Prelúdio
2 Capitulo I - O INICIO DE UM ENIGMA
O INICIO DE UM ENIGMA
09 de Junho 2027 Bahamas. Atualmente.
Sinto meu corpo dolorido, um odor de substâncias pairando no ar, abrindo meus olhos mesmo com a visão ainda turva, notei certa claridade no ambiente vinda de algum lugar, ao virar minha cabeça, vi o porque; eram aparelhos que estavam ligados ao meu corpo. — E isso me faz pensar mais ainda de o porquê de eu estar deitado? Pensando melhor onde estou? Será que fui capturado? Onde esta minha equipe? Preciso sair daqui e ir procurar por eles.
Um barulho chamou minha atenção, com certeza era de uma porta enferrujada, pois um ranger de algo muito pesado estava sendo empurrado, outro som surgiu, como uma fechadura sendo aberta, esse me é familiar, como... Já sei, como as portas de navios, essas fechaduras giratórias, será que... Claro estou em um navio, mas não sinto seu balanço ele deve estar em algum porto e por sinal com águas calmas. Ouço passos se aproximando, pelo som que ele faz deve ser de mulher e está de salto, outros passos estão acompanhando a primeira pessoa e está usando algum tênis esportivo, mas esse movimento me parece familiar essa forma que os passos se encaixam... Só pode ser Bietrisse, espero estar certo odiaria não reconhecer seu jeito único de andar. Uma voz... Vou me esforçar pra entender.
– Os danos ao seu corpo não foram muito graves, mas ele bateu com a cabeça muito forte e seus tímpanos estão um pouco prejudicados, ele se recuperará, mas precisará de pelo menos duas semanas, o corpo dele está se recuperando mais rápido que o normal.
– Mas Dra. Cameron, quando ele vai acordar? Já faz dois dias.
Eu sabia não iria confundir seu jeito de andar com ninguém. É melhor eu dar um sinal agora que sei que estou em mão amigas.
– Agradeça que é ele se fosse outro, duvido muito que estaria respirando Tyler é um ser humano muito hábil muitos cientistas e médico gostariam de estuda-lo e pra mim está sendo uma honra o conhecer pessoalmente.
Essas palavras geraram um certo olhar ciumento em Bietrisse, mas foi desviada por um som repentino.
– Hm... uuuooooii hm... – Foi á única coisa que consegui fazer com aquele tubo na garganta.
– Ele acordou! Rápido tira isso dele!
A Dra. Com a praticidade e seu profissionalismo retirou os tubos que estavam em sua garganta para ajudar na respiração. Seguido de uma tosse pelo o incômodo veio o alívio e logo seu jeito nada responsável já estava de volta.
– Agora me ajudem a levantar! Já estou bem! Desprendam essas coisas do meu braço e...
– Você não muda neh? Só porque acordou não significa que pode sair por ai caminhando. – Disse Bietrisse com seu jeito ignorante e ao mesmo tempo preocupado.
– É Tyler, a Bietrisse está certa, você não pode se levantar ainda.
– Como não? Sou bom no que faço não importa o que faça, além disso, eu sei como controlar meu corpo e me manter firme quando outras pessoas não conseguiriam.
– Ai que moleque metido, como se acha você não perde esse jeito nem quando esta nesse estado. O pior é que ele tem razão se fosse outro estaríamos enterrando o corpo e da forma que tudo aconteceu estaríamos procurando os pedaços. Pensou Bietrisse.
– Não sou metido, na verdade sou, mas todos sabem que eu não sou nada humilde ao dizer o que sou e outra se vocês não me ajudarem eu faço isso sozinho e quem é a Doutora que nunca a vi? É confiável.
– Vamos ajuda-lo Doutora o resultado vai ser o mesmo, então é melhor que seja feito por uma profissional.
– Tudo bem eu retiro. Respondeu a Dra. Cameron sem ter escolhas pelo gênio forte do paciente.
– Como você já sabe o nome dela é Dra. Cameron e ela é confiável se não fosse você acha que eu traria ela aqui para cuidar de você. Poupe-me da sua arrogância e falta de confiança na minha capacidade de tomar decisões. Respondeu Bietrisse com sua ignorância e ao mesmo tempo insinuando a falta de responsabilidade que às vezes Tyler tem, mesmo sendo muito inteligente em certas ocasiões ele deixa a responsabilidade de lado.
– Calma, calma... Se você esta dizendo que é, tudo bem pra mim, não duvido da sua capacidade, você é boa em tudo que faz. Disse Tyler com seu jeito manipulador sempre conseguindo contornar qualquer situação mantendo o controle com apenas pequenas mudanças no seu tom de voz e aplicando a velha estratégia de usar elogios assim quebrando a barreira criada para alto proteção.
– Tudo bem, sei que não foi por mal, é só parte do seu jeito de ser, desculpe por ter sido ignorante. Disse Bietrisse mais calma e gentil.
Tyler com um sorriso no canto da boca sabendo que teria esse tipo de reação por suas palavras perfeitamente escolhidas, aceitou as desculpas, mas mesmo assim apenas para manter o controle, disse que não havia necessidade em se desculpar que ela estava certa em ter sido ignorante ele não deveria ter feito tal comentário.
– Não tudo bem, fui grossa nas palavras é que sou assim quando duvidam de mim. Respondeu Bietrisse pelo comentário de Tyler. — Espera um pouco ai! Exclamou ela com a ira em seus olhos — Você esta tentando manipular essa conversa só pra eu não continuar te tratando com ignorância? Haaaa... Seu desgraçado você não presta mesmo, nunca muda, até comigo você faz esse seu “joguinho” de manipular tudo, quer saber vou saindo não estou afim de continuar com isso se precisar de outra coisa me chama! Bietrisse saiu da sala nervosa desacreditando do ocorrido.
– Mas que merda... Ela percebeu, não deveria ter feito com ela, uma das poucas pessoas que me conhece tão bem que sabe o que estou pensando só de olhar em meus olhos, talvez eu seja um cretino desgraçado mesmo.
– Desculpe me intrometer, mas pelo que vejo vocês se gostam e se conhecem muito bem, são namorados?
– Meio inconveniente essa sua pergunta não acha? Mas não estamos namorando e não sei se ela gosta de mim como eu dela. — Ele fez uma pausa — Haaa... O que estou falando dando atenção pra você! Só termina de retirar essas coisas de mim que preciso ver onde estão os outros, e onde estou.
A doutora retirou as agulhas e eletrodos do corpo de Tyler, ele retirou o lençol que estava sobre seu corpo e sem vergonha nenhuma ficou nu de frente da doutora começando a colocar suas roupas que estavam sobre uma cadeira. Uma camisa manga longa gola em V branca e lisa um blazer jeans, uma calça Jeans, não usava cueca ele não gosta e um tênis casual básico, seu estilo social esportivo nunca muda.
Saindo da sala estranha meio tonto, mas controlando a respiração e pressão sanguínea um dos truques que aprendeu com alguns monges sobre controle do corpo com a mente, assim já estava pronto pra seguir em frente. Subindo uma escadaria de ferro para um andar superior já ouvia alguns sons de navios assim confirmando suas teorias, ao termino da escadaria chegava ao Convés do Passadiço onde o comandante dirige as manobras da embarcação.
– Até que enfim acordou seu preguiçoso! Exclamou Natasha em tom brincalhão.
– Ora, se não é Thao Tác quem diria consegue manipular até a hora da morte, dando uma rasteira no ceifeiro. Brincou Mwanba Makini – Um dos que Tyler mais confia e considerado um irmão.
– Isso porque era pra ele estar na cama ainda! Exclamou Bietrisse ainda brava com Tyler.
– Eae galera, como estão e onde estamos? Só não digam em um navio porque isso é bem óbvio. Perguntou Tyler passando os olhos por Bietrisse receado pelo ocorrido anteriormente, pedindo desculpas sem palavras apenas com o movimento dos lábios.
– Estamos em Freeport, Bahamas, foi o único lugar seguro para trazer você e longe o bastante para despistar quem pudesse estar na nossa cola. Respondeu Natasha.
– Entendo... Daqui vejo Caroliny no Tombadilho, mas onde esta seu irmão Robert? Perguntou Tyler a Bietrisse.
– Foi com Akira naquela missão que só poderia ser finalizada com pessoas especializadas em serem silenciosas e os dois formam a dupla perfeita pra isso.
– Concordo. De quem foi a ideia de colocar os dois juntos?
– Foi minha mesmo. Informou Bietrisse.
– Não esperava menos de você. Sorriu Tyler para quebrar o gelo pela ainda não esquecida tentativa de manipular a discussão.
– Eu sei que foi uma boa ideia, sou boa no que faço não importa o que faça. Respondeu Bietrisse brincando com as palavras de Tyler ironicamente.
Ele viu os lábios dela se movimentando e formando as palavras “te perdoo”, sorriu com um brilho nos olhos feliz que seu erro fora perdoado.
Caroliny apareceu em seguida, e se assustou ao ver Tyler já de pé caminhando como se nada tivesse acontecido a ele, com alguns arranhões no braço e no rosto. E logo perguntou. – Como esta, está sentindo dores?
– Já estou bem obrigado por perguntar. Respondeu Tyler educadamente e sorrindo.
– Bem... Então qual é o levantamento desde que eu “adormeci”? Perguntou, querendo mudar de assunto pra não ficarem fazendo perguntas sobre sua saúde.
Bietrisse iniciou atualizando dos fatos desde que ela o vira ser atingido pelo Míssil K-G3.
– Após o seu “apagão” finalizamos o serviço e conseguimos algumas peças ainda lacradas do K-G3 mesmo modelo que te atingiu, conseguimos também uma capsula não utilizada de uma nova arma na qual não conhecemos por completo, Caroliny já iniciou os estudos e descobriu que é uma minibomba de hidrogênio, para ser usada com fácil manuseio, ela esta estudando sua capacidade de alcance e até sua analise atualizada e por apenas ter o tamanho de uma polegada seu alcance de destruição é de dois quilômetros quadrados e...
– Muito destrutiva para um objeto tão pequeno, algo mais foi encontrado na QG do General Ceaserav Romanovitch?
– Era o que eu ia informar antes de você interromper. Ham... Continuando... Foi encontrada uma fórmula estranha capaz de modificar geneticamente o corpo humano, mas não na sua aparência e sim sua capacidade física e intelectual, encontramos também alguns documentos que estavam sendo queimados, recuperamos alguns, mas a maior parte virou cinzas., Caroliny estudou os documentos com a ajuda de Akira. Finalizou Bietrisse com um tom orgulhoso pelo levantamento que acabara de fazer.
– Muito bom, mas estou curioso pela formula encontrada, e acima de tudo como o General Romanovitch conseguiu chegar a esse nível, ele sempre foi tão “peixe pequeno” com certeza tem alguém por traz usando ele como fachada. Caroliny, assim que tiver mais informações sobre a fórmula me avise por gentileza.
– Ok. Respondeu Caroliny.
– Alguém tem algo a acrescentar no relatório da Bye?
– Não.
– Não.
– Sim... Quer dizer sim e não. Não exatamente ao relatório, mas ao ocorrido. Disse Caroliny com um ar de curiosidade.
– Prossiga.
– O que você fez para que o K-G3 não te fizesse em pedaços. Perguntou Caroliny com curiosidade sobre o modo rápido de pensar de Tyler sempre impressionante, uma pergunta que muitos queriam fazer, mas apenas agora feita.
– Quem mais esta curioso pra saber o que aconteceu? Disse Tyler na esperança de ninguém mais querer saber e ele escapar dessa.
Algo que não iria acontecer, todos estavam curiosos pra saber o que realmente ocorreu, um movimento tão rápido que nem Bietrisse conseguiu acompanhar, só lembrava de ter tido uma leve impressão de ter visto uma pré-explosão antes do míssil alcançar Tyler.
Todos levantaram a mão, com olhares curiosos, e com um brilho de esperança, para que o amigo não desse alguma desculpa, ou se negasse a realizar a narrativa dos fatos.
Tyler olhou para os amigos e os viu esperando a resposta, compenetrados para saber qual façanha foi utilizada em tão poucos milésimos de segundos.
Então ele coçou a cabeça, percebendo que não teria outra saída, cada movimento cada gesto era seguido pelos olhares atenciosos dos amigos, como crianças esperando ouvir uma história há tanto tempo desejada, ele começou, movimentou os lábios como quem fosse dizer algo, mas não disse nada, o lugar estava quieto, o suor descia pelo rosto de alguns, expectativas no olhar de outros, Mwanba já estava roendo as unhas de ansiedade, então Tyler fez outro gesto como se fosse começar a narrativa e o silencio pairou diante deles com os olhos arregalados e ouvidos focados apenas na voz do jovem rapaz que começava a sair, para os amigos aquilo já estava se tornando muito demorado, isso porque só havia passado nem dez segundos desde a pequena votação, o silenciofoi interrompido pela voz de Tyler.
– Após o aviso da Bye eu pude pensar apenas em...
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