Presas

4 Capítulo 4


Depois de dois meses tendo que aturar aquele garoto jogar charme para mim na metade das aulas,de segunda a sexta e ter ele invadindo meu espaço na entrada da floresta,eu finalmente tinha despistado ele.

Estava descendo do prédio principal onde ficava os quartos,a diretoria,a cafeteria e a biblioteca,com uma pilha de livros-ficticios e da escola- para ler na paz que a natureza me proporcionava quando eu vi aquele menininho,o irmão caçula dos Riley.Ele corria com a vivacidade que as crianças costumam correr.

Continuei seguindo meu caminho,andando de acordo com o ritmo de meus pés.Respirando o ar fresco que a floresta possuía como sua.Uma coisa em mim implorava para ir mais adentro da floresta.Explorar seus segredos.

Eu deixei os livros na entrada da floresta e entrei,correndo de leve,como se eu estivesse me exercitando.Encontrei uma clareira e me sentei atrás de uma árvoe para diminuir minha respiração ofegante.

Ouvi barulhos de caminhadas,um gemido seguido de um baque e lees risadas.Eu engoli em seco e me direcionei para frente,para tentar exergar quem era.

Eu vi longos cabelos loiros voando e camisas da escola.Senti um olhar em mim e me encostei na árvore,com a respiração mais ofegante que nunca.Decidi me levantar.Ficar ali,parada como uma idiota só pioraria as coisas para mim.

Corri para a árvore mais próxima e inclinei o rosto para enxergar.Eu vi um cervo caido no chão,se debatendo levemente,perdendo lentamente suas forças.Vi um garoto magro,alto e loiro inclinar a cabeça e morder o cervo,quando ele se levantou,seu rosto estava cheio de um líquido denso e vermelho.

Sangue.

Eu dei um berro,cada vez mais alto.Uma mão voou na minha boca,para me fazer calar-me.

–Shhh.-uma voz de garota disse.-Eu sei.Mas,precisamos nos sentar com você,não vamos mordê-la.Nos alimentamos bem hoje e...não gostamos de sangue humano.-uma mecha de cabelo loiro caiu no emu rosto e eu entrei em pânico.

O garoto magro e alto anda até mim e limpa o sangue.Eu consigo vê-lo mais claramente e reconhecê-lo.Matthew Riley.

Uma confusão começou a se formar na minha mente.

–Amara,pode tirar a mão da boca dela.Ela não vai gritar.-Matthew disse,tapando a boca com a mão.

Assim que Amara tirou a mão da minha boca eu murmurei:

–O que vocês são?-eu disse,sentindo o aperto da mão de Amara nos meus pulsos.

Os dois meninos viraram.Spencer que a pouco minutos estava correndo-talvez tentando controlar a energia renovada-,tinha um brilho de culpa nos olhos.Ian estava com braços cruzados e sorrindo irônicamente,como se quisesse isso a muito tempo.

–Desculpe,poderia aumentar o tom?-Ian pediu,com os caninos afiados aparecendo.

.-O que vocês são?-eu perguntei,muito alto e com tom firme.

–Ah,agora deu para ouvir.-ele ironizou,mexendo nos cabelos.-Somos vampiros.Sabe aqueles caras e damas que sugam sangue de animais,humanos e garotinhas intrometidas que vão na floresta sozinhas?Então,somos nós.Tcharãn!-ele abriu um sorriso sarcástico e ele praticamente voou para minha direção.-Precisamos conversar,mocinha.Todos nós.

.-E se eu não quiser ir?Vocês não gostam de sangue humano.-eu disse,tremendo da cabeça aos pés.

–Sacrifícios às vezes precisam ser feitos.-ele comentou,me pegando no colo.-Se eu fosse você,não me mexia.Você vai se machucar.

Eu me encolhi contra a minha vontade quando ele começou a correr,tive medo mas então eu encontrei os olhos dele.

–O que foi,garotinha?-ele perguntou,olhando para frente.

–Meu nome é Marina e você sabe.O que vocês vão fazer comigo?-eu perguntei,firme

.-Apenas conversar.Os outros não me deixariam machucar você.São fracos demais.-ele falou,como se comentasse que o céu está muito chuvoso.

–Não me pareceram fracos a pouco minutos atrás...-eu murmurei,me aconchegando no peito musculoso dele,involuntariamente.

Ele riu e eu pude sentir a risada dele.Ele parou abruptamente e me pôs no chão

.-Fica sentadinha aí,garoti...-ele sorriu.-Marina.

.Eu me sentei no chão e ao redor tinha uma rosa amarela,como o sol.Eu puxei-a delicadamente e fiquei-a observando até sentir um vento rápido e quente.

–Bonita a rosa.-Amara disse,sorrindo.-Eu gosto de flores.Você também gosta?

–Parem de me tratar como uma criancinha.Eu tenho dezesseis anos.-eu disse,dando a flor para Amara.

–Eu tenho trinta.-ela falou,naturalmente.-Até Spencer é mais velho que você.

–Só trinta?Imaginava que teria,sei lá,cem anos.

.-Isso é uma coisa que vamos discutir.-Matthew falou,se sentando na roda que haviamos formado.

–Os vampiros eles param de envelhecer físicamente assim que se transformam.Não somos vampiros transformados.Somos filhos de transformados.-Amara diz,se sentando ao meu lado.-Minha mãe é cinquenta anos mais velha que meu pai.

–Filhos de vampiros transformados diminuem o envelhecimento a partir de doze anos vividos.Paramos de envelhecer entre os dezoito e os vinte e dois anos vividos.-Ian diz,me fitando nos olhos.

–Como eles têm filhos se estão...mortos?-exclamo,começando a me interessar pela historia.

–Bom.Existe 50% de chances de vampiro com vampira.Vampiro com humana tem 60% de chances e vampira com humano quase 80%.Nossos pais tiveram nós quatro mas,alguns casais não tem nenhum filho,por mais que tentem.-Amara disse,olhando para Matthew.-São raros casos que tem mais de dois filhos e mais raros ainda,casos com cinco ou oito filhos.

–Existe?!-eu exclamo,surpresa.

–Se você conhecesse certas vampirinhas,com certeza não se surpreenderia.-Ian diz,sorrindo irônicamente.

–Agora,temos de marcar para que neste fim de semana você conheça nossos pais.-Spencer se pronuncia,sorrindo.

.-O quê?-eu exclamo,me assustando com a ideia de conhecer vampiros transformados,provavelmente mais violento.

–Regulamento familiar.Eles vão fazer certas perguntas pois...é impossível um humano enxergar vampiros fazendo vampirices.-Ian diz,se levantando.-Vamos,esta começando a escurescer.

.Eu respiro fundo e me deixo ser guiada por eles.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.