Premonição: O Último Dia 2
7 Gatilho
Notas iniciais
Cecília, Ben, Peter e Jonny estavam em volta do caixão de Fernanda. Uma tristeza profunda dominava o lugar, pois família, amigos e conhecidos se lamentavam pela morte dela.
Cecília olhava em volta, mas aquele dia parecia estar mais cinza do que qualquer outro, mais até que o dia do acidente. Lágrimas escorriam pelo seu rosto e Ben até enxugou uma, mas não conseguia segurar as suas próprias lágrimas.
– E agora? A Cecília não está tendo mais sonhos. Salvamos o Ben, mas mesmo assim a Fernanda morreu. O que faremos? – perguntou Peter sussurrando.
– Não sei. Acho que devemos nos salvar de algum modo. Mas agora não é lugar pra pensar nisso. – respondeu Jonny no mesmo tom.
Assim que ele terminou de falar, olhou nos olhos frios e paralisados de Fernanda, suspirou profundamente e saiu correndo, deixando os meninos preocupados.
– Acho que vou atrás dela. – disse Ben.
– Não Ben, fica com sua família. Deixa que eu vou atrás dela. — disse Peter.
–Está bem. – disse Ben.
– Eu vou com você. – falou Jonny.
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Cecília, estava no lugar onde ela mais se sentia segura, pois ali debaixo da grande árvore no parque, longe de tudo aquilo, seu coração se acalmava e algumas lembranças da sua melhor amiga vinha em sua mente. Ela olhava pro céu, quando reparou em uma nuvem escura, cujo formato parecia uma arma. Cecília se levantou e pode ver Peter e Jonny correndo em sua direção.
– Cecília, você não deve sair correndo assim sozinha. – disse Peter.
– Ah Peter, eu não sei mais o que pode acontecer com a gente. Vamos todos morrer – falou Cecília.
– Para com isso! Vamos nos salvar. Nós três! Não é Jonny?! – falou Peter consolando Cecília.
– Não sei. Mas eu quero me salvar, nem que pra isso ela morra antes. – disse Jonny sacando uma arma de dentro de sua calça.
– Você está doido Jonny. Não é assim que temos que resolver as coisas. – argumentou Peter assustado.
– Jonny, por favor abaixe essa arma. Você não era assim. – implorou Cecília.
– Lembra o que você disse aquele dia Peter?! Que a Cecília morrendo antes de nós a lista se quebraria. Então, como salvar o Ben não adiantou nada, o que me resta é colocar em pratica a sua teoria. – explicou Jonny com o olhar completamente fixado em Cecília.
– Jonny, você está doido. Eu disse aquilo brincando. – falou Peter que entrou na frente de Cecília.
– Bom, meu pai sempre dizia que toda brincadeira tem um fundo de verdade. E como a Cecília que começou com tudo isso, nada mais justo do que acabar com tudo isso também. – esbravejou Jonny.
– Ele tem razão Peter. Acho que tudo isso é minha culpa. Vocês dois devem ficar vivos. Pode atirar. – disse Cecília indo em direção a Jonny.
A chuva começou a cair. Cecília olhou dentro dos olhos de Jonny e se lembrou daquele menino tímido que ela tanto admirou. Seu coração estava disparado, acreditando que este pesadelo finalmente ia acabar. Jonny segurou firme a arma e estava prestes a puxar o gatilho, quando foi puxado para trás por Ben. Eles rolaram pela relva molhada. Peter saiu correndo na direção dos dois e os separou dando um soco em Jonny.
– Não queria fazer isso, mas agora vou te matar primeiro Peter. – gritou Jonny.
Jonny apertou o gatilho. Cecilia não teve nem tempo de gritar, pois Ben entrou na frente de Peter e levou o tiro. Jonny olhou aquela cena e não acreditando no que tinha feito, largou a arma e saiu correndo entre as árvores do parque. Cecília correu atrás dele.
– Porque você fez isso Ben? – indagou Peter.
– Porque eu estava te devendo. Você me salvou. – respondeu Ben com a voz arranhada.
– Você não precisava. Deixa eu ver onde a bala atingiu. – disse Peter tirando a camiseta de Ben.
A bala havia atingido o braço esquerdo de Ben. Peter carregou ele até um abrigo no parque e pediu que chamassem a ambulância, então saiu correndo atrás de Jonny e Cecília.
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Jonny corria pela área de mata fechada do parque tentando achar algum lugar para sair dali e se esconder. Ele parou em uma clareira e então Cecília o alcançou.
– Jonny, se acalme. Vamos pra casa. Nada vai acontecer com você. Eu prometo. – disse Cecília.
– Não Cecília. Você é ridícula. Eu sempre olhei pra você. Eu gostava de você, mas você nem olhava para mim. Você nunca se importou comigo. Ninguém nunca se importou. – berrou Jonny.
– Eu me importo com você, mas nada funciona do jeito que desejamos Jonny. – disse Cecília.
– Eu estou nem aí. Quer saber eu prefiro morrer, do que voltar para casa. – gritou Jonny.
De repente eles ouviram o barulho de uma árvore caindo e se quebrando.
– É agora. E você vai comigo Cecília – disse Jonny agarrando Cecília.
A árvore começou a cair na direção dos dois. Cecília fechou os olhos esperando, quando Peter bateu em Jonny que caiu no chão. Peter puxou Cecília e começou a correr e só se viraram ao ouvir o último grito de Jonny ao ser esmagado pela árvore.
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