Prelúdio

14 Capitulo XIII


O dia amanheceu e logo o sol estava iluminando a capital carioca e revelando verdadeiramente o resultado da batalha ocorrida durante a noite, os corpos estavam sendo retirados pelos empregados da grande casa, essa sem dono agora, pois o mesmo era um dos que estavam a ser arrastados para a casa dos empregados no fundo da mansão onde mais tarde um caminhão da empresa iria despachar os corpos, tudo liderado por uma moça, que antes amedrontada agora de semblante autoritário, mas por dentro assustada, ela não queria desapontar a nova amizade e seus companheiros de equipe, ela era acostumada a ver as pessoas serem jogadas em valas e queimadas em seguida em sua terra onde era controlada por tiranos, já estava finalizando o serviço enquanto os garotos eram levados para os quartos para serem cuidados. O dia passou muito rápido assim a casa já estava arrumada e a frente sendo consertada pelos escravos agora livres, mas sem terem pra onde ir, continuaram na mansão, já passava da 21 horas e os garotos já estavam começando a acordar, mas ainda de cama sendo tratados, todos pensativos e angustiados pela derrota que obtiveram.

Tyler foi o primeiro a se levantar, ainda sentindo algumas dores fracas, mas ligeiramente incomodas, foi ver como os amigos estavam a primeira a ser visitada foi Bietrisse, que por sua vez estava sentada numa poltrona com um curativo no rosto e enfaixada do busto até um pouco abaixo da cintura.

– Oi... Esta se sentindo melhor? Perguntou Tyler preocupado.

– Estou sim, e você, vejo que já esta zanzando mesmo sentindo dores. Respondeu ela, mas dessa vez com tranquilidade, com certeza pensando no que aconteceu durante a batalha.

– Desculpe Bye. Essas palavras saíram em tom triste com algumas lamentações.

– Você não precisa se desculpar. Você não fez nada.

– Exatamente. Eu não fiz nada, eu deveria ter protegido vocês, se tivesse sido mais forte, se tivesse treinado mais, se eu...

– Para Tyler você não tem culpa de nada, não vai conseguir nos proteger sempre, nós que temos que aprender a ficar mais forte que você. Quem sabe um dia a gente te proteja, seu cabeça dura. Não fique com essa carga todo sobre você, agimos de forma errada, deveríamos ter lutado como equipe e não individualmente.

Tyler consentiu com a cabeça, mas ainda acreditando que poderia ter sido diferente, ele ainda acreditava que seus amigos estavam nesse estado por sua culpa e agora sentia que não merecia ser o líder da equipe, que poderia encontrar alguém mais forte ou de nível igual ao enfrentado e dessa vez eles não teriam pena e matariam a todos. Ele saiu do quarto de Bye, ela percebeu que ele ainda não tirava aquela ideia da cabeça, mas não tinha nada o que fazer naquele momento ele se cobra de mais e se sente responsável por todos que se aproximam dele, ela o viu sair, abriu a boca para dizer algo, mas a única coisa que conseguiu fazer foi ficar com as palavras presas sem saber qual seria a melhor para aquele momento, e ele logo sumiu pelo corredor, e ela abaixou a cabeça, triste e brava por não ter tido nem a coragem de dizer o que sentia por ele.

– Eai vacilão. Disse Mwanba com um sorriso de que nada tinha acontecido, esse era seu jeito era difícil o ver triste.

– Que felicidade é essa! O que houve viu um passarinho verde, ou uma passarinha marrom. Respondeu Tyler lançando os olhos em uma mulata que estava levando algumas frutas para o amigo.

– Há você me conhece, não consigo pensar nos momentos ruins apenas nos bons, já vi muita coisa triste na minha infância na África e além de tudo como conseguiria ficar triste com essa companhia ao meu lado poderia me acostumar com isso.

A mulata deu um sorriso lisonjeio para Mwanba, e quando se virou pra sair, o rapaz deu uma piscada para o amigo fazendo um sinal de que aquela mulata era tudo de bom pra ele, e falando com os lábios que não ia deixa-la escapar tão facilmente.

– Só você velho amigo pra ver o melhor em ocasiões como essa, mas vou te deixar ai sem atrapalhar, e você morena cuida bem do meu amigo. Disse Tyler sorrindo por seu amigo estar bem.

– Pode deixar vou dar um jeito nele que amanhã já estará correndo por ai. Disse a moça com um sorriso e segundas intenções.

– Desse jeito só vou vê-lo correndo é atrás de você. Disse Tyler zombando do amigo galanteador.

A menina sorriu e mandou uma piscada para Mwanba, que logo já estava fazendo sinais expulsando o amigo. Tyler saiu do quarto de Mwanba, feliz por seu amigo estar bem, foi a procura dos outros três amigos, mas se deparou com seus quartos vazios, desceu as escada se apoiando no corrimão, encontrou Natasha e Caroliny conversando na sala.

– Como vocês estão?

– Estou bem só com uns arranhões, mas sem ferimentos muito graves. Respondeu Natasha.

– Eu só estou com uma leve dor na cabeça pelo impacto, e minhas costas não estão me incomodando muito, os ferimentos também não são graves.

– Desculpe Tyler, Desculpe por não estar na hora pra te dar apoio, se eu tivesse sido mais rápida.

– Não tem problema você e Robert estavam levando as meninas para dentro da casa em segurança, para que algo de pior não acontecesse com elas. Tyler sorriu, por ver que as meninas estavam bem que nada de grave havia acontecido com elas. – E Robert onde esta? Perguntou ele preocupado com o amigo.

– Lá fora, esta inquieto pelo que aconteceu a nós e principalmente a Bye.

– Entendo vou lá falar com ele.

Tyler saiu da sala em direção da entrada da casa e estava mancando e às vezes colocava a mão sobre a costela mostrando estar muito ferido internamente. As meninas o olharam com preocupação e ao mesmo tempo com admiração por ele estar andando pela casa para saber como todos estão.

– O Tyler mesmo não se aguentando, não consegue pensar em outra coisa além da nossa segurança, ele sempre quer proteger a todos nós.

– É verdade, ele nunca vai parar de ser assim, ele não nos considera uma equipe e sim uma família, se mantendo com a responsabilidade pelo nosso bem estar.

As duas apenas observavam ele sair pela porta, imaginando quando seria o momento que ele perderia para suas vontades de se manter de pé, quando outra pessoa estaria gritando de dores, deitado numa cama por dias.

Tyler caminhou passando pela fonte, onde iluminada pelas luzes nos postes, e após dez metros viu Robert sentado num banco de madeira branco, o rapaz estava olhando para o céu admirando as estrelas e num súbito intervalo o viu num ataque de raiva arremessando o banco contra um coqueiro que com a força o banco se quebrou em pedaços, um dos pedaços do banco foi em direção de Tyler que mesmo com dor se desviou, habilmente como se já soubesse que aquilo iria acontecer.

– Calma amigo, quase me acertou, quer que eu volte pra dentro com mais um hematoma pra coleção só que eu vou fazer questão de jogar isso na sua cara pelo resto da vida. Disse Tyler brincando com Robert pra quebrar o gelo.

– Desculpe Tyler não foi minha intenção, jamais faria mal a você, nem percebi sua presença. Respondeu ele preocupado. Isso por porque ele esta sentindo muita dor e mancando e ainda desviou sem fazer nenhum gesto de dor para entregar sua chegada. Pensou Robert após observar melhor a chegada do amigo.

– Eu sei que não foi por querer, mas o que houve qual o porquê dessa ira? Estava vendo você olhando para o céu e ai Boom uma explosão de raiva e adrenalina, e olha só o resultado um banco destroçado, conversa comigo amigo o que esta te incomodando. Disse Tyler com seu jeito protetor.

– Ainda estou tentando entender o que aconteceu, era uma missão simples, como uma brincadeira, tudo correndo bem até que aquele pessoal estranho apareceu. E aquele cara, não conseguimos nem triscar nele, fomos derrotados por seus capangas.

Tyler logo se viu lembrando do confronto que tivera com ele, de sua velocidade, sua habilidade, ele não conseguiu nem fixa os olhos sobre ele, ficando paralisado e sem reação servindo de boneco de pancadas. Voltando as palavras de Robert, logo abaixou a cabeça, e disse.

– Eu o enfrentei... Quer dizer não diretamente, nós lutamos ... Bem na verdade nem sei como explicar, mas explicarei a todos, assim que tiverem todos bem, e farei uma reunião para discutirmos o ocorrido e expor nossos pensamentos e opiniões. Agora vamos entrar já devem ter feito o jantar. Disse Tyler sentindo um cheiro de alguma comida muito bem temperada.

Os dois se levantaram e Robert deu uma força para o amigo. E Disse – Sei que não precisa da minha ajuda, mas é melhor acelerarmos o passo pra poder chegar a tempo e não ficar com as sobras. Observou ele com um sorriso.

Tyler sabia que esse não era o verdadeiro motivo que na verdade estava bem óbvio que ele não estava conseguindo caminhar normalmente, mas seu amigo o conhecia e não iria usar esse tipo de desculpa, preferiu jogar a culpa em outra coisa. Ele então sorrindo por saber que seus amigos o conheciam bem e que não poderia pedir algo melhor, ele já tinha tudo, mas continuou com o pensamento de que não era bom o suficiente para proteger a todos.

Enquanto os dois iam caminhando para a entrada da casa, eles viram Akira sentado na fonte meditando, os dois o interromperam de sua meditação, chamando para comer ele abriu um dos olhos e consentido com a cabeça voltou a seu estado de transe, os dois amigos acharam melhor não esperar que logo ele estaria sentado a mesa com a turma. Quando eles chegaram não acreditaram no que viram, Akira já estava sentado olhando com um sorriso debochado, e todos se sentaram e começaram a refeição diferente das que normalmente acontecia, todos calados e quando terminaram foram cada um para seu canto e assim encerrou a noite.