Present
2 Capítulo II
Notas iniciais
– Você pode escutá-los, Kushina? Essa canção... – Pronunciara suavemente enquanto observava vários pássaros perto da janela daquele quarto. – É linda, não é? – Sorrira gentilmente para a ruiva.
– Sinto muito, deve ser difícil para você ter que esperar tanto tempo... – Seus olhos cansados fitavam o loiro ao seu lado. – Quando voltarmos para casa, prometo que irei recompensá-lo pelo tempo perdido. – Completara com uma expressão travessa, esta apenas aumentou ao ver o espanto do homem.
– Do quê está falando? – Perguntara desviando seu olhar da ruiva.
Pergunto-me se os olhos dessa mulher estão realmente me vendo, ou se veem aquele que um dia fora dela...
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– Isso machuca, não é? – Uma voz masculina, aparentemente cansada, quebrara o silencio daquele corredor escuro e inóspito. – Resista...
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– Eu costumava odiá-lo por estar sempre sorrindo. – Comentara levemente emburrada enquanto olhava pela décima vez o sorriso enorme do loiro.
– Mesmo? – Perguntara fingindo surpresa após a pequena confissão da ruiva. – Eu quase não percebia seu olhar que pedia incessantemente que um piano caísse em minha cabeça a qualquer momento. – Sorrira bobamente para a moça sentada no leito, a mesma apenas rira baixo.
– Jurava que você nunca havia percebido esse pequeno detalhe. – Um sorriso de canto se formara no rosto da jovem. – Mas eu pensava em um prédio, não um simples piano. – Sorrira ao ver a expressão incrédula de Minato, o mesmo, após sair do transe, rira do comentário exagerado da garota.
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Andava rapidamente pelos corredores quase vazios daquele local, nunca estivera tão irritada como naquele momento. Desviava de todos os alunos que perambulavam pelo corredor e pelo pátio da escola, andava em direção a um local um pouco afastado de tudo e de todos, um local onde dois prédios diferentes se encontravam, deixando apenas um corredor pequeno. O mesmo levava em direção a um local isolado e perfeito para pensar e gritar o quanto quisesse.
Após o pequeno e estreito corredor, entre os prédios, havia um espaço razoavelmente confortável. Porém, o que mais a surpreendera fora a grande e aparentemente velha árvore de sakura que havia no centro do local. Afinal, como ninguém havia descoberto aquele lugar ainda?
A mesma tivera sorte em encontrá-lo logo nos primeiros dias de aula, quando se perdera tentando encontrar sua sala. Como fora parar lá tentando encontrar sua sala? Bem, isso era um mistério a ser desvendado algum dia.
– Irritante... Realmente irritante. – Andava de um lado para o outro tentando se acalmar. – Se ao menos aquele loiro aguado não existisse... – Parara repentinamente perto da grande e velha árvore de cerejeira que havia naquele local afastado. – Como podem gostar tanto de alguém tão irritante? Que fica sorrindo como um idiota para tudo e para todos. Que os céus façam com que quebre o maldito pescoço. – Socara com força o tronco deixando um pequeno gemido abafado escapar, para em seguida arrepender-se por ter posto muita força. – Se ao menos eu não tivesse esse cabelo... – Sussurrara encostando suas costas no tronco, assim deslizando até sentar-se no chão segurando suas pernas próximas a seu corpo.
Não, não iria chorar por algo tão fútil, porém estava magoada por sempre falarem da cor de seus cabelos, não tinha culpa de os mesmos serem daquela cor, muito menos de ser a única a odiar aquele professor.
Sim, tudo isso era por causa dele, Namikaze Minato, o maldito que arruinara sua vida social naquele colégio. Odiava aquele sorriso despreocupado e o jeito bobalhão que emanava naturalmente daquele ser, e no que isso resultava? Ser odiada por todos pelo simples fato de tê-lo xingado no final de uma de suas aulas. Ótimo, nada melhor do que ser ignorada e ter seus cabelos, constantemente, no meio de comentários idiotas.
– Tomara que os céus não lhe ouçam nesse momento. – Uma voz masculina fez-se presente no local. – Gosto da ideia de ter meu pescoço no lugar. – Sorrira bobamente enquanto com uma mão bagunçava os cabelos da nuca.
Pronto, era só o que faltava para aquele dia ficar perfeito, um intruso em seu lugar favorito longe de todos. Mas o que mais lhe incomodava, além de ter um intruso, era que o intruso fosse ele, aquele ser idiotamente desprezível para ela.
Estava pronta para falar inúmeros xingamentos que lhe passara em mente, porém os mesmos apenas se silenciaram após uma pequena frase. Afinal, havia ouvido direito?
–O que disse? – Perguntara perplexa sem conseguir acreditar em seus ouvidos. E, novamente, lá estava o maldito sorriso idiota estampado naquela face.
– Seu cabelo... é bonito, eu gosto dele. – Repetira sem cerimonias o que havia acabado de dizer. – Me lembra de minha flor preferida. – Dissera despreocupadamente aproximando-se da garota.
– Flor? – Não estava entendendo o que o mesmo queria com tudo aquilo. Não precisava de sua gentileza enjoativa.
– Sim... Camélias, eu realmente amo camélias vermelhas. – Levara uma de suas mãos até uma pequena mexa dos cabelos avermelhados, assim que o fizera acabara por, automaticamente, acariciar levemente os fios sedosos.
– O que pensa que está fazendo? – Falara após sair do pequeno transe, assim estapeando a mão do loiro. – Nunca mais toque em mim. – Levantara-se saindo rapidamente do local.
Aah, como queria ter soado séria... Por que sua voz tinha que lhe falhar justamente naquele momento? E por que seu coração estava tão acelerado por ouvi-lo dizer aquilo? Talvez, apenas talvez, fosse por ele ter sido a primeira pessoa que elogiara seus cabelos que há tanto odiava.
– Maldita gentileza irritante... – Pensara enquanto tentava fazer o rubor de seu rosto e as batidas de seu coração diminuir.
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