Estava tudo certo. Depois de pensar por quase um dia, cheguei a decisão de que minha linha de raciocínio estava correta, só necessitava de uma confissão. Eu me questionei muito se diria ou não para a polícia, afinal, eles poderiam querer intervir antes do tempo, mas felizmente, com a ajuda do velho Kennedy, consegue fazê-los esperar até o término da reunião. Mais uma vez reuni todos os jovens sobreviventes do ‘massacre’ na chácara, mas desta vez, em minha própria casa. Nada melhor do que um local desconhecido para deixar todos em um ambiente neutro, e também, um ambiente cujo qual os policiais estavam bem posicionados para evitar maiores problemas, mas eu duvidava que teríamos algo inesperado. Depois de dois meses, o caso chegaria ao seu fim, mas não só graças a mim, mas também tenho que agradecer uma pessoa a mais. Montei a sala com várias cadeiras em círculo, uma para cada jovem, enquanto eu, ficaria em pé, como um advogado, pressionando os réus, eu não queria fazer daquilo um teatro, não era nem de longe um Herculo Poirot, mas seria mais fácil, colocar as coisa dessa maneira, para o assassino confessar. Ele não teria pra onde fugir, acuado e com os olhos em cima de si, mesmo se ele tentar negar, já será tarde demais. Aquilo era uma armadilha sem brechas. Tive que conseguir permissão para trazer Natan comigo, o julgamento dele seria na próxima semana, mas por um mandato especial, e depois de explicar meus termos, o juiz o liberou, sendo assim, todos estavam presentes naquela sala escura e fria.

– Isso é algum tipo de piada? Primeiro aquela merda de recriação dos fatos na chácara, agora isso? Como a polícia deixa esse cara agir assim? – Phelipe falava mal de mim para seu amigo Guilherme, mas naquele ponto, eu apenas ignorava tais comentários. Não foi difícil trazer todos até aqui, pois quem se recusasse, estaria indiretamente confessando culpa no cartório. Quando eu disse que finalmente resolveria o caso, quando os convidei, pensei na possibilidade do assassino fugir, mas estavam todos reunidos ali, sendo assim, aprecio a audácia e coragem do mesmo, talvez ele pense que pode se safar dessa, mas eu digo: Isso é impossível.

– Wellington, pode ser rápido com isso? Quero ver a novela. – Julianna parecia calma demais para aquela situação, e logo percebi que aquilo era forçado. Bianca estava agindo indiferente como sempre, Amanda conversava com Kelly sem prestar atenção ao seu redor, o que mais parecia nervoso ali era Natan, e até envergonhado. Todos o encaravam como sendo o culpado, até então, ninguém falou com ele, o que me fez sentir certa pena do garoto.

– Por que trouxe um assassino aqui? Quer provar mais o que velhote? – Phelipe voltara a abrir sua boca, quando João o repreendeu.

– Seu bosta, só sabe falar merda, né? Tá na cara que não foi o Natan, se não a polícia não teria liberado.

– É só achar alguma prova boa que ele já era, você é mesmo um idiota né? – Raíza olhou com desprezo para o seu irmão que parecia querer levantar e esmurrar Phelipe.

– Vamos ouvir o que o Wellington tem a dizer, eu também acredito no Natan, acredito que ele jamais poderia matar alguém. – Kelly olhou para Natan com os olhos lacrimejando. Eu não queria que aquilo virasse uma discussão pessoal, então fui logo ao centro da roda, começando com o ataque final àquele circo bem montado.

– Pois bem, acho que as briguinhas ficam pra depois. Agora vamos ao importante: Aos fatos.

– Fatos, fatos! Não pode falar logo o que pensa? – Amanda começou a ficar impaciente e isso só me fez enrolar mais ainda para irritá-los.

– Eu preciso ir por etapas querida, se acalme. Er, bem, antes de tudo, algum de vocês conhece Aldir Guimarães, com exceção do Natan? – Todos ficaram em silêncio se entre olhando, até que Kelly respondeu:

– Eu sei que ele é um garoto que se matou anos atrás...ouvi falar sobre, mas o que isso tem a ver? – A resposta da garota me fez abrir um sorriso.

– Não é nada demais, nada demais. Uma coisa boba, só que Aldir Guimarães é o A.G das cartas e que fora marcado em Carlos. – Todos pareciam surpreendidos com a revelação, exceto uma pessoa.

– E quem é esse? O que tem a ver com as mortes? – Guilherme se levantou, mas o fiz se sentar novamente.

– Eu chegarei lá. Enfim, começaremos do ponto de partida, o churrasco. Como todos vocês devem saber, essas mortes não aconteceram por simples impulsos assassinos momentâneos, todas elas foram planejadas, tudo isso foi planejado. Não teve morte acidental, não teve nada do tipo, nem mesmo o churrasco. – Olhei para Julianna que foi a próxima a se levantar.

– Está dizendo que eu combinei isso? Eu não sabia que iria ir pro exterior no começo do ano, o churrasco foi ideia das meninas da sala, eu só dei o lugar!

– Justamente minha cara. Alguém deu a ideia, o local tinha que ser uma chácara para os assassinatos acontecerem, e nisso o assassino deu sorte, porque poderia ser um salão fechado, o que dificultaria sua vida. Pois bem, escolhido o local, as únicas pessoas que tinham ciência do mesmo eram você, Isabela e Bianca, correto? – Julianna balançou sua cabeça positivamente. – Porém, há algo que você não sabe. Isabela era uma fofoqueira nata, só quem era muito próximo dela sabia, mas ela acabou espalhando sobre a festa, as pessoas que recusaram o convite – dando algumas desculpas – ficaram sentidas pensando que você só as convidou por pena ou educação, já que não havia falado nada para elas, algumas de sua classe. Naquele momento posso afirmar que todos aqui sabiam do conhecimento do local, ou seja, o assassino que jaz aqui, começou a planejar tudo.

– Está dizendo que o assassino tá aqui mesmo? – Bianca começou a fazer uma cara de assustada, o que foi até bonitinho.

– Sim, minha cara, o assassino é um de vocês. Voltando, o assassino começou a bolar tudo, e a primeira etapa para isso, era possuir uma planta do local, cuja qual eu encontrei, quando fui pela primeira vez na casa de Natan, em um de seus livros. – Naquele momento, mostrei a planta da chácara para todos na sala.

– Natan, seu merda! – Phelipe o encarava com raiva, mas Natan logo começou a falar pela primeira vez.

– O livro era do João! Eu mal sabia disso!

– Tem certeza? Você não sabia dessa planta? – Natan me olhou e sorriu de canto.

– Eu sei que você sabia dela, pois quando voltei pra sua casa, no dia em que te prenderam, vi o livro novamente, e ele estava com o marcador nas últimas páginas. Quando achei a planta, ela estava no meio, na página 160, eu a coloquei novamente nesse lugar, e segundo o marcador indicava, você havia lido até a 40.

– Viu, é o Natan, por que toda essa ladainha? – Raíza me olhou com certa angústia.

– Minha cara, o fato dele ter uma planta da casa não o coloca como sendo assassino, ele mesmo disse, o livro era de João, e sua mãe confirmou que ele o buscara naquele mesmo dia em que encontrei o mapa, mas nada impede dele ter colocado dentro do livro pra pensarmos isso. João, você não colocou essa planta e a colocou no livro, não é?

– Claro que não! Natan é meu amigo, por que eu iria querer incriminá-lo? – João estava pálido, tremendo.

– Essa planta foi colocada dentro do livro com o único intuito de incriminar Natan, e é claro que isso é do assassino. O bastardo, depois de bolar seus planos, precisava pelo menos de um cúmplice, e nada melhor do que um garoto mulherengo que faria qualquer coisa por uma mulher bonita. No entanto, Carlos não era do tipo maldoso, ele podia não ter um ótimo caráter, mas matar estava fora do seu patamar. Conversei com os amigos dele da cidade onde o mesmo morava, além dos seus pais, vi que era um garoto orgulhoso e sem muitos amigos, ele nunca brigou, nem nada do tipo, então isso me fez pensar que ele não sabia dos assassinatos. O assassino o usou dizendo que eles só dariam um susto em certas pessoas, isso com as cartas, e uma delas, escrita por Carlos. O garoto mal podia pensar, no momento em que a fez, que aquilo serviria pro assassino mostrar que os mortos voltaram a vida, afinal, sua morte foi necessária para isso. Carlos foi usado desde o começo, o assassino sabia que precisaria sacrificá-lo, ainda mais depois da morte de Isabela. Digo isso porque Carlos era do tipo galinha, mas com Isabela era diferente, ele realmente gostava da menina, então por que diabos mataria alguém que ama? Não faz sentido, o que me levou a crer que ele não sabia da morte dela, e quando soube, segundo relatos, seu comportamento ficou muito estranho, o assassino começou a rondá-lo. Mas falemos de sua morte depois, vamos voltar desde o começo. O assassino contratou Carlos, tendo em mente que ele odiava aquela mesma pessoa que o assassino queria atingir, que nada mais é do que Natan. – Naquele momentos, todos olharam com receio para o jovem que começou a chorar. – Sim, Natan foi o motivo de todas essas mortes, e logo explicarei. O assassino e Carlos nutriam um ódio por Natan, ao ponto de se vingarem, e o motivo disso era Aldir Guimarães. Aldir era um jovem bullynado que estudava com Yago e Natan, ele era rebelde, um maloqueiro da vida, mas depois de ter mexido com uma amiga, Natan e Yago começaram a colocar o garoto em seu devido lugar, e então, ele passou a ser bullynado por todos ao seu redor, mas havia, ainda, um único amigo que lhe apoiara, e esse amigo, é o assassino. Descobri isso através do MySpace de Aldir, que ainda estava ativo, ou seja, as redes sociais ajudaram muito nesse caso, e odeio admitir. Dentre todos aqui, só havia uma pessoa na lista de amigos de Aldir que era bem pequena. Coincidência? Não poderia ser. Aldir fingia gostar de uma amiga de Natan e Yago chamada Isabela (também), mas na verdade, ele sempre amou essa sua amiga, única amiga no mundo. Ela também gostava muito dele, mas não como amigo, sendo as mensagens que li em seu MySpace. O golpe fatal que fez Aldir se matar, sustentando sua depressão pro ser desprezado por todos, foi ver essa garota em um relacionamento com Natan. – Todos começaram a olhar ainda mais para Natan que chorava com a cabeça abaixada. Ele já sabia o que havia acontecido até então.

Depois que Natan ficou com essa garota, Aldir não aguentou mais e se matou em 2009, mas assim como muitos, sua família pensou que o culpado de tudo era Natan e Yago, os dois que causaram a ruína do seu filho. O relacionamento da garota com Natan não durou muito, por motivos de ciúmes. A garota se mudou de cidade, e depois de um tempo voltou, e Natan já amava outra, até então. A garota começou a persegui-lo e intimidá-lo, até o ponto em que começou a odiá-lo por ele evita-la. Os dois continuavam amigos, mas no fundo, ela o queria para ele, sua possessão não tinha limites. Eis que o plano foi bolado através disso. Aldir Guimarães era apenas uma desculpa, uma fachada, o A.G nas cartas foi tudo para despistar o real motivo, o assassino nunca pensou que saberíamos que eles foram amigos, mas o passado, ah, o passado, ele sempre é desenterrado! Não dá pra esconder nada de Wellington. A verdadeira intenção do assassino era fazer com que Natan sofresse, e nada melhor do que isso, ao ver sua nova amada morta. O alvo sempre foi Isabela, e agora, vamos a como aconteceu sua morte.

O assassino, como eu já disse, possuía o único intuito de atingir Isabela, ela era o alvo principal, o motivo das outras mortes. Como todos me disseram em seus relatos, e pela reconstituição que fizemos, eu pude perceber que há alguns furos bem perceptíveis. Devemos levar esse caso à partir do senso comum, algo que eu negaria com mão firme, mas ao analisarmos algo de suma importância, deixamos de lado por, previamente, ser banal para resolução do problema. No momento em que Isabela foi morta, várias pessoas não possuíam álibis, por exemplo, começando por Amanda, a garota se encontrava durante o período junto de Yago na churrasqueira, mas como Yago poderia provar que ela estava lá mesmo o tempo todo, sendo que ele foi morto? Yago pode ter respondido às perguntas de Igor, mas naquele momento ele pode ter não se lembrado, se ele estivesse vivo até esse momento, no entanto, ele poderia ter lembrado facilmente. Amanda disse que foi entregar algumas bebidas para Bianca e Julianna, certo Amanda? – Olhei para a garota com um olhar afiado.

– Certo, eu mesma disse, e disse que também fui até o banheiro pra bebê-las, dado o meu vício, não tenho medo de assumir isso.

– Não? Pois deveria ter. – Depois de minhas palavras, Amanda abriu bem seus olhos.

– E por que eu deveria?

– Você disse que foi levar as bebidas para Bianca e Julianna, mas se esqueceu de Isabela. Segundo o que me falaram, as três estavam juntas no local, certo Julianna?

– Sim, até que a Isabela foi no banheiro e não voltou mais, achei que ela estava dando uns pegas com o Natan.

– E por que então, você não citou ela, Amanda? Seria porque você sabia que ela não estava mais lá? Sendo que, segundo TODOS disseram, ninguém viu Isabela entrar no galpão, nem mesmo Kelly, que estava chorando metros dali. – Amanda começou a respirar de maneira rápida, visivelmente eu a tinha abalado, mas tentei acalmá-la.

– Relaxe, não precisa disso. Você só escondeu o fato de que viu Isabela indo se encontrar com alguém, certo?

– Eu não escondi! É que aquilo realmente me passou despercebido...e eu não vi quem era a pessoa que ela foi se encontrar, mas vi ela saindo lá do fundo da casa, quando ela morreu, nem pensei que isso poderia ser importante, como vejo que é agora.

– De extrema importância. Eu entendo que ficou com medo de ser a única pessoa a ter visto Isabela, ainda mais com um garoto. – Naquele momento, todos olharam surpreendidos para mim.

– Como assim um garoto? – Pestanejou Raíza.

– Isso mesmo, ela foi se encontrar com um garoto.

– E quem seria esse garoto? Foi o Natan né? – Kelly parecia querer chorar, mas se segurou.

– Não, não foi não, esse garoto não está mais aqui, porque ele já morreu. Isabela foi se encontrar com Carlos no galpão. – Parece que eu havia iniciado um tumulto por ali, até que Guilherme se pronunciou.

– Pera ae pera ae, mas Raíza disse que o Carlos estava com ela o tempo todo, e o próprio Natan disse isso também!

– O próprio Natan disse ter visto Carlos conversando com Raíza a sós, mas isso foi bem depois da morte de Isabela. Carlos foi se encontrar com ela, e eu sei disso porque dentro o galpão haviam marcas do tênis que Carlos usava. A polícia demorou pra descobrir isso, os pais dele não queriam deixar examinarmos mais nada. E digo mais, eles foram os únicos a entrarem no galpão.

– Quer dizer que foi o Carlos? Ele matou Isabela? Mas ele me disse que só ia falar com ela, dizer que a queria muito, eu estava aconselhando ele antes! – Raíza ficou branca como um fantasma.

– Minha cara, você sabia que Carlos ia se encontrar com ela, e minutos depois, Isabela estava morta. Como você não nos contou algo desse tipo? Isso é óbvio, você queria protegê-lo, não é?

– Isso é... – Raíza abaixou sua cabeça e começou a chorar. – Eu nunca pensei que fosse ele, mas ele seria o mais suspeito depois disso! Quando ela morreu, eu fiquei desesperada, eu fiquei com medo dele também, ele havia me ameaçado. O que o Natan viu não foi ele ando em cima de mim falando em meu ouvido, foi ele me ameaçando. Ele disse que não foi ele, mas que se eu contasse o que havia acontecido antes, ele iria me ferrar, isso foi tudo!

– Está mais calma? – Raíza parecia respirar fundo enquanto me encarava.

– Estou, mas você acredita?

– Eu só acredito em uma coisa: Não foi Carlos quem matou Isabela. – Novamente, todos começaram a me olhar como se eu fosse um belo pedaço de bolo de chocolate.

– E quem matou ela então!? – Questionou Julianna eufórica.

– Pois bem, vou lhes dizer o que aconteceu. Carlos foi se encontrar com Isabela, ele pretendia se declarar, mas sua declaração não foi muito bem recebida, porque Isabela amava outra pessoa, não é Natan? – Olhei para o garoto que permanecia calado. – Carlos ficou frustrado, e disse para ela esperar lá, pois ele iria pegar uma bebida para os dois conversarem melhor, mas Raíza, quando soube disso, impediu Carlos de voltar, não é mesmo Raíza?

– Como você sabe velhote?

– Porque nesse momento, o verdadeiro assassino foi até lá, arrancou a faca de sua cintura, e apunhalou Isabela, de fora do galpão, apenas abrindo a porta. Nesse momento, supostamente, foi quando ele deixou a carta no galpão, e depois o fechou. Depois disso, ele voltou para o churrasco como se nada tivesse acontecido, e agora sim, é que chegamos na morte de Carlos.

– Se Carlos era um cúmplice desde o começo, por que ele teve de morrer? Foi o que eu disse, ele não sabia que ninguém ali morreria. Depois da morte de sua amada, sua estrutura psicológica foi abalada, até porque, ele sabia quem era o assassino, mas se negava a acreditar. Ele se sentia culpado por ter escrito a carta, ele estava participando indiretamente do assassinato e não havia como negar isso. O assassino parece um tanto besta por ter ‘contratado’ alguém que amava a vítima, mas isso estava tudo em seu script. Carlos devia morrer para que ele fosse dado como culpado, depois de matar sua amada, como todos sabiam, ele cometeu suicídio. O problema é que as marcas em seu pescoço não demonstram isso, e muito menos o A.G em seu pescoço, sendo assim, temos um paradoxo. O assassino escreveu A.G porque queria confundir todos a levarem tudo até Natan, que depois de descobrir que Carlos se encontrou com Isabela, ele o matou por vingança, pensando que este teria matado sua amada, ou então, o A.G foi um descuido do assassino? Fico com a primeira teoria, visto que, o assassino pretendia desde o começo incriminar Natan. A morte de Carlos tanto serviu para calá-lo como para que Natan fosse dado como culpado. Agora vamos para como Carlos morreu. Até o momento da entrevista com Igor, seu comportamento estava muito estranho, como todos podiam notar. Ele estava com medo do assassino, e ao mesmo tempo, medo de alguém descobrir que ele esteve com ela no galpão. Carlos era o único que andava com sua mochila, mas por quê? Era um churrasco, não um passeio no parque ou uma escalada, mas mesmo assim ele permanecia com sua bolsa nas costas. E eu lhes respondo: isso foi porque ele queria esconder algo, algo que descobrimos no momento da investigação, e que a polícia havia ocultado de mim, até então. Em sua bolsa haviam mais cartas escritas por ele, com o mesmo teor da encontrada, dizendo que a vingança sempre iria vencer, que A.G devia ser vingado, enfim, ele levava consigo uma boa quantidade de cartas, e por isso não deixava sua bolsa de lado, o que foi o impulso para ele ser morto, pois foi lá que o assassino escondeu também a corda que matou Carlos. Eu não posso dizer exatamente em que momento o assassino fez isso, mas ele o fez. Quando todos saíram para procurar sinal de celular, o assassino chamou Carlos para conversar, em um ponto cego, sem que ninguém pudesse ver, não os dois, mas que não pudessem ver o assassino. Ele se escondeu sobre o tronco da árvore, enquanto todos podia ver Carlos. O assassino então diz que vai pegar as cartas na bolsa de Carlos e destruí-las, mas então, pega a corda e o mata asfixiado com a mesma, depois disso, joga a corda sob o galho da árvore e o puxa, marcando seu pescoço com A.G com algum tipo de navalha ou canivete. O assassino rapidamente sai de cena, e vocês me perguntam: Como Carlos foi dominado por alguma pessoa dos demais que estavam ali? Ele era o mais forte, sim, isso ficou visível até pra mim que viu o seu corpo, então não teria como o assassino enforca-lo tão facilmente, ao menos que, ele estivesse dopado ou drogado. – Olhei para Guilherme e Phelipe naquele momento.

– Sim, sim, ele tava bem logo de farinha, mas ele pegou porque quis, nós oferecemos como sempre fizemos, ele nunca havia cheirado antes, mas depois da morte da Isa ele resolveu ficar louco. – Guilherme parecia dizer a verdade, mesmo Phelipe estando tremendo e sem saber para onde olhar.

– Isso explica como foi fácil de mata-lo. Vejam bem os efeitos que as drogas causam meus caros. Voltando, a morte de Carlos é ponto essencial para inocentar Natan, afinal, Igor prova que ele estava consigo o tempo todo dentro da casa, sendo impossível para que Natan matasse o mesmo, o erro do assassino foi prever que Natan ficaria junto de Igor, e você tem que agradecer ao policial Natan, pois mesmo inocentado da morte do Carlos, você ainda era suspeito de matar Isabela e Yago, mas fique tranquilo, eu disse era. O assassino certamente matou essas três pessoas. Vamos para a morte de Yago, cuja qual aconteceu depois de um blecaute. Em romances policiais, vocês poderiam dizer que o próprio assassino ocasionou o blecaute, mas nesse caso, eu digo que foi apenas ação da chuva, e com isso posso confirmar que a morte e Yago foi pensada no momento, algo como medida de prevenção, e para que? Yago estava junto de Natan quando eles pararam Aldir, o assassino queria que a polícia pensasse que Natan era o cúmplice, ainda mais pela carta que vocês acharam com a letra dele, e portanto , Natan havia o calado. Mas não, Yago não era um cúmplice e muito menos Natan foi quem o calou. Yago escreveu sim a carta, mas, por que então? Depois de mais uma conversa com a família de Yago, soube que junto de um amigo, meses atrás, Yago estava fazendo um RPG, e vocês não notaram o que havia de diferente na carta de Yago? Sim, o papel. O papel era outro das outras cartas que achamos, e quando a polícia revirou o quarto de Yago, encontramos outros pedaços de papéis bem cortados com anotações bem estranhas, e só depois descobrimos com seus pais que se tratava de um RPG feito junto de você, João. – João começou a tremer com a boca aberta, as palavras não conseguiam sair.

– Sim, eu fiz com ele, mas não fui eu, eu não fiz isso eu juro! – Os gritos do rapaz ecoavam por toda casa de maneira irritante.

– Sim meu filho, eu sei. Mas você levou alguns papéis para sua casa, certo?

– Levei sim, eu iria organizar também, e depois passar pro Natan.

– Entendo. O único problema da carta era o A.G assinado, mas isso, qualquer um poderia fazer, eram duas letras, e o assassino o fez sem problemas. Voltando no momento do blecaute, quando as luzes se apagaram, o assassino teve a ‘brilhante idéia’ de matar Yago e usar a sua carta, que foi encontrada depois que ele morreu, para assustador a todos e fazer com que pensassem que havia algo de sobrenatural envolvido. Ele não pensou duas vezes antes de pegar a arma deixada por Igor e matar Yago. Foi um movimento arriscado mas realizado com sucesso. Yago havia sido vítima de sua própria caligrafia. Depois disso, vamos ao desaparecimento do corpo de Yago, mas não antes de analisarmos a ponte que foi ‘derrubada’. Como eu sei que o assassino está aqui entre nós, e seria tecnicamente impossível que ele tenha ido derrubar a ponte no período da manhã no churrasco, considero que sua queda tenha sido por conta da chuva, como muitos já afirmaram por aí. Isso não tem nada a ver com o caso, só o azar contribuindo para tudo. Quando vocês voltaram para a chácara, o corpo de Yago não estava mais lá, mas como isso poderia ter acontecido? Todos estavam juntos enquanto tentavam sair de lá, e quando voltaram, voltaram todos juntos também, e como não há nenhum outro elemento no nosso enredo, considero que Yago mesmo se locomoveu dali até o rio. – Todos balançaram a cabeça pensando que eu estava louco.

– Vocês acham impossível? Pois bem, quem analisou ele quando o mesmo tomou o tirou? O Igor, certo? Mas Igor não é nenhum médico, Yago poderia estar vivo naquele momento, só desmaiado pelo trauma, mas todos pensaram que ele havia morrido dado o tamanho do ferimento. Isso não faz muito sentido pra mim também, mas ao menos que haja um elemento X, essa é a teoria válida, e como já provamos que não há mais elementos do que as pessoas que estão nessa sala e Igor... Bem, mas, por que Yago iria querer sair dali? Simples, ele sabia quem havia dado o tiro e também temia, ele quis procurar por ajuda e acabou morrendo nas margens do Rio. O garoto foi forte. E sobre os rastros de sangue, isso é irrelevante, havia muito sangue pelo local do tiro, muitas pessoas pisaram por ali, se Yago deixasse ou não rastros, ninguém perceberia, assim como na parte de fora, pois chovia muito forte. Vamos à última parte, a última carta. Está aí algo que não descobrimos, o autor dessa carta. Mas pode ter sido qualquer conhecido do assassino, isso não muda nada, mas o que muda são as mentiras de Phelipe. Todos aqui sabem que ele odeia Natan, e havia duas versões sobre essa carta. A primeira, de que Natan havia deixado ela lá, e a segunda a de que a carta foi colocada depois que Natan saiu, e essa pessoa só poderia ser Phelipe, como foi, não é mesmo? – Garoto se levantou deixando as primeiras lágrimas caírem do seu rosto covarde.

– Eu só queria culpar ele porque ele me irritava, eu não fiz mais nada, eu achei essa carta na varando enquanto fugia, eu juro, eu peguei pra mim e quando vi que Natan foi o último a ir ao banheiro, apenas inventei essa história que tinha encontrado lá...pensei mesmo que tinha sido ele! – Natan pela primeira vez havia aberto totalmente seus olhos.

– Ora seu miserável! – O garoto voltou a se sentar abaixando sua cabeça novamente.

– Pronto, outro caso explicado, agora vamos aos acontecimentos pós chácara. Primeiro, para a planta da chácara encontrada no livro de Natan, que era de João. Natan afirma que o livro não era dele, e João confirma. Natan não pode ser o culpado, e isso já é provado, sendo assim, a planta era só para incriminar Natan, sabendo que de alguma forma, eu ou a polícia a encontrariam. E só uma pessoa faria isso, a mesma que atacou Natan. João, você era o único que conhecia a casa de Natan, certo? – João se levantou novamente enquanto gaguejava desesperado.

– Por favor acredite em mim eu não fiz isso!

– Me responda.

– Depois do Yago , sim, só eu tinha entrado lá.

– E você sabia que nos fundos havia uma pedra, né?

– Sim...

– Você contou para alguém das pessoas daqui sobre o livro que emprestou pra Natan?

– Claro que não! Espera... – João abriu bem seus olhos.

– Fique tranquilo, pois a planta foi colocada quando Natan foi em sua casa, assim como a faca que perfurou Raíza. Mas aí vocês me perguntam: Raíza foi esfaqueada depois do Natan ter sido espancado, sendo assim... Pois bem, haviam duas facas iguais, uma que foi usada para perfurar Raíza, e a outra para ser colocada na bolsa de Natan para incriminá-lo.

– João! – Raíza gritou com seu irmão o fitando-o.

– Acha que eu fiz isso!? – Retrucou o próprio enquanto eu apenas sorria.

– Por que alguém espancaria o Natan? Eu me perguntei isso também, se a faca já estava em sua bolsa. A resposta é de que não foi o assassino quem fez isso, mas sim outra pessoa, não é mesmo, Phelipe? – O rapaz balançou a cabeça negativamente enquanto sorria de maneira bem doentia.

– Eu precisava fazer isso, sério, ele iria me ferrar, o bagulho da carta, ele queria me ferrar! Dei um aviso pra ele, esperava que ele entendesse, e ele sabia das drogas também, esse merda, ele ia me ferrar cedo ou tarde.

– Natan só percebeu a faca quando abriu sua bolsa dias depois que saiu do hospital.

– Mas tem um problema velhote, a polícia falou que o sangue encontrado na faca era mesmo o de Raíza! – Guilherme me contestou.

– Sim, e era!

– O que? Então tem duas facas que cortaram a Raíza? Mas se não foi o Natan... – Guilherme começou a pensar enquanto todos me olhavam.

– Então só pode ter sido uma única pessoa! Natan, você guarda aqui o veredito final meu caro, me diga então, quem foi a garota que você namorou no ensino médio que está aqui nessa sala? – Natan olhou para mim, perguntando com os olhos se ele tinha mesmo que fazer isso, eu balancei a cabeça positivamente, e no momento em que o mesmo se levantou, seu dedo apontava para o culpado.

– Pois bem Raíza, o jogo acabou pra você. – Depois de proferidas minhas palavras, a garota apenas sorriu, enquanto chorava.