Preferiria Não Saber
20 Davon e Suellen
Notas iniciais
– Sim! Sou eu!
– Meu Deus! – Largou o prato e deu-me um abraço – Há quanto tempo não nos vemos, hein?
– Nossa! Nem sei, bastante...
– Sim, realmente. Muito bom te ver, mas o que está fazendo aqui? Conhece o James também? – Pegou o prato novamente -
– Sim, mas na verdade estou aqui por causa da Eloise, ela é minha amiga de infância...
– Ah! Aquela é a Eloise de quem você tanto falava?
– Pois é, ela mesma.
– Nossa! Que divertido esse mundo pequeno.
– Então né! Bem pequeno...
Mal podia acreditar, estava diante do único e grande amor que já tive.
– E você? Conhece o James de onde?
– Nossa, estou na mesma situação que você. Somos grandes amigos de... Sempre praticamente. – Riu, enquanto continuava a pegar os salgados –
– Então... Quer se sentar comigo?
Estava tão surpresa que até demorei pra respondê-lo só mergulhada em lembranças dos nossos momentos.
– Ah, eu adoraria! Mas tenho que levar esses salgados para a Mary, mãe da Eloise, com quem estou sentada.
– Ah, sim! A comilona de quem você falava quando te encontrei aqui. – Riu, me olhando fixamente. –
– Pois é! Só não conte nada a ela, por favor! – Ri da situação. –
– É claro... Sabe, é muito bom te encontrar de novo, você está cada vez mais linda.
Nunca fiquei tão vermelha em toda minha vida! Até fui em direção aos refrigerantes para disfarçar o constrangimento.
– Ah... Você continua gentil e galanteador.
– Ah, desculpe-me.
– Não por isso. Bom, agora tenho que voltar.
– Posso acompanhá-la?
– É... Sim, claro.
Ali estávamos nós, sozinhos no corredor, eu como sempre muito vermelha, mas ao mesmo tempo feliz em revê-lo e, ele sorrindo como sempre, com aquela cara de bobo que tanto me agradava.
– E então, em qual mesa está sentada?
– Naquela ali. – apontei –
– Ah, legal... Não sei se vamos conversar mais essa noite... É... Eu vou ficar na casa do James por algumas semanas... Se puder passar lá, seria bom te ver de novo. – Disse ele sorrindo -
– Tudo bem. Estou passando alguns dias na casa da Eloise, por sorte eles são vizinhos...
– Ah! Que bom! Então nos vemos por lá... Tchau.
– Tchau, foi bom te ver.
Ele beijou meu rosto, e então foi para sua mesa. Ainda não tinha caído minha ficha, era ele sim, estava ali, todo lindo e gentil como sempre. Enfim, voltei para a mesa onde estava sentada.
– Poxa vida! Não sabia que essa mesa de salgados era tão longe! Por que demorou tanto assim, Suellen?!
– Ah, me desculpe, Mary! É que eu encontrei um amigo e acabamos conversando um pouco.
– Um pouco? Vocês colocaram o papo de uma vida toda em dia. Quase fui te procurar de tanto que demorou!
– Perdão, da próxima vez,
– Não, não! Não terá próxima vez, quando eu precisar, eu mesma vou lá e pego. Esperar você é muito cansativo!
– Tudo bem então...
– Mas e então, — Disse ela já devorando os salgados que eu havia trazido – Que amigo era esse que te fez demorar tanto?
– Na verdade, Mary... Não era bem um amigo, é que...
– É que...?
– Lembra que eu te disse que só tive um namorado e foi há um bom tempo atrás?
– Lembro.
– Então, era ele...
– Ah! Agora entendi a demora! Ficou namorando ao invés de trazer meus salgados! Deveria pelo menos ter pegado e trazido de uma vez, e DEPOIS ter voltado pra namorar.
– Não estava namorando, Mary. Eu já te disse. Ele é meu EX-NAMORADO, só conversamos. Fazia tempo que não nos víamos, na verdade, não nos víamos desde que nos separamos.
– Entendi, mas e aí? Não ficou meio, sei lá, abalada com esse reencontro?
– Como assim, ‘’abalada’’?
– É que, desde que você terminou com ele, ou ele com você, não sei, você nunca mais namorou ninguém, pra mim isso significa que alguma coisa ainda restou pra você dessa relação, não?!
– Ah, Mary! Claro que não... – Eu disse meio embaraçada –
– Pense melhor e seja sincera comigo. Conheço você desde quando saiu da barriga de sua mãe, sei quando está confusa.
– Tudo bem, tia Mary.
– Rá! Agora sim! Lembrou-se de me chamar de tia, né? Agora que viu que não tem como esconder algo de mim.
– Tá bom, é verdade. Acho que ainda sinto alguma coisa. Mas também, ele foi meu primeiro amor, é sempre difícil de esquecer o primeiro... – Olhei para onde ele estava sentado -
– Primeiro? Pela sua cara olhando ele, deve ser o único.
– Ah, — Virei-me de volta para ela. – bobagem sua! Não é tanto assim...
– Tá bom, não vou falar mais dele. Aliás, olha quem finalmente vem aí!
– Mãe! Su! Eu demorei pra conseguir vir até vocês! É tanta gente pra cumprimentar que foi difícil pra arranjar um tempo...
– Realmente, filha. Deu tempo até pra Suellen ir ver o namoradinho dela, — encarei-a com um olhar bravo – quero dizer, o ex-namorado dela.
– Sério Su?!
– Pois é...
– E como ele veio parar aqui?! Ah, não quero nem saber, quero que você me apresente a ele!
– Apresentar? Você já deve ter conhecido.
– Sério? Mas quando?
– Quando eu não sei, mas ele disse que é um amigo de infância do James, deve ser o melhor amigo então, provavelmente o James já o apresentou a você.
– Ah... Mas qual o nome dele?
– É Davon.
– Davon? Ah, claro! Sim, me apresentou. Nossa! – Ela sentou-se na cadeira ao lado – Aquele – abaixou o volume da voz — exageradamente bonitão e simpático?!
– Haha! Quanta gracinha de sua parte!
– Su, vem cá. Por que você nunca me falou sobre ele?
– Não sei, acho que é porque o conheci quando você tinha mudado, namoramos os três anos do ensino médio...
– Entendo... Mas três anos?! Três anos é muito tempo! O que aconteceu pra vocês terminarem?
– É que... Na escola em que a gente estudava, tinha uma garota que, descaradamente dava em cima dele. Eu sempre confiei nele, até porque ele nunca deu atenção, mas ela me deixava muito brava com toda essa palhaçada pra cima do meu namorado, e algumas amigas minhas sempre vinham falar que ela estava atrás dele o tempo todo. Mas enfim, no final do ensino médio, ele disse que ia pra Universidade do Texas que era justamente a mesma faculdade que essa tal meretriz ia fazer. Além de ser longe, o que já complicaria o nosso namoro, tinha esse fato. Pra mim isso foi o fim. Foi então que eu terminei com ele.
– Nossa! Que história... Mas você realmente acha que isso foi motivo? Como você mesma disse, ele nunca tinha dado atenção, como poderia saber que ele estava fazendo isso com o propósito de ficar com ela?!
– Ah, eu não sei! Em todos os anos seguintes eu fiquei pensando em várias hipóteses, me senti culpada, outras vezes não, mas a verdade é que lá no fundo, até hoje eu me arrependo de ter o abandonado.
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