Preferiria Não Saber
26 O que vão fazer?!
Notas iniciais
P.O.V – JAMES
De repente, o telefone tocou. Só para estragar nosso momento mágico.
– Ah, droga! Vou ter que atender. Isso toca alto e vai demorar pra parar, é insuportável. – Disse Eloise começando a se levantar da cama. –
– Não vai não, deixa isso pra lá. – Disse puxando o braço dela carinhosamente para que voltasse pra mim. –
– Não, bobo. – Beijou-me com seus lábios macios e delicados enquanto colocava seu robe – Deve ser minha mãe, tenho que atender senão ela vai ficar preocupada.
– Ok, mas volte logo. Te amo, minha linda.
– Também te amo.
P.O.V – ELOISE
Vesti meu robe e fui em direção à sala já que meu celular estava lá. Desci o mais rápido que pude para evitar perguntas da Dona Mary.
– Ahn?! Que número diferente. Alô?
– Eloise??
– Sim, quem é?
– Eloise! – A pessoa do outro lado da linha chorava desesperadamente, quase não reconheci a voz – Aconteceu algo ruim!
– Ahn?! O que foi?! Senhor Campbell?!
– A minha filha! Minha filha! – Podia perfeitamente ouvir e sentir o sofrimento dele ao dizer aquelas palavras enquanto chorava–
– O que aconteceu?! Diga!
– Ela sumiu! Minha filha!
– Su?! Sumiu?! Como assim?! Senhor Campbell?! Alô?! — A ligação caiu. Neste momento fiquei desesperada. — James! James! Depressa! – Disse aos prantos –
Alguns segundos depois ali estava James com uma cara de espanto.
– O que aconteceu?!
– A Su! – Abracei-o enquanto chorava –
– O que tem ela? – Disse ele ainda espantado com os meus gritos e choro -
– O Campbell! Ele acabou de dizer que ela sumiu!
– Sumiu?! Como assim sumiu?! Sumiu quando?
– Não sei! A ligação caiu! Caiu!
– Eu vou ligar pra ele! Se acalme!
– Ligue!
– Alô?! Senhor Campbell?! Por favor, diga o que aconteceu com a Suellen, a Eloise está desesperada!
– Ela sumiu!
– Quando?!
– Hoje mais cedo. Foi ao supermercado e não voltou! – Disse enquanto chorava agonizando – Mandei toda minha equipe fazer uma busca pela cidade, encontraram apenas o carro dela no supermercado, impecável, sem nenhum arranhão. Descartei a possibilidade de um roubo. James, ninguém a encontra, não sei mais o que fazer! E se também pegaram-na?!
– Calma, Campbell! Vamos encontrá-la! Fique calmo, nada de mau vai acontecer!
– Já está acontecendo!
– Mas Senhor, pense uma coisa... Senhor? Campbell?!
Não ouvi mais nada do outro lado da linha. A ligação havia caído novamente, agora só escutava Eloise perguntando o que tinha acontecido, e chorando.
– Se acalme, meu amor! A ligação caiu novamente, mas ele me disse que ela sumiu hoje mais cedo quando foi ao supermercado. Mandou toda sua equipe atrás dela, disse também que encontraram o carro dela estacionado normalmente no supermercado, portanto descartaram a possibilidade de roubo.
– Mas então, o que queriam?! Será que foram os mesmos que pegaram a Anne?! Oh, não!
Eloise sentou-se no chão com o rosto debruçado em seus joelhos, chorando muito. Eu fiquei mal em vê-la assim. Será que afinal ela estava certa? Os mesmos que pegaram Anne teriam pegado Suellen?! Difícil saber.
– Não fique assim. Por favor. – Fui junto à ela e abracei-a bem forte –
– Você acha que a mataram?
– Não! Não diga isso!
– Tenho medo, Jim... Muito medo...
P.O.V — SUELLEN
De repente, comecei a ouvir vozes que se aproximavam. Rapidamente fechei os olhos e fingi estar desacordada. Percebi que quando entraram acenderam as luzes pois a claridade bateu em meus olhos, já que estava apenas forjando a situação.
– E então? O que vamos fazer com essa belezinha?
– Por enquanto nada. Temos que esperar as ordens.
– Sabe, ela tem um rostinho e um corpo bem bonito. Eu poderia até...
– Ei, idiota! Pare de bobeira! Se te pegam de graça com essa criatura você perde a vida e eu também. Será que não sabe disso ainda?!
– Está bem! Vou ficar na minha.
– É bom mesmo. Mas e a comida, cretino?! Você não trouxe?!
– Mas espera. Era pra ela?!
– Não me diga que você comeu, seu incompetente!
– Eu estava com fome, aí vi aquela comida... Achei que fosse pra mim... Só isso...
– Idiota! Vamos, vamos sair daqui. Qualquer coisa a gente diz que já deu a comida dela. Vem logo, senão as coisas vão ficar piores pro nosso lado!
– Ok.
Os dois homens foram saindo do local, e antes que apagassem as luzes, abri discretamente meus olhos para ver as características deles. Nenhum dos dois era o que tinha me abordado no supermercado. Pelo menos de costas não pareciam ser. Aquilo era confuso.
P.O.V – JAMES
– Meu amor, eu já sei o que podemos fazer pra ajudar a Su...
– Sim, eu também já tinha pensado em irmos até lá...
– Não é exatamente isso. Um tempo atrás, eu e ela demos uma olhada nas fotos do guarda-roupa de minha mãe. Lá naquelas fotos estão guardadas algumas informações importantes. Tenho uma suspeita de que tudo isso tem uma ligação.
– Tipo?
– Vem comigo. Você vai ver.
Subimos até o quarto de Mary. Eloise pediu que eu pegasse as caixas, já que eram grandes e pesadas demais para que ela pudesse pegar sozinha.
P.O.V – ELOISE
Assim que comecei a abri-las, as fotos de meu pai e aquele homem estranho começaram a aparecer novamente.
– Está vendo? Cada foto foi tirada em um local diferente. Se dermos uma analisada maior, quem sabe não encontramos algum lugar familiar?! — James permaneceu calado. Apenas olhando atentamente para uma das fotos que estavam em sua mão. — Se realmente existir uma ligação como suspeito, talvez encontremos algo em um dos lugares dessas fotos. – Olhei de novo sem entender o porquê dele estar tão concentrado naquela foto, até que percebi que, algumas pequenas lágrimas escorriam pelo seu rosto
– Jim?
– Oi? O que foi, amor?
– O que tem nessa foto?
– Nada não.
– Deixa eu ver.
Olhei a foto e fiquei mais por fora. Era apenas mais uma foto de meu pai e o homem.
– Jim, o que aconteceu? — Ele estava sentado na beira da cama, cabisbaixo. — Quer me contar?
– Esse aí, do lado do seu pai em quase todas fotos.
– Sim, o que tem ele?
– É o meu.
P.O.V – SUELLEN
Estava insuportável ficar ali no escuro. Ainda mais nas minhas condições: amarrada, com fome e sem poder fazer nada.
– Então a senhorita está acordada? — Era um daqueles dois de antes que tinha me pegado de surpresa. — Eu vim te fazer uma visitinha hoje mais cedo e a senhora estava desacordada, não é? Ou será que fingindo?! – Ele se aproximou e colocou a mão em meu rosto – Se acha muito espertinha, né moça? O idiota que estava comigo pode não ter notado, mas eu notei. Só pra deixar bem claro, aqui ninguém é bobo não. (Além dele, é claro.) Se achar que pode nos enganar, as coisas vão ficar feias pro seu lado. É bom ficar quietinha aí. Logo seus amiguinhos irão nos visitar. Espero que se esforce para que te encontrem viva ainda.
– O quê?! O que vão fazer com meus amigos?! Diz, seu imbecil! – Disse com muita raiva -
– Imbecil?! Ah! Moça, acho que você não entendeu direito o que eu disse, vou ter que te explicar mais claramente, não acha? – Apertou meu rosto com muita força –
– Pare! Pare! Ahhhhhh! Está doendo! Me largue, seu maluco!
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