Premonição 1: Sem Saída
8 Instintos
Notas iniciais
Bobby já não dormia há alguns dias, desde a morte de Lubo. Na verdade desde que tomou conhecimento dela. Não sabia o que fariam: ainda faltavam mais de seis meses pro nascimento do filho de Jamie e a morte não estava perdoando ninguém. Ela vinha rápida, sem deixar escapatória ou possibilidade de salvação. Ah, bendito Matt que salvara a garota! Se Jamie tivesse morrido naquela banheira, tudo estava acabado. Sem bebê, a lista continuaria sem modo de detê-la. Bom, havia um modo.
— Eu jamais mataria outra pessoa. – Bobby repetiu para si mesmo.
Será mesmo? Pessoas fazem coisas extremadas quando se trata de sua sobrevivência. Não, nele os instintos não eram superiores a sua racionalidade. Nem em um milhão de anos.
Os assuntos vinham e voltavam em sua cabeça, mas sempre acabavam voltando para a lista, sua premonição e como tudo poderia ter sido diferente. Foi numa dessas glitch mentais, que algo assustador tomou conta de sua mente por inteiro. A ocasião em que previu que o voo em que Melissa entraria iria explodir. Quando aquilo não ocorreu, Bobby pensou que sua visão tivesse sido apenas uma paranoia, uma peça que seu cérebro pregou nele. Mas depois da carta...
Ele havia evitado a explosão do avião, isso já era certo. Mas... Não. Droga! Se isso fosse realmente verdade e a morte reagisse sempre da mesma maneira, então Melissa e todos que ele salvara no avião, iriam morrer a qualquer momento. Mas não faz sentido, pensou consigo mesmo. Não é possível que um número tão grande de pessoas escape. Não fazia sentido. Em todos os relatos do restinpieces.com, nunca mais de dez ou doze pessoas conseguiram escapar. E só naquele voo havia mais de duzentas pessoas. Como a morte iria atrás de uma a uma? Era muito trabalhoso. Por fim se convenceu de que fora apenas uma coincidência, um golpe de sorte. Ou de azar.
Voltou seu pensamento para a lista dele. Matt era o próximo. Ou Alice? Bobby não tinha certeza. Em sua visão, Matt caía junto ao restante do trem e ele segurava a garota, que já estava morta. Mas quem morreu primeiro? Alice foi cortada com a queda do vagão, mas Matt provavelmente morreu antes, caindo pela janela. E se não fora assim? Ele não tinha certeza da ordem. Tinha medo de estar errado e deixar Alice despreocupada quando ela podia muito bem ser a próxima a morrer. Decidido, pegou o celular e discou o número da garota.
— Oi Bobby. Fala.
— Oi Alice, tudo bom? — Ouviu a resposta positiva e um educado “e você?”. — Eu estou bem. Hein... Lembra-se daquele dia em que eu disse a vocês sobre a lista da morte e a ordem dela? — A resposta foi positiva. — Pois então. Eu não tenho certeza de como ela termina.
— Como assim?
— Eu quero dizer que... Não sei quem é o próximo. Você e Matt morriam quase ao mesmo tempo na minha visão. Eu não sei quem morreu antes de quem.
Do outro lado da linha não houve resposta. Depois de alguns segundos de silêncio, Alice despediu-se e desligou, sem esperar resposta.
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Em sua casa a garota suava frio. Cada objeto que ela julgara inofensivo segundos atrás, agora parecia uma arma mortal. Soltou o telefone na cama e começou a visualizar seu quarto por inteiro. Tudo parecia ser pontiagudo, cortante, explosivo ou tóxico.
— Droga, droga, droga... – Repetiu consigo mesma.
Como seria a sua morte? De que forma ela viria? Um filme passou em sua cabeça com a morte de todos seus amigos. Roxy e sua cabeça transformada em uma massa sangrenta; Eric com pedaços de madeira por todo o corpo; Naomi e o rosto corroído por ácido; Pepper com a cabeça esmagada pelas rodas do skate; e Lubo... Doce Lubo, cujo acidente ela não sabia como fora, mas imaginava que bem dolorido.
Eu estou com tanto medo, repetiu para si mesma. Deitou-se encolhida, querendo ficar ali para sempre.
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Bobby marcou uma reunião com os cinco sobreviventes restantes: ele, Lily, Alice, Matt e Jamie. Todos chegaram no horário marcado naquele conhecido parque onde sempre se encontravam. Quando todos estavam acomodados, Bobby começou:
— Eu andei revendo a lista e... Já avisei a Alice sobre isso, só falta você, Matt: eu não tenho certeza da ordem. Eu não me lembro se você morria antes ou depois dela.
Matt suspirou.
— Como assim não lembra?
— Bom, na minha visão, vocês morriam quase ao mesmo tempo. Você caía no abismo com os vagões do trem e eu puxava Alice para cima, mas o corpo dela já estava cortado pela metade...
Terminou a frase e se deu conta de que nunca tinha dito aquilo em voz alta. Alice tapou a boca e deu um gritinho abafado, enquanto Jamie fez um gesto de que iria vomitar.
— Desculpa, eu... – Bobby começou, mas calou-se.
O vento bateu forte, coisa rara. A tarde estava ensolarada, como de costume. Alice sentiu uma onda de eletricidade passar por todo o seu corpo, tremendo.
— Que sensação... Ruim.
Bobby viu os galhos da árvore se mexerem vertiginosamente e viu quando um deles, gigantesco, quebrou. Empurrou Alice com força no chão, impedindo-a de ser esmagada pelo galho. O pedaço de madeira então caiu em cima das pernas de Lily. A garota soltou um berro ensurdecedor.
— Minhas pernas! – A garota chorava.
Alice estava salva. Se o galho estava causando tanta dor às pernas de Lily, ele com certeza teria força suficiente para quebrar o pescoço da outra garota com a queda.
Bobby e Matt, ainda perplexos, começaram a erguer o pedaço de madeira para tirá-lo de cima das pernas de Lily.
Um grupo de curiosos se formou rapidamente. Um deles se ofereceu para levar Lily de carro até o hospital. Ela estava de shorts curtos e os estragos eram visíveis: cortes gigantescos por toda a extensão da coxa e panturrilha. Com certeza vários ossos estavam quebrados. Bobby logo concluiu que a garota teve sorte de não ter os membros completamente esmagados. A cabeça de Alice não teria a mesma sorte. Aliás, então o que Bobby imaginara era verdade: a garota morria antes de Matt.
Enquanto ele ajudava a colocar Lily no carro, Matt fez uma careta de frustração.
— Eu preciso contar uma coisa. – Ele começou.
— Precisa ser agora? – Alice disse. Ela já estava sentada no banco do carro e acomodava a cabeça de Lily em seu colo.
— Ontem eu estava voltando para casa do meu curso de alemão quando esse ônibus enorme veio a toda velocidade. Eu não o vi e por pouco não fui atropelado. Uma garota que estava ali na ocasião me puxou no último segundo. Eu acho que... Eu fui pulado.
A reação foi a menos inesperada possível. Bobby não disse nada, não teve reação alguma. Apenas apagou.
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Quando Bobby acordou estava em sua casa, em sua cama. Matt estava ali.
— Cara, desculpa por ter te avisado daquela forma, é que...
Bobby fez sinal para que o rapaz se calasse. Novamente uma twist inesperada mudava tudo. Ele tinha certeza de que Alice viria antes de Matt. Mas aquele acidente de ônibus do qual o rapaz fora salvo provava o contrário: a ordem correta era Matt, Alice, Bobby. Droga! A vez do rapaz tinha chego mais rápido do que ele poderia prever.
— Como a Lily está? – Foi a única coisa que conseguiu perguntar. As palavras saíram de maneira incerta.
— Bem, ela está se recuperando no hospital, a Alice acabou de ligar avisando. Parece que ela quebrou diversos ossos da coxa, panturrilha e até da região lombar. Vai ficar sem andar por uns bons meses...
O rapaz congelou.
— Não é definitivo, certo?
— A Alice me disse que os médicos disseram que é temporário. Como foram muitos ossos quebrados, vai ser um processo demorado e ela vai precisar de alguma fisioterapia, mas é fato que ela volta a andar.
Bobby não pôde conter as lágrimas que começaram a se formar. Dificilmente chorava, mas ali, naquela situação, era impossível não reagir daquela forma. Lily precisaria de fisioterapia! Quando o acidente ocorreu, ele não tinha ideia da gravidade da situação.
— Eu preciso ir pro hospital e...
Mas Matt o deteve:
— Não dá. O horário de visitas acabou por hoje. Além disso... Você não pode ficar correndo riscos.
— Olha quem fala! Você não mudou a sua rotina quando soube que era o próximo.
— Na verdade... Eu mudei algumas coisas sim. Eu contei aos meus pais sobre o bebê da Jamie.
Bobby ficou estático.
— E como foi?
— Bom, o clássico e esperado: eles ficaram furiosos e me deram o maior sermão da minha vida. O pior veio depois.
— O que aconteceu depois?
— Eles foram falar com os pais da Jamie.
— Como?!
— Pois é.
— E por que você não me contou isso antes? Eu sou o seu melhor amigo!
— Relaxa Bobby. Foi ontem, e eu tive muita coisa acontecendo no dia. O quase acidente de ônibus, inclusive.
Silêncio.
— Continua contando.
Matt suspirou.
— Pois então. Meus pais foram até a casa da Jamie e tiveram uma conversa séria com os pais dela. Eles não me deixaram ir junto, mas disseram que a coisa foi horrorosa. Os pais da Jamie deram um sermão, maior que o de meus pais, na garota e... Expulsaram-na de casa.
— Eles expulsaram a própria filha de casa?
Matt maneou a cabeça positivamente.
— Como se ela já não tivesse desgraças suficientes acontecendo em sua vida. O pai dela jogou umas malas cheias de roupas da garota e disse que não queria vê-la nunca mais. Meus pais ficaram horrorizados. Conversaram com a mãe dela e chegaram num acordo.
— Não me diga que eles pediram a ela para abortar o bebê?
— Quase. Mas minha mãe tem a mesma opinião da Jamie, e não quis conversar sobre o assunto. Disse que antes ela fosse morar em nossa casa do que matar o neto que crescia na barriga dela.
— E...?
— Foi o que aconteceu. A Jamie está morando lá em casa.
Bobby engoliu em seco.
— Uau! Eu não esperava nenhuma dessas atitudes. Principalmente da sua mãe.
— Pois é. Ela também me surpreendeu positivamente, com a oferta que fez a Jamie. Não tenho ideia de como vai ser nosso futuro juntos, mas...
Matt não terminou a frase e Bobby não insistiu. A situação já era ruim o suficiente.
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O que veio a seguir foi complicado, meticuloso, assustador e perturbador. Bobby se tornou obcecado por qualquer objeto que poderia ser uma arma em potencial. A atitude que Alice tivera, por minutos, ele teve dez vezes mais forte no dia seguinte ao acidente com Lily. Retirou, embalou, empacotou. Cada pedaço do seu quarto estava agora protegido contra acidentes. Mas ainda não era suficiente.
— Mãe, pai... Eu estava pensando... – Começou ele. — Minha formatura é na semana que vem, certo?
Os pais estavam na sala. Jane lia um jornal, enquanto Michael assistia tevê.
— O que você tem em mente, Bobby?
E ele desandou a falar. Mentiras, claro, mas era necessário. Pediu a eles que o deixassem ter a próxima temporada livre. Iria alugar um apartamento e morar sozinho durante os próximos sete meses. Nada de universidade enquanto isso. Ele já vinha preparado: disse que ligou para todas as universidades para o qual estava qualificado e conseguira delas o aval para iniciar o curso apenas no ano seguinte, seis meses atrasado dos outros estudantes. Precisara bolar uma bela desculpa, mas conseguira.
— Filho, eu confio em você e sei que toma decisões responsáveis, mas... Isso de ficar esses meses morando sozinho, sem universidade... Porque você não vai junto com os seus amigos? Vai ser bom, a universidade é uma época tão mágica na vida de um adolescente e...
— Eu quero ir para a universidade, mãe. E eu vou! Mas eu preciso de alguns meses para... Me descobrir. Eu passei os últimos anos apenas estudando e sendo financiado por vocês. Eu preciso desse tempo livre antes de continuar estudando e continuar dependendo de vocês quando for para a universidade.
Fora necessária uma retórica impecável para conseguir a autorização para ficar sozinho nos próximos meses. Mas no fim das contas, seu plano era bom: ele iria fazer um sacrifício por todos. Também era algo combinado com Alice e todos os outros.
O negócio era o seguinte: eles precisavam de tempo. Muito tempo, para que o bebê de Jamie nascesse. E a morte vinha extremamente rápida, para todos. Então eles bolaram um plano esquisito e penoso, principalmente para Bobby.
Ele iria morar na chácara de Alice durante os próximos meses, sem sair de lá. Cada pedaço da casa já estava sendo arrumado e ajeitado de modo a deixá-la extremamente segura. Alice retirou cada objeto ou coisa que pudesse causar um acidente a Bobby, e o local já estava pronto para recebê-lo. O rapaz ficaria lá dentro ocioso durante todo o tempo, enquanto a gravidez corria. Tudo que pudesse machucá-lo seria evitado se fosse necessário. Era como ficar morto durante sete meses. Era um sacrifício, pior até do que quase morrer, mas era preciso. Para o bem de todos.
Melissa também fazia parte do plano. Ela iria ajudar o irmão, escrevendo falsos e-mails aos pais, dizendo que o rapaz estava bem e que não podia ligar para eles. A garota entregaria um por semana, falsamente colocado em suas caixa de mensagem. Melissa não concordava com o plano, mas não estava disposta a pular fora. O irmão precisava de sua ajuda e ela iria ajudar.
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Ao entrar na imensa e vazia mansão de férias de Alice, Bobby suspirou. Sua cripta era bonita e aconchegante, mas nada, nada libertadora. Era sua prisão, sua masmorra. Suspirou e deixou suas malas no chão.
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Sete meses depois.
A barba crescera muito, e as cartas que chegaram eram bastante desesperadoras: seus pais não compreendiam porque diabos ele não os via. Em muitas delas eles diziam que pensavam em visitá-lo, mas estranhamente Melissa sempre os desencorajava, de alguma forma. A garota estava sendo útil de uma maneira que Bobby jamais imaginara.
Os meses tinham sido e estavam sendo duros, penosos. Meses, dias, horas, segundos... Sem fazer absolutamente nada. As paredes brancas da casa eram seu único consolo. Algumas vezes Alice o visitava, sozinha, mas era sempre reprimida por Bobby, de modo que depois de algum tempo não fora mais.
Ele pediu que toda semana a garota lhe enviasse uma carta sobre o estado de Lily. Sendo assim, ao mesmo tempo em que acompanhara a gravidez de Jamie, ele também acompanhara a recuperação da ex-namorada. Muita coisa mudara, apenas ele continuava o mesmo.
Nenhum dos seus amigos foi para a universidade. Alice estava trabalhando na empresa de seu pai; Matt também, enquanto se encarregava de auxiliar os pais e Jamie nos cuidados da gravidez. O bebê era uma menina, que já tinha até nome: Beth. Após o nascimento da criança, segundo cartas, os dois tinham intenção de ir para a universidade.
E Lily... Já podia andar novamente. De todos os problemas acarretados de seu isolamento, este era o pior: não poder acompanhar essa desgraça sendo transformada em milagre. Segundo Alice dizia em cartas, as sessões de fisioterapia da garota eram emocionantes, cada passo dado era uma vitória. Bobby esperava do fundo de seu coração que Lily o perdoasse por ter ficado fora da vida dela nessa fase tão importante. Mas já não importava, ela havia voltado a ser a mesma. Nada mais importava. Foi quando recebeu a carta que estava esperando desde que se prendeu ali. E a notícia fora dada pela pessoa de quem ele mais sentia saudades:
Querido Bobby
Você não tem ideia do quanto eu sinto orgulho de você. Em cada carta que Alice escrevia, havia um verso meu na página de trás. Você percebeu? Eu não tinha coragem de escrever pra você por muito tempo: doía de mais. Doía a distância, doía não ter você nesse momento da minha vida. Mas já não dói mais. E não vai doer por muitos anos, graças a você.
Pois é, está para acontecer! O parto da Jamie foi marcado para a próxima sexta-feira. Você só precisa ficar aí por mais uma semana. Uma semana e todo o nosso sofrimento terá fim.
Não vou prolongar essa carta, porque preciso expressar tudo o que sinto pessoalmente. E sabendo que o tempo até isso acontecer é tão curto, acho que aguento, não é?
Mesmo que não me ame mais, serei sempre sua, Bimbo.
Com amor,
Lily
O sorriso no rosto de Bobby era de mais completa alegria.
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Sexta-feira chegou. Anoiteceu. Acabou. No sábado de manhã, não teve tempo de sair. O comitê de recepção apareceu. Seus amigos. Todos estavam ali, menos Jamie.
O reencontro fora emocionante. Todos estavam mudados: Matt agora tinha barba, como Bobby. Alice cortara o cabelo bem curtinho. E Lily... Mancava. Lágrimas eram inevitáveis e demorou-se até eles realmente sentarem para conversar. Antes disso, houve uma conversa particular com Lily.
— Sabia que eu vou ficar assim pelo resto da vida? – Lily disse, com um sorriso no rosto.
O rapaz não entendeu. Ela estava brincando? Não parecia. Era um sorriso de resignação, como se ela já estivesse conformada.
— Como assim? – A voz saiu fraca.
— Não precisa ficar triste, Bobby. Eu já superei isso. Os ferimentos foram graves, e nem tudo se resolve com fisioterapia. Eu vou mancar pelo resto da minha vida.
— Mas como você sabe? Você consultou médicos e...
— Todos possíveis. Não tem jeito. Eu nunca mais vou andar normalmente e não estou triste com isso.
— E por que não?
— Esses meses que eu estive afastada de você me fizeram pensar. Em tudo, sabe? Em como eu já poderia estar morta e em como você estava se sacrificando por mim, por nós. Agora que eu tenho a minha vida de volta, eu não ligo de como ela vai ser. Eu manco, mas e daí? Eu estou viva, Bobby! Viva! Graças a você. Eu não quero mais desperdiçar a minha vida sofrendo.
O rapaz não conseguiu ter outra reação se não beijar Lily com toda a força. Todo o amor e carinho reprimido que guardara por meses, explodiu. Ele amava a garota, agora tinha certeza disso. Estava errado quando pensou que não a amava mais. Ele a amava sim, mais do que nunca.
Não foi preciso mais do que cinco minutos de beijos para acontecer. Em minutos os dois rolavam, nus. Seus corpos, suas almas eram uma só.
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— Você não tem ideia de como ela é linda, cara! – Matt exclamou.
O grupo ainda estava na mansão de Alice. Bobby fizera a barba e dera um trato geral, inclusive um banho, para retirar a sujeira de ficar rolando nu na relva. Ele voltaria para casa no dia seguinte, após pensar em todas as desculpas que daria a seus pais.
— Ela tem seus olhos, Matt. – Alice disse, se referindo a Beth.
Bobby riu. Aquele momento era mágico. Enfim tudo estava acabado.
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