Premonição
11 Capítulo 11
Alguns minutos depois, a polícia chega no local.
– O que houve?
– Um acidente. — Dalton responde.
– Desculpe, mas todos vocês terão que ir depor na delegacia.
Dalton chega em casa junto de Lily:
– O que você contou pra eles? Eu não disse nada só que a gente ia ver o ensaio. — diz Lily com feição assustada.
– Eu contei tudo: a premonição, os sinais, as mortes, a lista... — Dalton responde.
– O quê? E eles? — ela pergunta.
– Iam acreditar em mim? Claro que não! Me olharam como se eu fosse louco ou um psicopata que tava procurando uma piada como desculpa para melhor sair! — Dalton responde. Lily ri.
– Para completar, eles disseram que meus amigos achavam que eu ainda estava perturbado demais com o desabamento e que queria fazer medo à eles. Em uma hora dessas eu os deixaria morrer, mas eu seria incapaz de fazer isso com uma pessoa, mesmo a pior delas e ainda mais porque eles são meus amigos. — Dalton responde.
– Certo, mas Dalton o que vamos fazer? — pergunta Lily.
– Eu não sei. Eles não acreditam em mim. — ele responde.
– Vão acreditar, nem que seja no último minuto. — ela diz depois o abraça.
– Dalton eu preciso ir, minha mãe já deve estar preocupada. — ela continua.
– Claro, vai lá e Lily, obrigado por tudo, obrigado mesmo.
– Ei, você é meu amigo, sempre pode contar comigo. Estou no celular, qualquer coisa, me liga! E toma cuidado.
– Você também! — Dalton responde se jogando no sofá enquanto Lily saia.
Jim estava chateado pelos últimos acontecimentos de sua vida, primeiro havia ficado abalado demais com o desabamento, agora as mortes de Lanna, Leo e Margot o tinham deixado assustado. Apesar de achar isso tudo muito estranho, era loucura acreditar no que Dalton havia falado, mas não podia pensar nisso agora, tinha que se concentrar.
Tinha vários experimentos para testar no laboratório de química antes da feira de ciências que seria uma oportunidade em um milhão. Se tudo ocorresse como planejado teria seu primeiro emprego logo que recebesse seu diploma que não estava muito longe, tinha que esperar poucos dias.
Ele ainda achava sem sentido a universidade ter feito a festa antes da entrega dos diplomas, os diretores afirmaram que a universidade passaria por reformas logo depois da entrega, no caso, nas férias.
Ele entra no laboratório e acende as luzes. Coloca o jaleco, luvas e óculos para proteção e já pega o material para o primeiro experimento que era produzir sal de cozinha a partir de ácido clorídrico e hidróxido de sódio. Jim mistura as duas substâncias, na teoria era para resultar em sal e água, mas muito provavelmente não iria resultar desse jeito, pois ele sabia que todas as substâncias possuem "impurezas", por isso realiza uma filtragem.
O resultado é uma substância muito parecida com sal de cozinha, mas ele sabia que não era somente sal de cozinha, pois apesar da filtração algumas substâncias não saem. Aquilo seria o mais próximo de sal que ele conseguiria.
– Deu certo. — ele sorri.
O segundo experimento consistia em misturar hidróxido de potássio com ácido fluorídrico, na teoria, resultaria em fluoreto de potássio e água. Ele coloca as substâncias iniciais no balcão. Nos tubos de saída de ar do laboratório, com as vibrações do vento que saia, um prego se solta tornando as tubulações que rondavam o teto frágeis.
Enquanto isso, Lily chegava na casa de Dalton. A campainha toca e enquanto ele vai atender, sua mãe grita:
– Dalton, mexe o arroz na panela daqui à cinco minutos, eu vou tomar banho, depois desliga o fogo!
Ele abre a porta.
– Oi Lily, entra, chegou bem na hora do almoço!
– Oi Dalton, eu preciso falar com você. — diz Lily.
– Diga...
– Eu tô me sentindo péssima, a Margot morreu a poucos dias, a Lanna e o Leo também. Mas não é sobre mim que eu vim falar. Você disse que estamos morrendo na ordem em que deveríamos ter morrido em sua premonição, não é?
– Sim...
– Depois da Margot, era o Jim que morria na visão.
Dalton vai se encaminhando para a cozinha...
– É, eu sei, ele é o próximo da lista mas... o que vamos fazer? Ele não acredita em nós! — diz Dalton começando a mexer a panela. Ele a observa por um instante e estranha.
– Sei lá, a gente podia tentar falar com ele de novo, eu não sei... mas a gente precisa fazer alguma coisa. — responde Lily.
Uma bolha da água do arroz estoura e espirra uma gotícula quente na bochecha de Dalton.
– Ai!
– Tudo bem? — pergunta Lily.
– Tudo, foi só uma bolha que salpicou água quente na minha cara. — diz Dalton desligando o fogo e escorrendo o arroz.
– Bem, eu acho que a gente devia tentar de novo. — diz Lily.
Dalton para e pensa:
– Lily, você sabe onde tá o Jim?
– Ele com certeza tá no laboratório da universidade, passou meses trabalhando naqueles experimentos da feira de ciências que provavelmente vai dar o primeiro emprego dele. Por quê? — ela pergunta.
– É que, essa bolha agora...
– Dalton você acha que...
– Jim vai morrer no laboratório! — diz Dalton e corre para o carro.
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