Preferiria Não Saber
14 Traição
Notas iniciais
P.O.V – JAMES
– No mesmo dia mais cedo -
– Ei, vem cá! Rápido, antes que alguém nos veja!
– James, eu não acho certo isso, você está namorando a Eloise, mas mesmo assim estamos aqui!
– Ei, — peguei-a pela cintura – não importa, eu estou namorando ela, mas eu gosto de você!
– Sabe... Desde ontem quando te vi pela primeira vez, lá na casa dela, te achei maravilhoso, mas não tinha cogitado a possibilidade de ficarmos juntos.
– Eu também fiquei encantado quando te vi. Percebi que me senti atraído por você, então tive que planejar um modo de vê-la.
– Nem acreditei quando você apareceu na janela do quarto dela. Você é maluco! A sua sorte foi elas terem descido lá na sala, e demorado pra voltar. Mas mesmo assim, você arriscou muito! Não faça mais isso!
– Não se preocupe, eu vi as luzes acesas e fui espiar pra ver quem estava lá, quando vi que eram as duas, logo aproveitei a oportunidade, nem foi tão arriscado assim.
– Ah, nem acredito! Você conseguiu me encantar em poucos minutos, é loucura! Por favor, tome cuidado pra que ela não descubra aquilo.
– Pare de se preocupar com o que aconteceu ontem, e vamos aproveitar o agora!
Beijei-a, era muito doce seu beijo. Sentia-me feliz como nunca. Depois de alguns minutos juntos, o sinal do fim do intervalo bateu. Pedi que ela fosse à minha frente, pra que não levantasse suspeitas, e então, depois de ver que ela já estava longe, fui para minha sala. E mais uma vez, estava cheio daquilo.
Não aguento mais ter que enfrentar essa coisa. Tudo bem que a diretora permitiu que eu só ficasse três vezes na semana, mas mesmo assim, eu poderia estar trabalhando em meu plano! Ouvir as mesmas coisas de novo, é como se tivesse repetido. Achei que quando entrasse na NASA eu teria um emprego brilhante como o de meu pai, e nunca mais entraria em uma escola!
Finalmente, depois de três aulas o último sinal bateu. Saí da sala louco para ver Anne. Por sorte, ela saiu primeiro que Eloise, que ficou por mais um tempo na sala conversando com o professor. Foi então que chamei-a discretamente para um canto, onde pude conversar com ela.
– E aí? Ela suspeitou de algo?
– Não sei. Fiquei me sentindo mal, e não consegui nem olhar pra ela durante a aula.
– Por quê?
– Porque o que estamos fazendo não é certo.
– E daí? Nós estamos felizes juntos. Isso que importa.
– Por que não termina com ela?
– Porque não posso... E outra, ela nunca mais irá falar com você, se eu terminar com ela pra ficar contigo.
– Eu sei, mas é que, se você não gosta dela, por que fez tudo isso?! Por que a deixou morrendo de amores por você?!
– Olha Anne, eu não posso explicar agora. Logo você saberá. Agora vem cá. Preciso beijá-la antes que ela saia da sala.
– Ah, seu louco!
Mais uma vez nos beijamos, e saímos, para esperar Eloise na entrada da escola. Estava tão atraído, que mal podia esperar por mais um doce beijo de Anne. Quando ela chegou, fui abraçá-la, mas ela recuou. Comecei a achar aquilo estranho.
Durante o caminho até a casa de Anne, fui planejando mentalmente quando iria vê-la novamente, pois estar namorando outra, não era fácil situação. Quando já tinha deixado Anne, e continuado o caminho com Eloise. Acabei sendo sincero nas respostas para Eloise, pois não tinham nada demais.
Quando chegamos à sua casa, descemos do carro, e então decidi tentar apagar a desconfiança dela, e acredito que consegui. Beijei-a, me despedi, e fui para casa.
Ao chegar, abri o livro com todas as informações que havia conseguido coletar até este momento.
– Louis, se o covarde do pai dela foi quem te matou, eu vou descobrir, e encontrá-lo, e ele vai apodrecer no inferno. Eu te prometo.
Comecei a analisar os fatos.
– Pelo que a Mary disse, deve sim ter sido ele quem matou meu pai. Pois se eram felizes no casamento, ele não iria abandoná-la assim de repente sem ter o matado... A não ser que existisse uma mulher, uma amante... Mas seria muita coincidência no mesmo ano do assassinato de meu pai... Tem algo mal contado nessa história toda.
Abri o álbum de fotos que eu olhava sempre, pra tentar achar a resposta certa para minhas suspeitas.
– E essas fotos ridículas?! Por que tão felizes?! Se vocês eram amigos, por que você o matou?! Maldito!
Larguei tudo e fui tomar um banho, pra ver se refrescava minha cabeça. Depois de ter o tomado, deitei-me em minha cama, na esperança de pensamentos melhores.
– Pai, por favor, me ajude! Eu quero vingá-lo, mas não consigo achar seu assassino, eu te imploro, me ajude a encontrá-lo e tirar tudo isso a limpo!
Depois de ter dito isso, e passado alguns minutos, adormeci. O que não durou muito, pois após um tempo recebi uma ligação, que acabou me acordando.
– Alô?! Quem é?
– Sou eu, Anne.
– Ah, oi... Fala linda.
– Eu quero te ver... Você não tem nenhum compromisso com a Eloise hoje, tem?
– Não, não tenho não... Quando e onde quer me encontrar?
– Daqui uns vinte minutos, na praça perto da escola.
– Nossa! Mas é muito longe!
– Você quer ser visto pela Eloise?! Quer ser descoberto, é?!
– Ah, não... Entendo... Tá bem. Me arrumo e vou pra lá. O importante é te ver.
– Ok. Tome cuidado.
Levantei-me da cama, e fui tomar um banho rápido. Assim que o tomei, me arrumei, e fui saindo de casa. Quando estava quase chegando ao carro, Anne me ligou novamente.
P.O.V – ELOISE
Assim que comemos, fomos assistir a um filme. Eu estava louca pra que minha mãe fosse dormir logo, pra que continuássemos a procura por algo que contasse mais sobre James.
– Eloise, por favor, leve o lixo pra fora!
– Ok, mãe...
Saí do sofá, e fui à cozinha pegar o saco de lixo.
– Nossa, mãe! Quanto tempo faz que está juntando isso?!
– Só uma semana, filha. É que me esqueci de levar semana passada. Não reclama não! O tempo que você está reclamando já podia ter levado ele lá fora e voltado.
– Tá mãe, tá.
Quando abri a porta da sala, vi James, que estava todo arrumado, e falando no telefone. Fui me aproximando lentamente, pra tentar não ser notada, e ouvir com quem conversava.
P.O.V — JAMES
– Mas não era lá?
– Era. Só que é um lugar muito suspeito...
– Muito suspeito?! Agora não vai dar pra chegar no horário.
– Tudo bem... O importante é que a Eloise não saiba disso!
– Eu sei que a Eloise não pode saber, mas acho que não precisa de tanta enrolação... – Fui interrompido por Eloise -
– James?! O que eu não posso saber?! E onde está indo tão bem arrumado há essa hora?
Virei para trás, e escondi o celular. Lá estava ela, segurando um grande saco preto.
– Eloise? O que está fazendo aqui com esse saco?
– Isso não importa. Responda-me primeiro.
– Ah... – tentei pensar em uma desculpa rapidamente — Droga!
– O que foi, James? Por que está assim?! Está acontecendo algo de errado?!
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