Premonição-Mors Lundum
1 Capitulo 1-Vermelho como vinho
Domingo, 6 de janeiro de 2008, Toronto-Canadá.
Camilla estava em alto mar, ela não sabia por que estava lá, mas sua mente não conseguia imaginar o motivo, Camilla estava imóvel por causa do desespero que sentia naquele momento, ela apenas flutuava na água que agora tinha coloração vermelha como sangue, corpos flutuavam sobre a água. A sua frente, um enorme navio entrava em combustão, provavelmente de onde essas pobres pessoas havia saído, uma tempestade acontecia naquele momento, mas a chuva não conseguia conter a magnitude das chamas. Camilla olhava o navio quando ele explodiu em labaredas de fogo, uma parte dele havia sido lançada na direção de Camilla, e, consequentemente, acertando ela em cheio, quando isto acontece, Camilla acorda subitamente, ela esta em sua cama, na sua casa, segura, longe do alto mar.
—Foi apenas outro pesadelo...
Camilla olhava pela janela, o céu nublado e com nuvens de chuva, parece que irá chover o dia todo, no despertador que fica na cômoda ao lado da cama de Camilla marcava 5:58, Camilla geralmente acorda bem tarde, mas nesta ultima semana, ela anda acordando bem antes do normal, sempre por causa de pesadelos como o que ela teve hoje. Camilla se levanta de sua cama e vai para a cozinha, ela pega uma de suas canecas que diz: ”Not cool girl, not cool” e a enche de café.
—Você é a única coisa que ainda me deixa calma.
Camilla põe a caneca sobre uma mesa na sala enquanto procura um livro na estante da sala.
—Onde está... Onde está... Achei!
Camilla procurava um livro chamado Polarizada, quando Camilla pegou o livro, ela derrubou o livro ao lado no chão. Ela pega o livro no chão e lê o titulo dele.
—Oceano em chamas. Nunca li uma pagina sequer desse livro, ele só fica ocupado espaço na minha estante. –Fala Camilla, enquanto põe o livro de volta na estante. Ela pega o livro que procurava, pega a caneca com café e volta para seu quarto. Camilla perdeu a noção do tempo e seu despertador começou a tocar, marcando 7:00. Camilla desliga seu despertador, põe a cancã sobre a mesa junto com o livro e vai tomar banho. Ela liga a ducha e começa a se enxaguar, até que alguém bate na porta de seu quarto.
—Cammy, você está ai dentro? –Era Izzabelle, irmã de Camilla que havia batido na porta.
—Sim, estou no banho!
—A Alisson quer que você vá a casa dela
—Certo!
Após o banho, Camilla sai do banheiro e pega de seu guarda-roupa um vestido preto com detalhes em branco, que lembra o seu estrelado que se pode ver da casa de Camilla à noite. Camilla põe o vestido e calça um tênis preto com detalhes em branco também. Camilla penteia seu longo cabelo negro na frente do espelho. Camilla sai de seu quarto e encontra Izzabelle na cozinha.
—Eu já vou para a casa da Allisson.
—Ok, tchau irmã. E lembre-se amanhã é o grande dia!
—Como eu poderia me esquecer? Tchau.
Camilla sai de sua casa e se dirige a casa de Alisson, Alisson mora á poucos metros da casa de Camilla, elas moram perto desde que eram pequenas, sempre juntas, elas são quase irmã e andam sempre juntas. Camilla chega à casa de Alisson, a mesma esperava Camilla do lado de fora.
—Camilla, oi.
—Oi Alli.
—Por favor, entre.
—Claro.
Alisson levou Camilla para o seu quarto.
—Ei, Cammy, você já tomou café da manhã?
—Não.
—Você quer ir tomar café da manhã comigo no Miracle?
—Miracle? Não é onde aquele rapaz que você gosta trabalha?
—Talvez.
—Eu acho que entendi você quer uma desculpa para ir lá, mas não pode ir sozinha porque tem medo que ele te ache que você é uma Stalker. Estou certa?
—Se você desistir de ser fotografa poderia muito bem ser detetive. Acertou em cheio.
—Bem, por tudo bem, mas qual o nome dele mesmo?
—John.
—Ok, eu vou com você, mas você paga meu café da manhã.
—Obrigada.
Camilla e Alisson vão para o Miracle no carro de Alisson.
—Ele é da sua turma de culinária, certo? –Pergunta Camilla
—Sim, ele é ótimo cozinhando.
—Ei, Alli, oque é isso? –Fala Camilla enquanto olha um livro que está no carro de Alisson.
—O livro da Mika, eu me esqueci de devolver.
—Mika?
—Ela é aquela garota que faz direito, que todos chamam de “Estranha”.
—Premonições de um acidente... É a continuação de um livro que tenho em casa. –Fala Camilla, enquanto põe o livro no porta-luvas.
—É um bom livro. O meu favorito da trilogia.
—Alli, se importa se eu ligar o rádio?
—Não, pode ligar.
Camilla liga o rádio do carro, á musica que começa a tocar é Ice Queen.
When she embraces your heart turn to stone
She comes at night when you are all alone
And when she whispers
Your blood shall run cold
You better hide before she finds you
Camilla desliga o rádio, aquela musica parecia incomoda-la. Alguns minutos depois elas chegam ao Miracle. Elas entram no estabelecimento, o Miracle é uma cafeteria, vários universitários passavam suas manhãs neste local. Elas entram no local e se sentam numas das mesas.
—Então, oque vai pedir Cammy?
—Eu não estou com fome, talvez um café.
—Ok, eu vou pedir ovos com bacon.
O Atendente vem à mesa delas.
—Então oque desejam... Alisson?
—John! Oi.
O atendente era o rapaz que Alisson queria ver.
—Oi Alisson, que bom te ver aqui, oque deseja.
—Ovos com bacon.
—Eu só quero um café.
—Ok, ovos com bacon e um café.
—Cammy, você está bem?
—Sim, só estou um pouco tonta.
John traz o café os ovos com bacon.
—Aqui está o pedido de vocês meninas.
Ao pegar o café, Camilla olha para a cor escura do liquido de sua caneca, que em um piscar de olhos está avermelhado feito sangue. Camilla está em um refeitório em um barco.
—Que porra está acontecendo comigo hoje...
Camilla ouve o barulho de uma explosão, depois o navio começa a tremer, e então Camilla olha para cima e o teto cai sobre ela, o barulho de todos os seus ossos quebrando, gritos de desespero, barulho de explosões, objetos caindo ao mar ecoam em sua mente, porém os sons são logo trocados por pessoas conversando e passos, Camilla está de volta à cafeteria.
—Cammy, ei Cammy, você estava me ouvindo?
—Oque? Desculpe-me, eu estou bastante distraída hoje.
Camilla recebeu uma mensagem: “Onde você está, estou na sua casa.”. A pessoa que enviou a mensagem era Jefferson, namorado de Camilla. Ela respondeu: “No Miracle, já estou indo para casa”.
—Alli, pode me deixar em casa? O Jeff está me esperando lá, e eu preciso descansar, estou meio tonta.
—Ok Cammy, como quiser.
Elas entram no carro e Alisson a leva para casa. Ao chegar lá, Camilla pode ver Jefferson a olhando pela janela de sua casa, em seu rosto uma expressão de alegria e preocupação, aparentemente pelo fato de Camilla estar com expressão de cansaço.
—Obrigada Alli.
—Ao seu dispor, eu vou para casa, te veja amanhã!
—Até lá.
Camilla se dirige a sua casa, mas antes que pudesse entrar em casa, ela desmaia e a mente de Camilla é tomada por aquele pesadelo que ela teve. Camilla está lá novamente, mas dessa vez ela está dentro do barco, um enorme buraco foi aberto na parede e no chão, á sangue por todo lado, Camilla ouve gritos de desespero e o barulho de algo se jogando ao mar. Até que alguém grita seu nome.
—Camilla!
Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, uma viga de ferro enorme acaba perfurando seu corpo, jogando-a no mar. Assim que Camilla sente o impacto do corpo dela na água. Ela acorda.
—Camilla! Ai meu Deus Camilla! Ela acordou!
—Oque... Oque aconteceu?
—Você desmaiou na porta de casa! Seu coração parou de bater! Achamos que você fosse morrer!
Camilla se recompõe e percebe que está numa cama de hospital, e que Izzabelle, Alisson, Jeferson e o medico estão ao redor dela.
—Por quanto tempo eu fiquei desmaiada?
—Cinco minutos. –Responde o Medico.
—Eu morri por cinco minutos?
—Tecnicamente, sim.
—Com certeza a coisa mais radical que eu já fiz.
—Já se jogou de um prédio.
—É verdade, então a segunda coisa mais radical que eu já fiz.
—Eu vou fazer alguns exames em você e poderá ser liberada.
—Ok.
O medico mede a pressão de Camilla e examina o sangue dela.
—Você já teve esses desmaios repentinos?
—Não.
—Ok, sua pressão está ótima e seu sangue não apresenta nenhuma toxina, pode ir, a enfermeira lhe entregara sua roupa.
—Ok.
Camilla troca sua roupa e se dirige para a saída.
—Vamos para casa, você precisa descansar Camilla.
—Ok.
Izzabelle levou Camilla para casa no carro dela. Camilla olhou para seu celular, o horário marca 8:30. Elas chegam a casa, Camilla vai para seu quarto, tranca a porta e se deita, sua cabeça estava doendo, ela só queria dormir e fazer a dor parar. Camilla olha pela janela de seu quarto, mas a imagem que ela via do outro lado da janela era do alto mar, ela estava novamente dentro do navio. O mar ainda não tinha a coloração vermelho sangue de antes, e o navio ainda parecia estar intacto, no reflexo do vidro Camilla consegue ver uma enorme quantidade de agua vindo em sua direção, à água atingiu seu corpo com uma velocidade anormal, a pressão da água era tão forte que Camilla não conseguia suportar, alguém tentou tira-la, mas seus esforços foram inúteis, ela foi jogada na janela, o vidro era reforçado, mas a água conseguiu quebrar ele, em meio a tanta água Camilla foi expelida com uma velocidade anormal, parte do vidro perfurou o crânio de Camilla, Ela fecha os olhos e está de volta ao seu quarto, segura, tudo isso a assusta, ela não sabe oque fazer, não sabe oque esses sonhos recorrentes querem dizer, ou porque eles existem.
—Eu devo estar ficando maluca.
Jefferson bate na porta do quarto de Camilla.
—Camilla, se importa se eu entrar?
—Claro que não.
Camilla destranca a porta de seu quarto.
—Você está bem?
—Sim, só um pouco tonta.
—Você tem alguma ideia do que pode ter acontecido para você desmaiar?
—Não, talvez só cansaço.
—Você acha que está disposta para viajar amanhã?
—Eu não sei, mas espero que sim. A proposito, que horas saímos mesmo?
—Às três da manhã.
—Ok nós então temos que acordar bem cedo amanhã.
— Tem algo de errado?
—Porque pergunta isso?
—Você parece abatida, assustada, tem algo de errado?
—Não... Bem tem uma coisa que...
Camilla pensa se deve contar de suas visões para Jefferson.
—Tem algo que?
—Esqueça, não tem nada.
—Ok, eu irei para casa, me ligue se algo acontecer.
—Claro.
Jefferson sai do quarto de Camilla.
—Eu preciso contar isso para alguém, mas não pode ser para ele, não quero preocupa-lo de novo.
Camilla pega seu celular e liga para Lirah.
—Lirah, oi.
—Oi Camilla.
—Eu preciso falar com você, acha que pode vir aqui em casa?
—Claro, estarei ai em menos de cinco minutos.
—Obrigada.
Após alguns minutos de espera, Lirah chega à casa de Camilla.
—Oi Camilla, oque você precisa falar comigo?
—Eu... Eu tive uns sonhos estranhos.
—Que tipo de sonhos?
—Sonhos de mortes.
—Como assim?
—Eu estava em alto mar, em um navio de festas, e eu nos eu morria, todas às vezes, morria de uma maneira dolorosa e estranha, mas o mais estranho é que eu conseguia sentir a dor, como se realmente tivesse acontecido.
—Isso é definitivamente estranho. Olha Camilla, amanhã será a viagem mais incrível de nossas vidas, você não precisa se preocupar com esses sonhos bizarros, apenas vá descansar, terá que acordar cedo amanhã.
—Você tem razão, de qualquer jeito obrigada como per ouvir.
—Estou ao seu dispor.
Lirah sai do quarto de Camilla, enquanto a própria tenta dormir, mas as imagens das mortes que ela anda imaginando tomam sua mente. E quando Camilla finalmente adormece, ela se depara novamente com a cena do navio, ela está no saguão, a corpos, sangue e fogo para todo lado, a visão de Camilla está turva, ela não consegue enxergar direito para onde está indo, Camilla toca sua cabeça e percebe que a cortes na lateral de sua cabeça, suas mãos estão cobertas de sangue, Camilla não consegue correr direito, ela está se sentindo fraca, como se fosse desmaiar a qualquer momento, ela corre até uma porta do navio, mas assim que ela abre a porta uma grande quantidade de caixas de metal cai sobre ela, uma delas acaba atingindo seu braço, o esmagando contra o chão, a dor é insuportável, mas Camilla se esforça ao máximo para tentar tirar seu braço de lá. Ao tentar retirar seu braço de lá, Camilla acidentalmente derrubou uma caixa de metal, que, atingiu sua cabeça esmagando seu crânio. Camilla consegue ouvir um grito.
—Não! Irmã! Não! Meu Deus não! Isso não pode estar acontecendo!
Então Camilla está acorda subitamente de seu pesadelo. Aquele pesadelo era diferente dos outros, algo nele trazia imensa angustia para Camilla, ela estava completamente aterrorizada com tudo aquilo, ela queria, mas não conseguia se levantar de sua cama, ela estava paralisada com tudo aquilo, ela conseguia ouvir passos se aproximando pelo lado de fora, então uma mulher lhe disse algo, algo estranho e perturbador.
—Eu vou lhe dar um conselho, não tente ajuda-los, eles não vão sobreviver, apenas deixe acontecer. Eu lhe verei em breve.
E nesse exato momento Camilla se estabilizou, ela voltou a poder se mexer, ela olhou para trás, mas não havia ninguém lá, na sua janela, que estava aberta, agora tinha uma marca de uma mão ensanguentada.
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