Sim. — Alec concordou enquanto Amy pegava para si a arminha que restara na mochila. Era a menos elaborada de todas e ao notar que seria precisao parar e engatilhar a Nerf a cada novo tiro, Ethan se ofereceu para trocar. Ela negou com as mãos, mas sorriu em agradecimento.- Mas você sabe como a Hollie ama ser o centro de tudo, principalmente na época do aniversário dela.
— A adoção ter acontecido bem nessa semana só piorou isso. — Amy continuou a explicação. — Ela até tenta brincar e disfarçar, mas ‘tá mesmo incomodada com a falta de atenção dos meus tios.
Ethan continuava sem entender a relação entre os acontecimentos.
— Certo, mas atacar ela com dardos de isopor ajuda como?
— Ajuda fazendo ela liberar a frustração acumulada. — Amy esclareceu e abaixou-se para amarrar os cadarços de um dos converses pretos. — A vontade de gritar e bater em alguma coisa ‘tá escrita na cara dela. Se a gente não fizer alguma coisa, ela vai acabar explodindo.
— É tipo um problema de família, então. — Ethan constatou, podendo perceber a própria melhor amiga descrita nas palavras sobre Hollie. — Viu só? — Indagou, encarando Alexander com escárnio após este atirar-lhe com um dardo na nuca. — Você acabou de provar meu argumento.
Não muito ciente de que estava defendendo sua família acima de qualquer explicação racional, Alec se limitou a sorrir sarcasticamente.
— Esses são os dez segundos mais demorados da história da humanidade. — A voz de Hollie, ecoou do corredor, surpreendeu-os. Ethan ergueu a mão para ajudar Amy a se levantar, mas a ruiva balançou a cabeça em negativa e engatinhou até a porta. Ela deitou de barriga para baixo no carpete, esticou a mão que carregava a Nerf e apertou o gatilho. A gargalhada de Hollie veio seguida das palavras — Errou! Sua míope.
Alec aproveitou para juntar-se à irmã no ataque. Contudo, ao invés de acomodar-se ao lado de dos dois ao chão, Ethan simplesmente abriu a porta de uma vez, deparando-se com a figura de Hollie a alguns metros de distância, próxima à escada. Ele não precisou de mais do que dois segundos para erguer a própria arminha e atirar na direção dela.
O tiro acertou a bochecha esquerda de Hollie, que resmungou e atirou de volta uma incontável sequência de vezes. Ethan acreditava já ter sido atingido pelo menos seis vezes quando Alexander se deu ao trabalho de sair de dentro do quarto, Nerf em mãos e uma expressão determinada no rosto.
Ethan e Hollie cessaram seus ataques para fitá-lo.
— Quais as suas últimas palavras, priminha?
— Eu me rendo? — Amy sugeriu atrás dele. Também apontava sua Nerf para Hollie, embora ninguém a considerasse uma ameaça séria, dada a sua péssima pontaria.
Hollie sorriu em desafio e apoiou o corpo contra o corrimão.
— Jamais. — Disse com determinação e voltou a puxar o gatilho da arminha de brinquedo. O primeiro dardo bateu contra o pescoço de Amy, o segundo no queixo dela e o terceiro, para a surpresa de todos, entrou direto em sua boca.
Amy tossiu alto e as gargalhadas foram instantâneas, mas logo Alec e Ethan já estavam agindo em sua defesa. Rindo alto e sem conseguir conter os gritinhos que teimavam em escapar a cada vez que uma parte de seu corpo era atingida por um dardo voador, Hollie recuou alguns passos, começando a descer as escadas ainda de costas, completamente distraída pela brincadeira. Alec tentou se pronunciar, avisando-a sobre o perigo, mas não houve tempo suficiente. Um novo grito foi ouvido e o barulho do corpo de Hollie batendo contra os degraus foi ensurdecedor em meio ao repentino silêncio.
Amelia, Alexander e Ethan entreolharam-se em choque. Do outro lado da casa, Winter começou a chorar ainda mais alto do que antes. As vozes preocupadas dos adultos surgiram pouco depois. Notando a imobilidade do par ao seu lado, Alec adiantou-se em direção ao murinho do mezanino para fitar o estado da prima no andar de baixo. Por favor esteja inteira, por favor esteja inteira, implorou baixinho, temendo o que estava prestes a ver.
Para seu desespero, ele não a encontrou na porção mais larga da escada, onde uma curva alterava o ângulo de descida. À partir da metade dos degraus do andar do inferior, pequenas manchas vermelhas podiam ser vistas a intervalos irregulares sobre o carpete claro. Hollie estava deitada de barriga para cima, olhos verdes arregalados e confusos. Havia um filete de sangue escorrendo de sua testa até seu queixo. Ele sentiu o coração apertar e o sentimento de pânico aumentar dentro de si.
— Eu ‘tô bem! — Hollie falou ao vê-lo e ergueu um polegar em sinal de positivo para indicar que estava mesmo viva. Mas quando sorriu, e Alec sabia que ela só o estava fazendo para tentar acalmá-lo, ele pôde ver que um dos incisivos não estava mais ali.
— Ah, merda. — Ele vocifrou com pesar. A irmã e Ethan fitaram-no com expressões igualmente assustadas no rosto. — Foi foi um prazer conhecê-los.
Alec não tinha dúvidas, se Keith não os matasse por terem machucado sua garotinha, Hollie certamente o faria ao descobrir que tinha agora um dente a menos na boca.
16/07/2017
Se tinha algo de que Alexander se orgulhava em sua personalidade, era de sua capacidade de manter a calma em momentos de crise. Diferente da maioria das pessoas, cuja agitação externa tornava impossível o raciocínio lógico, o rapaz parecia sempre saber o que fazer quando tudo começava a dar errado. Ou ao menos era o que tentava transparecer aos que estavam a seu lado, a fim de não piorar qualquer que fosse a situação com mais pânico desnecessário.
Prova disso era que agora, ao observar a televisão desligada, Alec não sentia vontade de gritar e bater recordes de xingamentos por minuto (assim como sua irmã, que não se calara desde que a energia caíra). Se tivesse de ser sincero, ele teria de admitir que na verdade sentia uma vontade incontrolável de rir.
A ideia da perda de sinal em um momento tão crítico de seu seriado favorito poderia entrar facilmente para o seu top de maiores sacanagens do acaso cósmico. E o fato de estar acontecendo justamente agora, enquanto estavam hospedados em um quarto de hotel cinco estrelas tornava tudo muito mais cômico.
Pronto para apontar a ironia da situação e render-se às gargalhadas pela falta de sorte, Alec voltou-se para a irmã, que havia parado de vocifrar palavrões para fitar a tela do celular. Uma preocupação sem precedentes tomou conta de seu corpo ao constatar que o rosto de Amy assumia tonalidades cada vez mais claras. Ela não parecia estar respirando.
— Amy? — Chamou quando ela expirou o ar com tanta força que os fios de cabelo afastaram-se alguns centímetros de suas bochechas. — Amy, o que foi?
— Que...Aquele...Ethan...Argh!. — Sua gêmea grunhiu e, incapaz de formular uma frase coerente, estendeu-lhe o celular que segurava. A tela continha marcas de impressões digitais pela pressão de seus dedos.
Alec tomou o aparelho para si com a sensação de que tinha em mãos uma bomba a segundos da explosão.
— Ah, merda. — Alec quase choramingou ao ler a mensagem de texto que confirmava um de seus piores medos. Todos sabiam que nada de bom viria dessa reaproximação entre sua irmã e Ethan, tanto que ele e Hollie vinham se revezando para mantê-los afastados ao máximo. No entanto, Amy podia ser insuportavelmente teimosa quando queria e nos poucos momentos em que a perdiam de vista, ela sempre arranjava um modo de atormentar a vida do rapaz. Ainda um tanto atônito, ele colocou o celular sobre o criado mudo e escolheu com cuidado as palavras que diria a seguir. — Quer bater em alguma coisa? — Perguntou e, para sua surpresa, Amy negou com a cabeça. — Gritar contra o travesseiro? — Outra negativa. — Sair pra correr? — Dessa vez, ela estreitou os olhos, sem dar qualquer crédito à sugestão. Alec tinha sérios problemas de sedentarismo e nunca se voluntariava para acompanhá-la em seus exercícios físicos. — Devo ligar pro doutor Olivier?
À menção de seu psicólogo, Amelia rolou os olhos, não se dando ao trabalho de responder. E então, contrariando todas as expectativas de Alexander, ela começou a rir.
Rir não, gargalhar.
Amy jogou-se de costas contra o colchão, o corpo subindo e descendo em espasmos descontrolados que chamaram a atenção de Mochaccino e despertaram-no de seu sono. Tão confuso quanto Alexander, cachorro e irmão fitaram a ruiva como se uma segunda cabeça tivesse surgido em seu tronco.
Quando ela por fim pareceu capaz de se conter, levantou-se e foi em direção ao banheiro.
— Juro que também não entendi nada. — Confessou baixinho ao buldogue quando este pulou por sobre o espaço vazio no colchão para sentar-se em seu colo. Ele ligou a lanterna do celular para poder enxergá-la em meio à escuridão que se estabelecera no quarto. — Amy, que caralhos ‘tá acontecendo?
Escova de dente em mãos, sua gêmea abriu um sorriso triunfante e repleto da espuma branca do creme dental. Ela cuspiu na pia, lavou a boca e as mãos e voltou à cama como se nada tivesse acontecido.
— Nada. — Disse simplesmente enquanto se deitava no mesmo lugar de momentos antes. Mochaccino não tardou a saltitar de volta para a dona, acomodando-se no espaço entre as canelas de Amy — Eu vou dormir.
Alec continuou fitando-a completamente perdido, mas sua gêmea não se virou para encará-lo nem mesmo quando ele desistiu de obter uma explicação e seguiu rumo ao próprio quarto vazio.
Com o coração batendo acelerado contra o peito, Amy deixou escapar um suspiro de alívio ao ouvir o bater da porta. A escuridão escondia completamente sua fisionomia, mas o medo de que seu rosto pudesse denunciar o sentimento de triunfo que a preenchia era palpável.
De olhos fechados, ela permitiu que o verdadeiro significado das palavras digitadas por Ethan a atingisse: ele se importa. Céus, ainda era possível retomar a melhor amizade que tivera em toda sua vida.
**
Ethan sentiu que algo estava errado assim que acordou na manhã seguinte.
A ligação da recepção acontecera no horário usual — ele ainda não conseguia ouvir o som de um despertador sem ter vontade de atirar o objeto mais próximo de suas mãos na parede — e Ethan agradecera a Lucius mecanicamente por se dar ao trabalho, os olhos semiabertos, a voz rouca pelo sono.
Para sua total surpresa, o que notou ao devolver o telefone ao gancho e se espreguiçar não foi a familiar sensação de que um bando de Cyberman¹ havia passado a noite marchando sobre seu corpo, mas sim uma leve letargia que sem dúvidas passaria após um banho quente. Ethan não se lembrava de ter acordado tão disposto assim desde que a viagem de férias começara. Talvez a expectativa de começar a retribuir o tratamento de Amy ao invés de continuar choramingando nos ombros alheios tivesse apaziguado seu inconsciente de alguma forma. Mas como mero aspirante a advogado, Ethan não saberia dizer se sua hipótese tinha qualquer embasamento. Provavelmente não.
Ele pegou o celular do criado mudo. Passava um pouco das nove e a mais recente notificação era de Alexander que, tendo assumido a responsabilidade pelo grupo mesmo só sendo mais velho do que Cassie, lembrava-os do vôo que pegariam para Los Angeles à uma da tarde. Era preciso chegar com pelo menos duas horas de antecedência para evitar problemas quanto à presença de Mochaccino na cabine, frizara seu cunhado.
Ethan bufou com a perspectiva de passar cinco horas confinado em uma aeronave com o cachorro a poucos metros de distância. De todos os animais que já encontrara na vida, o café de quatro patas conseguira ser o primeiro a ser automaticamente hostil à sua presença. Na opinião de Ethan, que costumava ser amado à primeira vista por qualquer bicho de estimação, aquela era uma prova irrefutável de que havia algo de muito errado com o buldogue de Amy.
Depois de fazer como qualquer pessoa comum e checar cada uma de suas redes sociais, ele deixou o celular ao lado do travesseiro, acendeu as luzes e mais uma vez foi tomado pela sensação de que alguma coisa não estava como deveria. Sua irmã e o noivo, que por algum motivo haviam decidido dormir em seu quarto na noite anterior já não estavam mais ali e, com exceção do próprio Ethan, o ambiente estava vazio. Acordar sozinho não era nenhuma novidade também, Connor vivia usando seu charme com os funcionários do hotel para poder usufruir das suítes vazias com Hollie,mas Ethan sabia que não era a solidão que estava deixando os cabelinhos de sua nuca arrepiados. Não… O que o estava incomodando era o aparentemente inofensivo fato de ele ter dormido por horas sem qualquer interrupção.
Claro que, depois do incidente com os malditos despertadores um combinado acabou sendo feito entre todo o grupo: nada de acordar os outros antes do horário a não ser por motivos de extrema urgência — e por urgência entendia-se casos de vida ou morte, acidentes e desastres naturais, nada de futilidades como projetos de vingança pessoal. Mas o rapaz não deixava de desconfiar da validade daquilo tudo. Afinal, se Amy já usara de alarmes para mantê-lo acordado por toda uma madrugada sem que tivesse havido qualquer provocação de sua parte, o que ela seria capaz de fazer agora que Ethan não só entrara no jogo de suas armações, como também fora descarado o bastante para vangloriar-se de seu feito por mensagem de texto?
Três batidas ecoaram contra a porta de madeira.
— Bom dia, flor do dia! — Connor cumprimentou sorridente, entrando sem ser convidado.
— Olha só quem lembrou que tem um quarto — Ethan retribuiu em um tom menos empolgado. Bom humor matinal era o tipo de coisa que ele jamais entenderia. — A que devo a honra de sua visita aos nossos aposentos? Saudades?
Connor mandou um beijinho em sua direção.
— Vim avisar que você demorou muito pra acordar. Todo mundo já levantou e comeu. — Ethan estreitou os olhos. Era impressão sua ou havia mesmo algo por trás daquela interação inofensiva com seu amigo? — Se quiser, posso pedir pra levarem o café da manhã lá na área da piscina e você come com a gente.
Apesar de comovido pela consideração, Ethan não conseguiu deixar passar a chance de zoá-lo.
— Você ‘tá mesmo com saudades de mim, não é? — Questionou sem disfarçar a vontade de rir e foi agraciado com um sorrisinho forçado da parte de Connor, as mãos do rapaz juntas para formar um coraçãozinho. Dessa vez, Ethan gargalhou. — Se sente tanto a minha falta, é só passar a noite comigo ao invés de ficar atrás da Hollie. Vocês parecem dois coelhos ninfomaníacos.
Connor colocou uma mão sobre o peito e abriu a boca, fingindo uma expressão de choque.
— Ethan Holmes, você está com ciúmes?
— Não…
— Sei. — Seu amigo voltou as mãos à maçaneta da porta e estreitou os olhos, não convencido. — Vê se não demora, se a Amy resolver envenenar seu café, eu não vou impedir.
Ele fez um joinha com o polegar e jogou as pernas para fora da cama.
— Tô indo, não precisa continuar sofrendo pela minha ausência.
Connor assobiou em elogio à sua seminudez e Ethan riu outra vez da idiotice enquanto se levantava.
Só lembrou-se da sensação ruim que o atormentara mais cedo quando chegou ao banheiro e deparou-se com olhos alaranjados fitando-o sem piscar. A cabeleira cor de ferrugem, o rosto branco e de testa enorme, a boca vermelho sangue aberta em um sorriso sádico. Havia até mesmo um balão vermelho flutuando junto da cabeça do palhaço Pennywise² que fora pendurada no centro do espelho.
Ethan sequer pensou antes de emitir um misto de engasgo com grito. Tomado pelo desespero e incapaz de desviar os olhos daquela reencarnação do demônio, ele recuou alguns passos, a vontade de urinar completamente esquecida. Acabou por tropeçar em um tênis largado pelo caminho, caindo de costas contra o colchão da própria cama.
Era provável que, caso Connor não estivesse ainda a poucos passos do quarto, Ethan permanecesse por um longo período na mesma posição em que caíra: barriga para cima, braços abertos, feição desorientada no rosto. No entanto, ao ser trazido de volta à realidade pelos chamados aflitos do melhor amigo, o rapaz se obrigou a reagir de alguma forma.
Com a respiração e o ritmo cardíaco ainda completamente desregulados, Ethan sentou devagar. Mirou a máscara do palhaço uma outra vez e junto do arrepio involuntário, sentiu a força do ódio crescer em suas veias.
— Onde você vai? — Connor questionou preocupado quando o viu levantar e marchar em direção à porta.
— Matar a Amelia.
— Espera! — Seu amigo quase gritou, atirando-lhe uma bermuda que estava largada sobre a poltrona. — Pelo menos veste alguma coisa antes.
Ethan pegou a peça de roupa e vestiu-a sem prestar atenção. Saiu do quarto a passos largos e descalços, os punhos cerrados, o maxilar trancado pela raiva. A visão periférica lhe dizia que Connor o seguia pouco atrás, mas ele não se deu ao trabalho de esperá-lo enquanto descia as escadas dos quatro andares que levavam até a área externa.
— Olha só quem apareceu! — Cassie exclamou ao vê-lo. Na piscina, ela sorria ao lado de Alexander, uma bola de vôlei em mãos. Mas assim que notou a expressão em seu rosto, sua irmã empalideceu. — O que…
Não houve tempo para ouví-la finalizar a sentença. Ethan avistara os tão conhecidos e problemáticos cabelos ruivos e marchava até sua fonte.
— Você. — Ele falou entredentes.
Apesar dos óculos escuros, era notável a confusão dela ao fitá-lo ali, não só bloqueando a entrada da luz solar como também se dando ao trabalho de dirigir-lhe a palavra.
— Eu…? — Retribuiu o chamado e, para disfarçar a curiosidade, virou a página do artigo que tinha no colo. O silêncio se estabeleceu pelo que pareceu uma eternidade enquanto Amy fingia continuar lendo, até que foi surpreendida por um par de braços levantando-a da espreguiçadeira. Seu grito de surpresa assustou Mochaccino, que, já tenso pela presença de Ethan, começou a latir. — Mas que por… — Já irritada, o questionamento morreu em seus lábios quando ele simplesmente a soltou, deixando que seu corpo caísse até a piscina.
Água cristalina envolveu-a por todos os lados. A surpresa, presente em cada milímetro de seu organismo, fazendo-a engasgar. Amy logo emergiu, tossindo forte. Mal conseguia formular um raciocínio ou uma explicação coerente para o comportamento do rapaz.
Ela já tinha toda uma seleção de xingamentos prontos para serem proferidos em alto e bom som assim que recuperasse o fôlego. No entanto, o pânico que sentiu ao ver o que Ethan segurava agora a paralisou o suficiente para que som algum saísse de seus lábios.
Um a um, os papéis que continham o rascunho ainda não digitado de sua dissertação de mestrado abandonaram as mãos de Ethan. Flutuaram pelo que pareceu uma eternidade até atingirem a água ao seu redor. Amy poderia jurar que, naquele momento, seu coração parara de bater. Uma facada nas costas com certeza teria doído menos em seu âmago.
— Colocar a porra de uma máscara de palhaço no meu banheiro! — O tom e a expressão de Ethan estavam tomados pela ira. — Dessa vez você foi longe demais, Amelia.
A ruiva fitou-o mais aturdida do que antes, sem fazer ideia de que caralhos ele a estava acusando. Em busca de suporte e explicação, buscou pelos rostos familiares que a cercavam até que encontrou o irmão gêmeo. Alec assistia a tudo a poucos metros de distância e desviou o olhar assim que seus olhos se encontraram. Havia uma postura claramente culpada ali.
Clara o suficiente para que Amy entendesse tudo.
**
Como imaginava, Amy não conseguiu dormir após receber a mensagem de Ethan.
A insônia era uma infeliz conhecida da menina, que lidava há anos com crises de ansiedade e suas desagradáveis consequências. No entanto, ela costumava ser capaz de perder a consciência em algum momento da madrugada enquanto fitava o teto escuro, enquanto percorria os dedos pelas dobrinhas de Mochaccino — ela havia aberto uma exceção e permitido que o filhote dormisse em sua cama na primeira semana que passaram juntos, apenas para descobrir que não existiam exceções quando se tratava de animais de estimação (Mocha raramente chegava a passar a noite na caminha em formato de burrito que ela havia comprado pela Amazon). Não foi o caso daquela vez.
Amy passara horas virando de um lado para o outro na cama até que eventualmente o despertador tocou e ela se viu obrigada a sair da cama e ir interagir com os demais. As horas seguintes foram gastas de maneira automática, o desânimo e cansaço típicos de uma noite em claro impedindo qualquer manifestação mais energética de sua parte. Isso até Ethan jogá-la na piscina e arruinar uma semana de progresso em cima de seu mestrado.
A porção mais passional de seu ser queria odiá-lo por isso, mas após descobrir o que Alexander fizera, Amy não se sentia em posição de fazer julgamentos moralistas. Ethan sofria com a fobia de palhaços desde criança e usar esse tipo de medo irracional como fonte para brincadeiras era de uma sacanagem descabida. Além disso, ela mesma já havia reagido pior e por muito menos.
Como encontrar desculpas para as ações de seu irmão parecia impossível e Amy ainda não havia evoluído espiritualmente a ponto de conseguir ignorar por completo o que Ethan havia feito, ela passou todo o período que se seguiu sem falar com ninguém que não Hollie e Mochaccino. Talvez por sentir a diferença em seu comportamento, o buldogue estava quietinho, decidido a ser o cachorro modelo em sua caixa de transporte.
Amy cumprimentou a equipe de bordo e murmurou elogios ao animal enquanto entravam no avião e seguiam à procura da poltrona. Uma vez encontrada, ela ajeitou Mocha no espaço abaixo do assento do avião e sentou-se, afivelando os cintos ao redor de sua cintura. Hollie e Connor acomodaram-se na fileira à sua frente e Alexander ocupou a poltrona ao seu lado. Mas Cassie pediu para trocar de lugar com um senhor e, ao invés de ficar ao lado do noivo, sentou-se junto de Ethan na sessão que era separada pelo corredor.
Tendo em ambos os lados as duas pessoas com quem menos gostaria de conversar no momento, Amy aumentou o volume da música em seus fones de ouvido. Feita a decolagem, ela se certificou de que estava tudo bem com Mochaccino e tirou a máscara de dormir da mochila, colocando-a sobre o rosto.
Sem disposição para fazer qualquer coisa, estava determinada a usar as cinco horas seguintes para pelo menos recuperar o sono perdido. A vitória sobre a insônia veio pouco depois.
A princípio parecera apenas mais um sonho comum: desconexo, sem um início plausível ou qualquer significado mais profundo. Extremamente vívidos — e por isso, bastante desgastantes à sua saúde mental -, a maioria das visitas de Amy ao território de Morfeu³ começava assim.
Ela estava sentada com Hollie em uma de suas cafeterias favoritas no centro de Manchester. Tagarelando sobre os planos para o final de semana — já que depois de mais de dois meses juntos, Amy havia finalmente decidido tomar o próximo passo em seu relacionamento com Henry — e soltando risadinhas desavergonhadas a cada recomendação indecente da prima. Amy deliciava-se com um cupcake de baunilha — ela ainda não conseguia se forçar a manter os olhos em qualquer coisa que lembrasse Pistache -, vez ou outra escondendo o rosto por trás da xícara de cappuccino fumegante para camuflar o tom corado das bochechas. Tudo enquanto a neve caía do lado de fora do estabelecimento.
No momento seguinte, ela estava ao ar livre. O sol brilhava em um raro dia ensolarado e, após limpar o suor que escorria pela testa e afastar alguns fios do cabelo agora loiro para atrás das orelhas, Amy avistou Ethan ao fim da trilha de pedras. O boné vermelho contrastava com os fios escuros e ela sentiu o ar escapar por suas narinas enquanto criava coragem para avançar em direção ao rapaz. Estava atrasada para encontrá-lo no Fletcher Moss, o jardim botânico que há tempos havia se tornado o ponto de encontro dos dois, e sabia disso.
Não se tratava de qualquer novidade também, já fazia algum tempo que Amy deixara de fazer juz ao estereótipo da pontualidade britânica, mas algo lhe dizia que daquela vez seu melhor amigo não a receberia com um dar de ombros, uma risada e um abraço apertado, recheado de saudade.
Entre todas as coisas que vinha tendo de resolver nos últimos tempos — o intermédio das brigas entre os pais em casa (um ano já havia se passado e Amy ainda não conseguia acreditar que a mãe pudesse mesmo ter cogitado abandonar a tudo e a todos para servir aos médicos sem fronteiras no Quênia); a matrícula na faculdade e os possíveis trezentos e cinquenta quilômetros de distância que poderiam se estabelecer entre ela e o namorado caso Henry não conseguisse a transferência para a Kings College; os detalhes da mudança para Londres com Alexander e Hollie; — era àquele encontro com Ethan que ela vinha há mais tempo temendo e adiando.
Era fato consumado que ela havia feito uma cagada colossal. E que, apavorada com os possíveis desdobramentos das próprias ações e os impactos que elas teriam em sua amizade — ela ainda podia chamar o que havia entre ela e Ethan disso? — Amy simplesmente optara pela saída mais estúpida possível: isolar-se de todos. Para a sua infelicidade, no entanto, nunca foi fugindo que qualquer um de seus problemas foi resolvido.
Ethan tentou disfarçar quando ela se aproximou, mas não foi rápido o suficiente para não ser notado. A sucessão de emoções ao constatar a mudança no visual de Amy — espanto, incerteza, decepção — estavam estampadas em seu rosto, claras o bastante para que qualquer um que o conhecesse bem pudesse lê-las.
Na única vez em que tivera coragem de analisar friamente o ocorrido, Amy se surpreendera com o fato de não ter podido prever ali, naquele momento pré-encontro, que as coisas não ocorreria como de costume. Haviam tantas palavras não ditas entre ela e Ethan, tantas coisas não explicadas, tantos mal entendidos… Inferno, Amy deveria ter sabido o que aconteceria!
Ela afastara o rapaz com tamanha convicção, tamanha fúria e asco em seus gestos. Amy podia recriar com mais precisão do que gostaria os detalhes da reação de Ethan às suas palavras. Fique longe de mim, demandara e assim ele o fez.
E Amy ainda tivera a coragem de culpá-lo inteiramente por isso. Aos dezoito anos de idade, aquele fora o sinal mais óbvio de que o fundo do poço havia sido atingido.
Quando acordou, tudo o que proferira naquela tarde parecia ecoar em seus ouvidos, mais alto do que a voz de Brian Carter* no refrão de Black Hole que tocava em sua playlist. Merda, talvez fosse um sinal de que precisava conversar e se acertar de uma vez com Ethan.
Soltando um bocejo, Amy tentou erguer a mão para afastar a máscara de dormir dos olhos, apenas para descobrir que seu movimento estava sendo restrito por alguma coisa. Desperta pelo susto, ela seguiu o olhar até o pulso esquerdo. Havia uma auréola metálica com pelinhos cor de rosa ali, a corrente prendendo-a diretamente até o pulso de outra pessoa, alguém que estivera sentado na poltrona que era separada da sua pelo corredor.
Não havia mais como fugir, sua família havia chego à mesma conclusão que ela e ainda agido sobre isso, indo ao extremo de algemá-la a Ethan para evitar que continuassem fugindo um do outro.
A ironia foi tamanha que ao invés de ficar emputecida, Amy simplesmente riu.
*~*
Observações:
¹Cyberman: são uma raça fictícia de ciborgues na série de ficção científica Doctor Who (melhor série da vida, assistam!!)
²Pennywise: na obra do autor Stephen King, é um assustador palhaço que alimenta-se dos medos e fobias de crianças.
³Morfeu: considerado o deus dos sonhos na mitologia grega.
*Brian Carter: personagem da fanfic Não Conte aos Paparazzi da autora Tatá Ribeiro, é vocalista da também fictícia banda Dark Paradise.
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