Preludio

67 Capítulo LXIII


Segunda-feira deveria ser feriado, o clima ainda era de domingo, para minha sorte não poderia ir ao colégio.

Tudo estava arrumado, a casa exalava lavanda, Kim adorava que a casa cheirasse cada dia um aroma diferente.

Após tomar um demorado banho, resolvi mexer um pouco na internet, logo depois peguei um livro que tratava uma historia sobre vampiros, eu adorava ler as fantasias que os humanos fizeram ao longo dos séculos.

Mais nem sempre foi fantasia, agora somos apenas seres imaginários que os humanos pensam que criaram.

Só que na época da Inquisição éramos famosos conhecidos, temidos, caçados como ratos, como uma praga que precisava terminantemente ser varrida.

Não estamos na historia como verdadeiros, eles não queriam que nossa existência fosse revelada, achavam que fossemos magos, demônios.

Na metade da Idade Media, no fervor da Inquisição, da caça as bruxas, alquimistas, pagões, os vampiros também era caçados freneticamente.

Conclui que os olhos do mundo daquela época estavam voltados para os vampiros.

E pensar que papai viveu aquele inferno todo.

Às vezes, pensava como papai se manteu incógnito durante aquele tempo todo, vendo seus parceiros morrerem e ele ficando vivo presenciando tudo.

Ele não curtia contar o passado, mais eu adorava saber o que rolou naquela época, então às vezes ele acrescentava algo naquilo que ele já havia me contado.

Papai era velho, fazendo a conta mentalmente ele deveria ter mais que 1.600 anos, apesar da cara de 27 intacta. Ele sempre estava com seus olhos azuis serenos, poucas vezes mudava a expressão.

Ele nunca falava muito da família original que tinha, só que seus pais eram felizes e que tinha um irmão menor.

Papai vagou pelos anos sozinho, o que é comum a nossa espécie. Até que num esbarrão ele cruzou com a Realeza.

De cara, Sandro se interessou por ele, o convidou a se juntar á eles, e como papai não tinha nada á perder, só a ganhar, topou ir com eles.

Pelo menos a parte da estada com eles ele me contara quase nos mínimos detalhes.

Rapidamente ele usou da sua capacidade de localizar outros vampiros como forma de agradecimento á eles

Alem dele na guarda que eu apelidei de idiotas de, sobretudo cinza, havia mais seis dotados de habilidade mais que vampirica.

Ele participou de muitas excursões contra novatos, contra vampiros que bancavam os idiotas querendo nos expor aos humanos, querendo mostrar que éramos superiores.

Poucos eram aqueles que tinham habilidades que fizessem se valer a Realeza.

Foi dessa maneira de obediência que papai viveu por 50 anos, até que ele pediu para ir embora, que ele tratasse de cuidar da própria vida.

Certa vez perguntei a ele se odiava eles, mais disse que não havia o que odiar, mamãe e Cassandra eram do mesmo jeito não os odiava. Antonie sentia certa aversão á eles, o mesmo ocorria com Morfeu e Agna, nenhum deles os odiavam, apenas eu os odiava, os achava sádicos, cruéis e calculistas nada mais, eram unidos pela paixão pelo poder e isso de certa forma me irritava.

No curto tempo de 20 anos papai se estabeleceu financeiramente, criou uma identidade. Era tudo que eu sabia.

Se passado mais 30 anos, numa viagem a Irlanda, papai conheceu mamãe na época ela tinha 23 anos, ele não sacou logo de cara que ela era sua alma gêmea, ela era apetitosa, atraente pra ele. Após certas semanas, mamãe compreendeu o que ele era, papai não conseguia ficar longe dela, descobriu que a amava até as suas ultimas entranhas e mamãe já o amava da mesma forma.

Namoraram por cerca de dois anos, até que se casaram e me tiveram. Quando eu tinha um ano, pelo que me disseram, se encontraram com Dante na Itália sozinho na época, ele lhes explicou seu modo de vida vegetariano, meus pais gostaram da idéia daquele modo de vida, mamãe não suportava a idéia de matar alguém e papai já estava cansado daquela vida.

Desde que eu me entendo por gente, mamãe é quase o oposto de papai, seus olhos eram sempre alegres, suaves, falava o suficiente para que qualquer um a adorasse, era boa ouvinte. E desde de criança ela cantava quando se aproximava de casa, era o seu modo de avisar que estava bem e que estava voltando.

Quando estava com três anos, eles decidiram ajudar os vampiros a entrarem na linha, me lembro que via mamãe treinar praticamente todo o dia com papai no manejo de arma e em artes marciais.

Agna era quem sempre ficava comigo quando eles partiam, ela sempre estava aborrecida com alguma coisa. Morfeu era o seu oposto, sempre estava alegre nunca ficava triste.

Imaginei como os dois formariam um casal bem interessante, Agna estava ao que parecia na casa dos 30 e Morfeu também. Era bem divertido quando Antonie se juntou a nos, ele era pra mim aquele tio-avô que toda humana tem, vivia sendo engraçado. Mais quando precisava ser serio, ele estava. Ficava impressionada com sua inteligência ainda fico pra ser franca.

Quando estava com sete anos, meus pais trouxeram de Toronto, Cassandra. Ela tinha sido a única do grupo de sete vampiros que aceitou o modo de vida, enquanto que os demais acabaram mortos, ela veio com meus pais.

De inicio tinha medo dela, ela sempre estava calada, distante, como se estivesse pensando no passado, coisa que algumas vezes ainda faz.

Aos poucos ambas nos acostumamos uma com a outra, adorava quando ela fazia nevar ou quando criava cristais de gelo.

Cassandra logo se integrou na família, ela criou a personalidade sedutora que só larga quando tem que cuidar do nosso trabalho.

Aos 15, eu causava mais problemas do que um bandido.

Já tinha aprendido a controlar meu poder, só que eu tinha pavio-curto, coisa que ainda tenho, então bastava uma provocaçaõzinha, eu já estava metida em encrenca.

Notas finais
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