Preferiria Não Saber
4 Pensamentos
Notas iniciais
Estava quase dormindo, mas uma ligação me acordou.
– Alô?
– Alô quem é?
– Sou eu, Anne. Tentei falar com você o dia todo, mas não dava certo. Por que faltou hoje?
– Ah... É uma longa história...
– Ok... Mas você está bem?
– Sim, estou. Obrigada por se preocupar. Mas... Sem querer ser grossa, como conseguiu o número do meu telefone?
– Ah, fiquei preocupada, fui à secretária da escola e pedi seu número. Fiz mal?
– Não, tudo bem... Só queria saber mesmo... Amanhã te conto o que houve.
– Ok, me desculpe por ter ligado essa hora. Tchau!
– Não, tudo bem. Tchau!
Olhei a hora, dez e dez da noite, nossa fiquei bastante tempo deitada e nem percebi. Enfim, desci para a cozinha e fui pegar os hambúrgueres que minha mãe havia deixado pra mim. Meus pensamentos ainda giravam em torno de James. Caramba, até aqui nunca fiquei tão mexida por alguém, o que está acontecendo comigo?! Não gosto de me sentir assim... Sou muito sensível, e me apego muito rápido as pessoas. Isso não é nada favorável. Preparei e comi os hambúrgueres. Então fui tomar banho, ver se tirava um pouco do peso que estava em mim com a água.
Onze e trinta, fui dormir, pois queria estar com energia pra acordar bem cedo no dia seguinte. E mais uma vez, minha missão foi falha. Fiquei acordada e sonhando a noite toda. Meus pensamentos se tornavam sonhos, e depois novamente pensamentos, e assim foi durante toda noite. Mesmo cansada, hoje estava acordada antes que minha mãe. Era cinco e quarenta e já estava pronta, e estava indo chamar ela.
– Mãe, acorde!
– Filha?! Que hora é essa?!
– Quase seis horas, mãe...
– Ah, e o que faz de pé já cedo?
– Ué, você não entra cedo no trabalho?
– Só quando me pedem... O que não aconteceu hoje.
– Ah, que ótimo, nunca me levanto cedo, e quando isso acontece, é em vão.
– Volte a dormir. Daqui a pouco te chamo pra irmos.
Como se eu tivesse realmente dormido. Voltei para o meu quarto e continuava sem sono. Comecei a pensar várias coisas a respeito de James. Coisas que começaram a parecer estranhas pra mim, mas não conseguia chegar a alguma conclusão. Depois de alguns minutos minha mãe me chamou e depois me levou à escola. Lá tudo foi bem calmo e chato como antes. A única coisa que mudou, foi que fiquei mais tempo por lá depois da aula pra copiar as matérias do caderno de Anne que havia perdido no dia anterior.
– Anne, o que sabe sobre o James?
– James, quem é esse?
– Ué, James William. Que estuda aqui do lado no 2º ano A.
– James William? Não conheço ninguém com esse nome na sala do lado não. Deve ser novo.
– Novo? Ah...
Peguei o ônibus (correto dessa vez) e fui pra casa. Comecei a perceber que não tinha mais pensamentos diferentes, só James estava em minha cabeça. Já tinha aceitado que estava sentindo algo muito forte por ele, e então comecei a querer saber sobre sua vida, sua família e tudo mais. Entrei no registro de alunos da escola na internet, e procurei pelo registro de James, não encontrei. Comecei a achar estranha aquela situação. Quando fui procurar pelo meu, a campainha tocou. Desci para atender, e sim, era ele.
– Olá...
– Oi...
– É... Posso entrar?
– Pode... Fique a vontade.
– Eloise, eu queria conversar um pouco com você... Tudo bem?
– Tudo... Sobre o que quer falar?
James ficou em silêncio por um minuto até começar a falar.
– Eloise, eu estive pensando em você o tempo todo desde que aconteceu aquilo na lagoa... E em todo esse tempo eu nunca fiquei assim, tive sim meus ‘’amores’, mas nada comparado a isso. Perdoe-me, mas eu acho que estou apaixonado por você.
No momento em que ele me disse isso fiquei sem reação, simplesmente paralisada com os olhos esbugalhados por conta do susto. Não sabia o que dizer...
– Não quero que pense mal de mim, só pensei em dizer o que sinto porque não aguentava mais ficar guardando pra mim. Sei que isso foi ontem, mas parece que te amo desde sempre, parece que agora tenho a necessidade de te ver, de estar com você.
Minha reação foi mantida. Só mil pensamentos passavam pela minha cabeça, todo momento. Como assim?! Ele também se sentiu como eu?! Será que isso não está acontecendo muito rápido?! Será que também já o amo?! Quando voltei à realidade, James já não estava mais ali. Corri em direção à porta e o vi já entrando em sua casa. Não conseguia entender realmente o que havia acontecido. Sério que o cara que eu conheço a menos de uma semana disse que me ama?! Sério que estou mexida com isso, o que é uma grande possibilidade de eu também estar apaixonada por ele neste tão pouco tempo?! Não sabia nem o que pensar.
Liguei pra Anne pra marcarmos de sair pra conversarmos, já que estava longe de minhas amigas de Boston, o jeito era desabafar com Anne minha amiga de dois dias.
– Anne, precisava conversar com você... Está ocupada?
– Não... Você disse mesmo que depois me contaria o que aconteceu, mas agora parece mais preocupada, alguma coisa nova aconteceu?
– Sim, mas eu queria conversar com você pessoalmente. Pode ser?
– Sim, onde te encontro?
– Não sei qualquer lugar, eu não conheço nada aqui, escolha o lugar.
– Olha, tem um restaurante perto da sua casa, chama Buon Cibo, você sabe como chegar nele?
– Ah, sei qual é, aquele de comida italiana, não é?
– Isso mesmo. Escolhi esse restaurante porque tem uma comida excelente, e ainda não jantei. Estou faminta.
– Tudo bem. Também estou com fome. Vou tomar banho e te encontro lá daqui quarenta minutos. Até mais.
– Ok. Até.
Tomei banho e me arrumei. Então fui ao Buon Cibo. Estava com tanta pressa que acabei tomando banho rápido demais, e cheguei meio cedo ao restaurante, Anne ainda não tinha chegado. Fiquei olhando o cardápio, e também olhando pelo vidro do restaurante a bela paisagem que havia lá fora. E então, depois de alguns minutos vi que Anne vinha se aproximando.
– Oi Eloise, e então... Vamos pedir algo pra comer antes de irmos ao assunto?
– Ah, pode ser...
Pedimos a comida, e enquanto não chegava, começamos a conversa.
– É o seguinte, eu preciso de sua ajuda.
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