Presa à Você
9 Capítulo 8
Notas iniciais
Abri os olhos lentamente, não contendo um sorriso. JungKook ainda dorme, tranqüilo e sereno. Como um anjo... O quarto está uma bagunça devido à noite anterior. Peguei minhas roupas e vesti-as ainda sorrindo. Saí do quarto e fechei a porta sem fazer barulho. Ao entrar na cozinha, peguei uma maça e comecei a comê-la enquanto procurava uma caneta e um papel. Encontrei uma pequena agenda com alguns contatos e uma caneta por cima.
Desculpe sair sem avisar, quando você estiver lendo isso eu já estarei em casa, assim espero. YoonGi vai ficar furioso se eu não voltar logo, então é isso. Eu te amo muito.
Lee ღ
. . .
O táxi parou em frente à casa e eu desci. Entrei com os saltos na mão na tentativa de não fazer barulho.
—Lee?
—S-sim, YoonGi? –Oh meu Deus! As marcas!
—Você voltou cedo. –Droga, droga, mil vezes droga!
—É-é, voltei. –Virei-me de costas para YoonGi tentando cobrir meu pescoço. Se YoonGi ver as marcas vai ser o fim...
—O que foi?
—Nada! Eu... Eu preciso ir! –Subo as escadas correndo o mais rápido deixando YoonGi pra trás. Tranquei a porta e procurei por um corretivo que despistasse as marcas. Passei por cima cobrindo quase tudo.
—Lee? –Ouvi a voz de Huna e sorri.
—Pode entrar. –Ela o fez. –O que deseja?
—Ontem, uma mulher misteriosa, mandou-me entregar esse bilhete à senhorita. –Huna estendeu-me um pequeno pedaço de papel dobrado. Peguei-o. –Ela pediu pra não dizer a ninguém além da senhorita.
Encontre-me na cafeteria perto da sua escola às 16:00. É sobre seus pais. Vá sozinha.
—Sabe de quem é?
—Não... O bilhete foi impresso. Obrigado. –Huna sai do meu quarto sem dizer nada. Quem mais sabe sobre meus pais?
15:40
Meu coração por pouco não sai da boca. Eu raciocinei milhares de vezes mas não consigo pensar em alguém que saiba dessa história. As únicas pessoas que sabem somos eu e YoonGi. Só se... Não... Ela não... Yang não poderia ter feito isso! Eu... Eu confiei nela! Como ela pôde!? Joguei-me na cama frustrada. A essa altura eu já nem me importo se as pessoas souberem de tudo... Mas o que me incomoda é que o assunto é sobre meu pais!
16:15
Abri o ecrã do meu celular e vi três mensagens não visualizadas. Número desconhecido.
>Por que ainda não está aqui?
>Isso não é brincadeira.
>Venha logo, e vá sozinha.
Tal pessoa quer mesmo me encontrar... Levanto-me quase em um salto e desço as correndo, pulando dois em dois degraus. Chamei o motoristas e lhe passei o endereço. Após dar partida no carro, observei as árvores cercarem a casa de YoonGi, rezando mentalmente para que a pessoa que quer falar comigo ainda esteja me esperando. Chegamos em frente a cafeteria e desci do carro, já procurando alguém. O local está praticamente deserto.
—A senhorita vai querer que eu a busque na volta?
—Ahn... Sim, eu telefono quando for sair, sim? -O motorista assentiu e eu observei o carro desaparecer conforme andava ais rápido.
Meu celular vibra e sem pensar duas vezes desbloqueio o ecrã, visualizando a mensagem.
>Até que enfim você apareceu.
>Atrás de você.
—Mãe!?
—Olá, filha. -Ela sorriu abertamente e meu coração se partiu em mil pedaços. Como ela tem coragem de me chamar de filha!? -Você mudou bastante, querida.
—O que você quer? -Pergunto indiferente ao que minha "mãe" me abraça.
—Filha, não fale assim comigo. Eu sou sua mãe.
—Não me chame de filha! -Grito limpado uma lágrima que insistia em escorrer. -Uma mãe não faria o que você fez! -Virei-me para ir embora quando sinto um leve toque em meu ombro.
—Apenas ouça o que eu tenho à dizer. Você merece saber.
—Já está tudo bem claro pra mim. -Apesar de ainda estar de costas, pude sentir que minha mãe baixara a cabeça.
—Por favor. -Respirei fundo e virei-me para ela. Ela sorriu e guiou-me para uma mesa. Pedimos dois cappuccinos. -Então... -Ela suspirou nervosa. -Eu quero dizer que sinto muito.
—Ah, é? Se arrepende por me vender para alguém que só me fez mal? -Sorri sarcástica. -Fala sério, por que você está aqui? Veio pegar mais dinheiro de YoonGi? 25.000.000 não foram o suficiente?
—Por favor filha, não é nada disso. -Seus olhos visivelmente ficaram marejados.
—Então o que é!? Por que pra mim a única explicação é essa!
—Eu não quis fazer isso. Eu juro, mas foi necessário. -Ela baixou a cabeça como se refletisse.
—Continue.
—Há alguns meses, seu pai e eu brigamos feio. Ele foi à uma boate, onde conheceu alguns homens. -Ela levantou o rosto e sorriu. -Eles beberam, jogaram e apostaram. Seu pai, infelizmente, apostou e perdeu tudo o que nós tínhamos, e ainda ficou devendo muito dinheiro aos homens que conheceu. Nós não tínhamos como ganhar esse dinheiro, temíamos a sua segurança. -O garçom entregou nossas bebidas, bebemos e minha mãe continuou. -Por fim, um dos jogadores era YoonGi. Ele quis comprar você, prometeu cuidar bem de você. E nós aceitamos a proposta... Por você.
Essa história foi como uma facada no peito. Eu odiei meus pais por tanto tempo, e agora descubro que tudo o que eles fizeram foi para meu bem... Como eu sou idiota...
—Mãe...
—Eu sinto muito... Eu sei que não foi fácil pra você... -A essa altura as lágrimas descem incessantes, mas eu não me importo. Levantei-me da mesa e abracei minha mãe. Não... Eu não posso odiá-la... -Me perdoe...
—Não, não mãe. Eu é que peço perdão. -Sorri soltando-a. -Vocês fizeram isso para o meu bem, eu eu apenas julguei mal vocês...
—Minha filha... Eu te amo tanto!
—Eu também.
[. . .]
Entrei na casa com uma energia fora do comum. Eu estou disposta a perdoar YoonGi, sim, apesar de tudo o que ele me fez, eu quero perdoá-lo.
—YoonGi! -Chamei mas nada. -YoonGi! YoonGi!
—Aish! Pare de gritar! -Disse ele saindo de seu escritório. -O que você quer?
Corri até ele e o abracei. Ele se assustou com o toque repentino mas passou as mãos por minhas costas. Senti ele sorrir contra meu pescoço, fiz o mesmo, sentindo seu perfume me intoxicar. Soltei-me do abraço e olhei fundo em seus olhos ainda sorrindo.
—Eu quero pedir desculpa. -YoonGi sorri.
—Pelo que?
—Ah... Me encontrei com a minha mãe hoje. -Sorri sem graça sem saber como dizer. -Ela... Ela me contou tudo. Você estava me ajudando e a minha família.
—E...?
—E apesar de tudo, eu te perdôo. -YoonGi sorri novamente, mas dessa vez sem mostrar os dentes. Ele abraça-me novamente, deixando as mãos correrem soltas por minhas costas. Sua boca aproxima-se de meu ouvido e minha pele arrepia-se.
—Não preciso do seu perdão.
Fale com o autor