Preferiria Não Saber
9 Aliança
Notas iniciais
Passaram-se três aulas, e Anne me cutucando e tentando tirar de mim o que havia acontecido. Até que o sinal bateu.
– Aleluia! Parecia que nunca ia chegar esse bendito intervalo!
– Pare de agonia, Anne.
– Não estou agoniada. Agora conte tudo de uma vez! Nos mínimos detalhes, em!
– Ok!
Passei o intervalo todo contando o que havia acontecido no dia anterior, porque não tinha encontrado James para ficar com ele durante o intervalo. Anne estava muito animada com tudo, e louca para conhecer James. Na última aula, ela teve que sair mais cedo e não pôde ‘’conhecer’’ ele. Combinei então com ela que iria conversar com ele, e marcar um jantar entre amigos pra que ela pudesse conhecê-lo.
Finalmente bateu o sinal da última aula, saí da sala e já encontrei James encostado em seu armário no corredor me esperando.
– Não te encontrei durante o intervalo. Onde estava?
– Me desculpe amor, passei todo o intervalo ajudando o professor Dan na biblioteca. Ele me pediu para ajudá-lo a organizar os livros da parte de literatura. Realmente me desculpe.
– Ah... Tudo bem, sem problemas. Só perguntei, porque fiquei preocupada.
– Imagina, está tudo bem. Prometo que amanhã vou ficar o maior tempo possível com você. — Disse ele sorrindo enquanto acariciava meus cabelos. –
– Tudo bem...
– Bom, vamos. Tenho uma surpresinha pra você!
– Surpresinha? Como assim?!
– Ah, isso você só vai saber quando chegarmos ao carro! Rápido, vamos! — Disse ele me puxando para a saída –
Fiquei bem entusiasmada e o acompanhei até o carro. Quando chegamos lá, foi que tive a bela surpresa.
– Bem, eu acho errado começar um namoro sem ter algo que simbolize e ‘’oficialize’’ essa relação. Por isso, é que te peço desculpas por não ter te dado antes. Aqui sua aliança de compromisso.
Ao dizer isso, ele abriu a linda caixinha que continha uma maravilhosa e brilhante aliança de namoro. Era realmente muito linda, e tinha uma pedrinha brilhante ao meio, ela era um azul muito belo, da cor do mar.
– Nossa! Mas é muito linda! Não posso aceitar! Deve ter custado uma fortuna!
– Imagina! Vai aceitar sim, é um presente meu. E outra, nem tenho fortunas. — Disse ele rindo e ao mesmo tempo colocando a aliança em meu dedo. -
Toda encantada o abracei com um sorriso de muita felicidade e o beijei. A cada momento que passava estava mais apaixonada por ele. Era quem estava me fazendo ter felicidade, sair um pouco da vida rotineira de menina solitária que vive de lembranças.
Ele me deixou em casa, e eu fiquei como uma idiota correndo e cantando pela casa, até que ouvi minha mãe.
– Que isso menina?! Está enlouquecendo?!
– Sim mãe! Enlouquecendo de paixão!
– Por quê?
– Olhe essa aliança de namoro que o Jim me deu! É linda, e ele é tão gentil mãe! É lindo, gentil, responsável, educado, romântico, fantástico!
– Nossa, é realmente linda! Opa, não era pra chamá-lo somente de James, em mocinha? — Disse ela rindo. -
– Ah, mãe! Tanto faz! Quem liga?!
– Até ontem, você.
– Ok. Pode chamar ele do que quiser! Mas mãe, por que já está aqui em casa tão cedo?
– Ah, fui dispensada hoje. Hoje estão mais leves as coisas por lá, então me deram um dia de folga. Vou aproveitar pra dar uma geral nessa casa, então trate de manter tudo no lugar!
– Ah... Ok!
Fui dançando para meu quarto, quando cheguei lá, dei um salto e caí deitada em minha cama.
– Ah James, pare de fazer isso comigo! Preciso manter o equilíbrio, mas você não me permite!
Fiquei pensando em nós dois, até que adormeci. Tive um sonho estranho, nele estava James, meu pai, um homem que me parecia familiar e minha mãe. Eles estavam conversando em um cemitério, então, quando eu ia me aproximando, meu sonho acabou. Acordei, e minha mãe estava me puxando e falando comigo.
– Eloise, acorde! Eu tive uma ideia!
– Ahn? Que foi mãe? Por que essa ansiedade? Que ideia é essa que precisa me acordar?
– Bem, primeiro se levante! Quero que me ouça bem, e não durma enquanto falo! Venha!
Ela me puxou da cama, fazendo cair no chão meu cobertor e meu travesseiro que estavam comigo. Levou-me até lá embaixo, eu desci meio dormindo meio acordada, nem sabia quem eu era, estava sob o efeito do sono ainda e sem entender nada. Então, na sala, ela começou a falar.
– Filha, preste atenção! Já que ele te deu a aliança de compromisso hoje, é chegada a hora de retribuirmos o jantar que ele deu para nós, e aproveitarmos para comemorar a oficialização dessa relação! Não acha?
– Nossa mãe! — esfreguei os olhos — É uma ótima ideia! Vou agora mesmo a sua casa convidá-lo!
– Filha, tudo bem que vocês estão namorando, mas ir vê-lo vestida com esse pijama, não é muito legal... — Disse ela rindo –
– Nossa, eu estou de pijama?! Não me lembro de ter o colocado!
– Está com a cabeça em que mundo Eloise?
– Realmente? Não sei. Bom, vou indo me trocar então.
– É. Aproveite e dê uma arrumada nesse cabelo, e uma escovada nesses dentes. O hálito não está dos melhores.
– Ah, mãe. Poupe-me! — Rimos nós duas -
Subi para meu quarto novamente. Arrumei-me, e desci novamente para ir contar a ele sobre a ideia de minha mãe. Quando cheguei à porta de sua casa, toquei a campainha, mas ninguém se manifestou. Fiquei parada em sua varanda, esperando que viesse. Não queria ser como minha mãe e ficar tocando a campainha sem parar como uma louca impaciente. James continuou sem aparecer, então não tive escolha a não ser apertar a campainha novamente.
Esperei por mais cinco minutos então desisti. Virei-me e fui caminhando de volta pra casa. Foi quando então mudei de ideia, e resolvi voltar. Olhei para a porta, e acabei pegando em sua maçaneta. Girei-a, e estava aberta. Pensei por alguns instantes, e então resolvi entrar. Queria muito convidá-lo pessoalmente para o jantar em minha casa.
Entrei. Estava tudo muito escuro, continuei a caminhar me preocupando com o caminho, o qual, eu não enxergava. Sim, estava de dia, mas como as janelas estavam todas fechadas, (Pelo menos naquele cômodo) com as luzes apagadas, estava parecendo noite. Foi então, que a apalpar as paredes por alguns minutos, encontrei onde acendia a luz. Aquilo fez arder meus olhos, pois bateu um enorme clarão de repente em meus olhos que estavam acostumados com o escuro. Ao olhar ao redor, vi que estava naquela mesma sala de antes, com vários livros, e aparelhos de observação estelar. Foi então que resolvi chamar por James.
– James? James? Você está aqui?
Depois de minhas perguntas o silêncio dominou o local. Fiquei parada observando a sala e esperando uma resposta.
– Eloise? É você?
Ao dizer isso, ele apareceu de uma porta perto da cozinha. Estava com um jaleco branco, e um livro grande e também branco em suas mãos.
– Sim, sou eu.
– Ah, olá. Desculpe a pergunta, mas o que faz aqui?
– Eu que peço desculpas por ter entrado sem permissão, mas é que eu toquei a campainha duas vezes e te esperei por algum tempo lá fora, mas foi sem resposta. Então resolvi entrar, vim em hora errada?
– Jamais, amor! Tudo bem...
–Uma pergunta. Por que essa roupa?
– Ah, bobeira minha... Fico aqui, só brincando de pesquisador estelar... O espaço é algo que me interessa bastante...
– Ah, sim... Entendo...
– Bom, pode dizer o que precisa.
Aproximei-me, e tentei ler o nome do livro o qual estava em suas mãos, ele o fechou e colocou em uma estante que estava á sua esquerda, então não pude ler.
– Então, é que minha mãe teve uma ideia de convite a você. E eu vim concretizá-lo.
– Ah, claro. Então faça o convite. – Disse isso, e veio em minha direção me pegando pela cintura. Parou em minha frente, e me olhou nos olhos. -
– Nossa você é tão lindo! Seus olhos brilham intensamente!
– Ah, que isso. — Riu — Era esse o convite? — Continuou a rir -
– Ah, verdade. Me desculpe, acabei me distraindo com seu olhar. Bem, recapitulando, ela quer que vá jantar hoje em nossa casa. Um jantar em retribuição ao que deu pra nós, e um tipo de ‘’comemoração’’ pelo começo de nossa relação. O que acha?
– Nossa! Fico feliz com o convite. Aceito sim!
– Ok então... Nos vemos em casa, ás oito, pode ser?
– Pode sim. Mas não pense que já vai ir embora. Primeiro quero que fique mais comigo aqui.
– Então tudo bem...
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