Presa a Você

13 Nós podemos fazer isso!


Notas iniciais
Para compensar a demora, mais dois capítulos novos pra vocês. Vejo vocês nos Reviews, me deixem saber o que estão achando. Obrigado.

~~ Emma ~~

Eu sentia as lágrimas e o desespero que veio com elas, enquanto ambos me sufocavam. Um bebê! O que diabos eu faria com um bebê?

Era como se o chão sobre meus pés tivesse cedido.

– Meu Deus! – sussurrei.

Dean andava pela sala, passando as mãos pelo cabelo, como se fosse arranca-lo a qualquer momento. Eu ainda evitava olha-lo, era doloroso demais.

– Eu vou matar aquele filho da puta!

– Desculpe? – falei sem entender sobre quem ele falava.

– Andrew! – Dean agora me encarava como se eu fosse louca ou estupida por perguntar – Como ele se atreve?

– Dean, não estou entend...

– Eu sabia! Talvez ele tenha planejado tudo isso...

– Dean?

– Meu Deus Emma, um bebê!

– Dean!

Ele finalmente parou e agora me olhava, eu podia ver o quão tenso ele estava e a forma com que respirava pesadamente. Era sufocante ter de olha-lo nos olhos.

– Do que esta falando? – perguntei, suspirando.

Mais uma vez ele me deu aquele olhar, O olhar “Você bateu com a cabeça ou algo assim?”, e engolindo em seco, respondeu:

– Vou mata-lo. Andrew Chapmam será um homem morto pela manhã... — ele fitava o chão como se o peso do mundo estivesse sobre seus ombros e eu o observava, sem entender. – Como pode Emma? Como pode fazer isso?

O que diabos ele queria dizer com...

Foi quando entendi.

Não pude evitar, comecei a soluçar.

Dean Hunt acreditava que o pai do meu bebê era Andrew, e Deus sabe o quanto eu queria que isso fosse verdade.

– Desculpe Emma, mas ele...

– Você. – falei, limpando as lágrimas que borravam minha visão.

Assisti enquanto ele juntava as peças em sua cabeça e o entendimento caia sobre ele.

– Você é o pai.

– Mas...

– Nunca estive com outro homem Dean.

Enquanto ele desabava na poltrona ao meu lado, fechei meus olhos e finalmente senti a realidade. Eu esperava um filho do bastardo ao meu lado.

...

Eu sentia calor, um calor bom e reconfortante, abri os olhos e encontrei a causa dele.

Dean se agarrava a mim como se sua vida dependesse disso, enquanto sua mão esquerda descansava em minha barriga. A cena foi como um soco no estomago e primeiramente tentei afasta-lo, que resmungou algo e me puxou ainda mais perto. Nem em um bilhão de anos eu esperaria por algo assim vindo do garoto deitado ao meu lado. O garoto que insistia em me machucar desde o momento em que pôs seus olhos em mim, mas que também me fez ama-lo mesmo em meio a toda a dor.

Eu derramava lágrimas silenciosas enquanto o ritmo constante e calmo da respiração dele me embalava. Então me deixei senti-lo pela última vez antes de adormecer novamente.

...

Fui atormentada o resto da noite por um garotinho loiro de olhos azuis que corria para longe de mim. Ele parecia perdido e assustado e eu tentava inutilmente alcança-lo. O sonho era melancólico e de certa forma assustador, mas não pude agradecer pela forma com que fui despertada.

O peso de Dean e seu calor foram arrancados de mim bruscamente enquanto o som de gritos enchia o quarto.

– Que porra é essa Hunt?

Abri os olhos para encontrar Dean desnorteado no chão, enquanto James o puxava pela camiseta.

– Eu te avisei para ficar longe dela.

– James! — falei.

– Não! – ele voltou-se para mim, bufando. – Fique fora disso Emma.

– Não grite com ela.

– Não me diga o que fazer Dean, ela é minha irmã. Não pense que tem algum tipo de controle sobre ela.

– E se eu disser que tenho James?

Os olhos de Dean se voltaram para mim e silenciosamente implorei a ele que ficasse calado.

– Do que diabos você esta falando?

– Emma e eu...

– Nos casamos! – gritei. Não podia deixar que James descobrisse sobre o bebê, ninguém podia.

– VOCÊS O QUE?

– Estávamos bêbados e fomos enganados por um cara vestido de Elvis e...

Nem mesmo terminei a frase e James já estava socando Dean.

– VOCÊ É UM FILHO DA PUTA MORTO HUNT. Esperei a noite toda na sala de espera porque supostamente ninguém poderia estar aqui com ela. E o que encontro quando chego? Você agarrado a ela! A minha irmã caçula! Eu sabia que alguma coisa tinha acontecido entre vocês naquela maldita viajem, mas aparentemente todos se esqueceram de me informar sobre o casamento!

Levantei da cama e corri até eles, tentando inutilmente mover James, que insistia em sacudir Dean como se ele fosse um boneco ou algo parecido.

– James, pare!

Quando me preparava para soca-lo, senti uma vertigem, tudo ficou preto e minhas pernas pareciam feitas de geleia.

– Em?

Minha cabeça doía consideravelmente e o chão gelado enviava arrepios a minha pele.

Braços fortes me puxaram e eu sabia que era ele, tentei me afastar mais era inútil.

– Vá buscar alguém. AGORA! – Dea gritou.

– Dean, — engolindo em seco, falei – Ele não pode saber sobre o bebê, ninguém pode.

– Tudo bem, por hora. Teremos de dizer em algum momento Em.

Senti uma pontada em meu peito e lutei contra as lágrimas que ameaçavam cair.

– Não, não vamos. Será como se ele nunca tivesse existido Dean.

Seus olhos me fitavam com tamanha intensidade que faziam com que me sentisse envergonhada por minhas palavras.

– O que esta querendo dizer Emma?

– Não posso ter esse bebê Dean, e não vou.

– Esta dizendo que vai matar o nosso bebê? O meu filho? – a dor em sua voz era agoniante, então fechei meus olhos, já não tendo mais forças para encara-lo. — Não! Você não vai.

– Você não entende... – tendei argumentar.

– Eu entendo Emma, entendo perfeitamente bem que essa criança também é minha, você querendo ou não, e me recuso a sentar e assistir você a...

– Não, essa criança não é sua, eu não sou sua e cabe a mim decidir o que farei. – eu tremia e gritava com ele, enquanto ele apenas me olhava com seus olhos tristes e assustados.

Dean Hunt estava tão assustado quanto eu e isso apenas faziam com que a vontade de me atirar em seus braços aumentasse.

Pude ver as lágrimas nos olhos dele antes que ele se virasse.

– Dean eu...

Cuidadosamente descansando sua testa sobre a minha, ele segurou meu rosto, fazendo com que eu encarasse a imensidão azul mar de seus olhos.

– Shh, eu posso fazer isso, posso cuidar de vocês.

Eu queria acreditar, queria que ele me abraçasse e dissesse que tudo ficaria bem. Eu precisava que tudo ficasse bem. Mas nada ficaria bem, eu sabia disso. Dean e eu éramos tão diferentes quanto a água e o vinho e ele já havia me machucado o bastante.

Ele carinhosamente limpou minhas lágrimas e as faíscas que só ele podia provocar em minha pele, estavam lá.

– Nós podemos fazer isso Em, juntos. – a suavidade em sua voz não acobertava o medo, eu podia vê-lo através de suas palavras reconfortantes e seus olhos suplicantes.

– Podem fazer o que?

James entrava escoltado pelo velho médico que nos deu as boas novas ontem. Seu olhar assassino cravado em Dean.

Quando abro a boca para formular uma resposta vejo Sophie entrar trazendo com ela café. Quase chorei de alivio.

– Como ela está? – a voz preocupada de Dean me chama atenção.

– Ainda a manteremos sob observação. Por hora ela esta bem, mas precisa de repouso. – o velho ainda checava a maquina ao meu lado. Tudo o que eu queria era ir para casa.

– Preciso pedir que deixem a sala, apenas um de vocês pode ficar. – dizendo isso o médico deixou a sala.

– Eu fico com ela. – disse Dean, já caminhando de volta para a cama.

– Nem fudendo cara...

– Não. – falei, ignorando a pontada em meu peito e a dor nos olhos de Dean, que parou imediatamente em seu caminho para a cama. – Você pode ficar Sophie? – ela assentiu, ainda confusa.

– Emma eu não acho que... – começou ele.

– Não preciso mais de você Hunt, fico grata pelo que fez ontem, mas isso não muda nada entre nós. – o cortei, lutando contra as lágrimas e tentando não vacilar em minhas palavras que tanto o machucavam quanto me dilaceravam um pouco mais.

– Não! Eu vou ficar aqui, você precisa de mim e ... – eu podia ver a determinação nos olhos dele e isso apenas me quebrava ainda mais.

– Tire ele daqui James. – evitando os olhos de Dean, assisti enquanto ele abaixava a cabeça e deixava que James o escoltasse para fora.