Mais um amanhecer normal ocorria na megalópole São Paulo situada no Brasil, América do Sul. Como toda megalópole mundial, as ruas estavam cheias de pessoas preocupadas apenas com suas vidas e trabalhos, as avenidas com um fluxo constante de veículos que iam e vinham o mais rápido possível já que em cidades assim tempo é dinheiro. Todos os transportes públicos estavam transbordando de passageiros , principalmente o metrô, a principal via de movimentação nesta cidade. Eram as veias que faziam fluir o sangue de gente por todo este gigante de pedra, fazendo a cidade andar.

Aquela rotina corrida e agitada de cidade grande era que todos seus cidadãos estavam acostumados, grande parte reclamava de tudo aquilo, mas se faltasse àquela agitação em suas vidas, com certeza sentiriam falta daquele “corre, corre” diário e seu ciclo vicioso.

Dentro do metrô que se movia entre as estaçõe Brigadeiro e Trianon-Masp, estavam centenas de pessoas que apenas esperavam chegar a sua estação e seguirem seu caminho, mas no segundo vagão haviam quatro pessoas que se destacavam entre a multidão: dois jovens que trajavam uniformes de colégio particular, um deles era uma jovem garota de pele bem branca, de estatura mediana, com cerca de 1,79 de altura, tendo cabelos castanhos claro que desciam até um pouco abaixo do centro das costas e um corpo bem avantajado, trajando um uma camisa branca de gola azul com símbolo em azul e amarelo de um colégio por baixo de uma jaqueta de couro preta, carregava uma mochila nas costas. Ela era uma dos que mais se destacavam conversando alto de forma extrovertida e descontraída, o rapaz que estava a seu lado trajava uma camisa colegial idêntica a da jovem so que a dele podia se ver detalhes azul que desciam da gola ate o final da manga curta, junto a uma calça jeans clara, o rapaz tinha longos cabelos escuro e pele branca, com detalhe de uma barbicha em seu rosto. Aparentava ter em média 17 anos, com seus 1,84 de altura e também carregava uma mochila.

A conversa continuava animada quando o metrô foi lentamente parando no meio do caminho entre as duas estações, e a voz suave de uma mulher soava pelos alto-falantes. Praticamente todos ficaram em silêncio para escutarem o motivo daquela parada.

- Senhores passageiros paramos por queda de objeto na linha, voltaremos a normalidade em poucos minutos. – Assim se encerrava a voz, ficando apenas um leve chiado em meio ao silêncio.

- \'vish\'... Só outro – A jovem falava em tom de brincadeira para os amigos, que não conseguiam esconder o riso e gargalharam com a situação.

- \'Pow\' Camila não ferra, mano – O outro estudante falava com ela em tom de brincadeira, mas todos os outros passageiros do metro murmuravam indignados pelo fato, e que iriam se atrasar para seus respectivos empregos, sem contar a explicação para seus chefes que nem iriam se importar direito com o motivo. No entanto, os jovens estavam pouco se importando para aquilo, já haviam faltado em suas escolas e estavam planejando sair para beber e extravasar naquela sexta-feira.

Dez minutos se passaram e novamente a voz da maquinista se pronunciava pelos alto-falantes do metro enquanto o mesmo voltava a se mover bem lentamente – Senhores passageiros, desculpem o transtorno, agradecemos sua paciência e estamos retornando a nosso serv... – A voz da maquinista foi interrompida por um macabro silêncio no meio de sua fala, e apenas o que podia ser ouvir era o som de algo caindo no chão de ferro do metrô, no mesmo momento que ele parava de se mover. Todos ficaram sem entender o que estava acontecendo e uma sensação de medo e confusão começou a aparecer quando gritos de espanto ecoavam no vagão, pessoas haviam desaparecido como mágica, apenas deixando para trás suas roupas que ficavam jogadas no chão, mas o problema não parecia estar acontecendo apenas ali, gritos desesperados de uma mãe que procurava seu bebê vinham do outro vagão, de repente tudo havia se tornado um mar de desespero, os gritos que ecoavam pelo túnel vindo de todos os vagões. Um dos quatro jovens pegava segurava os dois estudantes pela mochila os puxando mais para próximo, este era um rapaz de pele negra que media 1,94 de altura, trajando uma calça jeans preta junto com uma camisa verde escura com a bandeira da Inglaterra estampada, por cima uma jaqueta de couro preta simples, aparentava ter mais de 20 anos, usando uma bandana escura, com um cavanhaque.

- Amor, Lucas... Companheiros, e melhor sairmos do meio da confusão e irmos para o fundo do vagão. – Falava para os dois com um sorriso falso estampado na face, já que não dava para esconder direito à preocupação e tensão que estava no ar neste momento.

– Ô Lone, vem com a gente! – Camila falava, chamando o outro garoto de cabelos compridos negros que prestava atenção no que estava havendo no centro do vagão, mas eles já começavam a andar, deixando-o um pouco para trás quando escutaram novamente o som do rádio do maquinista que permanecia ligado.

– Ei Ingrid aqui é a central, respon... – Alguns chiados cortavam as fala. – Anda logo com este trem porque o Paulo vem atrás de você em alta veloc... – novamente chiados atrapalhavam. – Que merda o Paulo não também responde, eles vão bat...

No mesmo instante um segundo de silencio geral pairou dentro de todos os vagões do metro, quando parecia que a realidade da morte caia como um peso na costas de todos, um pânico geral dominou todo o metrô junto com gritos e pessoas se amontoando a frente das portas tentando arrombá-las de qualquer forma em meio ao desespero. Os três jovens encontravam dificuldade para passar entre as pessoas e conseguirem ficar juntos à parede no fundo do metrô, porém uma pessoa havia ficado para trás. Sendo arrastado pela multidão, Lone tentava passar entre as pessoas mas era inútil. Quando o som de algo cortando os trilhos aumentava cada vez mais chegando mais rápido do que o esperado, e antes do impacto um berro de Lucas foi a última coisa que ouviram.

- SE SEGUREM!!!

O trem estava se movendo rapidamente a cabine do maquinista estava vazia, os passageiros gritavam e choravam, sabiam que aquilo não era normal, já que o metrô havia passado direto pela ultima estação sem sequer reduzir a velocidade, o som das rodas de ferro arranhando nos trilhos enquanto o trem fazia a ultima curva prestes a bater de frente no coletivo a sua frente. Aquele veículo de metal se chocava contra o outro que estava parado, o som do impacto de ferro e aço se amaçando como se fosse uma simples lata de alumínio era ensurdecedor e ecoava por vários quilômetros. As pessoas dentro dos vagões eram esmagadas entre as ferragens que as pressionava, rasgando suas carnes e perfurando suas peles, dilacerando seus membros. Os gritos de agonia e dor pareciam o próprio inferno sobre a Terra, todos os quatro últimos vagões e os quatro primeiros vagões do trem que havia causado o choque tinham se tornado uma montanha de metal contorcido e corpos desmembrados e esmagados entre as ferragens dos outros vagões do metro apenas haviam descarrilhado e tombado batendo contra as paredes e pilastras, se desprendendo uns dos outros e deslizando para a frente. Todos seus passageiros eram lançados uns contra os outros...alguns foram arremessados pelas janelas, outros esmagados entre os ferros do interior do metrô e o peso de outras pessoas por cima, as luzes do interior dos vagões estavam apagadas, e a única luz era fraca do corredor do túnel e apenas o que se escutava era o gemido de dor dos sobreviventes.

Notas finais
por favor comentem.