Prenúncio de Amor

3 Por que não admite que me deseja tanto quanto eu a você?


Notas iniciais
Oi Gentem! eu ia só liberar amanhã, mas como teve muito surtos ontem e hj no fandom resolvi liberar logo pra vcs! Amando os comentarios e todo carinho, vou respondê-los prometo. :3;3

Julieta estava concentrada no seu trabalho minucioso, cortava com delicadeza as ervas daninhas, que tentava sufocar suas rosas. Parecia ela sendo sufocada pela vida e seus infortúnios, ela gostava de pensar nessa analogia. Era como a rosa, que mesmo entre espinhos florescia gloriosa. A rosa vermelha sempre foi sua favorita, e era por isso que fazia questão de levá-las ao túmulo daquele que havia destruído sua vida, sua inocência, sua essência. Mas ela não deixava as rosas, porque as rosas representava ela, e ao deixar os espinhos junto dele, era como se deixasse o recado 'Você nunca me teve, e nunca me terá'.

Passou a mão suavemente sobre a superfície de uma rosa vermelha. Ela amava a textura delicada das pétalas e a essência que emanava delas. Trabalhar no jardim era terapêutico para ela, era a única coisa que restaurava sua tranquilidade e aquietava seus pensamentos.

Ela estava ajoelhada sobre um lenço, sentia calor na nuca, seus cabelos estavam úmidos, mas não se importava. Um tempo depois sentiu que era observada. Ela sentiu um frio no estômago ao ver Aurélio de pé a alguns passos. Nervosa se levantou rápido, rápido demais e esbarrou numa roseira e espetou um dos dedos.

— Não sabia da existência dessa estufa e nem que você se interessasse por jardinagem. — Mais te vendo assim, no meio dessas rosas vermelhas... — ele falou com suavidade e, chegando mais perto dela, tomou a tesoura de jardinagem de seus dedos trêmulos — Parece que você pertence a esse lugar.

Aurélio estava perto demais e Julieta ficou perturbada. Podia sentir a respiração dele, rápida, e até o seu cheiro corporal. Ele estava mais lindo ainda com aqueles olhos cintilantes e aquele sorriso. A sensualidade que emanava dele a deixava desnorteada. Mas se Aurélio percebesse isso, estaria perdida. Portanto, ergueu a cabeça numa atitude de desafio.

— Como encontrou esse lugar?

— Não foi difícil te encontrar.

Aurélio olhou para as mãos dela. — Por que você não usou luvas? — Ele perguntou, pegando em seguida as pequenas mãos dela entre as suas e examinou o dedo, tinha uma gota brilhante de sangue na ponta do seu polegar. Ele pegou seu dedo e rapidamente levou a boca, sugando em seguida, ele fez isso sem tirar os olhos dela em uma lenta tortura.

Ela sentiu arrepios na espinha, mas manteve o rosto sereno, olhando firme para Aurélio. Não podia deixar que ele percebesse o quanto a perturbava. Continuou encarando-o e ele sorriu, pegando um lenço do bolso e envolvendo o dedo dela. Em seguida levou uma das mãos dela aos lábios. Diante do contato daqueles dedos quentes, o sangue dela começou a circular mais depressa, provocando um rubor inesperado em seu rosto. — Eu a deixo nervosa, Julieta?" Sim, demais. Tanto, que nem consigo respirar direito", Julieta pensou. — Não. — Disse ela por fim.

Aurélio suspirou e soltou suas mãos. — Então porque suas mãos suam e seu corpo vibra perto do meu. — Ela o olhava aparentando calma.

Não seria mais aquela mulher fraca, que demonstrava suas emoções como se fosse um livro aberto.

— O senhor me deixa irritada, apenas isso. — Aurélio segurou-a pelo pulso, suavemente.

Julieta tentou se livrar dos dedos de aço, mas foi inútil. Aurélio se inclinou e beijou-a, segurando sua cabeça entre as mãos, forçando-a abrir os lábios e receber o carinho. Quando o beijo terminou, ela estava pálida e trêmula, e, num gesto de desprezo, passou as costas da mão pelos lábios ainda úmidos.

Ele riu do gesto e aproximou o rosto cada vez mais perto do dela, até que os lábios se encontraram novamente, e, sem que ele a forçasse, ela abriu a boca. Sentia-se prisioneira de suas emoções. Estava excitada pelo toque das mãos dele, que subiam a curva de seu pescoço, tocando lugares sensíveis perto das orelhas, deixando-a totalmente mole. Julieta sentia-se num outro mundo, uma nevoa encobria aquela pequena estufa, era como um mundo particular, só deles. Era como se estivesse sonhando. Ele continuava explorando seu pescoço. Descendo a mão, tocou os ombros sensíveis de Julieta.

Julieta tinha medo, sabia que não teria condições de resistir. Ele conseguia fazê-la vibrar, arder nas mãos dele, se consumir naqueles carinhos que seu corpo tanto desejava. — Não, Aurélio... Por favor... Não posso suportar... Aurélio olhou-a bem dentro dos olhos. — Por que não admite que me deseja tanto quanto eu a você? — Porque não é verdade.. Não quero você! Julieta procurou escapar, mas Aurélio a puxou pela cintura e a manteve cativa contra seu corpo. — Ele a beijou com paixão e ternura, mal tocando seus lábios, para depois conquistá-los numa nevoa de desejo.

Ele a carregou até o banco de jardim e a deitou de uma forma que a deixasse confortável. Cobrindo-a com o corpo, prendendo-a de uma tal maneira que ela não podia se mexer. — Você me quer sim, e muito.

Julieta já não era mais dona de si. Seu corpo precisava do dele; seu desejo, por anos reprimido, necessitava ser satisfeito. Ela relaxou os músculos e abriu os lábios. Ansiosa por sentir Aurélio mais perto, abraçou-o, pronta para se entregar aquele momento. — Quero você — ele murmurou. Muito devagar, ele cobriu de beijos leves o pescoço e toda a extensão de pele dela, levantando o vestido até sua cintura Aurélio fazia carícias alucinantes, mas com tanta ternura, que Julieta só conseguia pensar no prazer que ele lhe dava. Como podia negar que amava esse homem, se ele a levava ao paraíso? Por que havia se apavorado tanto nos últimos dias, se, agora estava ansiando por se entregar por completo? Pertencia a ele, não duvidava mais. Aurélio tinha conquistado sua fortaleza, derrubado seus muros. Julieta fechou os olhos, consciente apenas das coisas maravilhosas que seu corpo sentia. Ela queria que o tempo parasse e aqueles prazeres não terminassem.

Ela gemeu e despertou daquele sonho erótico.

Sentia a umidade da camisola grudando como uma segunda pele no seu corpo.

Se recostou na cabeceira da cama, passando as mãos sobre os cabelos desalinhados. Ainda ofegante, colocou a mão sobre o coração que batia enlouquecidamente, ela ainda podia sentir a excitação em chamas pelo corpo inteiro. Novamente era torturada por aqueles sonhos, já havia tido tantos que já perderá a conta. Ela não podia mais continuar daquela forma. Ela tinha que ir na igreja, ela se confessaria naquele mesmo dia, se decidiu.

Mas ela não pôde, uma visita a esperava na sala de leitura.

Ema se levantou quando Julieta apareceu na sala e foi cumprimentá-la, Julieta segurou a mão da mais nova e a convidou para sentar na poltrona.

— Desculpe-me vim sem aviso. Não nós falamos desde aquele dia. Vim saber como você está. Seu tornozelo?

— Eu estou bem querida, já não sinto muita dor. Obrigada. E você? Está tudo bem? Parece aflita.

— Eu estou ótima! — Falou Ema sorrindo mas parecia meio que uma careta. — Aliais o que me trouxe aqui também foi a curiosidade, naquela tarde nem foi possível conversar direito. Você tinha algo para falar.

— Ah, sobre isso... Venha comigo. — Pediu Julieta se colocando de pé. — Tenho algo que lhe pertence no meu escritório.

— Meu? O que seria?

— Venha e descubra. — Riu a rainha do café sendo seguida.

Julieta colocou a caixa em frente de Ema, que a abriu risonha. Era sua caixa de segredos, que ficava escondida no sótão.

— Eu achei que iria querer. Eles teriam jogado fora se não tivesse visto. — Julieta falou sem jeito, pois aquele dia tinha sido o pior dia da jovem e ela era a responsável. — Fique tranquila, não li seus diários, mas não pudê conter minha curiosidade a respeito do seu caderno de desenhos. E era sobre isso que queria falar.

— Sobre isso? Não entendo.

— Você tem potencial Ema. Deveria seguir esse sonho. Por que você não o realizou ainda, me perguntava. Mas tenho uma grande noticia a respeito...

— Pare! — Falou Ema ríspida. — Desculpe, eu fico sensível ao falar sobre isso. Foi a tanto tempo. Era só uma ilusão de uma jovem boba, nunca foi sério. E sim, eu tive várias chances, com meu circulo social eu poderia facilmente seguir esse sonho bobo. Mas eu não podia deixar meu pai e meu avô sozinhos. E agora é... muito tarde!

— Ora... Ema! Não seja boba. Você é jovem. E não parece ser sem importância, se o fosse, não a deixaria assim.

— Sim... Mas agora é tarde, eu estou decidida a me casar. Vou arrumar um homem rico que possa assegurar a mim e a minha família.

— O que? Que sandices está dizendo, você estragaria sua vida para sempre.

— O que eu posso fazer? na minha atual situação não tenho muitas escolhas. E como meu pai falou, já está na hora de toda forma.

— O que você disse? Seu pai está de acordo com essa maluquice? ele está te obrigando a casar por dinheiro?

— Não! também não foi assim. Ele só mencionou, o óbvio. Será a nossa única alternativa. Eu tenho que cuidar da minha família como prometi a minha mãe no seu leito de morte.

— Você só pode estar brincando! — Julieta se levantou aborrecida, não conseguia acreditar que Aurélio tinha feito isso, achava que ele fosse diferente. Seu coração ferido foi atingido de novo, agora de forma ainda mais dura e brutal. — Eles são todos iguais! — Esbravejou ela se virando para Ema. — Você não pode fazer isso entendeu! Olhe para isso! — Pediu ela apontando para o caderno e o abriu. Ema olhou para o croqui que havia desenhado ao um longo tempo atrás, aquele sonho, aquele desejo que nunca pôde colocar fora daquele caderno. Mas ela já tinha desistido a muito tempo daquele sonho do mundo da moda, da brilhante Paris. Ela enxugou uma lágrima solitária.

— Você têm talento Ema, não o desperdice. Nunca vi um talento igual ao seu. Eu irei ajudá-la, só desista dessa bobagem de casamento.

— Você não entende, a minha vida desmoronou Julieta... Eu não tenho perspectivas... Eu nem tenho um lar...

Julieta olhou para aquela jovem e as lembranças dolorosas e tão semelhantes tomaram conta da sua mente.

— Eu entendo perfeitamente. Eu também passei pelo o que você passou — Julieta lhe deu as costas e continuou. — Você se arrependeria pelo resto da sua vida, isso quebraria seu espírito... destroçaria sua alma — Julieta se calou por um momento, tinha um nó na garganta, sua voz estava embargada, lutava contra aquelas lágrimas traiçoeiras, se virando ficou frente a frente com aquela menina teimosa, era como se tivesse de frente a um espelho. Ela se via, a muitos anos atrás, sendo obrigada a manter um compromisso que ela não fez, sendo obrigada a quitar a dívida de um patético e fraco pai. Sendo obrigada a conviver com alguém asqueroso, sujo e que com o passar dos anos só a sujou com sua podridão. Ela apoiou as mãos na borda da mesa e apertou a ponto de ficar com as juntas doloridas. Ela não ia permitir que aquilo acontecesse novamente. — ... Mas se acostumaria eventualmente, a solidão seria sua companhia e lá na frente, num futuro distante se tornaria uma pessoa amargurada, fria... e culparia sua família pelo resto da vida.

— Julieta eu agradeço a sua preocupação, mas estou decidida. nada vai me fazer mudar...

— Ah mais vai sim! — Julieta pegou sua bolsa e se dirigiu para a porta, parou, se virou e disse. — Não faça nenhuma sandice antes de falar comigo, não tome decisões sem pensar direito, eu tenho que esclarecer esse assunto. — Disse e saiu trovejando uns palavrões que fariam qualquer um enrubescer.

Julieta não sabia o que fazia até estar na fazenda onde Aurélio estava trabalhando e antes que mudasse de ideia desceu do carro com a ajuda do Olegário. Ele a olhava desconfiado, mas como sabia que sua patroa não estava nos seus melhores dias resolveu permanecer calado. Ele não fazia ideia do que ela estava fazendo naquela fazenda, pois o dono havia recusado sua oferta.

Ela andava dando longos passos, com a adrenalina correndo em suas veias nem sentia as comichões que vinha do seu tornozelo. Ela nem sabia porque se importava com a vida deles, ela nem tinha direito de se intrometer, mas aquela dor antiga, as lembranças a assombrava, não poderia ficar de braços cruzados. Ela parou e pediu para Olegário esperar no carro. Ele não protestou e ela seguiu em frente.

O dono da fazenda se espantou em vê-la ali e já ia comunicá-la que a fazenda não estava a venda quando ela o silenciou.

— Não se preocupe, não vim repetir minha proposta. Eu vim para falar com o senhor Aurélio.

—Aurélio? bom, acho que ele está no estábulo. Vou mandar chamá-lo.

— Não, eu acharei o caminho sozinha. Obrigada e com licença.

O homem ficou ali parado vendo ela se afastar, pensando em que o Aurélio havia se metido para fazer a rainha do café vim procurá-lo pessoalmente. Ele se virou e decidiu cuidar da sua própria vida.

Não demorou muito para Julieta achar o caminho que levava ao estábulo, ele estava de costas, acalmando um belo cavalo, ele conversava com o animal, da onde ela estava não dava para ouvir com clareza aquela inusitada conversa. Ela se aproximou e o chamou, a raiva borbulhava dentro do peito.

Ele se virou surpreso.

—Julieta ? Oi, o que faz aqui?

—Eu precisava falar com você.

—Você veio sozinha? Não tínhamos combinado de andar sempre acompanhada. Xavier não descansará até...

—Eu não estou sozinha, vim com o Olegário. — Ao ouvir isso Aurélio não pode esconder a insatisfação que sentiu. Ele queria exigir que ela parasse de andar com aquele salafrário a tiracolo, mas ele não tinha esse direito.

— Mas eu não vim aqui falar do Xavier ou Olegário. Eu vim falar sobre a Ema.

— Ema? O que aconteceu ? — Ele perguntou se aproximando dela.

— Me diga você! Como você teve coragem de obrigá-la a casar por dinheiro? Que tipo de homem é você?

—O que? Não... não foi dessa forma.

—E existe outra forma. Você venderia a própria filha? Como eu pude me enganar com você. Você não é diferente deles, vocês são todos iguais. —Esbravejou ela ficando frente a frente com ele.

—Calma, porque está nervosa desse jeito? Eu já me desculpei com a Ema. Eu fiz um comentário infeliz e me arrependo. Mas não entendo porque você esta agindo dessa forma.

Sim, era verdade, ela sabia que estava ultrapassando todos os limites , por um momento Julieta se viu diante do pai, mas Aurélio não era seu pai e Ema não era ela. Ela tinha que esquecer o passado. Seus olhos se encheram de lagrimas e ela se virou pra escondê-las.

Aurélio se posicionou a sua frente, segurando-a pela cintura e a encostou na porta do estábulo a impedindo de da mais algum passo. Ela parecia desolada, ele tentou acariciar seu rosto mas ela o afastou.

Ela o encarava com raiva e com algo mais. Ela tinha raiva dela mesma por sentir aquele calor que só ele produzia nela, estavam muito consciente das mãos dele na sua cintura e não pode deixar de lembrar de seu sonho, daqueles momentos secretos e daquele desejo. Ela queria olhar para os olhos dele mas só enxergava aquela boca que a tentava constantemente. Ela queria que ele a beijasse, que fizesse com ela o que ele fez em seus sonhos. Aquela noite não foi e não seria suficiente para eles, ela queria mais.

Aurélio atendeu seu pedido silencioso. E a beijou com ternura, foi quase um roçar dos lábios. Eles se separaram e se encaravam perdidos no momento. Julieta não satisfeita o puxou pela gravata e se apoderou dos lábios dele, sua barba fazia cocegas e ela amava a sensação.

Não foi um beijo suave dessa vez,foi carregado de paixão e de raiva.

'Deus do Céu, ela devia estar ficando louca! Quando foi que a Julieta Bittencourt rainha do café havia perdido a sanidade daquela forma, quase se entregando a um homem num estábulo.'

Quando Aurélio pressionou mais forte seu corpo contra o dela e de súbito apertou a cintura dela, Julieta teria soltado um gemido... se tivesse conseguido. Mas era algo impossível, já que a língua dele preenchia totalmente sua boca.

Ela sentiu depois que seus lábios desciam, tocando-lhe o pescoço, uma das suas mãos passeavam por seus ombros e se deteve sobre seus seios, a outra estava na sua coxa e ia subindo. Naquele momento pareciam prestes a...—Não! —ela exclamou tentando se esquivar dele, ao tomar consciência do que ia acontecer. Ele olhou para ela, surpreso e confuso.

—O que acontece Julieta? Porque...

Ela fechou os olhos depressa, para que ele não visse as lágrimas que ameaçavam cair. Ela não tinha vindo para isso. Ainda estava inserta se o que ele dizia era verdade, ela queria afastar-se dele para sempre; não podia perdoá-lo se ele permitisse que aquilo se repetisse com a própria filha, mesmo que lá no fundo soubesse que ele era uma pessoa decente. Julieta também sentia remorso, por ser, talvez uma das causas da situação da Ema.

— Faça com que ela tire essa ideia da cabeça ou... — Ela o empurrou para longe se desvencilhando das mãos dele e se afastando. — Eu nunca mais olharei na sua cara.

— Julieta! Espere...

Notas finais
Desculpem a formatação, acho que essa plataforma me odeia. :((