Prenúncio de Amor

2 Deixe-me cuidar de você.


Notas iniciais
Oi gente td bem? Espero que sim. Bom nesse capítulo temos uma versão melhorada, espero eu, daquela cena patética que eles fizeram, do Aurélio resgatando Julieta do ataque de Xavier. Espero que gostem! Amei fazê-lo. PS: Desculpem por essa formatação, aqui no meu computador fica lindo, mas é so colocar aqui e fica essa merda. Ja tentei de todas as formas arrumar, mas é além do meu alcance.

Aurélio fixou o olhar no horizonte, do ponto onde estava dava para ver as formações rochosas das montanhas do vale. O dia prometia ser agradável. Através da janela sentia os raios de sol, seus pensamentos estavam em Julieta. As lembranças daquele encontro, que durante muito tempo tinha tentado suprimir, abarrotavam seu cérebro. Ele tentava entendê-la, tentava ser paciente, mas a verdade era que quando achava que começaria a desvendá-la e abrir uma brecha em seu coração, ela vinha e o empurrava para fora. Para longe. Ele se perguntava se chegaria o dia, em que ela confiaria a ele seus segredos e temores. As suas costas escutou o farfalhar de folhas de papel e o pincel sendo mergulhado no tinteiro.

Ema estava sentada na escrivania, organizando seus pensamentos enquanto escrevia uma nota para Julieta. Fazia dois dias que havia chegado no vale e ainda estava tentando processar as informações. Na carta ela se desculpava com Julieta, por não poder honrar o compromisso do dia anterior e a convidava para um chá no estabelecimento da Agatha naquela tarde. Ela não sabia e nem podia imaginar o que a Rainha do café queria com ela, mas aquela curiosidade era torturante.

Ela levantou a cabeça e olhou para seu pai, que estava bloqueando a luz que vinha da janela, pensou em pedir-lhe para sair, mas desistiu. Ela se ressentia do avô por não ter contado ainda tudo ao seu pai. Havia dado um ultimato para ele, seu pai precisava saber, mas tinha prometido ao avô não contaria. Ela havia o perdoado e agora estavam hospedados na casa do Coronel Brandão.

Naquele momento ele se virou e lhe sorriu. Ema retribuiu e se sentiu mais culpada ainda.

— O que está fazendo minha filha?

—Escrevendo uma nota para Julieta. Tínhamos combinado de nos encontrar ontem, mas não pude. Estou convidando-a para um chá da tarde.

—Mais o que ela quer com você?

—Eu também não sei.

—Ela falou sobre mais algum assunto com você? Por acaso, hum... talvez sobre mim?

—Não que eu me lembro, mais por que ela perguntaria por você?

—Hum.. por nada querida, esqueça.

—Papai você está estranho, aconteceu algo que eu não sei? Por favor, eu não suporto mais mentiras entre a gente.

—Eu contarei quando souber o que está acontecendo. Prometo. Mas agora tenho um compromisso.

—Espere! poderia mandar alguém entregar meu recado na fazenda Bittencourt?

—Claro que sim. — Falou ele pegando a carta, se não tivesse um compromisso com o Darcy iria ele mesmo entregar o recado. Ele sorriu tristemente ao saber que desperdiçava uma ótima desculpa de vê-la.

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—Como ousam! Eu não fiz isso! Foi uma transação legal, eu comprei a fazenda, eu quitei as dividas do barão.

—Mentirosa! —Gritou uma mulher jogando um tomate na rainha do café. Que tentou se proteger com os braços, mas acabou sendo atingida no ombro. —Ai! Como você se atreve? Sim, eu posso ser dura ás vezes, implacável nos meus negócios mas nunca roubei ninguém.

—É verdade! A minha família está falida, a rainha do café não nos roubou. Por favor, Parem! — Ema implorou se colocando na frente de Julieta.

'Esses selvagens!' As palavras ficaram atravessadas em sua garganta. Julieta olhou para frente e tentou controlar-se. Queria está com sua pequena pistola na bolsa. Como ousavam ameaça-la. Sentiu um nó no estômago. Ninguém ali iria ajudá-la fora Ema e mesmo se o tivesse preferia morrer a ter que implorar. 'Aurélio' — Pensou ela. — 'Queria que estivesse aqui.'

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Aurélio nunca soube quanto tempo permaneceu ali, com o olhar cravado no céu. Remoendo a conversa que teve com o pai. Era muito para processar no momento, sua vida parecia que não parava de girar e girar. Acabou de descobrir que tinha uma irmã, uma meia irmã na verdade. Não ser filho único foi por vários anos da infância, uns dos seus maiores desejos, ter alguém para dividir as brincadeiras, para simplesmente aplacar a solidão da meninice.

Mas sua mãe sempre teve uma saúde frágil e não pôde ter mais filhos. E agora recebia aquela noticia, ele estava magoado, em choque, surpreso. Como seu pai teve coragem de esconder esse fato por tanto tempo, e coragem de privá-la do amor de um pai. Aurélio, sempre se sentiu a vontade com Tenória, nas muitas idas a são paulo. Era verdade o que diziam, a gente sente quando o sangue fala mais alto. Ele também sentia felicidade, pois com ela vinha um sobrinho. Um que ele tanto estimava mesmo antes de saber. E pensou em Ema, era bom ter uma figura feminina na família. Parecia que estava vivendo em um sonho, daqueles sem sentido.

Demorou algum tempo em dar-se conta dos gritos que vinham da rua principal. Ele correu para lá o mais rápido que pôde, havia uma massa de pessoas em frente da casa de chá. Eles gritavam e mandava alguém ir embora. Do outro lado, recostado contra a parede Xavier ria junto com seus capangas. E naquele instante Aurélio soube quem estava no olho daquele furacão.

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Julieta tentava argumentar com aquelas pessoas ensandecidas mas era em vão, Ema segurava seu braço tentando protegê-la. A voz de Ema era engolida com o barulho. Julieta sentia uma forte dor no tornozelo devido a queda que sofreu momentos antes. Sentiu de repente um esgotamento imenso e piscou com força.

Alguém gritava seu nome.

O coração lhe deu um tombo ao ouvir a voz do Aurélio. Era estranho, durante o ataque desejava que ele estivesse ali como prometerá, protegendo-a. Ela o viu correndo em sua direção, ele era o único homem ali em que poderia confiar e essa constatação a fez se alarmar. Aquele sentimento pulsante e forte que se alastrava em seu duro e frio coração e que ela não quis nomear anteriormente era realmente... amor?

Aurélio segurou suas mãos, que estavam gélidas.

Ela não conseguia parar de olha-lo, tentava argumentar com os pensamentos, queria silenciá-los. Ele tinha vindo, ele havia escutado seu chamado. E ela sabia que ele estava do lado dela, ele faria aqueles loucos enxergarem a verdade.

— Você está bem? Meu Deus alguém te machucou? Isso é sangue? — Perguntou ele tocando a bochecha manchada de vermelho.

—Não papai, jogaram tomate na gente. Eles estão loucos. Eu já tentei explicar, mais eles..

—Julieta? Você está bem? olhe para mim. O que há de errado, porque não fala nada.

—Ora... Ora se não é a rainha das cascáveis, como é se sentir humilhada? — Debochou o barão da fazenda ouro verde, que vinha acompanhado por seu mais novo amigo. Xavier.

—Ora vovô o que acha que está fazendo? Porque não explica esse mal entendido. — Ema se aproximou dele e ordenou que ele fizesse algo. Mas o barão não lhe escutou.

—Papai! por favor! — Aurélio vorecificou. Ele amparava Julieta e tentava da alguns passos, ele queria levá-la para a segurança da casa de chá quando Julieta soltou um gemido. Ele finalmente percebeu que ela andava com dificuldade.

—Eu estou bem — Julieta garantiu. — Mas acho que torci o tornozelo —torceu o rosto em uma careta de dor ao sentir uma pontada no pé que apoiava seu peso.

Nesse momento Coronel Brandão e seus homens chegaram e controlaram a situação dando a oportunidade que Aurélio precisava.

Uns braços fortes a elevaram, aliviando-a do insuportável peso das pernas. Julieta foi pega de surpresa. Ele encontrou seu olhar confuso e lhe sorriu.

—Não se preocupe. Eu vou te tirar daqui.

Julieta olhou ao redor vendo pela primeira vez a extensão daquele mar de gente. E todos parecia a odiá-la, ela já estava acostumada a ser tratada com hostilidade nas negociações, mas ali era diferente. Não acreditava ter visto nunca tanta gente reunida em um mesmo lugar e com o mesmo proposito. A ferir.

Julieta observou o horizonte envolto em um céu apagado e cinza, quase noite. Parecia que uma tempestade viria, mas ali estava ela, nos braços daquele homem, olhava para ele, seu coração martelava no peito como se o cumprimentasse, como se fossem velhos amigos. Sim, aquilo parecia... amor! A rainha do café havia se apaixonado. Aquele sentimento que tanto desprezava, ela o podia sentir no peito e podia imagina-lo rindo e zombando dela.

No interior do estabelecimento a dona exigia que Julieta se retirasse, que seria ruim para os negócios dela e a olhava com rancor. Dizia uma historia absurda em que a Julieta queria roubar sua loja, Brandão e seus homens bloqueavam a porta.

Aurélio instruiu o motorista de julieta que trouxesse o carro para os fundos da loja, Ema ficaria encarregada de distraí-los enquanto Julieta e Aurélio iria pra segurança do carro.

Julieta voltou a cabeça e viu a determinação nas feições do Aurélio enquanto liderava todos ali no meio daquela sala, nem o próprio Coronel que era conhecido e respeitado por sempre tomar a dianteira da situação estava se importando de passar o cargo para Aurélio. 'Não, talvez... isso que sentia por ele fosse gratidão...' Afinal ele foi o único homem que a viu como igual, que a tratou com o respeito que ela merecia.' Seu coração continuava firmemente sob o controle, ela era dona absoluta dele, pensava ela tentando fortemente se convencer. Mas em algum lugar, muito dentro dela, uma vozinha a chamou «mentirosa».

Julieta estava sentada numa cadeira, sentia dor mais não reclamava e não se opôs ao plano.

Aurélio se virou e foi ao encontro dela. Baixou o olhar para ela. Em meio de seu afobamento, tinha passado por cima de algo óbvio.

— O que você acha?

— O que?

— Do plano. Eu nem ao menos perguntei se você estava de acordo.

Ela sustentou o olhar dele, tocada pela sensibilidade dele, ele sempre se preocupando com o que ela queria. Sempre respeitando seu poder de escolha.

—Eu... não me oponho. Só quero ir pra casa o mais rápido possível.

Ela tentava não pensar na dor, quando foi levantada novamente por Aurélio. Elevou o olhar e descobriu os vividos olhos dele cravados de novo nos seus. Viu-lhe curvar os lábios em um secreto sorriso, como se soubesse que mexia com seus sentidos.

—O que você acha que está fazendo? Eu posso andar! — olhava nervosa para os outros, sentia que eles podiam ouvir as batidas aceleradas do seu coração e soubessem da sua nova descoberta, Julieta nunca havia amado ninguém ou sentido o que sentia no momento. Mas sabia com uma certeza absoluta, de que era amor, aquilo que a fazia tão fraca e débil diante do Aurélio.

— Ponha-me no chão, posso andar perfeitamente. — Disse ela adotando sua habitual voz, mas ele não lhe deu ouvidos.

—Não precisa mentir para mim. Eu sei que sente dor, ao contrário do que pensa, não é feio sentir fragilidade Julieta. Está tudo bem ser fraca ou se deixar cuidar por alguém. — Aurélio Falou num sussurro. — Eu cuidarei de você hoje e nada e ninguém vai me impedir, nem mesmo você.

Essa declaração a calou. Ele tinha esse poder sobre ela.

Aurélio encontrou o carro rapidamente e com muito cuidado a colocou no banco traseiro, recolheu o tecido da saia para lhe dá espaço e entrou.

—O que está fazendo?

—Ora, eu vou levá-la para casa. Vamos Samuel. — Antes que eles descubram.

—Não! Eu irei sozinha. Pare o carro Samuel.

—Deixe de ser teimosa!

—Senhora eles estão vindo para cá. —Alertou o motorista quando viu aquelas pessoas correndo ao encontro deles.

—Vamos, Vamos! —Gritou Julieta derrotada, não aguentava mais aquela situação. E devido a penumbra da noite ela não viu o sorriso do Aurélio.

Eles deixaram a cidade para atrás e seguiram para a fazenda Bittencourt, fazia um tempo que o silencio reinava no carro quando Julieta se sobressaltou.

—O que você que está fazendo? — perguntou num sussurro enquanto tentava afastá-lo com as mãos.

—Eu só quero me certificar que não quebrou nenhum osso.

—Eu não sabia que o senhor era médico. — ela debochou, se calando em seguida quando sentiu as mãos dele subindo na extensão da sua perna.

—Infelizmente eu não cursei medicina, mas cuidei de muito cavalo machucado.

—Oh, isso muito me conforta senhor Aurélio. — Ela o olhou na escuridão do automóvel, podia ver nuances do seu rosto, ele também a olhava. Ele sorria para ela, e ela não foi capaz de resistir aquele sorriso lindo dele, acabou retribuindo o sorriso, e ele se alargou até que soltou uma gargalhada, fazendo Aurélio esquecer de respirar, aquela mulher iria enlouquecê-lo.

—Chegamos! — Falou o motorista quebrando aquela bolha de felicidade.

Julieta se adiantou para descer do carro quando foi impedida. E novamente, pela terceira vez naquele dia estava nos braços do Aurélio. Ela o amaldiçoava, exigindo que a deixasse ir com as próprias pernas. Aurélio pediu que o motorista fosse chamar o médico contra a vontade da patroa que ameaçava demiti-lo por não acatar suas ordens.

Aurélio entrou na fazenda e subiu os degraus da escada sendo guiado pela empregada que ia na frente e abriu a porta do quarto. Julieta não falava nada, estava irritada pela petulância daquele homem.

Depositando ela na cama pediu que a empregada trouxesse algumas compressas de água quente e que acrescentasse pimenta em pó na água, era uma velha receita de família que funcionava. E quando Mercedes finalmente foi embora ele tirou algo do bolso, era um lenço branco e se aproximou de Julieta. Ele gentilmente limpou a sujeira que ela tinha na bochecha, ele estava muito próximo e ela ficou completamente calada tentando não pensar na proximidade do corpo e do calor que vinha dele.

Ele se virou e com gentileza pegou na perna com a intenção de tirar a bota, ela ia protestar quando ele colocou um dedo na sua boca a silenciando. — Deixe-me cuidar de você. — Ele pediu acariciando lhe os lábios com o polegar, lhe provocando.

Ele abaixou a cabeça e se dedicou a soltar os cadarços daquelas botas, o cabelo acobreado dele caiu sobre sua testa e ela elevou a mão para tocá-lo mas se retraiu antes que ele percebesse. Ele a livrou das botas e encarava aquela meia fina sem saber o que fazer. Olhou para ela e ela soube o que ele pretendia antes mesmo dele o fazer. Quase gritou ao sentir as grandes mãos dele envolvendo sua coxa embaixo do tecido do vestido, ele deslizava a meia numa caricia torturante.

A rainha do café só conseguia lembrar-se daquela noite, daquelas mãos desenhando seu corpo, nos seus lábios explorando os lugares sensíveis, na firme doçura de seus lábios contra os dela. Sacudiu a cabeça, tentando esclarecer seus pensamentos. Estaria sob o efeito de algum feitiço? Desprezava seu corpo por dar a bem-vinda a suas carícias. Odiava a aquele homem e, entretanto, só era capaz de pensar na forma de sua boca e na dureza de seus músculos sob seus dedos.

No rosto do Aurélio apareceu um sorriso enquanto fixava o olhar nela.

—Desculpe. Depois da noite que passamos juntos, eu diria que não há cerimonias entre nós. — Ele disse enquanto massageava o pequeno pé dela.

—Petulante! Como ousa...

—Bom, pelas as minhas habilidades diria que não quebrou nada. — Você só precisa de repouso.

—Com licença. — Mercedes entrou com uma bacia de porcelana e um tecido branco, atrás vinha outra mulher que trazia uma bandeja de café, Aurélio agradeceu de bom grado e suspirou ao sorver um gole da bebida quente. Mercedes já estava indo em direção da patroa quando ele a impediu.

—Eu farei isso. — Ele falou. — as duas mulheres arregalaram os olhos e olharam para a senhora esperando uma confirmação.

—Não, eu mesma o farei. Obrigada, podem se retirar. O senhor Aurélio também já está de saída.

Quando as duas mulheres saíram ele tomou a compressa da mãos da Julieta e colocou sobre o seu tornozelo.

—Descanse. Irei assim que o medico chegar. Eu não vou devorá-la. — Ele falou irônico. — Beba seu café.

Mas Julieta não queria café, bom ela queria, mas não da forma tradicional. Ela queria beber dos lábios dele, e por um momento ela olhou diretamente para a boca dele.

Ou ela teria falado aqueles absurdos em voz alta ou ele era capaz de ler seus pensamentos, porque ele soltou aquele pano sobre seu tornozelo machucado e se aproximou dela reclamando seus lábios. Suas línguas se encontraram brevemente e ao sentir o fogo que serpenteava em seu interior, Julieta aprofundou seu beijo. Aquilo era o que necessitava, ela nunca imaginou que o gosto de café pudesse ser tão excitante nos lábios de um homem. Enterrou as mãos no cabelo do Aurélio e as manteve ali enquanto se arqueava para frente, quando sentiu a pontada de dor e gemeu.

Aurélio a abraçava, mas com extremada delicadeza, como se tivesse um objeto precioso entre seus braços.

Eles respiravam com dificuldade, suas testas unidas e olhos fechados.

—Eu queria ficar e cuidar de você. —Ele falou dando um selinho e se afastando, ouviram passos na escada e vozes. Ele tinha que ir. Ela olhava para ele ainda muito abalada, queria dizer que também queria que ele ficasse. Que queria mais beijos com gosto de café. Seu estomago estava repleto de borboletas. Antes que ele se fosse ela o chamou.

—Obrigada por hoje. — Parece que vivo te agradecendo ultimamente.

—É um prazer. — Disse ele roubando outro beijo e saindo do quarto.

Notas finais
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