Preferiria Não Saber
16 Davon
Notas iniciais
P.O.V – JAMES
No dia seguinte, acordei e tive a ideia de chamar meus colegas para resolver esse problema.
– Droga. O resto da agência não sabe que estou fazendo isso... Se o chefe souber que estou atrás de vingança, estarei perdido. Serei expulso da NASA, e nunca irei conseguir me livrar do assassino de meu pai. Preciso dar um jeito de chamá-los com outro propósito aparente.
Ainda deitado, continuei a pensar em cada detalhe sobre a festa. E cheguei onde queria.
P.O.V – ELOISE
– Ai... Já amanheceu... – Despreguicei-me — Acho que já posso ligar para o James.
Estiquei meu braço e peguei meu celular que estava em cima da mesa de cabeceira da minha cama.
– Alô?
– James? É a Eloise.
– Oi, amor.
– Eu só queria saber se deu tudo certo na preparação da festa, e te perguntar quando e onde vai ser...
– Ah... Deu sim. Meus amigos ainda acham que você não sabe da festa, pode ficar tranquila. E quanto ao local e dia... O local é um salão da Companhia Festas lá perto da casa da Anne, e o dia ainda não foi decidido...
– Ah, então ela já sabia dessa festa?
– Ah... Sim, aliás, foi ela quem deu a ideia.
– Hum... Poxa, as pessoas conseguem esconder as coisas de mim tão facilmente assim?! Não desconfiei de nada.
– É... Mas acabou me ouvindo ao telefone... Não adiantou muito a preocupação em ser discreto, eu estraguei tudo.
– Não fale assim. A culpa foi minha. Não tinha nada que ficar ouvindo suas conversas ao telefone. Mas, como pensou em levar-me até lá, sem que eu desconfiasse?
– Bom, eu iria dizer que era festa de aniversário de um amigo meu, e te levaria normalmente, quando chegássemos lá, iriamos gritar surpresa e tudo mais.
– Ah, que pena que estraguei, ia ser divertido. Sou uma tola mesmo!
– Não, não é.
– Tudo bem... Era só isso, mais tarde nos vemos, te amo!
– Também te amo, tchau!
P.O.V – JAMES
– Caramba! Acabei colocando a Anne no meio da história. Droga! James seu idiota! Não era pra ter feito isso! Agora vou ter que ligar pra Anne, pra avisar sobre isso. Se Eloise for questioná-la, ela precisa estar preparada.
– Anne, estava dormindo?
– Bom, é oito e meia da manhã, acredito que ainda estou!
– Então acorde! Preciso te contar uma coisa.
– Agora que já acordou... Diga-me o que foi? O que aconteceu?
– Ao explicar detalhes sobre a festa, para a Eloise, eu acabei dizendo que vai ser no salão aí perto da sua casa, e que você não só sabia da festa como também foi quem deu a ideia de fazê-la.
– Nossa, James. Ótimo! Colocou-me no meio, e agora?!
– Agora, se ela te perguntar sobre isso já estará ciente.
– Não acha arriscado demais me envolver?
– Até acho, mas agora já o fiz. Bom, tenho que terminar os últimos acertos. Depois nos falamos.
– Mas e os amigos? Já arrumou?
– Dei meu jeito.
– Ai... Estou com medo, mas tudo bem. Então até mais, beijo!
– Beijo.
Resolvi ligar para Davon, meu único e verdadeiro amigo, não só de equipe mas de vida. Davon foi meu grande amigo desde sempre, nossas famílias eram vizinhas, mas quando meu pai foi assassinado, e eu fiquei muito magoado, ele transformou-se em um irmão para mim. Foi muito importante pra minha recuperação desse abalo.
Por obra do destino, ele acabou mudando de cidade quando entrei no ensino médio, fiquei sem vê-lo por três anos, e então, o destino nos uniu novamente, pra mim não foi coincidência, era pra acontecer. Eu o vi no primeiro dia na UT (Universidade do Texas, especificadamente no Departamento de Astronomia), fiquei muito feliz, e lá, reforçamos mais uma vez nossa amizade, então, quando entramos na NASA, ele foi para o setor de experiências e eu para o de pesquisas.
Mesmo assim, sempre que precisei, pude contar com ele. Mesmo nas situações que ele sabia que ia se dar mal por minha culpa. Davon é dois anos mais velho que eu, cabelos brancos, olhos azuis e pele branca. Um pouco menor que eu, e características um pouco diferentes, sempre fui meio apressado, e acabava fazendo as coisas sem pensar, mas Davon como um contraste, bem tranquilo e sensato.
– Irmão, eu preciso da tua ajuda.
– Jim? É você? Por que sumiu, seu louco?
– Eu precisei ir atrás de resolver umas coisas da minha vida.
– Por favor, me diga que não é a história do seu pai de novo!...
– Cara, por que você sempre sabe de tudo? Você é chato!
– Jim, eu te conheço. Você nunca desistiu disso. Não ia ser diferente agora. Mas onde você se meteu, cara?
– Pois é... Houston.
– Houston? Não quero nem imaginar qual o plano que está passando por essa sua cabeça louca. Diga logo o que quer de mim.
– Bom... Eu preciso que você consiga que todos venham para uma festa.
– Festa? Festa do que? Pra quê?
– Bem, isso eu não posso contar em detalhes, mas é uma festa surpresa pra minha namorada e eu preciso de amigos para apresentar a ela.
– Ah, aquela Sarah que sua mãe contou-me? Vocês não tinham terminado devido à mudança dela?
– Sim, nós terminamos já faz algum tempo. Estou falando da minha nova namorada. Eloise.
– Não me diga que... Jim! Não vou permitir que você a use! Isso não combina com o seu caráter, por favor, não faça isso!
– Não estou usando ela, não do jeito que pensa!
– Como não? Você está usando quem não tem nada a ver com isso pra tentar descobrir coisas sobre seu pai, isso é injusto! Com você, mas principalmente com ela!
– Ela tem a ver sim! Tenho que saber se foi o pai dela que o matou!
– Cara, não sei se posso te ajudar. O que você está fazendo não é certo.
– Por favor, eu sei que pode. Você nunca me deixou na mão. Por favor, ajude-me! É a última coisa que te peço!
– Isso foi o que disse da última vez que te ajudei... Mas tudo bem, só vou fazer isso porque te amo, seu idiota. Mas já vou avisando, tome cuidado, pode se machucar.
– Eu entendo... Muito obrigado!
– Mas quando é essa festa?
– Pensei em fazê-la no máximo até a próxima sexta-feira. Acha que consegue?
– Eu posso tentar...
– Valeu, irmão! Não vou esquecer o que está fazendo por mim!
– Tá bem... Cuidado meu caçula. Até mais.
– Até!
Ótimo! Tudo resolvido, agora só espero que a Eloise caia em tudo isso.
P.O.V – SUELLEN
Acordei, e Eloise já estava acordada. Estava trocando de roupa.
– Lô, como anda a situação?
– Do que você está falando?
– Sobre a festa surpresa.
– Ah... Eu acho que é verdade sim. Ele me deu vários detalhes agora pouco, acredito que seja verdade essa festa. Pelo menos me pareceu, acho que estou suspeitando demais dele. Preciso confiar mais.
– Mesmo depois de tudo que já achamos sobre a vida dele?
– Sim.
– Então tudo bem. Não vou questioná-la. – Eloise desceu as escadas e foi para a cozinha. -
Queria tanto conseguir descobrir mais sobre esse James. Tenho medo que ele faça algum mal á ela.
– Su, venha! O café já está pronto!
– Já desço!
Bem, como ela acredita nele, para não magoá-la, vou pesquisar mais sobre sua vida sozinha.
– Vou saber tudo e mais um pouco sobre sua vida, senhor James!
– Disse alguma coisa, Su?
– Não, nada.
– Ah, ok... Então desça logo! Seu leite vai ficar gelado!
– Tá bem. Já estou indo!
Tenho que aprender a só pensar e não falar o que estou pensando. Bom, é melhor eu descer logo, antes que a Lô se estresse comigo.
Fale com o autor